Milwaukee, a maior cidade de Wisconsin, fica às margens do lago Michigan e é famosa, sobretudo, por sua profunda tradição cervejeira, herança dos muitos imigrantes alemães que a fundaram e povoaram. Conhecida como 'Brew City' (Cidade da Cerveja), foi sede de grandes cervejarias históricas como Miller, Pabst e Schlitz, e mantém essa cultura viva com cervejarias que podem ser visitadas. Mas a cidade também é um surpreendente polo de arte, festivais e vida à beira d'água.
Para o viajante, Milwaukee combina cultura, festivais e um charme em escala humana. Seu grande ícone arquitetônico é o Milwaukee Art Museum, com o espetacular pavilhão Quadracci projetado por Santiago Calatrava, cujas asas móveis se abrem e se fecham como as de um pássaro à beira do lago. No verão, a cidade celebra o Summerfest, considerado um dos maiores festivais de música do mundo, e uma sequência de festivais étnicos em seu parque à beira do lago. Somam-se a isso o museu e a fábrica da Harley-Davidson, que nasceu aqui.
Este guia percorre o essencial de Milwaukee com olhar prático: as cervejarias históricas e artesanais, o deslumbrante museu de arte de Calatrava, o Harley-Davidson Museum, a orla do lago Michigan e seus festivais, onde comer (de bratwurst a fish fry) e como se locomover por uma cidade simpática, compacta e muito gostosa de curtir, especialmente no verão.
Fundada formalmente em 1846 a partir da fusão de vários povoados à beira do lago Michigan, Milwaukee cresceu graças a uma enorme imigração alemã, que lhe deu seu caráter e sua famosa indústria cervejeira. No fim do século XIX, tornou-se uma potência industrial e cervejeira (Pabst, Schlitz, Miller), apelidada de 'Brew City'. Também foi o berço da Harley-Davidson. Hoje combina sua herança industrial e cervejeira com uma vida cultural e de festivais vibrante.
Ler a história completa ↓'America's Dairyland': land of the Ho-Chunk, Menominee and Ojibwe, of the French fur trade and lead mining, capital of cheese and beer, with Milwaukee on the shore of Lake Michigan and a strong German and Scandinavian heritage.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A região onde hoje fica Milwaukee, na margem oeste do lago Michigan, na foz de três rios (o Milwaukee, o Menomonee e o Kinnickinnic), foi durante séculos território de povos indígenas como os potawatomi, menominee e ho-chunk, que a usavam como ponto de encontro e de comércio. O próprio nome 'Milwaukee' vem de uma palavra de língua algonquina que costuma ser traduzida como 'terra boa' ou 'lugar de reunião junto à água'.
No começo do século XIX chegaram comerciantes de peles e os primeiros colonos. A cidade moderna nasceu da fusão, em 1846, de três povoados rivais fundados por diferentes empreendedores (Juneautown, Kilbourntown e Walker's Point), que durante um tempo competiram entre si e chegaram até a brigar pelas pontes que cruzavam os rios. A unificação deu origem à cidade de Milwaukee, que logo começou a crescer em ritmo acelerado.
A localização às margens do lago Michigan fez dela um porto importante e uma porta de entrada de imigrantes e mercadorias na região dos Grandes Lagos. A cidade se beneficiou do comércio de trigo e de outros produtos do interior de Wisconsin, lançando as bases para se transformar em um grande centro industrial e comercial ao longo do século XIX.
O traço que marcou mais profundamente a identidade de Milwaukee foi a enorme imigração alemã do século XIX. Atraídos pela oferta de terra e de trabalho, dezenas de milhares de alemães se instalaram na cidade, a ponto de Milwaukee ter sido conhecida por muito tempo como a cidade mais 'alemã' dos Estados Unidos, com o idioma, os jornais, as sociedades culturais, a gastronomia e, acima de tudo, a tradição cervejeira presentes no dia a dia.
Os cervejeiros alemães fundaram grandes empresas que deixariam a cidade famosa no mundo todo: Pabst, Schlitz, Blatz e Miller, entre outras. No fim do século XIX, Milwaukee se tornou a maior produtora de cerveja dos Estados Unidos e ganhou o apelido de 'Brew City' (Cidade da Cerveja). As cervejarias não eram só motores econômicos, mas também centros sociais, com seus jardins de cerveja (beer gardens) e salões onde a comunidade se reunia.
Milwaukee também se industrializou em outros setores, como maquinário, produtos metálicos e indústria pesada. Em 1903 nasceu na cidade outra marca lendária, a Harley-Davidson, fabricante de motocicletas que se tornaria um ícone cultural americano. À imigração alemã somaram-se depois poloneses, italianos, irlandeses e outros grupos, dando a Milwaukee a diversidade étnica que ela celebra até hoje em seus famosos festivais de verão.
Durante boa parte do século XX, Milwaukee foi uma cidade industrial e operária próspera. Teve também uma história política singular: foi uma das poucas grandes cidades dos Estados Unidos a eleger prefeitos socialistas durante décadas, conhecidos como 'sewer socialists' ('socialistas dos esgotos') pelo pragmatismo com que melhoraram os serviços públicos, a infraestrutura, os parques e o saneamento, o que deixou para a cidade um legado de boa administração e de espaços públicos.
Como outras cidades do cinturão industrial, Milwaukee sofreu na segunda metade do século XX com a desindustrialização, a perda de empregos na indústria e a suburbanização, além de tensões sociais e raciais. A indústria cervejeira também se concentrou: várias marcas históricas fecharam ou foram absorvidas, embora a Miller tenha continuado operando em grande escala e, mais recentemente, tenha florescido uma nova geração de cervejarias artesanais.
Nas últimas décadas, Milwaukee apostou em se revitalizar em torno da cultura, do turismo e da vida à beira do lago. Marcos como a inauguração, em 2001, do espetacular pavilhão do Milwaukee Art Museum projetado por Santiago Calatrava, a revitalização da orla e do RiverWalk, a reconversão de bairros industriais como o Historic Third Ward, o sucesso de festivais como o Summerfest e o Harley-Davidson Museum redefiniram a imagem da cidade, que hoje combina sua orgulhosa herança cervejeira e industrial com uma oferta vibrante de cultura e festivais.
Embora a imigração alemã tenha definido seu caráter inicial, Milwaukee também recebeu levas de poloneses, italianos, irlandeses, gregos e outros europeus que deixaram sua marca em bairros, igrejas e na gastronomia. No século XX chegou ainda uma grande migração afro-americana vinda do sul dos Estados Unidos durante a Grande Migração, atraída pelos empregos na indústria, além de comunidades latinas, sobretudo mexicanas e porto-riquenhas, que se concentraram no South Side. É essa diversidade que os famosos festivais étnicos do verão de Milwaukee celebram hoje.
Na década de 1960, Milwaukee foi palco de um capítulo marcante do movimento pelos direitos civis. Entre 1967 e 1968, ativistas liderados pelo padre James Groppi e pelo NAACP Youth Council fizeram 200 noites seguidas de marchas por uma lei de moradia justa (open housing), enfrentando a segregação residencial que afetava a população afro-americana. A pressão acabou contribuindo para a aprovação de leis contra a discriminação na moradia. A cidade, no entanto, continua sendo uma das regiões metropolitanas mais segregadas do país, um legado que marca boa parte de sua história social recente.
Desde o fim do século XX, Milwaukee apostou em se reinventar em torno da cultura, do turismo e da vida à beira do lago. A inauguração, em 2001, do pavilhão Calatrava do Milwaukee Art Museum, a criação do RiverWalk, a reconversão de bairros industriais como o Historic Third Ward, o auge de festivais como o Summerfest e a abertura do Harley-Davidson Museum em 2008 redefiniram sua imagem. Hoje a cidade combina sua orgulhosa herança cervejeira e industrial com uma oferta vibrante de cultura, esporte (é a casa dos Bucks da NBA, campeões em 2021) e festivais.