A Romênia é um país que mistura castelos de lenda, montanhas dos Cárpatos e cidades medievais da Transilvânia com uma capital vibrante e preços que surpreendem de tão acessíveis. É daqueles destinos europeus que ainda parecem autênticos e por descobrir.
A Romênia é um daqueles destinos europeus que ainda parecem autênticos e por descobrir. Mistura castelos de lenda (incluindo o que inspirou o Drácula), as montanhas dos Cárpatos, cidades medievais da Transilvânia com muralhas e torres, vilarejos onde o tempo parece ter parado e uma capital, Bucareste, vibrante e cheia de contradições. Somam-se a isso mosteiros pintados, igrejas de madeira, o delta do Danúbio e preços que surpreendem de tão acessíveis para a União Europeia. Para o viajante brasileiro, é uma porta de entrada econômica e fascinante para o Leste Europeu, longe das rotas mais batidas.
O país gira em torno de Bucareste, a capital, no sul. Ao norte se estende a Transilvânia, o coração turístico, com Brasov, Sibiu, Sighisoara e os castelos de Bran e Peles, além da estrada de montanha Transfagarasan. Mais ao norte ficam a região de Maramures, de tradição rural intacta, e a Bucovina, com seus mosteiros pintados. A leste, o delta do Danúbio, um paraíso de aves onde o rio deságua no Mar Negro. Uma viagem típica combina Bucareste com vários dias pela Transilvânia e seus castelos.
Duas coisas importantes para o viajante: desde 1º de janeiro de 2025 a Romênia é membro pleno do espaço Schengen (não há mais controles nas fronteiras terrestres com o bloco), mas ainda NÃO adotou o euro, então continua usando o leu romeno (RON). O melhor do país é a combinação de natureza selvagem, patrimônio medieval e preços baixos; o que surpreende é o quanto ele é variado e autêntico, com uma vida rural que, em muitos cantos, segue como há um século.
A moeda local é o leu romeno (RON) e, embora a Romênia faça parte da União Europeia, ainda não adotou o euro, então é melhor se virar com leus. Os cartões são aceitos sem problema nas cidades e no comércio maior, mas sempre vale levar um pouco de dinheiro vivo para vilarejos, mercados e transporte. Os caixas eletrônicos são abundantes e costumam dar um câmbio melhor que as casas de câmbio dos aeroportos.
O aeroporto Henri Coandă de Bucareste (OTP) tem trem direto para a Gara de Nord: uns vinte a vinte e cinco minutos, com saídas a cada quarenta minutos, 24 horas por dia (a linha M6 do metrô até o aeroporto só deve ficar pronta em 2028). Cluj (CLJ), Timisoara (TSR) e Iasi (IAS) atendem o resto do país. Os trens da CFR são baratos e bem lentos, então, em vários trechos, o ônibus ganha tempo. Para a Transilvânia, os castelos e os vilarejos saxões, o carro é a melhor opção; a estrada Transfăgărășan, a mais famosa do país, só fica aberta de junho a outubro, e vale confirmar as condições antes de subir.
A melhor época para visitar a Romênia vai de maio a setembro, quando o clima é agradável, os dias são longos e tudo está aberto. O verão (junho a agosto) é a alta temporada, com as cidades animadas, as trilhas dos Cárpatos acessíveis e a estrada Transfagarasan aberta (só funciona sem neve, aproximadamente de julho a outubro); o calor é moderado na montanha e bem mais forte em Bucareste e no sul. Maio, junho e setembro costumam ser o melhor equilíbrio entre bom clima, natureza no auge e menos multidões.
O inverno (dezembro a março) é frio e com neve, mas abre a temporada de esqui em estações como Poiana Brasov e Sinaia, baratas se comparadas aos Alpes; além disso, os castelos nevados da Transilvânia têm um encanto especial e as cidades montam mercados de Natal (o de Sibiu está entre os mais bonitos). A primavera e o outono oferecem paisagens lindas e preços baixos. Se o seu plano inclui a Transfagarasan ou alta montanha, mire no verão de qualquer jeito, porque no resto do ano elas ficam fechadas ou intransitáveis.
A cozinha romena é farta, caseira e baratíssima, com influências balcânicas, otomanas e da Europa Central. O prato mais típico são os 'sarmale' (rolinhos de folha de repolho ou de uva recheados com carne e arroz), quase sempre acompanhados de 'mamaliga' (uma polenta de milho que substitui o pão). Experimente também os 'mici' ou 'mititei' (linguicinhas de carne grelhadas, clássicas de bar), a 'ciorba' (sopa azeda muito popular) e, de sobremesa, os 'papanasi' (bolinhos fritos com creme azedo e geleia). Para beber, a 'tuica' ou 'palinca' (aguardente de ameixa) e bons vinhos locais, pouco conhecidos lá fora.
Comer na Romênia está entre as coisas mais baratas da Europa. Uma refeição completa num restaurante caseiro custa apenas 8 a 13 USD; um prato de mici com cerveja, pouco mais; e uma cerveja local, 2 a 3,50 USD (verificado julho 2026). No centro antigo de Bucareste e nas áreas turísticas da Transilvânia os preços sobem um pouco, mas continuam acessíveis. A gorjeta habitual é de 10% quando o serviço não está incluído, e é costume arredondar para cima.
A Romênia é um país seguro para viajar, com índices baixos de crimes violentos e uma fama pior do que merece. Os principais cuidados são com os batedores de carteira em áreas movimentadas de Bucareste e no transporte, algum táxi que cobra a mais (use apps como Bolt ou Uber, ou táxis com taxímetro à vista, e evite os que ficam esperando na porta do aeroporto) e pequenos golpes contra turistas. Com as precauções de sempre de qualquer país europeu, está tudo certo. Um cuidado típico do interior: em áreas rurais e de montanha há cães pastores soltos e, nos Cárpatos, ursos, então se informe antes de fazer trilhas.
Não há vacinas obrigatórias para entrar e o nível sanitário é aceitável, embora a saúde pública seja mais básica que na Europa Ocidental. A água da torneira é potável nas cidades, mas muita gente prefere a engarrafada pelo sabor. Se for fazer trilhas, cuidado com os carrapatos na primavera e no verão. Contrate sempre um seguro viagem. O número único de emergência é o 112, gratuito de qualquer celular (verificado julho 2026).
A Romênia está entre os destinos mais econômicos da União Europeia, ideal para orçamentos apertados. Um mochileiro se vira muito bem com uns 35 a 50 USD por dia; um orçamento médio, com hotel simples e refeições fora, fica em torno de 65 a 95 USD; e uma viagem confortável, com bons hotéis e restaurantes, raramente passa de 150 USD por dia (verificado julho 2026). Esses valores não incluem o voo internacional saindo do Brasil, que quase sempre tem uma ou duas escalas na Europa.
Como referência (julho 2026): uma cama em dormitório de hostel custa entre 12 e 20 USD; um quarto duplo simples, a partir de 35 USD; uma refeição em restaurante caseiro, 8 a 13 USD; uma cerveja, 2 a 3,50 USD; uma passagem de transporte urbano em Bucareste, cerca de 0,70 USD; e muitas atrações (igrejas, centros históricos, trilhas) são gratuitas ou baratíssimas. Os castelos famosos, como Bran ou Peles, cobram entrada, mas módica. É um país onde o dinheiro rende muito mais que na Europa Ocidental.
O idioma é o romeno, e aqui vai uma boa notícia para o viajante brasileiro: é uma língua românica, prima do português, do espanhol, do italiano e do francês, então muitas palavras dá para entender ou adivinhar (ler um cardápio é mais fácil que no resto do Leste Europeu). O inglês é bastante falado entre os jovens e no turismo de Bucareste e da Transilvânia, menos entre os mais velhos e no interior. Os romenos são hospitaleiros e calorosos, orgulhosos da sua cultura e com fortes tradições ortodoxas e rurais. Um 'bună ziua' (bom dia) ou 'mulțumesc' (obrigado) sempre cai bem.
A tomada é dos tipos C e F, com 230 V e 50 Hz, então quem vai do Brasil vai precisar de um adaptador (e conferir se o aparelho é bivolt caso seja de 127 V). A conectividade é muito boa e barata (a Romênia tem algumas das melhores velocidades de internet da Europa): vale ter um eSIM ou um chip pré-pago local ou europeu, que, como a Romênia faz parte da UE, serve para todo o bloco. Duas dicas de quem já foi: alugar um carro rende muito para aproveitar ao máximo a Transilvânia, os castelos e as estradas de montanha, mas dirija com cuidado nas estradas secundárias, com carroças e animais; e leve algum dinheiro vivo em leus, porque, embora o cartão seja aceito nas cidades, nos vilarejos e mercados quem manda é o dinheiro.
A Romênia é uma raridade geográfica e cultural: uma ilha de língua latina no meio de um mar de povos eslavos, húngaros e turcos. O nome já diz tudo — România vem de romanus, "romano" — e remete a um episódio fundador preciso: a conquista da Dácia pelo imperador Trajano entre os anos 101 e 106, quando as legiões atravessaram o Danúbio, arrasaram a capital dos dácios e colonizaram uma terra rica em ouro. Da mistura de colonos romanos com a população daco-geta nasceu, segundo a tese nacional romena, um povo que continuou falando uma língua românica às margens do mar Negro e dos Cárpatos muito depois de Roma abandonar a província. Essa origem é também o grande debate historiográfico do país, porque húngaros e romenos discutem há séculos quem chegou primeiro à Transilvânia.
Sobre essa raiz antiga se ergueu uma história feita de fronteiras móveis e potências vizinhas. Na Idade Média surgiram três terras romenas: os principados da Valáquia e da Moldávia, ao sul e a leste dos Cárpatos, e a Transilvânia, dentro da coroa húngara. Os dois principados ficaram presos entre o Império Otomano, os Habsburgo e a Rússia, e sobreviveram pagando tributo ao sultão. Dessa época vem a figura mais célebre e mais deformada do país: Vlad Țepeș, o Empalador, príncipe real da Valáquia que o romance de Bram Stoker transformou no conde Drácula. A união da Valáquia e da Moldávia em 1859, a independência arrancada do sultão em 1877-1878, o reino de Carol I e, sobretudo, a Grande União de 1918 — que somou a Transilvânia, a Bessarábia e a Bucovina — deram forma à Romênia moderna. O século XX trouxe o pior: a ditadura de Antonescu aliada a Hitler e o Holocausto romeno, e depois quatro décadas de comunismo que culminaram no regime delirante de Nicolae Ceaușescu, derrubado na sangrenta revolução de dezembro de 1989. Hoje a Romênia é uma república democrática, membro da OTAN e da União Europeia desde 2007, que ainda carrega as cicatrizes desse passado.
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Estas são as fontes que mais citamos nos guias deste país, com quantas vezes cada uma aparece. Os dados duros — ingressos, horários, exigências, transporte — saem da fonte oficial e levam a data em que os verificamos. As indicações de onde comer ou dormir saem de guias e resenhas, e avisamos isso em cada página.