Telluride é uma das cidadezinhas de montanha mais bonitas e exclusivas dos Estados Unidos, um antigo povoado de mineração de prata e ouro encaixado no fim de um cânion espetacular nas montanhas San Juan, no sudoeste do Colorado, a cerca de 2.660 metros de altitude. Cercada por picos de mais de 4.000 metros e coroada pela cachoeira Bridal Veil Falls, a mais alta do Colorado, conserva uma rua principal pitoresca com fachadas vitorianas, declarada Distrito Histórico Nacional.
Sua grande atração é o esqui: a estação de Telluride liga a cidade histórica à moderna Mountain Village por uma gôndola gratuita e oferece pistas para todos os níveis em um cenário de montanha de tirar o fôlego. No verão, Telluride é famosa pelos festivais — de cinema, de bluegrass, de jazz, de balonismo —, pelas trilhas e por um clima ao mesmo tempo descontraído e sofisticado.
Este guia percorre o essencial de Telluride com um olhar prático: a histórica Main Street, o esqui e a gôndola que liga a cidade a Mountain Village, as cachoeiras e trilhas do cânion, os célebres festivais, como chegar a esse canto isolado e onde se hospedar e comer. É um destino para quem busca natureza alpina, charme histórico e um clima exclusivo longe das multidões.
Telluride nasceu na década de 1870 como acampamento de mineração após a descoberta de ouro e prata nas montanhas San Juan, e viveu um auge espetacular no fim do século XIX. Em 1889, Butch Cassidy cometeu aqui seu primeiro assalto a banco. Foi também uma das primeiras cidades do mundo a receber corrente alternada comercial, graças a uma usina hidrelétrica pioneira. Depois do declínio da mineração, a cidade renasceu nos anos 70 com a abertura da estação de esqui, conservando quase intacto seu centro vitoriano. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Rocky Mountain state: land of the Ute, Cheyenne and Arapaho, of the ancestral ruins of Mesa Verde, forged by the gold and silver rushes, today a skiing mecca with Aspen and Vail and home to a fast-growing Denver.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Em 24 de junho de 1889, um jovem de 23 anos entrou no San Miguel Valley Bank de uma cidadezinha mineira perdida nas montanhas do Colorado, levou mais de 20.000 dólares e fugiu a cavalo rumo aos picos. Ele se chamava Robert LeRoy Parker, mas o mundo o conheceria como Butch Cassidy, e aquele foi o primeiro assalto a banco da sua carreira. A cidade era Telluride. Dois anos depois, nessas mesmas montanhas, se acenderia uma das primeiras luzes do mundo alimentadas por corrente alternada transmitida a distância. Isolada, riquíssima e brava, Telluride foi durante meio século um dos lugares mais extraordinários do Oeste, e tudo começou com o ouro.
Telluride nasceu da febre da mineração que tomou conta do sudoeste do Colorado na década de 1870, quando foram descobertos ricos veios de ouro e prata nas escarpadas montanhas San Juan. Os garimpeiros se embrenharam naquele cânion remoto e de difícil acesso, a mais de 2.600 metros de altitude, e fundaram um acampamento que logo virou uma movimentada cidade mineira. O povoado foi incorporado oficialmente como Telluride em 1878.
O curioso nome da cidade já gerou muito debate. A explicação mais difundida o relaciona ao telureto, um composto do elemento telúrio que às vezes acompanha os minérios de ouro, embora em Telluride o ouro não aparecesse especialmente nessa forma. Outra tradição popular, provavelmente apócrifa, diz que o nome viria do aviso 'to-hell-you-ride' ('você cavalga para o inferno'), pelo perigo e pelo isolamento do lugar.
As minas das montanhas ao redor, como a Smuggler-Union e a Tomboy, produziram enormes quantidades de minério e atraíram milhares de trabalhadores. No fim do século XIX, Telluride era uma das cidades mineiras mais prósperas e conflituosas do Colorado, com sua próspera Main Street, hotéis, bancos e uma vida noturna intensa.
Dois episódios marcam o lugar de Telluride na história do Oeste e da tecnologia. O primeiro pertence à lenda dos foras da lei: em 24 de junho de 1889, o jovem Robert LeRoy Parker, que mais tarde ficaria mundialmente conhecido como Butch Cassidy, assaltou o San Miguel Valley Bank de Telluride com seus comparsas, levando uma quantia considerável. Foi seu primeiro grande assalto a banco e o começo de uma carreira criminosa que o transformaria em um dos bandidos mais famosos dos Estados Unidos.
O segundo episódio é muito mais importante para o mundo moderno. Em 1891, perto de Telluride, a mina Gold King colocou em funcionamento uma das primeiras transmissões comerciais de corrente alternada (CA) da história. A usina hidrelétrica de Ames, idealizada por L. L. Nunn com tecnologia desenvolvida a partir das ideias de Nikola Tesla e George Westinghouse, gerava eletricidade e a transmitia a vários quilômetros de distância para alimentar o maquinário da mina, demonstrando a viabilidade da corrente alternada a longa distância.
Esse experimento, contemporâneo das grandes batalhas entre a corrente contínua de Edison e a alternada de Westinghouse e Tesla, foi um marco que ajudou a abrir caminho para o sistema elétrico que hoje alimenta o planeta, e deu a Telluride um protagonismo inesperado na história da energia.
Como tantas cidades mineiras do Oeste, Telluride viveu um longo declínio ao longo do século XX, à medida que os veios se esgotavam e o preço dos metais caía. A crise de 1893, que derrubou o valor da prata, atingiu duramente a região e, embora a mineração de ouro e de outros metais tenha continuado por décadas, o fechamento progressivo das minas deixou a cidade quase vazia em meados do século, com uma população reduzida a poucas centenas de habitantes e uma Main Street em decadência.
Justamente esse isolamento e essa estagnação salvaram o centro histórico: sem pressão para demolir e reconstruir, Telluride conservou quase intacta sua arquitetura vitoriana do século XIX, o que mais tarde lhe renderia a declaração de Distrito Histórico Nacional.
O renascimento chegou em 1972, com a abertura da estação de esqui, que deu à cidade uma nova vocação turística. A partir daí, Telluride passou a combinar o atrativo do seu esqui de alto nível e do seu cenário alpino espetacular com o charme de um centro histórico perfeitamente preservado. Os festivais de cinema, bluegrass e outros gêneros, surgidos a partir dos anos 70, completaram sua transformação em um dos destinos de montanha mais exclusivos e queridos dos Estados Unidos, onde o passado mineiro e a modernidade convivem no fundo de um cânion coroado por cachoeiras.
Por trás do esplendor vitoriano de Telluride houve também uma história de exploração e conflito operário que marcou a cidade a ferro e fogo. Em 4 de maio de 1901, cerca de 350 mineiros filiados ao sindicato Telluride Miners Union No. 63, parte da combativa Western Federation of Miners, entraram em greve contra a companhia Smuggler-Union, que pretendia impor um sistema de pagamento por empreitada ('fathoms') que, na prática, reduzia os salários e evitava pagar a jornada de oito horas por três dólares diários que os mineiros reivindicavam.
O conflito escalou rapidamente: a empresa trouxe trabalhadores substitutos ('fura-greves') protegidos por guardas armados, e em 3 de julho de 1901 estourou um tiroteio entre grevistas e fura-greves que deixou três mortos. A pressão sindical, porém, obrigou a empresa a ceder naquele mesmo mês, reconhecendo o sindicato e garantindo a jornada de oito horas, uma das primeiras vitórias operárias significativas dessa magnitude na mineração do oeste dos Estados Unidos.
A paz durou pouco. Em novembro de 1902, o gerente da mina Smuggler, Arthur Collins, foi assassinado, e em seu lugar assumiu Bulkeley Wells, um engenheiro e investidor implacavelmente antissindical que chegou a se comportar, segundo seus contemporâneos, como um verdadeiro 'ditador' do condado de San Miguel. Sob seu comando, os patrões organizaram milícias privadas, deportaram à força centenas de mineiros sindicalizados para fora do estado e desencadearam uma violência que se estendeu até 1904, no contexto das chamadas Guerras Trabalhistas do Colorado, um dos capítulos mais duros e menos conhecidos da história sindical americana. Esse passado de luta operária, hoje quase invisível entre as butiques e restaurantes da Main Street, é parte inseparável da história real da cidade.