Oxford é uma daquelas cidades que parecem ter sido escritas para serem imaginadas. É chamada de 'a cidade dos pináculos sonhadores' por causa da silhueta de torres, cúpulas e pináculos que se erguem sobre seus colleges centenários, e caminhar por suas ruas de paralelepípedo é entrar em cenários que reconhecemos sem nunca ter estado lá: aqui foram filmados corredores de Harry Potter, aqui Tolkien imaginou a Terra-média e Lewis Carroll a sua Alice, e aqui estudaram e lecionaram dezenas de primeiros-ministros, ganhadores do Nobel, escritores e cientistas. A Universidade de Oxford é a mais antiga do mundo anglófono, com mais de oito séculos de história.
Mas Oxford não é só academia e pedra dourada. É a Radcliffe Camera se erguendo redonda e perfeita sobre a praça, a majestosa Biblioteca Bodleiana, os pátios silenciosos dos colleges, os museus gratuitos repletos de tesouros como o Ashmolean (o museu universitário mais antigo do mundo) e os rios Isis e Cherwell, onde os estudantes navegam de punt empurrando o barco com uma vara. É também uma cidade viva, com mercados cobertos, pubs onde os Inklings se reuniam, livrarias e um clima jovem e cosmopolita.
Este guia percorre Oxford com um olhar prático e acolhedor: como chegar a partir de Londres, quais colleges e bibliotecas visitar, como passear de punt, quais museus não perder (muitos gratuitos), onde comer em pubs com séculos de história e como aproveitar a proximidade do Palácio de Blenheim e dos Cotswolds. Seja como bate e volta ou como base para explorar o coração da Inglaterra, Oxford oferece uma experiência única, onde o saber, a história e a beleza andam de mãos dadas.
Oxford nasceu como um cruzamento de caminhos junto a um vau do Tâmisa: seu nome, de origem saxã, significa justamente 'o vau dos bois' ('Oxenaforda'). Há registros do povoado desde o século VIII ou IX, na época do reino saxão da Mércia, e no século X já era uma cidade fortificada de certa importância. Mas o que tornou Oxford célebre foi o ensino: entre o fim do século XI e o início do XII, a cidade começou a reunir mestres e estudantes, e o processo se acelerou em 1167, quando o rei Henrique II proibiu os ingleses de estudar na Universidade de Paris, o que levou muitos acadêmicos para Oxford. Assim nasceu a universidade de língua inglesa mais antiga do mundo. Ao longo da Idade Média foram fundados os primeiros colleges (University, Balliol e Merton, no século XIII), e a cidade viveu as famosas tensões entre 'town and gown' (a cidade e a universidade), que explodiram em revoltas como a sangrenta do St Scholastica's Day, em 1355. Durante a guerra civil inglesa do século XVII, Oxford foi capital realista e quartel-general do rei Carlos I. Com a Revolução Industrial e, sobretudo, com a chegada da fábrica de automóveis Morris Motors no século XX (no bairro de Cowley), a cidade somou à sua alma acadêmica uma dimensão industrial. Hoje Oxford combina seu prestígio universitário milenar com a vida de uma cidade moderna e continua sendo um dos grandes centros do saber do planeta. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The political, economic and cultural heart of the country: London, from Roman Londinium to global capital, with Westminster and the Tower; Windsor Castle, a royal residence; and Oxford and Cambridge, the two oldest universities in the English-speaking world.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
O nome de Oxford guarda sua origem mais humilde. Ele vem do inglês antigo 'Oxenaforda', que significa literalmente 'o vau dos bois': o lugar onde o gado conseguia atravessar o rio Tâmisa por um trecho raso. Esse vau, no coração da cidade atual, foi a razão de ser do povoado, um cruzamento de caminhos e de rios numa planície entre o Tâmisa (que aqui chamam de Isis) e seu afluente, o Cherwell.
Há registros de um povoado na região desde o período saxão, provavelmente desde o século VIII. Oxford aparece com destaque por volta do ano 900, na época do rei Alfredo, o Grande, e de sua filha Etelfleda, quando fazia parte das defesas do reino de Wessex contra as incursões vikings. Era um dos 'burhs', os povoados fortificados que protegiam o território. Sua localização de fronteira, entre os reinos da Mércia e de Wessex, deu a ela importância estratégica desde cedo.
Depois da conquista normanda de 1066, Oxford ganhou, como tantas cidades inglesas, um castelo: em 1071, Robert D'Oilly ergueu uma fortaleza da qual ainda restam vestígios, como a torre de São Jorge e o montículo do castelo. A cidade cresceu como centro comercial e administrativo. Mas seu destino estava prestes a mudar para sempre, não pelas armas nem pelo comércio, e sim por algo muito mais duradouro: o conhecimento. Em pouco tempo, Oxford se tornaria um dos grandes polos do saber da Europa.
O ensino já existia em Oxford de alguma forma desde o fim do século XI, mas o momento decisivo chegou em 1167. Naquele ano, em meio às disputas entre o rei Henrique II da Inglaterra e o rei da França, o monarca inglês proibiu seus súditos de estudar na Universidade de Paris, que era então o grande centro do saber europeu. A medida fez com que muitos acadêmicos e estudantes ingleses voltassem ou se concentrassem em Oxford, que já contava com mestres e escolas. Esse fluxo acelerou a formação de uma verdadeira universidade.
Assim nasceu a Universidade de Oxford, a mais antiga do mundo de língua inglesa e uma das mais antigas da Europa, precedida apenas por algumas poucas, como Bolonha e Paris. Ela não teve um ato de fundação único: foi crescendo organicamente como uma comunidade (um 'studium generale') de mestres e alunos. A tensão entre esses estudantes — muitas vezes jovens, forasteiros e barulhentos — e os moradores da cidade deu origem aos famosos conflitos de 'town and gown' ('a cidade e a toga'), que às vezes terminavam em violência.
Ao longo do século XIII foram fundados os primeiros colleges residenciais, o modelo que definiria Oxford: University College, Balliol e Merton. Esses colleges eram comunidades autônomas onde os estudantes moravam, comiam e estudavam juntos sob a tutela dos mestres, um sistema que dura até hoje e que diferencia Oxford (e Cambridge) de praticamente qualquer outra universidade do mundo. A universidade logo se tornou um centro intelectual de primeira linha, com figuras como o filósofo e cientista Roger Bacon.
A convivência entre a universidade e a cidade nunca foi totalmente pacífica na Idade Média. Os privilégios concedidos à universidade pela Coroa e pela Igreja geravam atritos constantes com os moradores e comerciantes. O episódio mais grave foi o motim do Dia de Santa Escolástica (St Scholastica's Day Riot), em 1355: uma discussão numa taverna sobre a qualidade do vinho desencadeou dois dias de violência entre estudantes e moradores que deixou dezenas de mortos. O rei decidiu a favor da universidade, que ganhou ainda mais privilégios sobre a cidade: durante séculos, os prefeitos de Oxford tiveram que prestar uma humilhante homenagem anual como penitência por aqueles acontecimentos.
A Idade Média também transformou Oxford em palco dos grandes debates religiosos e intelectuais. No século XIV, o teólogo John Wycliffe, professor em Oxford, defendeu ideias reformistas e a tradução da Bíblia para o inglês, antecipando-se em mais de um século à Reforma protestante. Mais tarde, no século XVI, durante o conturbado reinado de Maria I, Oxford foi o lugar onde foram queimados na fogueira os 'Mártires de Oxford': os bispos protestantes Thomas Cranmer, Hugh Latimer e Nicholas Ridley, executados por sua fé entre 1555 e 1556. O Martyrs' Memorial, no centro da cidade, homenageia os três.
Ao longo de todos esses séculos, a universidade continuou crescendo e fundando colleges, consolidando seu prestígio. Em plena Idade Média e Renascimento, Oxford já era um dos grandes centros do pensamento da cristandade ocidental, um lugar onde se formavam teólogos, filósofos e estadistas, e onde as ideias podiam mudar o rumo da história.
O século XVII colocou Oxford no centro da história política da Inglaterra. Quando estourou a guerra civil inglesa (1642-1651), que opôs o rei Carlos I ao Parlamento, a cidade virou a capital realista e o quartel-general do monarca. Depois de ser expulso de Londres, Carlos I instalou em Oxford sua corte, seu conselho e até um parlamento próprio, e a universidade — de simpatias majoritariamente realistas — colocou seus recursos a serviço da causa do rei.
A cidade foi fortificada e se encheu de soldados, cortesãos e refugiados. Os colleges fundiram sua prataria para cunhar moedas e pagar as tropas, e muitos prédios universitários viraram depósitos, oficinas de armas ou alojamento militar. Durante vários anos, Oxford foi, na prática, a capital alternativa do reino, até que em 1646 se rendeu às forças do Parlamento, marcando um ponto de virada na guerra que terminaria com a execução do rei em 1649.
Apesar da turbulência, o século XVII também foi uma época de grande esplendor arquitetônico e científico para Oxford. Foram construídos edifícios emblemáticos como o Sheldonian Theatre, a primeira grande obra de Christopher Wren, inaugurado em 1669. E, na órbita da universidade, surgiram figuras e grupos científicos que contribuíram para a fundação da Royal Society. Oxford saía da guerra como um centro do saber renovado, que nos séculos seguintes continuaria erguendo algumas das bibliotecas e monumentos que hoje definem seu perfil de 'pináculos sonhadores'.
A Oxford moderna tem duas almas que convivem: a acadêmica e a industrial. Durante o século XIX, a universidade passou por reformas importantes que a modernizaram e a abriram aos poucos (a admissão de mulheres a diplomas plenos só chegaria em 1920). Foi também a Oxford do Movimento de Oxford na Igreja Anglicana e de figuras intelectuais e literárias de primeira linha. Em 1860, o Museu de História Natural foi palco do célebre debate sobre a teoria da evolução de Darwin entre Thomas Huxley e o bispo Wilberforce, símbolo do choque entre ciência e religião.
No começo do século XX, Oxford ganhou uma dimensão inesperada: a industrial. Em 1913, William Morris (depois Lord Nuffield) fundou no bairro de Cowley a fábrica de automóveis Morris Motors, que se tornou um dos grandes centros de produção de carros do Reino Unido e transformou a economia e a demografia da cidade, atraindo milhares de operários. Oxford deixou de ser apenas uma cidade universitária para ser também uma cidade operária e industrial, uma dualidade que continua até hoje.
Mas, se tem algo que diferencia a Oxford do século XX, é sua extraordinária fecundidade literária. A cidade e sua universidade foram o lar dos Inklings, o grupo que reunia J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis, que deram ao mundo 'O Senhor dos Anéis' e 'As Crônicas de Nárnia' e se encontravam em pubs como o The Eagle and Child. Antes, Lewis Carroll havia imaginado ali a sua Alice, e depois viriam cenários de Harry Potter e romances como os de Philip Pullman. Hoje Oxford combina seu prestígio acadêmico milenar, seu passado industrial e sua aura literária numa cidade vibrante que continua atraindo estudantes e visitantes do mundo inteiro.