Sedona é um dos lugares mais fotografados do Arizona: uma cidadezinha encravada entre espetaculares formações de rocha vermelha que se acendem com a luz do nascer e do pôr do sol. Cercada de cânions, mesetas e monólitos de arenito avermelhado como Cathedral Rock, Bell Rock ou Coffeepot Rock, ela oferece uma paisagem de cartão-postal do sudoeste americano que atrai igualmente trilheiros, fotógrafos e quem busca bem-estar.
Além da paisagem, Sedona é famosa pela sua fama espiritual e 'New Age': fala-se de 'vórtices' de energia em certos pontos da região, e a cidade concentra uma grande oferta de retiros, spas, sessões de bem-estar e galerias de arte. Mas não é preciso acreditar nos vórtices para curtir: a verdadeira atração está ao ar livre, com dezenas de trilhas, passeios de jipe off-road pela rocha vermelha e cantinhos como a capela da Santa Cruz, encaixada no penhasco.
Este guia percorre o essencial de Sedona com um olhar prático: quais trilhas e formações de rocha vermelha não perder, como são os famosos tours de jipe, onde ficam os vórtices e a capela, como combinar a visita com o vizinho Oak Creek Canyon e o Grand Canyon, e quando ir para fugir do calor e das multidões. Sedona é, acima de tudo, um destino para contemplar a paisagem e caminhar entre a rocha vermelha.
A região da rocha vermelha foi habitada por culturas antigas como os sinagua, que deixaram moradias nos penhascos (Montezuma Castle e Palatki, ali perto). A cidade moderna foi fundada no fim do século XIX e deve seu nome a Sedona Schnebly, esposa do primeiro agente dos correios, que batizou o lugar em 1902. Em meados do século XX, Hollywood rodou dezenas de faroestes em suas paisagens, e a partir do fim do século XX a cidade floresceu como destino de bem-estar, arte e natureza. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Grand Canyon state: land of the Navajo, Hopi and Apache, of the Sonoran Desert and its saguaros, of the thousand-year-old canals of the Hohokam, of copper and the Old West, and of legendary landscapes such as Monument Valley, Sedona and Antelope Canyon.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Antes de a rocha vermelha virar vórtice, cartão-postal ou set de filmagem, ela foi uma casa. Durante milhares de anos, culturas indígenas viveram entre esses cânions avermelhados: deixaram suas mãos pintadas na pedra, seus celeiros nos penhascos e um silêncio que ainda dá para sentir ao amanhecer, quando o arenito se acende como brasa. A história humana de Sedona começa muito antes do seu nome.
Os grupos mais antigos eram caçadores-coletores, mas com o tempo se estabeleceram povos agricultores que aproveitavam a água do riacho Oak Creek e de outros cursos d'água para cultivar num ambiente árido. A cultura mais marcante da região foi a dos sinagua, que floresceu no centro do Arizona aproximadamente entre os séculos VII e XV.
Os sinagua deixaram um legado arqueológico notável nos arredores de Sedona: moradias e abrigos nos penhascos, petróglifos e pinturas rupestres. Sítios próximos como Palatki e Honanki, com suas 'cliff dwellings' (moradias na rocha) e sua arte rupestre, ou os mais distantes Montezuma Castle e Tuzigoot, no Verde Valley, dão testemunho de um modo de vida adaptado ao deserto e aos cânions.
Por volta do século XV, os sinagua abandonaram a região por motivos que ainda são debatidos — secas, esgotamento de recursos, conflitos —, somando-se ao padrão de migrações que atingiu muitos povos do sudoeste. Seus descendentes culturais estão ligados a povos atuais como os hopi e os yavapai. Quando chegaram os primeiros euro-americanos, a região era habitada pelos yavapai e pelos apaches, que foram deslocados ao longo do século XIX.
O povoamento moderno começou no fim do século XIX, quando colonos anglo-americanos chegaram ao vale atraídos pelas terras férteis às margens do Oak Creek, onde montaram pomares — sobretudo de maçãs e pêssegos — e ranchos. A vida era a de uma pequena comunidade rural e isolada, longe das estradas principais.
O nome da cidade tem uma história encantadora. Em 1902, quando os colonos pediram a abertura de uma agência dos correios, o primeiro agente postal foi Theodore Carlton Schnebly, e era preciso um nome para o lugar. As propostas que refletiam a geografia (algo como 'Schnebly Station') eram compridas demais para o carimbo postal, então escolheram o primeiro nome da esposa dele: Sedona Arabella Miller Schnebly. Assim, a cidade foi batizada com um nome de mulher, algo pouco comum para uma localidade.
Nas primeiras décadas do século XX, Sedona continuou sendo uma comunidade agrícola e pecuária tranquila e pouco povoada. O cenário espetacular de rocha vermelha era admirado pelos poucos que chegavam até lá, mas a cidade seguia à margem do turismo e do desenvolvimento. Isso começaria a mudar em meados do século, quando Hollywood e, mais tarde, o movimento do bem-estar descobriram o potencial daquelas paisagens.
A partir dos anos 1920 e, com mais força, nas décadas de 1940 e 1950, as paisagens de rocha vermelha de Sedona viraram cenário de inúmeros filmes, sobretudo do gênero faroeste. A combinação dos monólitos avermelhados, do céu limpo e da luz dramática do sudoeste oferecia o pano de fundo perfeito para as histórias de caubóis, foras da lei e índios que Hollywood produzia em série.
Dezenas de filmes foram rodados total ou parcialmente na região, com astros da época, o que deu a Sedona uma fama precoce entre o público americano, que associava aquelas rochas inconfundíveis ao Velho Oeste das telas. O cinema ajudou a colocar o nome de Sedona no mapa e a atrair os primeiros visitantes curiosos.
Esse período cinematográfico faz parte do imaginário local e ainda é lembrado na cidade. Mas o verdadeiro salto turístico de Sedona viria mais tarde, pelas mãos de um fenômeno bem diferente: o do bem-estar, da espiritualidade e da natureza, que a partir dos anos 1980 transformaria aquela cidadezinha tranquila de pomares e ranchos em um dos destinos mais visitados do Arizona.
A grande virada de Sedona veio nas últimas décadas do século XX, quando a cidade se tornou um ímã do movimento 'New Age' e do turismo de bem-estar. Um momento-chave foi a chamada 'Harmonic Convergence' de 1987, um evento espiritual de alcance mundial em que Sedona foi apontada como um dos lugares sagrados da Terra. Nessa época se popularizou a ideia dos 'vórtices': pontos da paisagem onde supostamente se concentra uma energia especial, propícia para a meditação e a cura.
Essa fama atraiu buscadores espirituais, terapeutas, artistas e empreendedores do bem-estar, e a cidade se encheu de centros de meditação, retiros de yoga, spas, galerias de arte, lojas de cristais e guias de vórtices. Sedona desenvolveu assim uma identidade muito própria, mistura de destino de natureza, capital da arte do sudoeste e meca espiritual.
Hoje Sedona é um dos lugares mais visitados do Arizona, com vários milhões de visitantes por ano, o que traz o desafio de lidar com as multidões, o trânsito e a pressão sobre as trilhas e o meio ambiente. Para aliviar isso, foram criados serviços como shuttles gratuitos até os trailheads mais populares. Independentemente do que se acredite sobre os vórtices, o que sustenta a atração de Sedona é o de sempre: a beleza arrebatadora da sua rocha vermelha, que continua se acendendo a cada amanhecer e a cada pôr do sol, como há séculos.
A verdadeira protagonista de Sedona não é humana, e sim geológica: essas torres, sinos e catedrais de pedra que hoje são fotografados milhões de vezes por ano são o testemunho de um passado de quase 300 milhões de anos. A camada mais famosa, a que dá a Sedona sua cor inconfundível, se chama — que coincidência — Formação Schnebly Hill (Schnebly Hill Formation), batizada pelos geólogos em referência ao mesmo sobrenome dos colonos que deram nome à cidade. É um arenito de um vermelho intenso, com 240 a 300 metros de espessura, depositado durante o período Permiano.
O segredo da cor é simples e, ao mesmo tempo, espetacular: a areia que forma essa rocha contém ferro, e esse ferro, exposto ao oxigênio durante eras, oxidou. Em outras palavras, as rochas de Sedona estão literalmente enferrujadas: o óxido de ferro (hematita) tinge o arenito daquele vermelho-ferrugem que arde com a luz rasante do amanhecer e do entardecer. É o mesmo processo que enferruja um prego deixado ao relento, só que na escala de uma paisagem inteira e ao longo de milhões de anos.
Essas areias se depositaram há cerca de 278 milhões de anos, quando a região não era um deserto de altitude, e sim a beira de um mar raso, na borda do supercontinente Pangeia. As marés iam e vinham sobre planícies costeiras, acumulando camada após camada de sedimento. Mais tarde, o soerguimento do Planalto do Colorado elevou todo o conjunto, e a erosão da água e do vento esculpiu durante milênios os cânions, arcos e monólitos — Cathedral Rock, Bell Rock, Coffeepot Rock, Devil's Bridge — que definem a silhueta de Sedona.
Entender essa história profunda muda o jeito de olhar para Sedona: cada paredão vermelho é uma página de um livro de pedra, e as camadas de cores diferentes que aparecem nas formações (o calcário claro em cima, o arenito vermelho no meio) são capítulos de um oceano desaparecido. Os vórtices e as lendas são recentes; a rocha está aqui desde muito antes de existir qualquer ser humano para admirá-la.