Stowe é a própria imagem da cidadezinha de montanha da Nova Inglaterra: uma igreja de campanário branco recortada contra as Montanhas Verdes de Vermont, pousadas aconchegantes, lojas charmosas e, ao redor, uma paisagem de florestas, fazendas e picos que muda de cor a cada estação. Encravada ao pé do Mount Mansfield, a montanha mais alta do estado, Stowe é um dos destinos de esqui e montanha mais antigos e queridos do leste dos Estados Unidos, um lugar para curtir nos doze meses do ano.
No inverno, Stowe é um paraíso da neve: sua estação, o Stowe Mountain Resort, foi pioneira do esqui no leste do país e continua entre as mais prestigiadas, com pistas para todos os níveis no Mount Mansfield e no vizinho Spruce Peak. Mas o atrativo de Stowe vai muito além do esqui. No outono, as florestas de Vermont explodem em vermelhos, laranjas e dourados num dos espetáculos de folhagem mais célebres do mundo; no verão, as montanhas convidam a trilhas, ciclismo e ar livre fresquinho; e o ano todo a cidadezinha oferece o aconchego das pousadas, a boa mesa e os produtos artesanais de Vermont, da sidra aos queijos e ao famoso sorvete.
Este guia percorre Stowe com um olhar prático e caloroso: o que fazer na montanha em cada estação, como percorrer o espetacular desfiladeiro de Smugglers' Notch, o que ver na cidadezinha, onde curtir a folhagem e a natureza, e como aproveitar a gastronomia e o artesanato locais. Stowe pede calma, com tempo para a montanha, a cidadezinha de cartão-postal e a hospitalidade de Vermont, num destino que conquista em qualquer época do ano.
A região das Montanhas Verdes de Vermont era frequentada por povos abenaki, da confederação wabanaki, antes da chegada dos colonos europeus. Stowe foi colonizada por moradores da Nova Inglaterra no fim do século XVIII (a localidade foi constituída por volta de 1763) e, durante o século XIX, foi uma tranquila cidadezinha agrícola e madeireira de Vermont, ao pé do Mount Mansfield. No fim do século XIX começou a receber veranistas atraídos pelo ar da montanha e pelas vistas, com a construção de hotéis. A grande transformação veio no século XX com o auge do esqui: nas décadas de 1930 e 1940 foram abertas as primeiras pistas e teleféricos no Mount Mansfield, e Stowe se consolidou como uma das grandes pioneiras e capitais do esqui do leste dos Estados Unidos, ganhando o apelido de 'Ski Capital of the East'. Em 1942, a família Von Trapp — a família austríaca de cantores cuja história inspirou 'A Noviça Rebelde' ('The Sound of Music') — se estabeleceu em Stowe, atraída pela paisagem que lembrava os Alpes, e abriu a Trapp Family Lodge, hoje um símbolo da cidade. Desde então, Stowe combina sua identidade de cidadezinha tradicional de Vermont com a de destino turístico de montanha para as quatro estações. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Green Mountain State: Abenaki land, briefly an independent republic and the first territory of the future nation to abolish adult slavery, home of maple syrup, blazing autumns and the ski resorts of Stowe and Killington.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Em 1965, meio mundo cantava junto com o filme 'A Noviça Rebelde' sem saber que o final feliz da família Von Trapp tinha acontecido, de verdade, nesta pequena cidade de Vermont. Mas a história de Stowe começa muito antes dos Alpes de celuloide: com um povo indígena, alguns colonos madeireiros e um norueguês que teve a coragem de descer a montanha com duas tábuas nos pés. Vamos ao começo.
Muito antes da chegada dos colonos europeus, a região das Montanhas Verdes (Green Mountains) do atual Vermont era território dos abenaki, um povo de língua algonquina pertencente à confederação wabanaki, cujo nome costuma ser associado à ideia de 'povo do amanhecer' por sua localização no nordeste do continente. Os abenaki habitavam e percorriam os vales, rios e florestas de Vermont, vivendo da caça, da pesca, da coleta e de um pouco de agricultura, em sintonia com o ritmo das estações.
A área do vale ao pé do Mount Mansfield, onde hoje fica Stowe, fazia parte dessa paisagem habitada e conhecida. As montanhas, as florestas de bordos e coníferas e os cursos d'água que hoje atraem trilheiros e esquiadores eram território de caça e de passagem para os abenaki, que conheciam bem seus recursos. O próprio nome do estado, 'Vermont', vem do francês 'verts monts' ('montes verdes'), em referência a essas montanhas cobertas de floresta.
A colonização europeia, primeiro com a presença francesa e depois com o avanço dos colonos ingleses da Nova Inglaterra, trouxe doenças, conflitos e a perda progressiva das terras abenaki. Mesmo assim, o povo abenaki não desapareceu: mantém sua identidade e sua presença em Vermont e na região. Reconhecer essa história anterior faz parte de entender que a relação humana com as Montanhas Verdes e com o vale de Stowe começou muito antes de os primeiros colonos chegarem com seus machados e suas fazendas.
A colonização europeia do vale de Stowe faz parte da expansão dos colonos da Nova Inglaterra rumo ao interior montanhoso de Vermont em meados e no fim do século XVIII. A localidade de Stowe recebeu sua carta de constituição (charter) por volta de 1763, numa época em que o território que depois seria Vermont era disputado pelas colônias vizinhas. Os primeiros moradores chegaram um pouco depois e começaram a dura tarefa de derrubar a mata, abrir fazendas e construir um povoado naquele ambiente de montanha.
Durante o século XIX, Stowe foi uma tranquila cidadezinha rural de Vermont, dedicada principalmente à agricultura (com a pecuária, as lavouras e a produção de xarope de bordo a partir da seiva dos bordos, uma atividade tradicional da região) e ao aproveitamento da madeira de suas florestas. Como tantas cidades da Nova Inglaterra, foi formando seu centro em torno de uma igreja de campanário branco — a atual Stowe Community Church viraria seu símbolo — e um punhado de comércios e casas, numa vida tranquila marcada pelas estações e pelo clima rigoroso da montanha.
O Mount Mansfield, a montanha mais alta de Vermont, que domina o vale, já era então um ponto de referência e de certa atração. Mas a vocação turística da cidade ainda não tinha nascido de verdade. Stowe era, antes de tudo, uma comunidade agrícola e madeireira, com a beleza do entorno como pano de fundo de uma vida de trabalho. Essa identidade de cidadezinha tradicional de Vermont, com sua igreja branca, suas fazendas e seu xarope de bordo, continua sendo parte essencial do caráter de Stowe, mesmo depois de sua transformação em destino turístico.
No fim do século XIX, Stowe começou a se transformar aos poucos de cidade agrícola em lugar turístico, seguindo uma tendência que outras áreas montanhosas da Nova Inglaterra também viviam. O ar puro da montanha, as vistas e a presença imponente do Mount Mansfield começaram a atrair veranistas que queriam fugir do calor e da agitação das cidades e curtir a natureza. A montanha mais alta de Vermont virou destino de excursionistas e curiosos.
Para atender esses primeiros visitantes, foram construídos hotéis e o acesso à montanha foi melhorado. Chegou a existir um hotel no alto do Mount Mansfield e uma estrada (a 'Toll Road') que permitia subir em direção ao cume para apreciar a vista, numa época em que subir montanhas como lazer estava na moda entre as classes mais abastadas. Assim, Stowe começou a somar à sua economia agrícola uma incipiente atividade turística de verão.
Esse turismo de montanha do fim do século XIX e começo do XX lançou as bases do que viria depois. Embora ainda fosse uma atividade sazonal e limitada, mostrou o enorme potencial de Stowe e arredores como destino de natureza. A verdadeira revolução, porém, chegaria com um esporte que mudaria para sempre o destino da cidade e de tantas localidades de montanha: o esqui, que nas décadas seguintes transformaria Stowe num nome famoso.
A grande transformação de Stowe veio com o esqui, nas décadas de 1930 e 1940. O esqui alpino, que ganhava popularidade nos Estados Unidos, encontrou no Mount Mansfield e nos arredores de Stowe condições ideais: boa neve, terreno variado e relativa proximidade das cidades do nordeste. Nesses anos foram abertas as primeiras pistas e instalados alguns dos primeiros teleféricos mecânicos do país na região, em meio ao entusiasmo pioneiro pelo novo esporte.
Stowe rapidamente se tornou um dos grandes pioneiros e capitais do esqui no leste dos Estados Unidos, ganhando o apelido de 'Ski Capital of the East' (a Capital do Esqui do Leste). A construção de infraestrutura — teleféricos de cadeira, pistas, escolas de esqui, pousadas para os esquiadores — e a fama crescente atraíram multidões de fãs, transformando a economia e a vida da antiga cidade agrícola. O terreno desafiador do Mount Mansfield, com suas pistas íngremes, ganhou prestígio entre os esquiadores mais exigentes.
Esse impulso fundador fez do esqui o coração da identidade turística de Stowe, condição que se mantém até hoje com o moderno Stowe Mountain Resort. A cidade combinou seu charme tradicional da Nova Inglaterra — a igreja branca, as pousadas, as fazendas — com a energia do esporte de montanha, criando essa mistura particular que continua atraindo visitantes. Stowe foi, em boa medida, um dos berços do esqui americano no leste, e essa história pioneira é motivo de orgulho.
Um dos capítulos mais famosos e encantadores da história de Stowe é a chegada da família Von Trapp. Trata-se da família austríaca de cantores cuja história — sua vida musical e sua fuga da Áustria anexada pela Alemanha nazista em 1938 — inspirou o famoso musical e depois o filme 'A Noviça Rebelde' ('The Sound of Music'), um dos mais queridos da história do cinema. Depois de emigrar para os Estados Unidos e rodar o país fazendo shows, a família procurava um lugar para se estabelecer.
Em 1942, os Von Trapp escolheram Stowe. O motivo, segundo a tradição, foi que a paisagem de montanha do vale, com o Mount Mansfield e as Green Mountains, lembrava a Áustria natal e os Alpes que tinham deixado para trás. Compraram uma propriedade numa colina com vistas magníficas do vale e, com o tempo, abriram uma hospedagem de montanha em estilo alpino-austríaco que daria origem ao atual Trapp Family Lodge, um lugar que une a hospitalidade de montanha à história da família.
A presença dos Von Trapp deu a Stowe um atrativo e uma fama extras, ligando a cidade a uma das histórias mais conhecidas do mundo. O Trapp Family Lodge virou uma instituição de Stowe: pioneiro também do esqui cross-country (esqui nórdico) nos Estados Unidos, hoje é um resort com trilhas, vistas e até uma cervejaria em estilo austríaco. A história da família que fugiu dos nazistas e encontrou nas montanhas de Vermont um novo lar é parte inseparável da história de Stowe.
Ao longo da segunda metade do século XX e do começo do XXI, Stowe consolidou e diversificou sua condição de destino turístico, evoluindo da fama puramente de inverno, ligada ao esqui, para um atrativo das quatro estações. O esqui continua sendo o coração da alta temporada de inverno, com o moderno Stowe Mountain Resort — que ao longo dos anos renovou sua infraestrutura e transformou a área da base de Spruce Peak num animado vilarejo-resort —, mas a cidade aprendeu a brilhar também no resto do ano.
O outono virou uma das grandes temporadas de Stowe graças ao espetáculo da folhagem de Vermont, considerada uma das mais bonitas dos Estados Unidos, que atrai multidões de 'leaf peepers' (admiradores das folhas de outono) para percorrer as montanhas e as estradas. O verão ganhou as trilhas, o ciclismo (com o Stowe Recreation Path), as cachoeiras e as atividades ao ar livre num clima fresco e verde. E o ano todo a cidade oferece seu charme tradicional, suas pousadas, seus spas e a crescente fama gastronômica e artesanal de Vermont — o xarope de bordo, os queijos, as sidras, as cervejas artesanais e o sorvete.
Hoje, Stowe é um dos destinos de montanha mais queridos do leste dos Estados Unidos, capaz de unir sua identidade de cidadezinha tradicional de Vermont (a igreja branca, as fazendas, a hospitalidade) à de centro turístico moderno. A história de Stowe — dos abenaki à cidade agrícola, do auge pioneiro do esqui à família Von Trapp e, daí, ao destino das quatro estações — se reflete nessa paisagem de montanhas verdes que muda de cor a cada estação e continua encantando quem a visita.