Limassol é a cidade mais animada e cosmopolita de Chipre: um porto movimentado, um calçadão moderno de quilômetros, uma vida noturna vibrante e, no coração do centro histórico, um castelo medieval onde — segundo a tradição — se casou Ricardo Coração de Leão. Ao seu redor se espalha o melhor do sul da ilha: duas cidades-reino da Antiguidade (Amathus e Kourion), o castelo dos Cavaleiros de Kolossi e as encostas de Troodos com seus vilarejos do vinho, herdeiros de uma tradição vinícola milenar.
É uma cidade de contrastes: arranha-céus e marinas de luxo ao lado de vielas do centro antigo com tavernas tradicionais; praias urbanas ao lado de sítios greco-romanos espetaculares. Limassol cresceu muito nas últimas décadas até se tornar o motor econômico da ilha, com uma comunidade internacional muito diversa, mas conserva um centro histórico charmoso em torno do castelo, do antigo porto pesqueiro e do mercado.
Este guia percorre Limassol e arredores com um olhar prático e acolhedor: o castelo e o centro histórico, o calçadão, os sítios de Kourion e Amathus, o castelo de Kolossi, as vinícolas e os vilarejos do vinho, além de como se locomover, quando ir e onde dormir e comer. É a melhor base para descobrir o sul de Chipre, entre história, mar e bom vinho.
A região de Limassol é habitada desde a Antiguidade, entre as duas cidades-reino de Amathus (a leste) e Kourion (a oeste), mas a cidade atual cresceu sobretudo a partir da Idade Média. Ganhou destaque em 1191, quando Ricardo Coração de Leão conquistou Chipre e, segundo a tradição, casou-se aqui com Berengária de Navarra. Sob os Lusignan e depois os Cavaleiros de São João e os Templários, foi porto e centro da produção do vinho Commandaria na vizinha Kolossi. Decaiu na época otomana e renasceu com força sob o domínio britânico e, sobretudo, depois de 1974, quando o deslocamento da população e a perda do porto de Famagusta transformaram Limassol no grande porto e motor econômico do sul. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The southern coast, birthplace of Stoic philosophy in ancient Kition, scene of Richard the Lionheart's wedding in Limassol and home of the world's oldest wine, with the mythical setting of Aphrodite's birth.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Diferente de outras cidades cipriotas, Limassol não tem suas raízes em uma grande cidade-reino da Antiguidade: ela nasceu e cresceu no espaço que ficava entre duas delas, Amathus, a leste, e Kourion, a oeste. As duas estão entre os reinos mais antigos e importantes de Chipre. Amathus, habitada desde o século XI a.C., foi um porto próspero e um famoso centro de culto a Afrodite e a um deus local; suas ruínas estão hoje junto à costa, a leste do centro de Limassol. Kourion, no alto de seu penhasco a oeste, também foi uma cidade-reino grega de grande destaque.
Entre as duas existiu, já na época greco-romana e bizantina, um povoado menor conhecido como Neápolis ("cidade nova"), embrião da futura Limassol. Durante séculos, ele viveu à sombra de suas vizinhas poderosas. O declínio de Amathus e de Kourion, atingidas por terremotos, mudanças econômicas e pelas incursões árabes dos séculos VII e VIII, foi, paradoxalmente, a grande oportunidade daquele modesto núcleo intermediário.
Quando as grandes cidades antigas se esvaziaram, a população e a importância foram se deslocando para esse povoado, bem localizado na costa sul e com um porto natural. Assim, sobre as ruínas de dois reinos milenares, começou a crescer devagar a cidade que hoje é a segunda maior de Chipre.
O episódio que colocou Limassol no mapa da história europeia aconteceu em 1191, durante a Terceira Cruzada. O rei Ricardo I da Inglaterra, conhecido como Coração de Leão, navegava rumo à Terra Santa quando uma tempestade dispersou sua frota. Vários de seus navios, entre eles o que levava sua noiva, Berengária de Navarra, e sua irmã Joana, foram parar no litoral de Chipre, perto de Limassol.
Quem governava a ilha naquele momento era Isaac Comneno, um déspota bizantino que tinha se proclamado imperador de Chipre e que tratou os náufragos com hostilidade. Furioso, Ricardo desembarcou, derrotou Isaac e conquistou a ilha inteira em poucas semanas. Segundo a tradição, foi em Limassol que Ricardo se casou com Berengária de Navarra em maio de 1191, e foi ali que ela foi coroada rainha da Inglaterra: o único caso de uma rainha inglesa coroada fora da Inglaterra.
Ricardo não queria ficar com Chipre, e sim seguir com a cruzada. Vendeu a ilha aos Cavaleiros Templários e, pouco depois, ela passou para Guido de Lusignan, dando origem ao Reino de Chipre dos Lusignan, que governaria por quase três séculos. Aquele casamento real e aquela conquista relâmpago marcaram o início do período medieval latino de Chipre e ficaram para sempre associados a Limassol, embora o castelo que hoje lembra esse episódio tenha sido construído bem depois.
Durante a Idade Média, sob os Lusignan, Limassol foi um porto movimentado e um centro comercial, muito ligado às ordens militares. Os Cavaleiros Templários e, sobretudo, os Cavaleiros Hospitalários de São João tiveram propriedades importantes aqui. Na vizinha Kolossi, os Hospitalários estabeleceram sua Grande Commanderie, a comenda que administrava vastas terras de cultivo. Desse nome, Commanderie, vem o do famoso vinho doce de Chipre, a Commandaria, feito com uvas passificadas ao sol nas encostas de Troodos e exportado para toda a Europa. É considerado um dos vinhos com denominação de origem mais antigos do mundo ainda em produção.
Além do vinho, a região prosperou com o cultivo da cana-de-açúcar, e ao lado do castelo de Kolossi ainda estão os restos de um engenho de açúcar medieval. Limassol era o porto por onde esses produtos saíam para os mercados europeus, o que lhe trouxe riqueza e relevância.
Mas a cidade também sofreu. Ao longo dos séculos XIV e XV, enfrentou ataques, saques (entre eles incursões genovesas e mamelucas) e terremotos que a danificaram gravemente. Em 1373-1374, durante a guerra entre Gênova e os Lusignan, a região sofreu muito. Quando Veneza assumiu o controle de Chipre em 1489, Limassol era uma cidade decadente, ofuscada por Famagusta e Nicósia, embora mantivesse seu porto e seu papel no comércio de vinho.
Com a conquista otomana de Chipre em 1571, Limassol entrou em uma longa fase de decadência. Durante boa parte do período otomano, não passou de um vilarejo grande e empobrecido, com um porto modesto, castigado ainda por terremotos e pela peste. O castelo atual data em grande parte desse início da era otomana, erguido sobre as fortificações medievais anteriores. A cidade ficou bem longe do esplendor que teve na Idade Média.
O renascimento veio com o domínio britânico, iniciado em 1878. Os britânicos enxergaram o potencial do porto de Limassol e o desenvolveram, melhorando as instalações portuárias e as comunicações. A cidade voltou a crescer e a se industrializar, principalmente em torno do vinho e de outros produtos agrícolas. Surgiram as primeiras grandes vinícolas modernas de Chipre (algumas ainda em atividade) e Limassol se consolidou como o centro da indústria vinícola da ilha, aproveitando a tradição milenar dos vinhedos de Troodos.
Ao longo do século XX, sob administração britânica e depois já na República independente (1960), Limassol continuou se expandindo como porto comercial e como cidade. Sua comunidade era mista, com população greco-cipriota e turco-cipriota convivendo em bairros diferentes, como no resto da ilha.
O acontecimento que transformou Limassol de vez foi a crise de 1974. Naquele ano, um golpe de Estado de setores greco-cipriotas favoráveis à união com a Grécia precipitou a invasão militar turca, que ocupou o terço norte da ilha. A guerra provocou um deslocamento em massa da população: milhares de greco-cipriotas que fugiam do norte se instalaram no sul, e muitos chegaram a Limassol. Ao mesmo tempo, a comunidade turco-cipriota da cidade se mudou para o norte.
A divisão teve um efeito econômico decisivo. Chipre perdeu o porto de Famagusta, até então o principal da ilha, que ficou na zona ocupada. Perdeu também o aeroporto de Nicósia e boa parte da sua infraestrutura turística do norte (Kyrenia, Famagusta). Com isso, o porto de Limassol passou a ser o principal da República de Chipre, e a cidade assumiu o papel de grande centro econômico, comercial e turístico do sul.
Desde então, Limassol vive um crescimento acelerado. Tornou-se um importante centro de serviços financeiros, de navegação e empresariais, com uma grande comunidade internacional (incluindo uma presença russa marcante, além de outros países) atraída por sua economia aberta. A cidade ganhou bairros novos, hotéis, marinas e, nas últimas décadas, arranha-céus de frente para o mar. Hoje é a segunda maior cidade de Chipre e seu motor econômico.
A Limassol de hoje é a cidade mais dinâmica e cosmopolita de Chipre. Sua orla se transformou com a Limassol Marina, um empreendimento de luxo com iates, restaurantes e apartamentos, e com uma fileira de torres altíssimas que mudaram o horizonte da cidade. Ao mesmo tempo, o centro histórico em volta do castelo foi revitalizado com tavernas, wine bars, lojas de design e espaços culturais, sem perder o charme histórico.
A cidade é um importante centro de negócios, com uma economia baseada em serviços financeiros, navegação, turismo e comércio. Sua população é bem internacional, com comunidades de dezenas de nacionalidades, o que aparece no dia a dia, na gastronomia e no clima da cidade. Limassol também é famosa pela vida noturna e por um dos carnavais mais animados da ilha, além de um festival do vinho em setembro que tem raízes na antiga tradição vinícola da região.
Como base para explorar a ilha, Limassol é difícil de bater: de um lado ficam os sítios arqueológicos greco-romanos de Kourion e Amathus e o castelo de Kolossi; do outro, as encostas de Troodos com suas vilas do vinho e suas igrejas bizantinas; e no meio, praias, boa comida e uma cidade que não para de crescer. É o coração pulsante do sul de Chipre.