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História de Liechtenstein

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Dois senhorios alpinos no coração do Império

Antes de existir Liechtenstein, existiam Vaduz e Schellenberg: dois pequenos territórios no alto vale do Reno que, na Antiguidade, tinham feito parte da província romana da Récia e que, na Idade Média, ficaram dentro do Sacro Império Romano-Germânico. A região foi habitada desde tempos remotos —há achados que remontam a milhares de anos—, e sob Roma foi terra de passagem e de guarnições que vigiavam os caminhos alpinos contra as incursões germânicas.

O condado de Vaduz se formou por volta de 1342, quando se separou do condado mais amplo de Werdenberg. Junto com o senhorio de Schellenberg, mais ao norte, tinha uma particularidade decisiva para o que viria depois: os dois gozavam da chamada 'imediatez imperial' (Reichsunmittelbarkeit), ou seja, dependiam diretamente do imperador e de mais ninguém. Não respondiam a nenhum duque ou bispo intermediário, mas à própria cabeça do Império.

Durante os séculos XVI e XVII, os dois territórios pertenceram aos condes de Hohenems, uma família que acabou arruinada por dívidas e por processos ligados às caças às bruxas da região, que deixaram a população empobrecida e ressentida. Essa ruína colocou Vaduz e Schellenberg à venda justamente quando outra família, muito mais rica e ambiciosa, estava procurando exatamente isso: um território livre, sujeito apenas ao imperador.

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A família que comprou um país para ter voz e voto

A casa de Liechtenstein era uma das dinastias mais ricas da nobreza austríaca. Tirava seu nome do castelo de Liechtenstein, perto de Viena, que a família possuía desde o século XII, e ao longo de gerações tinha acumulado enormes propriedades na Áustria, na Morávia e na Boêmia. Mas havia um problema de status: todas essas terras eram possuídas como vassalos de outros senhores, de modo que, por mais ricos que fossem, não tinham direito a um assento na Dieta Imperial (o Reichstag), o grande conselho dos príncipes do Império. Para se sentar ali, era preciso possuir um território com imediatez imperial.

Foi aí que entraram Vaduz e Schellenberg. O príncipe Johann Adam Andreas I de Liechtenstein comprou o senhorio de Schellenberg em 1699, por cerca de 115.000 florins, e o condado de Vaduz em 1712, por cerca de 184.000 florins, dos arruinados condes de Hohenems. Ele não estava interessado nessas montanhas pobres pelo valor agrícola —eram das terras menos produtivas que a família possuía—, mas pelo que representavam: a chave para entrar no clube dos príncipes soberanos do Império.

Johann Adam Andreas morreu em 1712, no mesmo ano em que concluiu a compra de Vaduz, sem descendência masculina. Quem coroou a jogada foi o seu sucessor. A família tinha perseguido esse objetivo durante quase um século, e agora tinha nas mãos as duas peças de que precisava.

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1719: nasce o principado imperial de Liechtenstein

Em 23 de janeiro de 1719, o imperador Carlos VI assinou o decreto que unia o condado de Vaduz e o senhorio de Schellenberg em uma só entidade e a elevava à categoria de principado, com o nome da família que o possuía: Liechtenstein. Foi, a rigor, um ato administrativo do Sacro Império, mas é a data de nascimento do país que continua existindo hoje. O príncipe reinante naquele momento era Anton Florian, que finalmente conseguiu para a sua casa o tão desejado assento entre os príncipes do Império.

Há um detalhe que diz muito sobre a origem do país: durante mais de cem anos, os príncipes de Liechtenstein governaram o seu principado sem pôr os pés nele. Viviam em Viena, entre a corte imperial e suas vastas possessões na Boêmia e na Morávia, e administravam Vaduz à distância, por meio de funcionários. O território era para eles um título de prestígio e um ingresso para a política imperial, não um lar. O primeiro príncipe que realmente visitou seus domínios alpinos só o fez em 1818, quase um século depois da fundação.

Enquanto isso, a vida dos poucos milhares de camponeses de Vaduz e Schellenberg seguia seu ritmo de subsistência: agricultura de montanha, pecuária, pobreza crônica e uma relação distante com senhores que quase nunca viam. Esse contraste entre a grandeza da família e a pobreza do território marcaria o país por gerações.

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Da Confederação do Reno à Confederação Germânica

O terremoto napoleônico redesenhou a Europa e, de quebra, mudou o status de Liechtenstein. Em 1806, Napoleão dissolveu o Sacro Império Romano-Germânico, que tinha existido por mil anos, e reorganizou os Estados alemães na Confederação do Reno, sob a sua tutela. Liechtenstein foi incorporado a essa confederação e, paradoxalmente, saiu ganhando: com o desaparecimento do Império do qual dependia, o principado se tornou um Estado plenamente soberano. Foi o momento em que Liechtenstein deixou de ser uma peça do Império para virar, tecnicamente, um país independente.

Com a queda de Napoleão, o Congresso de Viena de 1815 voltou a reorganizar o mapa. Liechtenstein passou a integrar a nova Confederação Germânica, a união frouxa de Estados de língua alemã que substituiu o velho Império e que existiu até 1866. Ser o menor de seus membros não impediu que o principado tivesse de começar a modernizar suas instituições.

Em 1818 recebeu sua primeira constituição, muito limitada, e nesse mesmo ano um príncipe finalmente pisou no território. Mas a mudança de fundo chegou com a onda revolucionária europeia de 1848 e seus ecos: em 1862, sob o príncipe Johann II —que reinaria por 70 anos, um dos reinados mais longos da história—, foi promulgada uma constituição que reconhecia liberdades civis e criava pela primeira vez o Landtag, o parlamento de Liechtenstein. O país começava a ser algo mais do que uma propriedade da família.

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O exército que voltou com mais soldados do que partiu

Em 1866, a guerra austro-prussiana partiu a Confederação Germânica ao meio e acabou por dissolvê-la. Liechtenstein, membro da Confederação, enviou seu modesto contingente militar para cumprir suas obrigações. A anedota que se conta desde então —entre o fato e a lenda nacional— é que aqueles oitenta e poucos soldados não só não tiveram uma única baixa, como voltaram em maior número do que saíram, porque no caminho teria se juntado a eles um oficial austríaco (ou, segundo outras versões, um amigo italiano). O episódio resume perfeitamente a escala do país e sua relação com a guerra.

Com a Confederação dissolvida, Liechtenstein ficou sem aliança militar e sem motivo para manter tropas. Em 1868, o príncipe e o Landtag tomaram uma decisão pragmática: dissolver o exército, de apenas oitenta homens, porque era caro demais para os cofres do principado e não servia para defender nada. Desde então, Liechtenstein não tem forças armadas e se declarou permanentemente neutro.

Essa neutralidade, nascida mais da pobreza e do tamanho do que de uma grande doutrina, com o tempo se tornou um traço de identidade e uma política de Estado. Sem exército e sem ambições territoriais, o país aprendeu a sobreviver tornando-se imprescindível ou invisível para os vizinhos, conforme a conveniência. Isso viria muito a calhar no século que estava por vir.

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A Primeira Guerra e a virada da Áustria para a Suíça

Durante mais de um século, Liechtenstein tinha vivido amarrado à Áustria: seus príncipes moravam em Viena, seus laços aduaneiros, postais e econômicos passavam pelo Império Austro-Húngaro, e sua classe dirigente olhava para o leste. Liechtenstein se manteve neutro na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), mas sua estreita dependência da Áustria-Hungria o arrastou mesmo assim para o desastre econômico quando o Império desmoronou após a derrota.

O golpe mais concreto foi monetário. Com o colapso da Áustria-Hungria, a coroa austríaca despencou e, com ela, evaporaram as economias da população de Liechtenstein, que usava essa moeda. O pós-guerra trouxe fome, inflação e uma crise profunda em um país que já era pobre por si só. Ficou claro que se amarrar à Áustria derrotada e arruinada não tinha futuro.

Assim, Liechtenstein fez uma virada histórica para o oeste, rumo à próspera e neutra Suíça. Em 1919, o principado assinou um acordo pelo qual a Suíça assumia a representação de seus interesses diplomáticos e consulares no exterior, um vínculo que continua em vigor até hoje. Era o primeiro passo de um realinhamento completo que, em poucos anos, transformaria Liechtenstein em um satélite econômico suíço, embora mantendo sua plena soberania política.

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O franco suíço e a união aduaneira com a Suíça

O realinhamento com a Suíça foi selado no que havia de mais prático: a moeda e as alfândegas. Após o colapso da coroa austríaca, a população começou a usar o franco suíço no dia a dia, e desde 1920 os impostos já eram pagos em francos. Liechtenstein chegou a cogitar emitir sua própria moeda, mas, com menos de 12.000 habitantes, era pequeno demais para sustentá-la. A solução foi adotar a moeda do vizinho: em 1924, o parlamento estabeleceu o franco suíço como moeda oficial e única, com o aval de Berna. Desde então, Liechtenstein compartilha a moeda com a Suíça sem fazer parte dela.

O outro pilar foi o tratado aduaneiro. Em 29 de março de 1923, os dois países assinaram o acordo pelo qual o principado se incorporava ao território aduaneiro suíço, formando um espaço econômico comum que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1924. A Suíça passou a administrar as fronteiras externas de Liechtenstein e a representá-lo em muitos assuntos comerciais; o principado, em troca, ficou integrado ao mercado e à estabilidade suíços.

Paralelamente, em 1921 Liechtenstein ganhou uma nova constituição, inspirada em parte no modelo suíço, que combinava monarquia constitucional com democracia parlamentar e elementos de democracia direta, como o referendo e a iniciativa popular. Esses três passos —constituição de 1921, franco suíço e união aduaneira— fixaram o marco institucional e econômico em que Liechtenstein continua vivendo um século depois.

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A Segunda Guerra: neutralidade e as contas pendentes

Na Segunda Guerra Mundial, Liechtenstein voltou a se declarar neutro e conseguiu atravessar o conflito sem ser invadido, protegido em boa medida pelo alinhamento com a Suíça e pela sua insignificância estratégica. Mas foi um equilíbrio frágil. Existiu um partido nazista local, o VDBL, financiado pela Alemanha, que em março de 1939 tentou um golpe para provocar a anexação do principado ao Reich; a tentativa fracassou e, segundo os historiadores, o próprio Hitler preferiu não complicar suas relações com a Suíça forçando a anexação. A família principesca, que até então vivia em Viena, mudou-se definitivamente para Vaduz em 1938, após o Anschluss da Áustria.

Décadas depois, o próprio país quis encarar essa etapa de frente. Em 2001, o governo criou uma Comissão Independente de Historiadores, presidida por Peter Geiger e integrada por especialistas de Liechtenstein, Israel, Áustria e Suíça, que apresentou seu relatório final em 2005. As conclusões foram matizadas: o principado não explorou de forma massiva trabalhadores escravos nem confiscou bens de famílias judias em seu território, mas sua política de refugiados foi ambivalente e restritiva, e concedeu a cidadania a cerca de 144 pessoas judias em troca de somas elevadas de dinheiro, mais um negócio do que um gesto humanitário.

O ponto mais incômodo atingiu a própria dinastia. A comissão documentou que nas grandes propriedades agrícolas da família Liechtenstein na Áustria foram empregados prisioneiros —incluindo internos de um campo de concentração perto de Viena— como mão de obra forçada, e que a casa adquiriu bens e obras de arte que tinham pertencido a judeus espoliados. O estudo concluiu que o príncipe Franz Josef II não teria tido conhecimento direto desses fatos. O caso mostra a distância entre o território do principado, pequeno e periférico, e as vastas possessões de sua família no coração da Europa ocupada pelo nazismo.

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De país pobre a potência industrial e financeira

Ao fim da guerra, Liechtenstein continuava sendo um país agrícola e pobre e, ainda por cima, tinha perdido boa parte do patrimônio da família governante: a Tchecoslováquia e a Polônia expropriaram as imensas propriedades dos Liechtenstein na Europa Central —mais de 1.600 quilômetros quadrados de terras de cultivo e floresta—, muitas vezes maiores do que o próprio principado. Para fazer caixa, a dinastia chegou a vender tesouros de sua célebre coleção de arte, como o retrato 'Ginevra de' Benci' de Leonardo da Vinci, comprado em 1967 pela National Gallery de Washington: foi o único Leonardo em um museu dos Estados Unidos.

A transformação veio por dois caminhos. Um foi a indústria. Em 1941, em plena guerra, os irmãos Martin e Eugen Hilti tinham fundado em Schaan uma oficina mecânica. Depois de sobreviver a duras penas ao pós-guerra fabricando de tudo, Martin Hilti encontrou seu filão de ouro: sistemas de fixação e ferramentas para a construção, como os pregos disparados sobre concreto. A empresa cresceu até se tornar uma multinacional presente no mundo todo, com suas icônicas maletas vermelhas; hoje fatura mais de 6 bilhões de francos suíços, emprega dezenas de milhares de pessoas e continua sendo a maior empregadora do país.

O outro caminho foram as finanças. Com impostos baixíssimos, leis societárias flexíveis e um rígido sigilo bancário, Liechtenstein se tornou um centro financeiro e um refúgio de capitais e empresas do mundo inteiro, muito acima do que seu tamanho faria esperar. Esse modelo disparou o padrão de vida até colocar o país entre os de maior renda per capita do planeta, mas também lhe rendeu fama de paraíso fiscal e pressões internacionais que explodiriam já no século XXI. Em 1995, buscando se ancorar na Europa sem abrir mão do vínculo com a Suíça, Liechtenstein entrou no Espaço Econômico Europeu.

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O príncipe com poderes reais: a reforma de 2003

Liechtenstein é uma raridade política na Europa do século XXI: uma monarquia em que o príncipe não reina de forma apenas simbólica, mas exerce poder efetivo. E esse poder não diminuiu com o tempo; pelo contrário, foi reforçado. O responsável foi o príncipe Hans-Adam II, no trono desde 1989, que travou uma queda de braço frontal para ampliar as atribuições da coroa.

Em 2003, após anos de tensão com o governo e o parlamento, Hans-Adam II levou a referendo uma reforma constitucional que lhe concedia poderes muito amplos: a faculdade de vetar leis, de destituir o governo, de nomear juízes e de governar por decreto em situações de emergência. O príncipe apresentou a consulta quase como um ultimato: se o povo não aprovasse a reforma, a família se retiraria da política e se mudaria para Viena. Em 16 de março de 2003, os cidadãos de Liechtenstein aprovaram o texto com 64,3% dos votos. Como contrapartida, a nova constituição também incorporou um direito inédito: a possibilidade de os cidadãos convocarem um referendo para abolir a monarquia, e o direito de cada comuna de se separar do principado.

A reforma rendeu críticas de organismos europeus —o Conselho da Europa e a Comissão de Veneza alertaram que ela concentrava poder demais no monarca—, mas foi referendada nas urnas. Em 2004, Hans-Adam II delegou a condução cotidiana dos assuntos de Estado ao filho, o príncipe herdeiro Alois, embora tenha mantido a chefia do Estado. Em 2012, uma nova tentativa de reduzir o poder de veto do príncipe foi rejeitada por ampla maioria em outro referendo: os cidadãos de Liechtenstein, com sua monarquia próspera, preferiram mantê-la do jeito que está.

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O Liechtenstein de hoje

O século XXI obrigou Liechtenstein a reinventar seu modelo financeiro. Em 2008, um vazamento de dados bancários desencadeou um escândalo internacional de evasão fiscal que respingou sobretudo em contribuintes alemães e colocou o principado na mira da União Europeia, da OCDE e dos Estados Unidos. Pressionado, o país abandonou progressivamente o sigilo bancário rígido, assinou acordos de troca de informações fiscais e procurou reconverter sua praça financeira para padrões de maior transparência, sem deixar de ser um centro de gestão de patrimônios.

Hoje Liechtenstein combina traços que parecem contraditórios: é ao mesmo tempo um dos países mais ricos do mundo per capita e um dos menores; uma monarquia com poder real e uma democracia com fortes mecanismos de participação direta; profundamente conservador em algumas coisas e capaz de aprovar o casamento igualitário, que entrou em vigor em 2025 após a votação quase unânime do Landtag em 2024. Membro do Espaço Econômico Europeu e do espaço Schengen, mas não da União Europeia, mantém seu vínculo umbilical com a Suíça —moeda, alfândega, representação externa— e, ao mesmo tempo, uma identidade própria zelosamente cuidada.

Em 2024, o principado deu mais um passo em sua integração internacional ao ingressar no Fundo Monetário Internacional. Com cerca de 40.000 habitantes, sem exército, sem dívida pública significativa e com um príncipe que continua morando no castelo que domina a capital, Liechtenstein segue sendo o que foi desde sua fundação em 1719: um país improvável que fez de sua pequenez, e de sua capacidade de se adaptar aos tempos, a chave de sua sobrevivência.

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Montanha e natureza

História de Montanha e natureza · Liechtenstein

Malbun, a única estação de esqui do país

No alto da montanha, a cerca de 1.600 metros de altitude e a menos de dois quilômetros da fronteira com a Áustria, abre-se o vale de Malbun, a única estação de esqui do Liechtenstein. Administrativamente, faz parte do município de Triesenberg, do qual é um exclave situado além da linha de cumes, e é o grande destino de montanha do principado, tanto no inverno para esquiar quanto no verão para caminhar.

A estação tem a escala do país: alguns poucos teleféricos e teleskis que sobem pelas encostas, pistas para todos os níveis e duas áreas de aprendizado para os pequenos, pensadas para as famílias. Das cristas mais altas dá para ver ao mesmo tempo a Suíça e a Áustria, e o clima é o de um vale alpino aconchegante, bem diferente do agito das grandes estações dos Alpes.

Malbun teve até um encontro insólito com a história militar: em 1968, cinco projéteis de artilharia suíços, disparados por engano durante manobras, caíram sobre o vale e causaram pequenos danos. A anedota, quase uma piada sobre a escala do país, não impediu que Malbun se consolidasse como o coração do turismo de montanha do Liechtenstein e o lugar onde o principado, sem litoral nem grandes cidades, oferece sua natureza alpina.

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Da pastagem de altitude ao turismo de inverno

Antes de ser uma estação de esqui, Malbun foi o que eram todos esses vales de altitude: um lugar de pastagens de verão para onde os criadores walser de Triesenberg levavam o gado nos meses quentes, no sistema tradicional de transumância alpina. Durante séculos, a montanha não foi um destino de lazer, mas um recurso econômico duro e sazonal, ligado à pecuária e à exploração das pastagens comunais.

O esqui e o turismo de inverno chegaram aos Alpes ao longo do século XX e transformaram por completo o sentido desses vales. Malbun foi ganhando hotéis, teleféricos e pistas, e deixou de ser um canto de criação de gado para se tornar um centro de lazer. Até a família principesca frequentou a estação: os príncipes do Liechtenstein aprenderam a esquiar nessas encostas, o que deu a Malbun certo prestígio.

Essa mudança reflete, em pequena escala, a transformação econômica de toda a montanha europeia: paisagens que durante séculos mal davam para sobreviver se valorizaram quando o lazer e o turismo viraram indústrias. No Liechtenstein, um país que fez fortuna com a indústria e as finanças do vale, Malbun traz o outro pilar de sua economia moderna, o do turismo alpino.

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Steg e o Valünatal

No caminho para Malbun, um pouco mais abaixo, fica o pequeno vilarejo de Steg e, ao lado dele, abre-se o Valünatal (ou vale do Valüna), um vale alpino mais tranquilo e menos construído que Malbun. Se Malbun é o centro do esqui alpino, Steg e o Valünatal são o reino do esqui cross-country, das caminhadas e da calma da alta montanha, com trilhas que se embrenham entre prados e bosques.

O vale conserva um caráter natural e sossegado, com a arquitetura tradicional das cabanas de montanha e as pastagens que ainda são usadas para o gado no verão. É uma paisagem típica do sistema de exploração alpina praticado pelos walser: aproveitar cada canto da montanha conforme a estação, subindo e descendo o gado e trabalhando solos difíceis.

Steg e o Valünatal representam o Liechtenstein mais silencioso, aquele que fica longe dos bancos de Vaduz e das fábricas de Schaan. É o avesso natural de um país conhecido sobretudo por sua riqueza financeira: um lugar onde o principado volta a ser, simplesmente, um punhado de vales alpinos entre montanhas.

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Os Alpes do Liechtenstein

Embora seja conhecido pela planície do Reno, mais da metade do Liechtenstein é montanha. A maior parte do território é ocupada pelos Alpes Réticos, com cumes que passam dos 2.000 metros; o ponto mais alto do país é o Grauspitz, com 2.599 metros, na fronteira com a Suíça. É uma geografia vertical, de vales encaixados e encostas íngremes, que durante séculos condicionou a vida de seus habitantes e os obrigou a uma economia de subsistência.

Essa montanha foi, historicamente, tão importante quanto o vale. As pastagens de altitude sustentavam a pecuária, base da alimentação e da escassa economia de exportação — o queijo, a manteiga — do antigo principado agrícola. A organização dessas pastagens comunais, os 'alpes' para onde o gado subia no verão, estruturou por gerações a vida das vilas de montanha como Triesenberg.

Hoje essas mesmas montanhas cumprem outra função. Com o país já rico graças à indústria e às finanças, a alta montanha se tornou sobretudo um espaço de natureza e turismo, cortado por trilhas bem sinalizadas — como a conhecida trilha do príncipe, que percorre os cumes — e em boa parte protegido como reserva natural. A montanha que antes mal dava de comer é agora uma das grandes atrações do principado.

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Natureza, trilhas e fauna alpina

Os arredores de Malbun e do Valünatal concentram boa parte do patrimônio natural do Liechtenstein. São vales de alta montanha onde sobrevivem a flora e a fauna alpinas: camurças, marmotas, aves de rapina e, nos prados de altitude, uma grande variedade de flores de montanha que explodem no verão quando a neve recua. Parte desse território é protegida como reserva natural, um esforço notável em um país tão pequeno e tão densamente povoado em sua faixa plana.

A rede de trilhas faz da região o grande destino de caminhadas do principado. De Malbun e Steg partem rotas que sobem aos colos e aos cumes da fronteira, com vistas que abrangem Liechtenstein, Suíça e Áustria num só olhar. No inverno, essas mesmas encostas se cobrem de pistas de esqui alpino em Malbun e de percursos de esqui cross-country no Valünatal.

Essa face natural é o complemento necessário do retrato do país. O Liechtenstein não é só castelos, bancos e fábricas: é também um pedaço dos Alpes com a natureza intacta, um lugar onde, a poucos minutos de carro da capital e de seus prédios financeiros, dá para caminhar por prados de altitude no mais completo silêncio. Nessa combinação de riqueza extrema e montanha preservada está boa parte do encanto do principado.

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📍 Destinos de Montanha e natureza
MalbunSteg Valuna

📚 Bibliografia

  • Malbun — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Malbun
  • Triesenberg — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Triesenberg
  • Geography of Liechtenstein — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Geography_of_Liechtenstein
  • Liechtenstein — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Liechtenstein
  • Liechtenstein — Britannica — https://www.britannica.com/place/Liechtenstein
  • Walser people — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Walser

Os castelos e o sul

História de Os castelos e o sul · Liechtenstein

Balzers e o castelo de Gutenberg

No extremo sul do Liechtenstein, sobre uma colina rochosa que se ergue entre a vila de Balzers e o bairro de Mäls, fica o castelo de Gutenberg (Burg Gutenberg), construído por volta do ano 1200. Ao contrário do castelo de Vaduz, que é residência privada do príncipe, Gutenberg é um castelo público que pode ser visitado e que funciona como espaço cultural. Pertenceu durante séculos à casa de Habsburgo, entre os séculos XIV e XIX, o que o diferencia do restante do território, ligado à casa de Liechtenstein.

Gutenberg é um dos dois castelos medievais que continuam de pé no país e domina, do alto, a entrada sul do vale, um ponto de passagem estratégico por onde passavam os caminhos rumo à Suíça e aos Grisões. Sua posição explica por que esta colina foi fortificada e habitada muito antes de existir o castelo atual.

A silhueta de Gutenberg sobre Balzers resume o caráter desta região: a dos castelos e do sul, onde a paisagem do vale do Reno se estreita e se encaixa entre montanhas, e onde cada elevação defensável foi aproveitada ao longo dos séculos como posto de controle do principal corredor de comunicação da área.

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Palazoles: o subsolo pré-histórico e romano

A colina do castelo de Gutenberg é um dos sítios arqueológicos mais importantes do Liechtenstein. Em suas encostas foram encontrados restos de assentamentos que remontam ao Neolítico e à Idade do Bronze, além de objetos da época romana, prova de que este promontório foi um lugar habitado e sagrado milhares de anos antes da construção da fortaleza medieval. Entre os achados mais célebres está uma estatueta votiva de bronze de uma figura feminina, da época pré-romana.

O próprio nome de Balzers denuncia sua antiguidade: aparece mencionado pela primeira vez no ano 842 como 'Palazoles', um nome de origem latina que significaria 'pequeno palácio' ou 'pequena residência', o que sugere que já na Alta Idade Média era um lugar de certa importância. É um dos topônimos documentados mais antigos do país.

Esse subsolo carregado de história faz de Balzers algo mais que uma vila com castelo: é uma janela para as camadas mais profundas do povoamento dos Alpes centrais, dos primeiros agricultores neolíticos aos romanos que controlaram o vale do Reno, passando pelos povos que deixaram suas oferendas na colina de Gutenberg.

en.wikipedia.org · Balzersen.wikipedia.org · Gutenberg Castle

Napoleão, Suvorov e a montanha que se perdeu

Sua posição na porta sul do país colocou Balzers no caminho dos exércitos. Durante a Guerra da Segunda Coalizão, em 1799, tropas francesas acamparam em Balzers por cerca de três semanas e, em outubro daquele mesmo ano, passaram pela região as forças russas do general Alexander Suvorov, no contexto de sua célebre e penosa campanha alpina contra os franceses. Para um país sem exército e declaradamente neutro, esses episódios estão entre os poucos em que as grandes guerras europeias tocaram fisicamente seu solo.

O sul do Liechtenstein também protagonizou um curioso ajuste de fronteiras já no século XX. Em 1949, o principado cedeu à Suíça o Ellhorn, uma montanha de valor estratégico situada no território de Balzers, em uma troca territorial que deixou certo mal-estar na população local, que via uma parte de sua paisagem passar para as mãos do vizinho.

Hoje Balzers é um município próspero de pouco mais de 4.800 habitantes que mantém vivas suas tradições, como a rivalidade festiva entre os bairros de Balzers e Mäls ou a fogueira primaveril do 'Funken'. Abriga ainda a sede da Oerlikon Balzers, uma empresa de revestimentos e tecnologia de vácuo, mais uma mostra de como a indústria de alta tecnologia criou raízes até nas vilas do sul do principado.

en.wikipedia.org · Balzersen.wikipedia.org · History of Liechtenstein

Os walser de Triesenberg

Empoleirada na encosta da montanha, acima do vale do Reno, a vila de Triesenberg tem uma origem diferente da do restante do Liechtenstein. Foi fundada por volta do ano 1300 pelos walser, um povo de colonos de língua alemã vindo do Valais, na Suíça, que na Baixa Idade Média migrou pelos Alpes em busca de terras altas para desbravar. Os príncipes e senhores da época lhes concediam privilégios para que colonizassem áreas de montanha difíceis, que ninguém mais queria trabalhar.

Os walser se especializaram na vida em altitude: a pecuária em pastagens de montanha, a agricultura em terraços íngremes e a exploração de um território que exigia um esforço enorme. Triesenberg, documentada pela primeira vez em 1378 como 'Trisnerberg', é o município mais extenso do país e reúne inúmeros vilarejos espalhados pela montanha, entre eles Malbun, a única estação de esqui do principado.

O que torna Triesenberg única não é apenas sua origem, mas o fato de essa identidade walser ter sobrevivido por sete séculos. Diante do Liechtenstein do vale, mais aberto e cosmopolita, Triesenberg representa o Liechtenstein da montanha: o dos colonos que domaram as alturas e que mantiveram, geração após geração, um jeito próprio de falar e de viver.

en.wikipedia.org · Triesenbergen.wikipedia.org · Walser

O dialeto walser e o museu

A característica mais marcante de Triesenberg é linguística. Enquanto no restante do Liechtenstein se fala um dialeto alemânico comum ao do vale do Reno, em Triesenberg se conserva um dialeto walser próprio, herdado diretamente daqueles colonos do Valais e diferente da fala das vilas vizinhas. É um caso curioso de diversidade linguística dentro de um país minúsculo: em apenas alguns quilômetros de distância, o jeito de falar muda de forma perceptível.

Esse dialeto não é uma curiosidade do passado, mas uma língua viva que a comunidade cultiva e promove ativamente como marca de identidade. Na vila funciona o Museu Walser (Walsermuseum), dedicado à história, à cultura, à vestimenta e à língua desse povo da montanha, que documenta como era a vida dos colonos e como sua herança se manteve ao longo dos séculos.

A sobrevivência do dialeto e das tradições walser transforma Triesenberg em um pequeno enclave cultural dentro do principado, um lembrete de que o Liechtenstein, apesar do tamanho, não é um bloco uniforme, mas a soma de comunidades com origens distintas: as vilas do vale, de raiz alemânica, e os walser das alturas, chegados de outro canto dos Alpes há setecentos anos.

en.wikipedia.org · Triesenbergen.wikipedia.org · Walser German
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BalzersTriesenberg

📚 Bibliografia

  • Balzers — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Balzers
  • Gutenberg Castle — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Gutenberg_Castle
  • Triesenberg — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Triesenberg
  • Walser people — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Walser
  • Walser German — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Walser_German
  • History of Liechtenstein — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Liechtenstein
  • Liechtenstein — Britannica — https://www.britannica.com/place/Liechtenstein

Vaduz e o vale do Reno

História de Vaduz e o vale do Reno · Liechtenstein

Vaduz e o castelo do príncipe

Vaduz é a capital de Liechtenstein desde 1719, quando a família uniu Vaduz e Schellenberg em um único principado, embora seja uma cidade pequena: apenas cerca de 5.700 habitantes, menos que muitos bairros. Sobre a cidade, empoleirado em uma colina íngreme ao pé da montanha, ergue-se o castelo de Vaduz (Schloss Vaduz), residência do príncipe reinante e da família principesca. Não é um museu nem pode ser visitado por dentro: é a casa habitada do chefe de Estado, algo insólito na Europa atual, e sua silhueta domina todos os cartões-postais do país.

O núcleo original do castelo data da Idade Média — há partes que remontam ao século XII —, quando servia de fortaleza aos senhores de Vaduz. Ao longo dos séculos, foi ampliado e reformado, e ficou bastante deteriorado até que, já no século XX, o príncipe Johann II e depois Franz Josef II o restauraram a fundo. Foi justamente Franz Josef II quem, após o Anschluss de 1938, transferiu definitivamente a residência da família de Viena para este castelo, encerrando o longo período em que os príncipes governavam seu país de longe.

Do terraço do castelo se avista todo o vale do Reno e, em frente, as montanhas suíças. Essa posição elevada, que no passado teve valor defensivo, é hoje o símbolo visível de uma monarquia que, ao contrário de quase todas as europeias, conserva poder político real sobre o pequeno país que se estende a seus pés.

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A catedral de São Florino e a cidade baixa

Lá embaixo, na cidade, o edifício religioso mais importante é a catedral de São Florino, uma igreja neogótica erguida no século XIX, em 1874, sobre as fundações de um templo medieval anterior. Tornou-se catedral em 1997, quando o Vaticano criou a arquidiocese de Liechtenstein e a elevou a sede episcopal. É dedicada a São Florino, um santo da região alpina, e é o palco das grandes cerimônias religiosas do principado.

O centro de Vaduz é um calçadão moderno e organizado, às vezes chamado de 'Städtle', onde convivem os prédios do governo, os bancos que sustentam boa parte da economia e uma notável concentração de museus para uma cidade tão pequena. O Kunstmuseum Liechtenstein, um cubo de basalto negro inaugurado em 2000, exibe arte moderna e contemporânea junto com peças da riquíssima coleção principesca; ao lado, o Museu Nacional conta a história e a natureza do país.

Também no centro fica o prédio do Landtag, o parlamento, inaugurado em 2008, e a Casa do Governo. Em poucas centenas de metros se concentra, assim, todo o aparato de um Estado soberano: a sede do Legislativo, a do Executivo, a catedral e os museus, com o castelo do príncipe vigiando lá do alto. É, provavelmente, uma das capitais mais compactas do mundo.

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O vale do Reno, a espinha dorsal do país

Quase todo o Liechtenstein vive na estreita faixa plana do vale do Reno, entre o rio e as montanhas. O Reno forma toda a fronteira ocidental do país com a Suíça e foi, ao longo da história, tanto uma via de comunicação quanto uma ameaça: suas cheias inundavam com frequência as terras baixas e arruinavam as colheitas de uma população que já vivia no limite da subsistência.

Domá-lo foi um trabalho de séculos. As grandes obras de canalização e de canais de drenagem, sobretudo na primeira metade do século XX, transformaram a planície pantanosa e insalubre em terra cultivável e edificável, e permitiram o desenvolvimento das cidades e das indústrias que hoje ocupam o vale. Boa parte da prosperidade moderna do país começou, literalmente, ganhando terreno do rio.

Nessa planície se alinham, quase colados uns aos outros, os principais municípios do país — Vaduz, Schaan, Triesen, Eschen —, ligados por uma rede de estradas e pela linha de trem que une a Suíça e a Áustria. O vale é a espinha dorsal do Liechtenstein: nele se concentram a população, a capital, as fábricas e os bancos, enquanto as montanhas do leste ficam reservadas à agricultura de altitude e ao turismo.

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Schaan e suas raízes romanas

Ao norte de Vaduz, praticamente emendada nela, fica Schaan, o município mais populoso do Liechtenstein, com pouco mais de 6.000 habitantes. Embora hoje seja sobretudo um centro industrial e de transportes, Schaan guarda os vestígios mais antigos de presença organizada no país: a área é habitada há milhares de anos e, sob o Império Romano, quando esta região fazia parte da província da Récia, foi erguido aqui um forte militar (castrum) para defender o vale das incursões dos alamanos.

Dessa época e das seguintes saíram achados notáveis. Em 1887, durante escavações acima do local chamado Dux, foram encontrados enterrados dois capacetes de legionário romano, hoje conservados em museus de Bregenz e Zurique. A igreja de São Pedro de Schaan conserva um batistério do século V, testemunho de uma cristianização muito precoce no vale do Reno, quando o cristianismo mal começava a se firmar nos Alpes.

Schaan conta a história profunda do Liechtenstein: a de uma encruzilhada alpina que foi romana antes de ser germânica, e cristã desde a Antiguidade tardia. Sobre essas camadas milenares se assentou, já no século XX, a transformação que faria desta vila agrícola o motor econômico do principado.

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Schaan industrial: a Hilti e o motor econômico

O que deixou Schaan famosa no mundo não foi seu passado romano, mas uma empresa. Em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, os irmãos Martin e Eugen Hilti fundaram aqui uma oficina mecânica, a 'Maschinenbau Hilti'. Depois de sobreviver ao pós-guerra fabricando de isqueiros a batedeiras de cozinha, a empresa encontrou sua vocação nas ferramentas e sistemas de fixação para a construção civil e, a partir desta cidadezinha do vale do Reno, partiu para conquistar o mundo.

Hoje a Hilti é uma multinacional presente em mais de cem países, reconhecível por suas ferramentas e suas características maletas vermelhas, com faturamento superior a 6.000 milhões de francos suíços e dezenas de milhares de funcionários. Continua com sua sede em Schaan e é, com enorme folga, a maior empregadora do Liechtenstein: boa parte da prosperidade industrial do país tem origem aqui.

Schaan concentra ainda a principal estação ferroviária do país e um entroncamento que liga a Suíça à Áustria. É a face produtiva do Liechtenstein: enquanto Vaduz entra com o castelo, os museus e a política, Schaan entra com as fábricas, o trabalho e as exportações que explicam por que este microestado alpino está entre os mais ricos do planeta.

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📍 Destinos de Vaduz e o vale do Reno
VaduzSchaan

📚 Bibliografia

  • Vaduz — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Vaduz
  • Vaduz Castle — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Vaduz_Castle
  • Vaduz Cathedral (Cathedral of St. Florin) — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Vaduz_Cathedral
  • Schaan — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Schaan
  • Hilti — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Hilti
  • Liechtenstein — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/Liechtenstein
  • Liechtenstein — Britannica — https://www.britannica.com/place/Liechtenstein
  • History of Liechtenstein — Wikipedia — https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Liechtenstein

📚 Bibliografia

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Quase nada do que aconteceu com Liechtenstein aconteceu sozinho: estas são as histórias ao lado.

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Château de Vaduz - 2022