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Jerga · Working Holiday Portugal

Cómo se habla de verdad en Portugal

18 expresiones que en los libros de texto no están: qué significan, cómo se pronuncian y cuándo usarlas.

Se o único português que você ouviu na vida é o do Brasil, o de Portugal vai soar como outro idioma. Não é impressão: são dois sistemas de som diferentes sobre a mesma gramática. A grande diferença são as vogais. O português europeu esmaga todas as que não levam acento até quase apagá-las, e o resultado é uma língua que soa como consoantes coladas: «Portugal» vira «Prtugal» e «telefone» vira «tlfon». A segunda diferença é o s: no fim da sílaba soa «sh», então «estás» é «shtásh» e Lisboa soa «Lishboa». As duas coisas juntas explicam por que você entende o português escrito e não entende o falado. E há duas armadilhas de gramática para as quais o português do Brasil não te prepara. Uma: o gerúndio não se usa. «Estou comendo» é «estou a comer», com preposição mais infinitivo. Duas, e é a que pode te custar caro: «você» não funciona como no Brasil. Em Portugal, tratar alguém de «você» pode soar seco ou até mal-educado. Com um desconhecido se usa «o senhor» ou o nome com o verbo na terceira pessoa; entre iguais se trata por «tu». O vocabulário de rua, em compensação, é de graça: fixe, bué, gajo, cena, pá. Com essas cinco palavras você entra em qualquer conversa informal do país.

Los patrones que se repiten

Si entendés estas reglas, entendés palabras que no están en ninguna lista.

As vogais sem acento somem
A vogal que não leva o acento se reduz até quase desaparecer. É o que dá ao português europeu esse som fechado e rápido, e é a razão pela qual o mesmo texto que você lê sem problemas se torna incompreensível ao ouvido.
Portugal → «Prtugal»telefone → «tlfon»por favor → «pr fvor»percebo → «prcebu»
O s final soa «sh»
No fim da sílaba ou da palavra, o s vira «sh». Como o plural português se marca com s, isso afeta metade da conversa: o plural chega até você como um chiado.
estás → «shtásh»Lisboa → «Lishboa»os livros → «ush livrush»dois pastéis → «doish pashtéish»
O gerúndio não existe: «a» mais infinitivo
Onde o português do Brasil usa gerúndio, Portugal usa a preposição «a» e o infinitivo. Não é uma variante elegante: é a única forma normal, e usar o gerúndio te marca como brasileiro na hora.
estou trabalhando → «estou a trabalhar»estava dizendo → «estava a dizer»o que você está fazendo? → «o que estás a fazer?»
Como tratar alguém sem ofender
O sistema não coincide com o brasileiro nem com o espanhol. «Você» não é neutro: pode soar frio ou descortês. O seguro é usar «tu» entre iguais e «o senhor / a senhora» — ou o nome com o verbo na terceira pessoa — com todos os demais.
entre amigos e colegas: tu («tu queres?»)com um cliente ou alguém mais velho: «o senhor quer?»com o nome: «a Maria quer café?» dito à própria Mariaevite «você» até que usem com você primeiro
O diminutivo é afeto, não tamanho
O «-inho» não diminui: suaviza. Aplica-se a substantivos, a adjetivos e até ao agradecimento, e sua função é tirar o fio da frase. Sem diminutivos você soa ríspido, mesmo que as palavras estejam corretas.
um cafezinho = um café (não um pequeno)obrigadinho = obrigado, dito com mais carinhoum bocadinho = um pouquinhodevagarinho = com calma, aos poucos
As palavras que vieram da África
Depois de 1975, com a independência das colônias e a chegada dos retornados e dos angolanos, o português europeu incorporou vocabulário africano que hoje é gíria corrente e que no Brasil não existe. «Bué» é o caso mais visível.
bué = muito (do quimbundo, Angola)«bué fixe» = muito legal«bué de gente» = um monte de gente

Lo que vas a escuchar en Lisboa

Una muestra del libro de Lisboa: las expresiones que más te van a servir ahí.

FixeInformal
Se dice: “FISH”/ˈfiʃ(ɨ)/
"Legal", "massa", "bacana" — A palavra da gíria portuguesa. Tudo o que é bom é fixe. É o "nice" de Portugal.
"A festa foi muito fixe, adorei." → A festa foi muito legal, adorei. Usa-se para absolutamente tudo o que é positivo.
De dónde sale
A origem é discutida: circula muito que venha do inglês «fix» e isso não está provado, e também se a relaciona com o francês «fixe». O seguro é outra coisa: instalou-se na fala jovem portuguesa do século XX e no Brasil não se usa.
Bué" (muito)Informal
Se dice: “BUÉ”/ˈbwɛ/
"Muito" — do quimbundo (Angola). Intensificador: "bué fixe" (muito legal), "bué gente" (muita gente). Marca da gíria lisboeta.
"Há bué gente na praia." → Tem um monte de gente na praia.
De dónde sale
Vem do quimbundo, uma das línguas de Angola, e entrou no português europeu com os retornados e os angolanos depois de 1975. É a contribuição africana mais visível do português de Portugal, e por isso no Brasil não existe.
Gajo" / "GajaInformal
Se dice: “GA-zhu" / "GA-zha”/ˈɡaʒu/ · /ˈɡaʒɐ/
"Cara" / "Mina" — como "cara" no Brasil. Neutro ou pejorativo conforme o tom. "Aquele gajo" = aquele cara.
"Quem é aquele gajo?" → Quem é aquele cara?
De dónde sale
Explica-se como empréstimo do caló, a língua dos ciganos: «gachó» era o homem que não é cigano. A mesma palavra entrou no espanhol da Espanha como «gachó», e em português ficou como a forma mais neutra de dizer «cara».
Curtir" (aproveitar)Informal
Se dice: “cur-TIR”/kuɾˈtiɾ/
"Aproveitar", "curtir" — "curtir a vida" = aproveitar a vida. Também "curtir alguém" (estar a fim de alguém). Palavra fundamental do vocabulário jovem lisboeta.
"Estou a curtir Lisboa." → Estou curtindo Lisboa.
De dónde sale
O verbo é o do couro: curtir uma pele é tratá-la para que dure. Daí «estar curtido», endurecido pela experiência, e daí o salto para aproveitar. O português do Brasil fez o mesmo percurso com a mesma palavra.
Cena" (coisa)Informal
Se dice: “SE-na”/ˈsenɐ/
"Coisa", "assunto" — NÃO significa jantar/refeição (isso é "jantar"). É um coringa: substitui qualquer substantivo quando não sai a palavra exata. "Essa cena" = essa coisa.
"Essa cena do trabalho é complicada." → Essa coisa do trabalho é complicada.
De dónde sale
Não é a «cena» de jantar: é «cena» no sentido de cenário, do latim «scaena», a cena de teatro. O caminho vai de «cena» a «assunto» e de «assunto» a «qualquer coisa». O inglês fez exatamente o mesmo com «scene».
Puto" / "Puta" (garoto/a)Coloquial
Se dice: “PU-tu" / "PU-ta”/ˈputu/ · /ˈputɐ/
"Garoto", "moleque" — em Portugal NÃO é insulto. "O puto" = o garoto. Fora de Portugal é vulgar (no Brasil, é palavrão).
"Os putos estão a jogar futebol." → Os garotos estão jogando futebol.
De dónde sale
Vem do latim «putus», menino: a mesma raiz do «putto» italiano, que é como se chamam os anjinhos dos quadros renascentistas. Não tem carga sexual, e por isso um português chama «o puto» um menino de dez anos sem que ninguém se sobressalte.
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Lo que vas a escuchar en Porto

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Tripeiro" (portuense)Informal
Se dice: “tri-PEI-ru”/tɾiˈpɐjɾu/
Apelido dos portuenses — vem das "tripas à moda do Porto." Conta a lenda que o Porto doou toda a sua carne aos navegantes e ficou só com as tripas. É orgulho, não insulto. "Sou tripeiro" = sou do Porto.
"Tripeiro de nascença — o Porto é uma nação." → Tripeiro de nascença, o Porto é uma nação.
De dónde sale
O apelido vem das tripas, e a história que se conta é de 1415: quando Portugal montou a expedição a Ceuta, o Porto entregou toda a carne boa às naus e ficou com as vísceras. Daí as «tripas à moda do Porto» e daí o apelido. É relato tradicional, não documento.
Bué" (muito — versão Porto)Informal
Se dice: “BUÉ”/ˈbwɛ/
"Muito" — no Porto se usa menos que em Lisboa. Os puristas preferem "muito." "Bué" é mais lisboeta, mas os jovens o adotaram. Marca geracional.
"Há bué pessoal nas Galerias hoje." → Tem um monte de gente nas Galerias hoje.
De dónde sale
Vem do quimbundo, uma língua de Angola, e entrou no português europeu depois de 1975 com os retornados e os angolanos. Que no Porto se use menos que em Lisboa tem a ver com isso: a palavra entrou pela capital.
Ó meu!" (ei, cara!)Informal
Se dice: “O MEU”/ˈɔ mɐw/
Forma de chamar alguém no Porto — equivale a "ei!" ou "e aí, cara!" no Brasil. Usa-se entre amigos para chamar a atenção. "Ó meu, vem cá!" = ei, vem cá! É marca registrada da fala portuense, não se usa tanto em Lisboa.
"Ó meu, já viste isto?" → Ei, já viu isso?
Fixe" (legal — universal)Informal
Se dice: “FISH”/ˈfiʃ(ɨ)/
"Legal", "massa" — igual a Lisboa, é a palavra universal da gíria portuguesa. No Porto se pronuncia com as vogais um pouco mais abertas. Usa-se para tudo o que é positivo: pessoas, lugares, comida, situações.
"O Porto é fixe — mais autêntico que Lisboa." → O Porto é legal, mais autêntico que Lisboa.
De dónde sale
A origem é discutida: circula muito que venha do inglês «fix» e isso não está provado, e também se a relaciona com o francês «fixe». O seguro é que se instalou na fala jovem portuguesa do século XX e que no Brasil não se usa.
Pá!" (cara!)Informal
Se dice: “PA”/ˈpa/
Interjeição universal — abreviação de "rapaz." "Pá, que é isto?" = cara, o que é isso! No Porto é mais frequente e enfática. Muleta no começo ou no fim da frase.
"Pá, tens de provar a francesinha do Lado B." → Cara, você tem que provar a francesinha do Lado B.
De dónde sale
Explica-se como «rapaz» — garoto — cortado até a última sílaba. É o mecanismo inverso ao do espanhol, que costuma conservar o começo da palavra: aqui se joga fora o começo e fica o final.
Ganda" (grande/enorme)Coloquial
Se dice: “GAN-da”/ˈɡɐ̃dɐ/
"Grande", "tremendo" — contração de "grande." "Ganda maluco" = grande maluco. Intensificador antes de substantivos. Gíria jovem do norte.
"Ganda noite nas Galerias!" → Que noite incrível nas Galerias!
De dónde sale
É «grande» com o r engolido: grande → gande → ganda. Funciona na frente do substantivo, igualzinho ao «grande» do português do Brasil, mas em registro de rua e sempre com um pouco de exagero.
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Lo que vas a escuchar en Algarve

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Bué fixe" (muito legal)Informal
Se dice: “BUÉ FISH”/ˈbwɛ ˈfiʃ/
"Muito legal" — o intensificador + adjetivo mais usado da gíria portuguesa. No Algarve se usa para tudo o que é positivo: praias, festas, comida, gente. "Bué" sozinho já significa "muito" e se combina com qualquer adjetivo.
"A praia da Marinha é bué fixe, tens de ir." → A praia da Marinha é muito legal, você tem que ir.
De dónde sale
São duas palavras de origens muito diferentes coladas: «bué» vem do quimbundo angolano e «fixe» da fala jovem portuguesa do século XX. O fato de andarem sempre juntas diz bastante sobre como se formou o português europeu de hoje.
Curte!" (curta!)Informal
Se dice: “CUR-te”/ˈkuɾtɨ/
"Curta" / "aproveite" — do verbo "curtir." No Algarve é filosofia de vida. "Curte a praia" = curta a praia. Usa-se como despedida informal entre amigos. "Curte bem" = aproveite bastante.
"Curte o sunset em Sagres, é incrível." → Curta o pôr do sol em Sagres, é incrível.
De dónde sale
É o imperativo de «curtir», que na origem é o verbo do couro: curtir uma pele é tratá-la. De «curtido pela experiência» passou a «aproveitar», e daí a isto.
Tranquilo" (tudo bem)Informal
Se dice: “tran-QUI-lu”/tɾɐ̃ˈkilu/
"Tudo bem" / "sem problema" — a atitude do Algarve em uma palavra. Usa-se como resposta para quase tudo: perguntas, desculpas, problemas. "Tá tranquilo" = está tudo bem, não se preocupe. Resume a filosofia de vida do sul de Portugal.
"Tá tranquilo, mano, não te preocupes." → Está tudo tranquilo, mano, não se preocupe.
Gajo/a" (cara/mina)Coloquial
Se dice: “GA-zhu”/ˈɡaʒu/
"Cara" / "mina" — forma coloquial de se referir a alguém. "Aquele gajo" = aquele cara. No Algarve é muito usada entre jovens e trabalhadores de temporada. Não é ofensiva, mas é informal — não use com o chefe nem com desconhecidos mais velhos.
"Aquele gajo é o manager." → Aquele cara é o gerente.
De dónde sale
Explica-se como empréstimo do caló, a língua dos ciganos, em que «gachó» era o homem que não é cigano. A mesma palavra entrou no espanhol da Espanha como «gachó».
Cena" (coisa)Informal
Se dice: “SE-na”/ˈsenɐ/
"Coisa" — na gíria de Portugal, "cena" vai muito além da cena de teatro. "Aquela cena" = aquela coisa. Curinga universal da gíria portuguesa para qualquer objeto ou situação. Quando você não sabe a palavra, "cena" salva.
"Passa-me aquela cena." → Me passa aquela coisa.
De dónde sale
Vem do latim «scaena», a cena de teatro. O caminho vai de «cena» a «assunto» e de «assunto» a «qualquer coisa». O inglês fez exatamente o mesmo com «scene».
Boa onda" (boa onda)Informal
Se dice: “BOA ON-da”/ˈboɐ ˈõdɐ/
Igual ao que se diz no Brasil — "boa onda." No Algarve é elogio máximo. "Ele é boa onda" = ele é gente boa. A cultura surfista do Algarve adotou o termo e hoje é universal entre jovens e locais.
"O pessoal de Lagos é boa onda." → O pessoal de Lagos é boa onda.
De dónde sale
«Onda» é a ola do mar: a imagem é a de estar na mesma frequência que o outro. A expressão funciona igual em Portugal e no Brasil, com a mesma metáfora e o mesmo sentido.
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Cómo se habla en otros países

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