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Daugavpils
🇱🇻 Letônia · Zemgale e Latgale: palácios e o leste

Daugavpils

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📍Região
Daugavpils é a segunda cidade da Letônia, no sudeste do país, na região de Latgale, às margens do rio Daugava e bem perto das fronteiras com a Lituânia e a Bielorrússia. A cerca de 230 km de Riga, é uma cidade multicultural onde convivem letões, russos, poloneses e outras comunidades, com um forte caráter próprio. Seus grandes símbolos são a enorme fortaleza do início do século XIX, única na Europa pelo seu estado de conservação, e o Centro de Arte Mark Rothko, dedicado ao pintor que nasceu aqui.
📌Melhor época
O verão (junho a agosto) é a melhor época, com tempo bom para percorrer a fortaleza, a orla do Daugava e os lagos dos arredores. A primavera e o outono são agradáveis e com menos gente; no outono os parques ficam dourados. O inverno é frio e longo, mas a cidade mantém sua vida cultural, com o Centro Rothko e os museus como refúgio. Qualquer época serve para uma visita à cidade, já que as principais atrações são cobertas ou ao ar livre, mas acessíveis o ano todo.
📌Dias sugeridos
Com 1 dia dá para ver o essencial: a fortaleza de Daugavpils com o Centro de Arte Mark Rothko, o centro histórico com suas igrejas e a rua Rīgas, e um passeio à beira do Daugava. Com 2 dias dá para aproveitar com calma e incluir a 'colina das igrejas' de Grīva, mais museus e algum passeio pelos lagos de Latgale ou até Aglona. É uma boa base para explorar o leste do país e um destino com personalidade para quem procura uma Letônia diferente da turística.
📌Como chegar
O trem de longa distância Vivi (Pasažieru vilciens) liga Riga a Daugavpils várias vezes por dia em cerca de 3 horas, por um preço bem razoável; é a forma mais cômoda. Também há ônibus de longa distância saindo da rodoviária de Riga (Autoosta), com duração parecida. De carro, chega-se pela rodovia A6 seguindo o curso do Daugava, em cerca de 3 horas. A estação de trem e a rodoviária ficam perto do centro.
📌Como se locomover
O centro de Daugavpils dá para percorrer a pé, mas a cidade é extensa e a fortaleza fica a uns 2-3 km do centro histórico, então vale combinar com transporte. Daugavpils mantém uma rede de bondes — uma das mais antigas do Báltico — além de ônibus urbanos, com passagem barata paga ao motorista ou com cartão. Há táxis e aplicativos para trajetos pontuais. Para os lagos e vilarejos de Latgale é preciso carro.
🗣️Idioma e moeda
O idioma oficial é o letão, mas em Daugavpils o russo é muito comum na rua por causa da composição da população, e nos pontos turísticos se fala um pouco de inglês. A moeda é o euro (€), que a Letônia adotou em 2014. Dá para pagar com cartão por aproximação em quase todo lugar, inclusive museus e bonde; é bom levar um pouco de dinheiro vivo para pequenos comércios e feiras.
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Daugavpils é a grande cidade do leste da Letônia, a segunda do país e uma das mais singulares: multicultural, um pouco áspera e cheia de história, às margens do largo rio Daugava e a um passo da Lituânia e da Bielorrússia. Aqui convivem há séculos letões, russos, poloneses, bielorrussos e outras comunidades, e essa mistura aparece nas igrejas de diferentes confissões, no idioma da rua e no caráter de uma cidade que olha tanto para o Ocidente quanto para o Oriente.

Sua joia é a fortaleza de Daugavpils, uma imensa cidadela do início do século XIX construída pelo Império Russo contra Napoleão: é a única fortaleza do tipo baluarte dessa época na Europa Oriental que se conserva praticamente intacta, com suas muralhas, fossos, quartéis e ruas internas ainda habitadas. No seu antigo arsenal fica o Centro de Arte Mark Rothko, dedicado ao grande pintor do expressionismo abstrato, nascido nesta cidade em 1903, e único lugar do Leste Europeu onde se exibem obras originais dele.

Este guia percorre Daugavpils com olhar prático: o que ver na fortaleza e no Centro Rothko, quanto custa a entrada, como chegar de trem desde Riga com a Vivi, como se locomover no seu histórico bonde e que outras igrejas, museus e cantinhos descobrir. É um destino com personalidade para quem quer conhecer a Letônia de verdade, além dos cartões-postais de Riga.

📖 História de Daugavpils

Daugavpils nasceu como o castelo de Dinaburg, fundado por volta de 1275 pela Ordem da Livônia sobre a antiga rota comercial do Daugava, perto das fronteiras russa e lituana. Em 1577, o exército de Ivã IV, 'o Terrível', o conquistou e arrasou, e uma nova praça-forte foi erguida rio abaixo. A cidade mudou muitas vezes de mãos e de nome — Dinaburg, Borisoglebsk, Dvinsk e, desde 1920, Daugavpils —, passando pela República das Duas Nações (Polônia-Lituânia) e pelo Império Russo. Em 1810, o czar Alexandre I mandou construir a grande fortaleza diante da ameaça de Napoleão, concluída só em 1878. No século XX floresceu como cidade industrial multicultural, sofreu a ocupação nazista e o extermínio de sua enorme comunidade judaica, e viveu o longo período soviético. Contamos tudo isso na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Daugavpils fica em Zemgale and Latgale: palaces and the east

The Semigallia of the warriors who held out for a century and its baroque palaces, alongside Catholic, Polish-influenced Latgale, the most distinctive region of Latvia.

Ler a história de Zemgale and Latgale: palaces and the east →

🗺️ O que ver

1
Fortaleza de Daugavpils (Dinaburg)
A única fortaleza de baluartes do início do século XIX conservada quase intacta no Leste Europeu, ainda habitada.
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A fortaleza de Daugavpils é o monumento mais impressionante da cidade e uma raridade em escala europeia: uma cidadela do tipo baluarte mandada construir pelo czar Alexandre I a partir de 1810, em plena tensão antes da invasão de Napoleão, e concluída, entre atrasos e enchentes, só em 1878. É a única fortaleza dessa época e desse tipo na Europa Oriental que se conserva praticamente sem alterações, com suas muralhas de terra e tijolo, fossos, portões, quartéis e um traçado regular de ruas internas. O mais surpreendente é que a fortaleza não é um museu vazio: lá dentro ainda mora gente, há moradias, instituições e o Centro de Arte Mark Rothko. Dá para percorrê-la livremente a pé, e há visitas guiadas que explicam sua história militar. É um conjunto enorme, ideal para caminhar sem pressa e imaginar seu passado como praça-forte do Império Russo. Como chegar: a uns 2-3 km do centro histórico; de bonde, ônibus, táxi ou carro. Melhor época: da primavera ao outono, para caminhar com tempo bom. Dicas: entre no centro de informações/exposição da fortaleza; combine a visita com o Centro Rothko, que fica lá dentro.
ℹ️ Distância: A uns 2-3 km do centro histórico; de bonde, ônibus ou carro · Melhor época: Da primavera ao outono, para percorrê-la com tempo bom · Entrada: Acesso livre ao recinto; visitas guiadas da fortaleza pagas, com reserva pelo Centro Rothko (verificado em julho de 2026) · Duração: 1,5 a 3 horas
2
Centro de Arte Mark Rothko
O único museu do Leste Europeu com obras originais de Mark Rothko, no antigo arsenal da fortaleza.
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O Centro de Arte Mark Rothko (Daugavpils Marka Rotko mākslas centrs) é a grande atração cultural da cidade e um lugar único: é o único ponto de toda a Europa Oriental onde se exibem obras originais de Mark Rothko (1903-1970), o pintor do expressionismo abstrato nascido em Daugavpils quando a cidade se chamava Dvinsk e fazia parte do Império Russo. A família Rothkowitz emigrou para os Estados Unidos em 1913, mas a cidade reivindica com orgulho seu filho mais universal. O centro, inaugurado em 2013 no arsenal restaurado da fortaleza, combina as obras de Rothko cedidas por sua família com um ambicioso programa de arte contemporânea, exposições temporárias de artistas internacionais, residências e oficinas. O próprio prédio, com suas salas de tijolo e seu design moderno, já vale a visita. Como chegar: dentro da fortaleza, no arsenal; de bonde, ônibus ou carro. Melhor época: o ano todo; é um espaço coberto perfeito para dias frios ou de chuva. Dicas: confira quais exposições temporárias estão em cartaz; consulte dias e horários de fechamento; dá para combinar com a visita guiada à fortaleza.
ℹ️ Distância: Dentro da fortaleza, no arsenal · Melhor época: O ano todo; ideal para dias frios ou de chuva · Entrada: €10 adulto; tarifas reduzidas para estudantes, aposentados e famílias (Centro Rothko, verificado em julho de 2026) · Duração: 1,5 a 2,5 horas
3
Colina das igrejas de Grīva (Baznīckalns)
Um conjunto único onde se enfileiram quatro grandes igrejas de diferentes confissões cristãs, símbolo da Daugavpils multicultural.
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A 'colina das igrejas' de Daugavpils, no bairro de Nova Construção (Jaunbūve), é um dos cantos que melhor representam o caráter multicultural da cidade: num mesmo lugar se erguem, quase lado a lado, quatro grandes igrejas de diferentes confissões cristãs. Estão ali a catedral católica da Imaculada, a catedral ortodoxa russa dos Santos Bóris e Gleb — com suas cúpulas douradas —, a igreja luterana de Martinho Lutero e a igreja dos velhos crentes (starovery), uma comunidade ortodoxa tradicionalista muito enraizada em Latgale. Ver esses templos tão próximos, cada um com seu estilo e sua comunidade, resume séculos de convivência entre letões, poloneses, russos e outros povos. É um passeio tranquilo e muito fotogênico, sobretudo com boa luz. Como chegar: no bairro de Jaunbūve; a pé desde o centro ou de transporte urbano. Melhor época: o ano todo. Dicas: respeite os horários de culto se quiser entrar; a igreja dos velhos crentes é especialmente singular.
ℹ️ Distância: No bairro de Jaunbūve; a pé ou de transporte urbano · Melhor época: O ano todo · Entrada: Igrejas com acesso livre ou doação (verificado em julho de 2026) · Duração: 1 a 1,5 hora
4
Centro histórico e rua Rīgas
O centro oitocentista de tijolo com o calçadão Rīgas iela, lojas, cafés e a praça da Unidade.
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O centro histórico de Daugavpils é um conjunto urbano do século XIX, traçado em quadrícula depois dos grandes incêndios e reconstruções da época imperial russa. Seu eixo é a rua Rīgas (Rīgas iela), em parte calçadão, com prédios de tijolo vermelho, lojas, cafés e um clima animado. Perto fica a praça da Unidade (Vienības laukums), com a Casa da Unidade, um imponente edifício dos anos 1930 que abriga teatro, biblioteca e salas culturais. Passear pelo centro permite descobrir a arquitetura de tijolo típica de Daugavpils, mercados, a sinagoga restaurada — lembrança da grande comunidade judaica da cidade — e o ritmo da vida local, bem diferente do de Riga. É um bom lugar para comer, tomar um café e sentir o pulso multicultural de Latgale. Como chegar: no centro da cidade, a pé. Melhor época: o ano todo; agradável no verão por causa das mesas na calçada. Dicas: procure a sinagoga e seu pequeno museu; a rua Rīgas é o melhor ponto de partida para caminhar.
ℹ️ Distância: No centro da cidade, a pé · Melhor época: O ano todo; mesas na calçada no verão · Entrada: Acesso livre; museus e sinagoga com entrada à parte (verificado em julho de 2026) · Duração: 1 a 2 horas
5
Orla do Daugava e muralha (Daugavas krastmala)
O passeio à beira do grande rio Daugava, com a muralha histórica de contenção e vista para a água.
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O rio Daugava, que dá nome à cidade, marca sua paisagem e sua história. Na passagem por Daugavpils, dá para percorrer a orla e ver a muralha histórica de contenção (dique), erguida para proteger a cidade das cheias do rio, que no passado causaram enchentes graves. É um lugar tranquilo para caminhar, com vista para o largo leito e, do outro lado, o bairro de Grīva. O entorno do Daugava lembra que a cidade nasceu justamente por causa do rio: a antiga rota comercial 'dos varegues aos gregos' passava por aqui, e às suas margens foram erguidos o castelo medieval de Dinaburg e, mais tarde, a fortaleza. Hoje o rio é um espaço de passeio e natureza dentro da cidade. Como chegar: ao lado do centro e da fortaleza, a pé. Melhor época: da primavera ao outono. Dicas: combine o passeio com a visita à fortaleza, que fica junto ao rio; boas vistas no pôr do sol.
ℹ️ Distância: Ao lado do centro e da fortaleza, a pé · Melhor época: Da primavera ao outono · Entrada: Grátis (acesso livre) (verificado em julho de 2026) · Duração: 30 a 60 min
6
A região de lagos de Latgale ao redor de Daugavpils, com natureza e a vizinha basílica de peregrinação de Aglona.
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Daugavpils é uma excelente base para descobrir Latgale, a região mais oriental e de maior tradição católica da Letônia, famosa por suas centenas de lagos, suas florestas e seus vilarejos tranquilos. Na própria cidade e no entorno há parques e áreas verdes, como a área de Cīrulīši junto ao Daugava, com trilhas e natureza. A pouca distância se abrem paisagens de lagos ideais para quem busca calma e desconexão. O passeio mais popular a partir de Daugavpils é até Aglona (a uns 40-45 km), o grande santuário católico da Letônia, com sua basílica branca, destino de peregrinação, sobretudo em 15 de agosto. Também dá para combinar com Rēzekne e outros cantos de Latgale. Como chegar: de carro para os lagos; até Aglona de carro ou de ônibus. Melhor época: verão para os lagos; 15 de agosto para a peregrinação de Aglona (com muita gente). Dicas: para os lagos, o ideal é ter carro próprio; Aglona tem sua própria página neste guia.
ℹ️ Distância: Arredores de Daugavpils; Aglona a uns 40-45 km · Melhor época: Verão para os lagos; 15 de agosto para a peregrinação de Aglona · Entrada: Natureza e basílica com acesso livre; atividades com tarifa conforme a operadora (verificado em julho de 2026) · Duração: Meio dia a dia inteiro
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Centro de Arte Mark Rothko€10 adulto; reduzidas para estudantes, aposentados e famílias (Centro Rothko, verificado em julho de 2026)
Recinto de la fortaleza de DaugavpilsAcesso livre (verificado em julho de 2026)
Visita guiada a la fortalezaPago, com reserva pelo Centro Rothko (verificado em julho de 2026)
Iglesias de la colina de las iglesiasAcesso livre ou doação (verificado em julho de 2026)
Sinagoga y su museoEntrada barata / doação (verificado em julho de 2026)
Museo Regional y de Arte de DaugavpilsEntrada barata, uns €3-5 (verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

AtividadePreçoDuraçãoOperadora
Visita guiada à fortaleza de DaugavpilsPago, conforme o grupo (verificado em julho de 2026)1,5 hCentro de Arte Mark Rothko
Visita ao Centro de Arte Mark Rothko€10 adulto (verificado em julho de 2026)1,5-2,5 hCentro de Arte Mark Rothko
Passeio pela colina das igrejas e pelo centro históricoGrátis2-3 hCidade de Daugavpils
Passeio à basílica de AglonaÔnibus barato ou carro (verificado em julho de 2026)Meio dia a dia inteiroÔnibus de Latgale / carro
Roteiro pelos lagos de LatgaleConforme a operadora; ideal com carro próprio (verificado em julho de 2026)Dia inteiroOperadoras de turismo de Latgale
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

MeioPreçoDuraçãoObservações
Bonde urbano de DaugavpilsPassagem barata, paga ao motorista ou com cartão (verificado em julho de 2026)VariávelRede histórica de bondes, uma das mais antigas do Báltico; útil para chegar a diferentes bairros
Ônibus urbanoPassagem barata (verificado em julho de 2026)VariávelComplementa o bonde; liga o centro à fortaleza e aos bairros
Caminhar a péGrátisVariávelO centro histórico se percorre a pé; a fortaleza fica a 2-3 km do centro
Táxi / apps e carro alugadoConforme o trajeto (verificado julho 2026)VariávelÚteis para a fortaleza e, principalmente, para os lagos de Latgale e Aglona
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Riga → Daugavpils de tremVivi (Pasažieru vilciens), linha Riga-DaugavpilsA partir de uns €8-12 (verificado julho 2026)Aproximadamente 3 horas
Riga → Daugavpils de ônibusÔnibus de longa distância a partir da Autoosta RigaA partir de uns €10-14 (verificado julho 2026)Cerca de 3 h 30
Riga → Daugavpils de carroRodovia A6 acompanhando o DaugavaCombustível (verificado julho 2026)Cerca de 3 horas
Daugavpils → AglonaÔnibus de Latgale (Daugavpils autobusu parks) ou carroÔnibus econômico (verificado julho 2026)Aproximadamente 1 hora
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Média-alta
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Aprox. €60-110 a diária; hotéis centrais como o Park Hotel Latgola (com vista do alto da sua torre) e outros de boa categoria perto do centro
Média / hotéis e guesthouses
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Aprox. €40-75 a diária; hotéis de categoria média, guesthouses e apartamentos no centro histórico e arredores
Econômico / hostels
Preço$$$$$
Opções recomendadas
A partir de uns €20-45 a diária; hostels, apartamentos econômicos e hospedagens simples, com bom custo-benefício

🍴 Onde comer

Cocina de Latgale y moderna
Preço$$$$$
Opções / prato típico
€12-24 por prato; restaurantes de boa cozinha com produtos locais e pratos da região de Latgale
Cocina casera letona, rusa y polaca
Preço$$$$$
Opções / prato típico
€7-16 por prato; restaurantes e tavernas que refletem a mistura cultural da cidade, com pratos eslavos e letões
Cafés, panaderías y comida rápida
Preço$$$$$
Opções / prato típico
€4-12 por prato; cafés, padarias e lugares informais na rua Rīgas e no centro

📖 História de Daugavpils

Origem, formação e o que dizem as fontes.

Dinaburg: um castelo na fronteira

A história de Daugavpils começa na água. O rio Daugava — que em russo se chama Dvina e que dá nome à cidade — foi durante séculos uma das grandes rodovias comerciais do norte da Europa, parte da mítica rota 'dos varegues aos gregos', que ligava a Escandinávia a Bizâncio. Quem controlava um ponto-chave desse rio controlava o comércio, e por isso, por volta de 1275, o mestre da Ordem Livônia mandou erguer um castelo de pedra às margens do Daugava: o castelo de Dinaburg (Naujene), num lugar estratégico perto das fronteiras com as terras russas e lituanas.

Dinaburg nasceu, portanto, como uma fortaleza de fronteira, um posto avançado da Ordem cruzada no sudeste da Livônia, numa região onde se chocavam os interesses da Ordem, do Grão-Ducado da Lituânia e dos principados russos. Durante quase três séculos, o castelo vigiou o rio e a fronteira, e ao seu redor foi crescendo um pequeno núcleo de população.

Mas sua posição de fronteira, que era sua razão de ser, também o condenava a estar sempre na linha de frente das guerras. Essa vulnerabilidade ficou tragicamente demonstrada no século XVI, quando a grande tempestade da Guerra da Livônia caiu sobre a região.

Ivan, o Terrível, a Polônia e os muitos nomes da cidade

Em 1577, durante a Guerra da Livônia, o exército do czar Ivan IV da Rússia, 'o Terrível', tomou e destruiu o castelo de Dinaburg. Ivan ordenou então a construção de uma nova praça fortificada uns 19 quilômetros rio abaixo, mais ou menos onde fica a cidade atual. Foi a primeira de muitas trocas de dono e de nome que marcariam a identidade mutável da cidade.

Após a dissolução da Ordem Livônia, a região passou para a República das Duas Nações (a Comunidade Polaco-Lituana), e Dinaburg se tornou uma cidade da região de Inflanty (a Livônia polonesa), com forte influência católica e polonesa, algo que ainda se percebe em Latgale. Durante um breve período de ocupação russa em meados do século XVII (1656-1667), a cidade chegou a se chamar Borisoglebsk. Com as partilhas da Polônia no fim do século XVIII, Dinaburg foi anexada pelo Império Russo em 1772.

Sob domínio russo, a cidade cresceu como centro administrativo, comercial e militar. Em 1893 foi rebatizada de Dvinsk, nome pelo qual a Europa a conheceria no começo do século XX. Só em 1920, com a independência da Letônia, recebeu seu nome letão definitivo: Daugavpils, 'o castelo do Daugava'. Essa sucessão de nomes — Dinaburg, Borisoglebsk, Dvinsk, Daugavpils — resume, melhor que qualquer relato, uma história feita de fronteiras móveis e de domínios sucessivos.

A fortaleza contra Napoleão

O monumento que hoje define Daugavpils nasceu do medo de Napoleão. No começo do século XIX, diante da crescente tensão com a França napoleônica e da ameaça de uma invasão do Império Russo, o czar Alexandre I decidiu reforçar a linha do Daugava. Em 1810 foi lançada a pedra fundamental da fortaleza de Dinaburg, uma grande cidadela do tipo bastião concebida segundo os padrões mais modernos da engenharia militar da época, com muralhas de terra e tijolo, fossos, revelins e um núcleo urbano interno.

A construção foi lenta e cheia de percalços. A própria invasão napoleônica de 1812 interrompeu as obras — a fortaleza, ainda inacabada, foi atacada pelas tropas francesas —, e depois vieram atrasos, graves enchentes do Daugava e dificuldades técnicas. A fortaleza só foi dada como totalmente concluída em 1878, quase setenta anos depois do início. Àquela altura, a evolução da artilharia já a tinha tornado em boa parte obsoleta como praça defensiva, mas ela continuou cumprindo funções militares e de aquartelamento.

O extraordinário é que essa fortaleza chegou até nós quase intacta: é a única fortaleza de bastião do começo do século XIX preservada praticamente sem alterações em todo o Leste Europeu. Suas ruas internas, quartéis e armazéns continuaram sendo habitados e usados ao longo dos séculos XX e XXI, o que a salvou da ruína total. Hoje ela é o coração patrimonial da cidade e abriga, em seu antigo arsenal, o Centro de Arte Mark Rothko.

Dvinsk industrial, judaica e multicultural

Na segunda metade do século XIX, a chegada da ferrovia transformou Dinaburg-Dvinsk num importante entroncamento do Império Russo, cruzamento de linhas rumo a São Petersburgo, Varsóvia, Riga e Oriol. A cidade se industrializou e sua população cresceu rapidamente, atraindo gente das mais diversas origens. Dvinsk se tornou profundamente multicultural: ali conviviam letões, russos, poloneses, bielorrussos, alemães e, sobretudo, uma comunidade judaica numerosíssima, que chegou a representar cerca de metade dos habitantes e deu à cidade boa parte de sua vida comercial, artesanal e intelectual. Nesse mundo judaico de Dvinsk nasceu, em 1903, Markus Rothkowitz, o futuro pintor Mark Rothko, cuja família emigrou para os Estados Unidos em 1913.

O século XX trouxe tragédias em série. A Primeira Guerra Mundial colocou a cidade perto do front; depois vieram a independência letã de 1918-1920 e o período entreguerras. Mas o golpe mais terrível chegou com a Segunda Guerra Mundial. Depois da ocupação soviética de 1940, a Alemanha nazista ocupou Daugavpils em 1941, e sua comunidade judaica — uma das maiores da Letônia — foi quase totalmente exterminada: milhares de pessoas foram assassinadas no gueto de Daugavpils e em fuzilamentos em massa nos arredores, sobretudo na floresta de Pogulanka e na própria fortaleza, usada como campo de prisioneiros. Aquele genocídio apagou para sempre um dos traços essenciais da cidade.

A memória dessa comunidade perdida sobrevive hoje na sinagoga restaurada do centro e nos locais de memória, testemunho sóbrio de uma história que Daugavpils não esconde.

Da cidade soviética à Daugavpils de hoje

Depois da guerra, Daugavpils voltou a ser incorporada à União Soviética, dentro da República Socialista Soviética da Letônia, e viveu quase meio século sob o regime comunista. Foi um período de forte industrialização e de chegada de trabalhadores de outras repúblicas soviéticas, principalmente falantes de russo, o que consolidou o caráter majoritariamente russófono da cidade, muito diferente do de Riga ou da Letônia rural. Foram construídas fábricas, bairros de prédios em bloco e grandes obras de infraestrutura, enquanto o centro histórico e a fortaleza envelheciam.

Com a recuperação da independência da Letônia em 1991, Daugavpils precisou se reinventar. A queda da indústria soviética abalou sua economia, e a cidade enfrentou os desafios de uma população diversa dentro de um novo Estado nacional. Aos poucos, apostou em seu patrimônio e em sua cultura como motor de futuro: a restauração da fortaleza e a inauguração, em 2013, do Centro de Arte Mark Rothko — o único do Leste Europeu com obras originais do pintor — foram passos decisivos para colocar a cidade no mapa cultural europeu.

Hoje Daugavpils é a segunda cidade da Letônia e a capital cultural do leste, uma cidade multicultural onde convivem igrejas católicas, ortodoxas, luteranas e de velhos crentes, onde se ouve letão e russo na rua e onde a enorme fortaleza imperial e a arte de Rothko atraem o viajante curioso. Com seus séculos de fronteiras mutáveis, seus muitos nomes e sua mistura de povos, continua sendo uma das cidades com mais personalidade e mais história de toda a Letônia.

📚 Bibliografia

  • Daugavpils — Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Daugavpils
  • Daugavpils fortress — Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Daugavpils_fortress
  • Britannica — «Daugavpils»: https://www.britannica.com/place/Daugavpils
  • Visit Daugavpils — «History»: https://www.visitdaugavpils.lv/en/vesture/
  • Mark Rothko — Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Mark_Rothko
  • Centro de Arte Mark Rothko (site oficial): https://rothkomuseum.com/en/
  • Latgale — Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Latgale
  • The Holocaust in Latvia — Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/The_Holocaust_in_Latvia
  • Livonian War — Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Livonian_War
  • Latvia Travel — «Daugavpils Fortress»: https://www.latvia.travel/en/sight/daugavpils-fortress

❓ Perguntas frequentes

Como chego a Daugavpils saindo de Riga?+
O mais prático é o trem de longa distância Vivi (Pasažieru vilciens), que liga Riga e Daugavpils várias vezes por dia em cerca de 3 horas por uns €8-12. Também há ônibus de longa distância a partir da rodoviária de Riga (Autoosta), com duração um pouco maior. De carro, chega-se em cerca de 3 horas pela rodovia A6, acompanhando o curso do rio Daugava. A estação de trem e a rodoviária ficam perto do centro da cidade.
Quanto custa a entrada no Centro de Arte Mark Rothko?+
A entrada geral no Centro de Arte Mark Rothko custa uns €10 por adulto, com tarifas reduzidas para estudantes, aposentados e famílias (Centro Rothko, verificado julho 2026). É o único lugar do Leste Europeu onde dá para ver obras originais de Rothko, e ainda tem uma ampla programação de arte contemporânea. Fica dentro da fortaleza, no antigo arsenal; vale conferir os dias e horários de fechamento antes de ir.
O que é a fortaleza de Daugavpils e dá para visitá-la?+
É uma enorme cidadela do tipo bastião que o Império Russo começou a construir em 1810 contra Napoleão e terminou em 1878. É a única fortaleza dessa época conservada quase intacta no Leste Europeu, e continua habitada. O recinto pode ser percorrido a pé livremente e de graça; há visitas guiadas pagas que explicam sua história (com reserva pelo Centro Rothko), e lá dentro fica o Centro de Arte Mark Rothko. Vale reservar pelo menos umas duas horas.
Quantos dias preciso para conhecer Daugavpils?+
Com 1 dia dá para ver o essencial: a fortaleza com o Centro de Arte Mark Rothko, o centro histórico com a rua Rīgas, a colina das quatro igrejas e um passeio às margens do Daugava. Com 2 dias você aproveita com mais calma e pode incluir museus, a sinagoga e um passeio pelos lagos de Latgale ou até a basílica de Aglona. É uma boa base para explorar o leste do país.
Quem foi Mark Rothko e qual é sua relação com Daugavpils?+
Mark Rothko (1903-1970) foi um dos grandes pintores do expressionismo abstrato norte-americano, famoso por suas grandes telas de campos de cor. Nasceu nesta cidade, então chamada Dvinsk e parte do Império Russo, como Markus Rothkowitz, numa família judia que emigrou para os Estados Unidos em 1913. Daugavpils homenageia sua figura com o Centro de Arte que leva seu nome, dentro da fortaleza, o único no Leste Europeu com obras originais dele.

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Daugavpils Fortress 04