Se Ayia Napa é a festa, Protaras é a calmaria. A poucos quilômetros da agitada vizinha, esta cidade praiana do sudeste de Chipre oferece as mesmas águas turquesa e a mesma areia dourada, mas num ritmo mais tranquilo, pensado para famílias, casais e quem quer relaxar de frente para o mar. Seu símbolo é Fig Tree Bay, uma enseada de água transparente e areia fina que aparece ano após ano nas listas das melhores praias da Europa, com uma ilhota alcançável a nado e uma figueira que lhe dá o nome.
Protaras é um colar de enseadas de cartão-postal ao longo de uma costa de falésias baixas e água cristalina. Além de Fig Tree Bay, esconde joias como Konnos Bay, uma baía protegida entre pinheiros já nos arredores do Cabo Greco. Mais para o interior, a pequena igreja branca de Profitis Ilias coroa uma colina rochosa à qual se sobe por uma longa escadaria, com vista de toda a região, e ao anoitecer as fontes dançantes oferecem um espetáculo de água, luz e música muito popular entre as famílias.
Este guia percorre Protaras com um olhar prático e acolhedor: quais são as melhores enseadas e quanto custa uma espreguiçadeira, como chegar ao Cabo Greco e a Konnos Bay, o que fazer com crianças (o aquário, as fontes dançantes), onde comer um bom peixe e como se locomover sem carro próprio. Protaras não tenta impressionar com exageros: oferece, simplesmente, algumas das águas mais bonitas do Mediterrâneo num ambiente tranquilo e familiar, e por isso conquista quem a descobre.
Protaras é um destino essencialmente moderno: até boa parte do século XX não passava de uma faixa de costa despovoada pertencente ao município de Paralimni, uma vila agrícola do interior dos Kokkinochoria ('as aldeias vermelhas', por causa da terra vermelha e fértil). A zona costeira de Protaras não tinha povoamento fixo e era usada para a pesca e o pastoreio. Tudo mudou a partir de 1974: a divisão de Chipre e a perda de Famagusta e de seu bairro turístico de Varosha, que ficaram do lado ocupado pela Turquia, levaram o sul da ilha a desenvolver às pressas novos destinos litorâneos. Junto com Ayia Napa, Protaras passou em poucas décadas de costa virgem a zona balneária de hotéis e apartamentos, apostando num turismo mais tranquilo e familiar que o da vizinha. O nome e o desenvolvimento modernos convivem com vestígios antigos da região, como a cidade-reino de Leukolla, que a tradição situa por estas paragens. A história completa está na nossa página de história.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Embora Protaras seja hoje um destino turístico moderno, o litoral onde fica guarda ecos que remontam à Antiguidade. A tradição e algumas fontes antigas situam nesta região do sudeste de Chipre um pequeno porto chamado Leukolla, ligado ao mundo das cidades-reino cipriotas da Idade do Bronze e da Antiguidade clássica. Os historiadores o relacionam com a vizinha Salamina, a grande cidade-reino que dominava o leste da ilha e para a qual este trecho de costa teria funcionado como ancoradouro secundário.
O episódio mais citado liga Leukolla ao rei Evágoras I de Salamina, uma das grandes figuras da Chipre clássica (final do século V e início do IV a.C.). Segundo os relatos, a frota de Evágoras teria usado as águas desta região, ou combatido nelas, durante suas guerras pelo controle da ilha e sua queda de braço com o Império Persa. São dados fragmentários, típicos de uma época da qual restou pouca documentação, mas lembram que estas enseadas hoje dedicadas ao lazer foram, há mais de dois milênios, cenário da navegação e das lutas do Mediterrâneo antigo.
Além desses vestígios, a região de Protaras e do município de Paralimni, ao qual pertence, fez parte, durante toda a Antiguidade e a Idade Média, da órbita do leste de Chipre, marcada pela proximidade primeiro de Salamina e depois de Famagusta. Mas, ao contrário dessas grandes cidades, o litoral de Protaras ficou despovoado e sem desenvolvimento urbano durante séculos, algo que só mudaria em época bem recente.
A verdadeira raiz histórica de Protaras não está no litoral, e sim no interior, na cidade de Paralimni, da qual a zona costeira faz parte. Paralimni é uma localidade tradicional da região dos Kokkinochoria, 'as aldeias vermelhas', chamadas assim pela intensa cor avermelhada de sua terra, extraordinariamente fértil e famosa em toda Chipre por suas plantações, especialmente de batata. Durante séculos, a vida da região girou em torno da agricultura nessa terra vermelha, da criação de animais e de uma comunidade rural muito unida em torno de suas igrejas.
O nome Paralimni significa 'junto ao lago', por causa de um lago sazonal próximo que enchia no inverno e secava no verão. Era uma cidadezinha do interior, modesta e agrícola, longe do mar e do turismo, como tantas outras da Chipre tradicional. A faixa litorânea que hoje é Protaras era usada para a pesca e o pastoreio, sem povoamento fixo: apenas algumas capelas, currais e caminhos.
Durante os séculos de domínio veneziano (até 1571), otomano (1571-1878) e britânico (a partir de 1878), esta parte do sudeste cipriota continuou profundamente rural. Os grandes acontecimentos da ilha — conquistas, mudanças de soberania, revoltas — eram sentidos de longe numa região dedicada à terra. Nada indicava que, na segunda metade do século XX, aquelas praias ignoradas se tornariam um dos destinos turísticos mais apreciados de Chipre. Paralimni, a cidade agrícola, acabaria virando a sede administrativa de uma das áreas litorâneas mais prósperas do país.
Assim como aconteceu com a vizinha Ayia Napa, a história moderna de Protaras é marcada pelo ano de 1974, o mais dramático da Chipre contemporânea. Em julho daquele ano, um golpe de Estado apoiado pela junta militar grega derrubou o presidente Makarios com a intenção de unir a ilha à Grécia. A Turquia respondeu com uma intervenção militar que ocupou o terço norte de Chipre, e a ilha ficou dividida por uma linha de cessar-fogo — a 'Linha Verde' — que até hoje a separa: ao norte, a autoproclamada República Turca do Chipre do Norte (reconhecida apenas pela Turquia); ao sul, a República de Chipre, de maioria greco-cipriota.
A divisão teve consequências enormes para o leste da ilha. Famagusta, a grande cidade turística e comercial, e seu moderno bairro de Varosha — um dos destinos da moda no Mediterrâneo nos anos 1960 e 1970 — ficaram do lado ocupado pela Turquia. Varosha foi evacuada e isolada, virando uma cidade fantasma que continua fechada desde então. A República de Chipre perdeu da noite para o dia seu principal centro turístico litorâneo.
O sul da ilha precisava urgentemente desenvolver novos destinos que substituíssem a Famagusta perdida e sustentassem a economia e o turismo. Ayia Napa foi a escolhida primeiro, e junto com ela o litoral de Protaras, que até então era pouco mais que uma faixa intocada do município de Paralimni. Assim, a tragédia da divisão de Chipre foi, paradoxalmente, a origem do desenvolvimento turístico de Protaras: suas praias, ignoradas durante séculos, entraram de repente no mapa por necessidade histórica.
A partir de meados dos anos 1970 e, principalmente, nos anos 1980 e 1990, o litoral de Protaras se transformou num ritmo vertiginoso. Na faixa despovoada do município de Paralimni surgiram hotéis, apartamentos, restaurantes e um calçadão à beira-mar, e as praias de águas turquesa — com Fig Tree Bay à frente — começaram a atrair turistas internacionais, sobretudo britânicos e do norte da Europa. Em questão de umas duas décadas, Protaras passou de litoral intocado a balneário consolidado.
Ao contrário de Ayia Napa, que ficou famosa pela vida noturna e pelo clima jovem e festeiro, Protaras se voltou desde o início para um turismo mais tranquilo e familiar. Firmou-se como o destino das férias a dois ou com crianças, das praias de cartão-postal e do descanso de frente para o mar, deixando a balada para a vizinha Ayia Napa, a poucos quilômetros. Essa aposta na calma e nas famílias virou sua marca registrada e a chave do seu sucesso.
Com o tempo, Protaras foi somando atrações pensadas para esse público: o Ocean Aquarium, o espetáculo das fontes dançantes, o trenzinho turístico, calçadões à beira-mar e uma oferta hoteleira cada vez mais variada, de apartamentos econômicos a resorts de luxo. A pequena igreja de Profitis Ilias, empoleirada no alto de sua colina, e as enseadas do vizinho Cabo Greco completaram o catálogo de uma cidade que combina natureza, praia e lazer em família.
A Protaras de hoje é um destino turístico maduro, que soube preservar sua identidade tranquila e familiar enquanto o turismo no sudeste de Chipre não parava de crescer. É o lado sossegado de Ayia Napa: as mesmas águas turquesa e a mesma areia dourada, mas com um clima mais relaxado, pensado para famílias, casais e viajantes que buscam mais descanso do que festa. Suas praias, lideradas pela premiada Fig Tree Bay, estão entre as mais bem avaliadas da Europa, e seu litoral de enseadas de água cristalina é seu grande tesouro.
A natureza do Cabo Greco, logo ali, oferece trilhas, falésias, grutas marinhas, a Lagoa Azul e enseadas protegidas como Konnos Bay, que permitem combinar o relax da praia com a natureza. A cidade foi diversificando sua oferta com atrações para a família — aquário, fontes dançantes — e com hospedagem de todas as categorias, sempre mantendo o jeito tranquilo que a diferencia.
Como toda a região, Protaras vive à sombra da história recente de Chipre: a poucos quilômetros fica a Linha Verde que divide a ilha desde 1974, com Famagusta e a isolada Varosha do outro lado. Essa proximidade lembra que o próspero presente turístico deste litoral nasceu, em boa parte, da tragédia da divisão. Hoje, porém, Protaras se apresenta ao viajante simplesmente como o que é: um dos cantos de águas mais bonitas do Mediterrâneo, um lugar para desacelerar, nadar em enseadas de cartão-postal e curtir o sol com calma.