Minneapolis é a maior cidade de Minnesota e, junto com a vizinha Saint Paul (a capital do estado), forma as 'Cidades Gêmeas' (Twin Cities), uma das regiões metropolitanas mais prósperas e agradáveis de se viver do Meio-Oeste. Conhecida como a 'Cidade dos Lagos', é salpicada de lagos urbanos, rios e parques que a transformam num paraíso ao ar livre no verão, enquanto no inverno enfrenta o frio com uma rede de passarelas climatizadas que conectam o centro.
Para o viajante, Minneapolis combina natureza urbana, cultura e vida moderna. Tem uma das cenas artísticas e musicais mais vibrantes do país (é a cidade de Prince e de Bob Dylan), ótimos museus como o Walker Art Center com seu famoso jardim de esculturas, uma cena gastronômica e cervejeira fortíssima, e o imponente Mississippi, que nasce perto dali e atravessa a cidade com cachoeiras e moinhos históricos. Nos arredores fica o gigantesco Mall of America, o maior shopping center dos EUA.
Este guia percorre o essencial de Minneapolis com um olhar prático: os lagos e parques que definem sua identidade, as cataratas de Saint Anthony e o distrito histórico dos moinhos, os grandes museus e o jardim de esculturas, a herança musical, o Mall of America, onde comer e como se locomover por uma cidade muito verde, bem planejada e preparada até para o inverno rigoroso.
Minneapolis cresceu no século XIX em torno das cataratas de Saint Anthony, a única queda-d'água importante do rio Mississippi, cuja energia hidráulica a transformou na capital mundial da moagem de farinha ('Mill City'). Fundada formalmente em meados do século XIX e alimentada por imigrantes escandinavos e alemães, prosperou com a farinha e a madeira. Mais tarde diversificou sua economia e desenvolveu uma intensa vida cultural, com nomes como Prince e Bob Dylan.
Ler a história completa ↓The 'land of 10,000 lakes': home of the Dakota and Ojibwe, birthplace of the Mississippi River, of a strong Scandinavian heritage, of the iron mines of the Iron Range and of the twin cities of Minneapolis and Saint Paul.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Existe uma única grande cachoeira em todo o curso do rio Mississippi, e sobre ela foi construída uma cidade. Essa cachoeira — as cataratas de Saint Anthony — é a razão de Minneapolis existir onde existe: sem essa queda d'água não teria havido moinhos, nem farinha, nem a 'Mill City' que chegou a alimentar o mundo. Antes de tudo isso, a região foi durante séculos território do povo dakota (sioux), para quem a área do rio e, em particular, a ilha de Spirit Island diante das cataratas, tinha um profundo significado espiritual. As Saint Anthony Falls são a única grande queda natural do Mississippi, um acidente geográfico que seria decisivo na história da cidade.
Os primeiros europeus a descrever as cataratas foram exploradores e missionários franceses no século XVII; o padre Louis Hennepin, franciscano, batizou-as em 1680 em homenagem a Santo Antônio de Pádua. No começo do século XIX, o exército americano estabeleceu o Fort Snelling na confluência dos rios Mississippi e Minnesota, garantindo o controle da área. Ao redor do forte e das cataratas, os colonos começaram a se instalar.
A cidade de Minneapolis se desenvolveu em meados do século XIX na margem oeste das cataratas, enquanto na margem leste crescia o povoado de Saint Anthony, que acabaria se fundindo com Minneapolis. O próprio nome 'Minneapolis' combina a palavra dakota 'mni' (água) com o grego 'polis' (cidade), ou seja, 'a cidade da água', em clara alusão ao seu entorno de rios e lagos.
A energia hidráulica das cataratas de Saint Anthony foi o motor do extraordinário crescimento de Minneapolis na segunda metade do século XIX. Primeiro impulsionou as serrarias, que processavam a madeira das florestas do norte; depois, sobretudo, os moinhos de farinha. Aproveitando o trigo das vastas planícies de Minnesota e das Dakotas, e com inovações tecnológicas na moagem, Minneapolis se tornou a capital mundial da produção de farinha entre as décadas de 1880 e 1930, ganhando o apelido de 'Mill City' (Cidade dos Moinhos).
Grandes empresas de farinha como a Washburn-Crosby (origem da atual General Mills) e a Pillsbury ergueram enormes moinhos às margens do rio, e a farinha de Minneapolis era exportada para o mundo inteiro. Essa indústria atraiu ondas de imigrantes, especialmente escandinavos (suecos e noruegueses) e alemães, que deixaram uma profunda marca cultural na cidade, visível até hoje na gastronomia, nas igrejas e nas tradições.
O auge da farinha enriqueceu a cidade e financiou a construção de muitos de seus prédios, parques e instituições. Embora a indústria moageira tenha entrado em declínio no século XX, seu legado continua muito presente: o distrito histórico do riverfront, o Mill City Museum (instalado num antigo moinho) e o icônico letreiro luminoso da 'Gold Medal Flour', que ainda domina a margem do rio, lembram a época em que Minneapolis alimentava o mundo.
Ao longo do século XX, Minneapolis diversificou sua economia para além da farinha e da madeira, desenvolvendo setores como bancos, seguros, tecnologia, varejo (é sede de empresas como Target e General Mills) e saúde. Junto com a vizinha Saint Paul, capital do estado, formou as 'Twin Cities', um próspero conglomerado urbano que é o centro econômico e cultural da região do Alto Meio-Oeste.
A cidade ganhou fama pela alta qualidade de vida, pelo planejamento urbano, pelo extraordinário sistema de parques e lagos (um dos melhores do país) e pela preparação para o clima: o inverno gelado de Minnesota impulsionou a construção do sistema de 'skyways', passarelas cobertas e climatizadas que conectam os prédios do centro, permitindo circular sem sair no frio.
Minneapolis também floresceu culturalmente. É o berço de Prince, que criou aqui o influente 'Minneapolis sound', e uma cidade-chave no início da trajetória de Bob Dylan; sua cena de música ao vivo, teatro e artes visuais (com instituições como o Walker Art Center e o Guthrie Theater) está entre as mais reconhecidas do país. Nas últimas décadas, recebeu também importantes comunidades de imigrantes, como a somali e a hmong, que enriqueceram sua diversidade cultural e gastronômica, consolidando-a como uma das cidades mais dinâmicas e agradáveis de se viver do Meio-Oeste.
Apesar da reputação de qualidade de vida, Minneapolis carrega, como muitas cidades americanas, profundas desigualdades raciais em moradia, renda e tratamento policial. Essas tensões explodiram em escala mundial em 25 de maio de 2020, quando George Floyd, um homem afro-americano, morreu no bairro de Powderhorn enquanto um policial de Minneapolis o mantinha imobilizado com o joelho sobre o pescoço por mais de nove minutos. O fato, gravado em vídeo por uma pedestre, desencadeou protestos em massa na cidade e depois em todo o país e no mundo, dando um impulso histórico ao movimento Black Lives Matter.
Os protestos em Minneapolis incluíram dias de manifestações, incêndios e distúrbios, principalmente em torno da delegacia do Terceiro Distrito, que foi incendiada. O cruzamento onde Floyd morreu, na esquina da 38th Street com a Chicago Avenue, se transformou num memorial espontâneo conhecido como 'George Floyd Square', que virou lugar de luto, protesto e arte comunitária. Em 2021, o ex-policial Derek Chauvin foi considerado culpado de homicídio e condenado à prisão, num julgamento acompanhado no mundo inteiro.
A partir daí, Minneapolis ficou marcada como epicentro de um debate nacional sobre justiça racial e reforma policial, e iniciou um lento processo de reconstrução das áreas danificadas e de reflexão sobre seu modelo de segurança e convivência. A cidade continua sendo, ao mesmo tempo, um polo de prosperidade, cultura e vida ao ar livre, o que reflete a complexidade do seu presente: uma metrópole admirada pela qualidade de vida e, ao mesmo tempo, obrigada a enfrentar suas desigualdades históricas.