Sinaia é um desses lugares onde a Romênia veste sua melhor roupa. Apelidada de 'a Pérola dos Cárpatos', esta charmosa vila de montanha nasceu como retiro monástico no século XVII e virou a estação de veraneio favorita da realeza e da aristocracia romena quando, no fim do século XIX, o rei Carlos I escolheu estas encostas para erguer sua residência de verão: o Castelo de Peleș, uma joia absoluta do romantismo europeu.
Cercada de florestas de coníferas e dominada pelos cumes do maciço de Bucegi, Sinaia combina um centro elegante de vilas belle époque, hotéis históricos e um cassino com a natureza selvagem dos Cárpatos logo ali: trilhas, cachoeiras, um teleférico que sobe a mais de 2.000 metros e, no inverno, pistas de esqui. Tudo a menos de duas horas de trem de Bucareste, o que a transforma no refúgio de montanha por excelência dos romenos e numa parada obrigatória em qualquer viagem pelo país.
Este guia percorre o essencial de Sinaia com um olhar prático: o imperdível Castelo de Peleș e seu vizinho Pelișor, o sereno Mosteiro que lhe deu nome, como subir a montanha de teleférico, como chegar de trem e emendar com o Vale de Prahova ou com Brașov, e onde dormir e comer. Sinaia é a porta de entrada mais bonita para os Cárpatos romenos e um imperdível entre Bucareste e a Transilvânia.
Sinaia deve seu nome e sua origem ao Mosteiro de Sinaia, fundado em 1695 pelo nobre valáquio Mihail Cantacuzino depois de uma peregrinação ao monte Sinai, no Egito: daí o nome. Durante quase dois séculos, o mosteiro e algumas poucas casas eram tudo o que havia nestas florestas de montanha. O grande salto veio no fim do século XIX: em 1873, o recém-coroado príncipe (depois rei) Carlos I da Romênia, da casa alemã de Hohenzollern, se apaixonou por estas paisagens e decidiu construir aqui sua residência de verão. Entre 1873 e 1883 foi erguido o Castelo de Peleș, uma obra-prima do estilo neorrenascentista alemão que foi, além disso, um dos primeiros castelos da Europa com eletricidade própria. A corte e a aristocracia seguiram o rei, e Sinaia se transformou numa estação de veraneio da moda, com vilas, hotéis de luxo, um cassino (1913) e a ferrovia. No século XX, após a abolição da monarquia pelo regime comunista em 1947, Peleș foi nacionalizado e ficou fechado por um tempo; hoje é um museu que recebe centenas de milhares de visitantes por ano, e Sinaia continua sendo a rainha das estações de montanha romenas. A história completa está na nossa página de história.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Antes de ser a 'Pérola dos Cárpatos', Sinaia não passava de um canto selvagem de florestas de coníferas nas encostas do maciço de Bucegi, cortado pelo riacho Peleș. Sua história começa com um ato de fé. No fim do século XVII, o nobre valáquio Mihail Cantacuzino, grande spatar (dignitário) do principado, fez uma peregrinação à Terra Santa e visitou o célebre mosteiro ortodoxo de Santa Catarina, ao pé do monte Sinai, no Egito. Impressionado com aquele lugar, decidiu, ao voltar, erguer um mosteiro nestas montanhas romenas e batizá-lo com o mesmo nome bíblico: Sinaia.
O Mosteiro de Sinaia foi fundado em 1695. Durante quase dois séculos, o mosteiro e um punhado de casas de pastores e lenhadores foram tudo o que existiu aqui. Era um lugar remoto e de passagem, no caminho de montanha que ligava a Valáquia à Transilvânia pelo Vale do Prahova, então fronteira entre o mundo otomano e o império dos Habsburgo.
O mosteiro, com sua igreja 'Velha' do século XVII e suas muralhas, continua de pé no coração da cidade e conserva aquela origem espiritual. Dele Sinaia tirou não só o nome, mas sua razão de ser: a cidade cresceu, literalmente, ao redor deste mosteiro nascido de uma peregrinação ao deserto do Sinai.
A grande virada na história de Sinaia veio com a monarquia romena. Em 1866, um príncipe alemão da casa de Hohenzollern-Sigmaringen foi chamado para governar os recém-unidos principados da Valáquia e da Moldávia: ele se tornaria Carlos I, primeiro como príncipe e, depois da independência de 1877-1878, como rei do novo Reino da Romênia, em 1881.
Carlos I ficou encantado com as paisagens de montanha do Vale do Prahova, que lembravam sua Alemanha natal. Em 1873 decidiu construir em Sinaia sua residência de verão, e assim nasceu o Castelo de Peleș, erguido entre 1873 e 1883 num espetacular estilo neorrenascentista alemão, com torres, enxaimel de madeira e uma decoração interna de luxo transbordante. Foi uma obra de ponta para a época: um dos primeiros castelos da Europa com eletricidade própria, aquecimento central e até elevador. Ao lado dele foi construído depois o mais intimista Castelo de Pelișor (1899-1903), residência dos futuros reis Fernando e Maria.
Com a chegada da corte, Sinaia se transformou por completo. A aristocracia e a alta burguesia romena seguiram o monarca até a montanha, e o antigo vilarejo monástico virou uma estação de veraneio da moda. Chegou a ferrovia, abriram-se hotéis de luxo, vilas elegantes, um parque (Dimitrie Ghica) e, em 1913, um suntuoso cassino inspirado no de Monte Carlo. Em poucas décadas, Sinaia passou de ermida perdida a balneário real.
A escolha de Peleș como residência de verão da Casa Real teve, além disso, um peso simbólico enorme. Carlos I era um monarca estrangeiro, chamado a governar um país jovem que acabava de nascer da união da Valáquia e da Moldávia, e precisava enraizar a nova dinastia no país. Construir um castelo esplêndido no coração dos Cárpatos, num lugar de beleza indiscutível, foi também uma forma de afirmar a legitimidade e o prestígio da monarquia romena diante da Europa. Peleș não era só um capricho: era uma declaração de intenções, a sede de verão de um reino que queria se mostrar moderno, culto e à altura das cortes do continente.
Nas primeiras décadas do século XX, Sinaia viveu seu auge como estação de veraneio da realeza e da elite romena. Peleș foi palco de recepções, concertos e decisões de Estado; em seus salões foram assinados acordos e recebidos hóspedes ilustres. A cidade, com seu cassino, seus hotéis e seu clima cosmopolita, era o lugar onde 'era preciso estar' no verão.
A Primeira Guerra Mundial atingiu a região: o Vale do Prahova foi zona de combate e a corte teve que se refugiar. Daquela guerra ficou, nas alturas do vizinho maciço de Bucegi, a monumental Cruz de Caraiman, erguida nos anos 20 em memória dos soldados mortos. Depois da guerra, com a formação da Grande Romênia, Sinaia continuou sendo a residência de verão dos reis.
Uma figura marcou especialmente esses anos: a rainha Maria, neta da rainha Vitória da Inglaterra e do czar Alexandre II da Rússia, uma mulher culta, carismática e muito popular, que deixou sua marca pessoal no castelo de Pelișor, cuja decoração art nouveau ela mesma desenhou em boa parte. Em sua célebre Câmara de Ouro, revestida de folhas de cardo douradas, a rainha Maria morreu em 1938. Foi o fim de uma época: poucos anos depois, a Segunda Guerra Mundial e o pós-guerra mudariam para sempre o destino da Romênia e de seus castelos.
O fim da Segunda Guerra Mundial trouxe a ocupação soviética e a instauração do regime comunista. Em 1947, o rei Miguel I foi obrigado a abdicar e a se exilar, e a monarquia foi abolida. Os bens da família real, incluindo os castelos de Peleș e Pelișor, foram nacionalizados pelo Estado. Durante um tempo, Peleș funcionou como museu, mas o ditador Nicolae Ceaușescu, desconfiado, fechou-o ao público nos anos 80 e o reservou para usos oficiais, deixando-o semiabandonado.
Depois da queda do comunismo em 1989 e da Revolução Romena, Peleș reabriu como museu nacional e recuperou seu esplendor. Nas décadas seguintes também se resolveu a complexa disputa judicial sobre a propriedade: o castelo foi formalmente restituído à Casa Real da Romênia e depois comprado de novo pelo Estado, que o mantém como museu aberto ao público. Hoje é um dos monumentos mais visitados do país, com centenas de milhares de visitantes por ano.
Sinaia, por sua vez, se reinventou como uma das principais estações de montanha da Romênia, tanto no verão — trilhas em Bucegi, teleférico a mais de 2.000 metros, turismo cultural em torno dos castelos e do mosteiro — quanto no inverno, com suas pistas de esqui em Cota 1400 e 2000. A 'Pérola dos Cárpatos' conserva seu ar belle époque de balneário real e continua sendo, mais de três séculos depois daquele mosteiro trazido do Sinai, um dos destinos mais queridos e bonitos do país.