Miami é o sol transformado em cidade. Aqui, no extremo sul da Flórida, o clima subtropical, as palmeiras, as praias de areia clara e a água turquesa do Atlântico criam um clima de verão eterno que a transformou em um dos grandes destinos de lazer dos Estados Unidos. Mas Miami é muito mais que praia: é o glamour art déco de South Beach com seus prédios em tons pastel na Ocean Drive, a energia latina que se sente em cada esquina, a arte dos murais de Wynwood e uma vida noturna que é lenda. É uma cidade para curtir com os cinco sentidos.
E é, acima de tudo, a cidade mais latina dos Estados Unidos. Caminhar pela Calle Ocho de Little Havana, ouvir salsa, sentir o cheiro do café cubano e ouvir espanhol por todo lado faz Miami parecer uma ponte entre o norte e o sul do continente. A enorme comunidade cubana, somada à de tantos outros países latino-americanos — inclusive uma comunidade brasileira expressiva no sul da Flórida —, deu à cidade uma identidade bicultural única: aqui convivem os arranha-céus e o luxo norte-americano com o sabor, a música e o calor humano da América Latina. Para o viajante brasileiro, é um destino especialmente confortável e cativante.
Este guia percorre o essencial de Miami com um olhar prático e caloroso: quais praias escolher, como curtir o art déco de South Beach, onde viver o lado cubano em Little Havana, quais bairros visitar, como se locomover numa cidade pensada para o carro e como escapar para os Everglades ou para as Keys. Miami é sinônimo de sol, festa, compras e sabor latino e, com um pouco de planejamento, rende férias inesquecíveis.
Antes dos europeus, a região era habitada pelos tequestas, um povo originário que vivia na foz do rio Miami. O nome 'Miami' vem, aliás, de uma palavra indígena ligada ao lago Okeechobee e ao rio. A Espanha reivindicou a Flórida desde o século XVI, e a região passou por mãos espanholas e britânicas antes de ser incorporada aos Estados Unidos em 1821. Mas Miami como cidade é surpreendentemente jovem: durante o século XIX foi apenas um punhado de assentamentos numa região de pântanos e manguezais. Seu nascimento se deve em grande parte a uma mulher, Julia Tuttle, uma empresária que convenceu o magnata das ferrovias Henry Flagler a estender sua linha até lá; em 1896, com a chegada do trem, foi fundada oficialmente a cidade de Miami (Tuttle é lembrada como a 'mãe de Miami'). Nas primeiras décadas do século XX veio o 'boom' imobiliário da Flórida e foram construídos o bairro art déco de Miami Beach e cidades planejadas como Coral Gables. Mas a grande transformação veio depois da Revolução Cubana de 1959: centenas de milhares de exilados cubanos se instalaram em Miami, seguidos por imigrantes de toda a América Latina, transformando-a na 'capital das Américas' e numa metrópole bilíngue e multicultural. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The 'sunshine state': the land with the oldest European roots in the country, with St. Augustine; home of the Timucua, the Seminoles and the Everglades, of the tourism of Miami and Orlando, of Cape Canaveral and of a vibrant Latino culture.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes de existirem os arranha-céus e as praias da moda, a foz do rio Miami era habitada pelos tequesta, um povo originário que viveu durante séculos no sudeste da Flórida. Os tequesta eram caçadores, pescadores e coletores que aproveitavam a enorme riqueza da baía de Biscayne, dos manguezais e das áreas alagadas: pescavam, coletavam moluscos e caçavam numa terra de água e sol. Deixaram marcas da sua presença, como o chamado Miami Circle, um enigmático círculo de buracos escavado na rocha calcária junto ao rio, descoberto em pleno centro no final do século XX.
O nome 'Miami' tem raízes indígenas. A maioria das fontes o associa a uma palavra de povos originários da região (relacionada ao lago Okeechobee e ao rio que nascia dele), que costuma ser ligada à ideia de 'água grande' ou 'água doce'. Esse nome, ligado à água, acabou sendo profético para uma cidade que nasceria cercada de baías, rios, áreas alagadas e oceano.
O contato com os europeus, a partir do século XVI, foi devastador para os tequesta, como para tantos povos americanos: as doenças, os conflitos e os deslocamentos os reduziram drasticamente, até que praticamente desapareceram como povo organizado por volta do século XVIII. O seu legado sobrevive sobretudo no nome da cidade e nos vestígios arqueológicos que, de tempos em tempos, surgem do subsolo da moderna metrópole.
A Flórida foi, durante séculos, território espanhol. Depois da chegada de Juan Ponce de León no início do século XVI (que lhe deu o nome de 'La Florida', por causa da Pascua Florida, como os espanhóis chamavam a Páscoa, ou da vegetação), a Coroa espanhola reivindicou a península, embora o sudeste — a região da futura Miami — tenha ficado em grande parte à margem da colonização efetiva, dominado pelos pântanos, pelos manguezais e pela presença dos povos originários. A Espanha fundou Santo Agostinho (St. Augustine), no nordeste, em 1565, considerada a cidade de fundação europeia mais antiga dos Estados Unidos, mas o extremo sul ficou quase sem europeus.
A Flórida mudou de mãos várias vezes. Passou brevemente ao controle britânico (1763-1783), voltou à Espanha e, finalmente, em 1821, foi cedida aos jovens Estados Unidos. Em 1845, a Flórida se tornou um estado da União. Durante o século XIX, o sudeste continuou sendo uma região remota e quase selvagem, palco também das longas e duras guerras contra os seminoles, um povo formado em boa parte por indígenas e afro-americanos que resistiram nos Everglades.
No final do século XIX, a área da atual Miami era apenas um punhado de povoados espalhados junto ao rio e à baía, habitados por alguns poucos pioneiros, em meio a uma natureza exuberante e indomável. Nada indicava que aquele canto pantanoso e isolado se tornaria, em poucas décadas, uma das grandes metrópoles do país. Para isso acontecer, foram necessários a ferrovia e a visão de algumas pessoas determinadas.
A história de como Miami nasceu tem uma protagonista pouco comum para a época: uma mulher empresária. Julia Tuttle, uma viúva de Cleveland que tinha se mudado para a região e possuía grandes terrenos junto ao rio Miami, estava convencida do enorme potencial daquela terra ensolarada. A sua grande obsessão era fazer a ferrovia chegar até lá, porque sem trem não havia como desenvolver a região. Durante anos, tentou convencer o magnata Henry Flagler, dono da Florida East Coast Railway, que estava estendendo os trilhos rumo ao sul, a prolongar a linha até Miami.
A lenda — muito difundida, embora alguns historiadores a relativizem — conta que a oportunidade veio com uma geada catastrófica: no inverno de 1894-1895, uma onda de frio devastou as plantações de cítricos do norte e do centro da Flórida, mas a região de Miami, mais ao sul e protegida, saiu ilesa. Tuttle teria enviado a Flagler algumas flores de laranjeira (ou ramos verdes) para mostrar que ali o frio não chegava. Convencido, Flagler finalmente estendeu a ferrovia até Miami, que chegou em 1896.
Com a chegada do trem, a cidade de Miami foi oficialmente fundada naquele mesmo ano, 1896, com apenas algumas centenas de habitantes. Julia Tuttle, que tinha doado terrenos para a ferrovia e para a nova cidade, entrou para a história como a 'Mãe de Miami', a única mulher reconhecida como fundadora de uma grande cidade americana. Flagler, por sua vez, construiu hotéis e impulsionou o desenvolvimento. Tinha nascido, praticamente do nada, a cidade que estava destinada a um crescimento extraordinário.
Nas primeiras décadas do século XX, Miami cresceu numa velocidade impressionante, impulsionada pelo clima, pelas praias e pela febre especulativa conhecida como 'Florida land boom' dos anos 20. Milhares de pessoas do norte do país, atraídas pela promessa de sol o ano todo e de fortunas fáceis no mercado imobiliário, correram para a Flórida. Praias foram urbanizadas, áreas alagadas foram drenadas e bairros e cidades inteiras surgiram praticamente da noite para o dia.
Daquela época nasceram alguns dos traços mais característicos da região. Miami Beach, na ilha-barreira em frente à cidade, se desenvolveu como balneário graças a empresários como Carl Fisher, que transformou manguezais numa elegante cidade de praia. Coral Gables foi concebida por George Merrick como uma 'cidade bonita' planejada nos mínimos detalhes, com o seu rigoroso estilo mediterrâneo-espanhol. O boom parou bruscamente por volta de 1926, por uma combinação de saturação especulativa e, sobretudo, por um furacão devastador que atingiu Miami naquele ano, seguido depois pela Grande Depressão.
Foi justamente durante os anos 30, em plena recuperação, que South Beach se encheu dos prédios que hoje a tornam famosa no mundo todo: o estilo art déco. Hotéis, apartamentos e lojas foram construídos com as linhas elegantes, as cores pastel, os detalhes geométricos e náuticos e os letreiros de neon daquele estilo moderno e otimista. Essa concentração única de arquitetura art déco, salva da demolição décadas depois pela luta de ativistas preservacionistas, é um dos grandes tesouros de Miami.
O acontecimento que transformou Miami para sempre, e que explica a sua identidade atual, foi a Revolução Cubana de 1959. Depois da chegada de Fidel Castro ao poder e da instauração de um regime comunista na ilha, centenas de milhares de cubanos — no início sobretudo das classes média e alta, e depois de todos os setores — partiram para o exílio, e Miami, a grande cidade americana mais próxima de Cuba, se tornou o seu principal destino. Essa primeira grande leva foi reforçada por sucessivas ondas migratórias ao longo das décadas, como o êxodo de Mariel, em 1980.
A comunidade cubana criou raízes profundas, especialmente no bairro que passou a se chamar Little Havana, e transformou a economia, a política, a língua e a cultura da cidade. Miami virou bilíngue, com o espanhol tão presente quanto o inglês, e os cubano-americanos ganharam um enorme peso econômico e político. Depois dos cubanos, chegaram imigrantes de toda a América Latina — nicaraguenses, colombianos, venezuelanos, argentinos, haitianos, dominicanos e muitos outros — e do Caribe, somando camadas a uma sociedade cada vez mais diversa.
Graças a essa população e à sua posição geográfica, Miami se consolidou como a grande porta de entrada entre os Estados Unidos e a América Latina: um centro financeiro, comercial, de mídia (sede de grandes redes de TV em espanhol) e de comunicações para todo o hemisfério, que muitos chamam de 'a capital das Américas'. Hoje é uma metrópole global, multicultural e em plena efervescência, onde o luxo das praias e dos arranha-céus convive com o sabor, a música e o calor latino-americanos, e onde o sol, a arte, a festa e o espanhol definem uma identidade única no país.