Seattle é a grande cidade do noroeste do Pacífico, um lugar onde natureza e modernidade se encontram com uma beleza especial. Cercada de água por todos os lados — o Puget Sound e o lago Washington —, abraçada por montanhas e coroada, nos dias de céu limpo, pela silhueta nevada do imponente Monte Rainier, é uma cidade de um verde exuberante (a 'Emerald City', a Cidade Esmeralda) e de clima fresco, chuvoso e acolhedor. É a cidade do café (foi aqui que nasceram a Starbucks e a cultura do café especial), do grunge (a música do Nirvana e do Pearl Jam) e da inovação tecnológica.
É uma cidade de jeito tranquilo, mas criativo, onde se respira ar de mar e de montanha, e onde a chuva frequente não impede uma vida cultural e gastronômica vibrante. É o agitado Pike Place Market, com os peixeiros que arremessam os peixes pelo ar; a futurista Space Needle dominando o skyline; os ferries que cruzam o Puget Sound entre ilhas verdes; os bairros descolados cheios de cafés, livrarias e música; e uma porta de entrada imbatível para algumas das paisagens naturais mais espetaculares dos Estados Unidos.
Este guia percorre o essencial de Seattle com um olhar prático e acolhedor: como aproveitar o Pike Place Market e a orla, o que ver do alto da Space Needle, onde tomar o melhor café, como se locomover numa cidade de água e ladeiras e como aproveitar sua natureza invejável. Seattle conquista pela mistura de cidade cosmopolita com natureza imponente: um destino fresco, verde e cheio de personalidade.
A região do Puget Sound era habitada por povos originários da costa noroeste, como os duwamish e os suquamish, liderados no século XIX pelo chefe Si'ahl (Seattle), de quem a cidade herdou o nome. Os primeiros colonos americanos se estabeleceram na área no início da década de 1850 e fundaram um povoado que logo passou a se chamar Seattle, em homenagem ao chefe indígena, que manteve relações (não isentas de tensões) com os recém-chegados. A cidade cresceu em torno da indústria madeireira (aproveitando as imensas florestas) e de seu excelente porto natural. Um grande incêndio destruiu o centro em 1889, que foi reconstruído (daí a curiosa 'Seattle subterrânea'). O grande impulso veio em 1897-1898 com a Corrida do Ouro de Klondike (no Alasca/Canadá): Seattle virou o principal porto de partida e abastecimento dos garimpeiros que iam para o norte, o que fez a cidade disparar. No século XX, a cidade se consolidou graças à indústria aeronáutica (a sede histórica da Boeing) e ao comércio marítimo com a Ásia. A Exposição Universal de 1962 deixou seu símbolo, a Space Needle. E no fim do século XX e início do XXI, Seattle se transformou num dos maiores polos tecnológicos do mundo (sede de gigantes como a Microsoft — na vizinha Redmond — e a Amazon), além de ter sido o berço do grunge nos anos 90 e da cultura mundial do café. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The 'Evergreen State' of the northwest: land of the Coast Salish peoples, of the Rainier volcano and the temperate rainforests of the Olympic Peninsula, cradle of Boeing, Microsoft, Amazon and Starbucks, with Seattle as the great metropolis of the Pacific.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes da chegada dos colonos norte-americanos, a região do Puget Sound, onde hoje fica a cidade, era habitada por povos originários da costa noroeste do Pacífico, principalmente os duwamish e os suquamish, junto com outros grupos da região. Esses povos viviam da extraordinária riqueza do entorno: pescavam (sobretudo salmão, um alimento central na sua cultura), coletavam frutos do mar, caçavam e aproveitavam as imensas florestas. Tinham uma cultura rica, com suas casas comunais de madeira, suas canoas, sua arte e suas tradições, adaptada a um território de águas, florestas e montanhas.
Uma figura-chave daquele período foi o chefe Si'ahl (anglicizado como 'Seattle'), líder dos duwamish e suquamish em meados do século XIX, na época em que chegaram os primeiros colonos. O chefe Seattle manteve relações (de convivência, comércio e também de tensão crescente) com os recém-chegados e é lembrado como uma figura de certa sabedoria e dignidade. Em sua homenagem, a cidade recebeu o seu nome, um caso relativamente incomum de uma grande metrópole norte-americana batizada em homenagem a um chefe indígena.
Como em toda a colonização do oeste, a chegada dos colonos trouxe consigo a expropriação das terras, as doenças e os conflitos que afetaram gravemente os povos originários, expulsos do seu território ancestral. Hoje, os duwamish, os suquamish e outros povos da região mantêm viva a sua identidade, e o legado indígena sobrevive no nome da cidade e na memória dos seus primeiros habitantes.
Os primeiros colonos norte-americanos chegaram à região no começo da década de 1850 e fundaram um povoado às margens do Puget Sound que logo adotou o nome de Seattle. A economia da jovem cidade se baseou desde o início no seu maior recurso: as imensas florestas ao redor. A indústria madeireira (o corte e o beneficiamento de árvores, exportadas pelo porto) foi o primeiro grande motor de Seattle, que cresceu como uma cidade madeireira e portuária no extremo noroeste do país.
A cidade foi crescendo graças ao seu excelente porto natural e à sua posição estratégica. Mas em 1889 sofreu uma catástrofe: o Grande Incêndio de Seattle destruiu a maior parte do centro comercial, construído em grande parte de madeira. Como aconteceu com outras cidades (Chicago), o desastre também foi uma oportunidade: a cidade foi reconstruída rapidamente, desta vez com sólidos edifícios de tijolo e pedra (os que hoje se veem em Pioneer Square).
A reconstrução deixou, além disso, uma curiosidade única: para resolver problemas de alagamentos e marés, as ruas do centro foram reconstruídas num nível mais alto que o original, o que deixou os antigos térreos e calçadas enterrados sob as novas ruas. Esse labirinto subterrâneo é a famosa 'Seattle subterrânea' (Seattle Underground), que hoje pode ser visitada em tours. Longe de afundar, a cidade saiu fortalecida do incêndio.
O acontecimento que transformou Seattle de cidade madeireira em metrópole pujante foi, curiosamente, uma corrida do ouro que não aconteceu em Seattle, mas bem mais ao norte: a Corrida do Ouro de Klondike, no território do Yukon (no Canadá, perto do Alasca), que estourou em 1897-1898. Quando se descobriu ouro naquelas terras remotas do norte, dezenas de milhares de pessoas se lançaram numa corrida desesperada rumo ao Klondike em busca de fortuna.
Seattle soube aproveitar a oportunidade de forma magistral: graças ao seu porto e à sua localização, tornou-se o principal ponto de partida e abastecimento dos garimpeiros que viajavam para o norte. A cidade se promoveu agressivamente como 'a porta de entrada para o Klondike' (the Gateway to the Klondike), e milhares de aventureiros passaram por ela para se equipar (as autoridades canadenses exigiam levar uma tonelada de provisões) e embarcar rumo ao Alasca e ao Yukon. Os comerciantes de Seattle fizeram fortuna vendendo equipamentos, provisões e serviços para aquela multidão.
A Corrida do Ouro de Klondike fez disparar o crescimento, a população e a economia de Seattle de forma espetacular, consolidando-a como a grande metrópole do noroeste do Pacífico. A cidade celebrou seu novo status com a Exposição Alasca-Yukon-Pacífico de 1909, uma feira mundial que exibiu sua prosperidade. Esse papel de porta para o norte (Alasca) e de grande porto seria duradouro.
O século XX consolidou Seattle como um centro industrial e de inovação, ligado especialmente à aviação. Em 1916, William Boeing fundou na cidade a empresa que levaria seu nome, e a Boeing se tornou com o tempo uma das maiores fabricantes de aviões do mundo e o grande motor econômico de Seattle durante boa parte do século. A indústria aeronáutica (impulsionada também pela produção durante as guerras mundiais) fez da cidade um importante centro tecnológico e industrial e lhe deu uma forte identidade ligada ao voo (hoje refletida no excelente Museum of Flight). A economia da cidade chegou a depender tanto da Boeing que seus altos e baixos eram sentidos em toda a região.
Em 1962, Seattle sediou a Exposição Universal (a 'Century 21 Exposition'), uma feira mundial dedicada ao futuro, à ciência e ao espaço (em plena corrida espacial). O evento deixou para a cidade seu legado mais visível e seu símbolo eterno: a Space Needle, a torre futurista construída para a feira, que desde então domina o skyline. Também ficaram o Seattle Center (o recinto da feira, hoje um complexo cultural) e o histórico monotrilho. A feira projetou Seattle para o mundo e lhe deu uma imagem moderna e voltada para o futuro.
A cidade manteve ainda seu caráter de grande porto do Pacífico, com um intenso comércio marítimo com a Ásia, aproveitando sua posição como um dos portos norte-americanos mais próximos do continente asiático. Indústria, aviação, comércio e um perfil tecnológico crescente definiram a Seattle do século XX.
No fim do século XX, Seattle deu ao mundo dois fenômenos culturais que a tornariam mundialmente famosa para além da indústria. O primeiro foi o grunge: no começo dos anos 90, da cena musical alternativa de Seattle surgiram bandas como Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains, que com seu som cru e sua estética desleixada revolucionaram o rock mundial e transformaram a cidade no epicentro de um movimento geracional. (Décadas antes, Seattle já tinha sido a cidade natal de Jimi Hendrix.) O segundo fenômeno foi o café: aqui nasceu a Starbucks (em 1971, no Pike Place Market) e, sobretudo, floresceu uma intensa cultura do café especial que se espalharia por todo o planeta. Seattle virou sinônimo de música alternativa e de café bom.
Mas a transformação mais profunda foi econômica: Seattle se tornou um dos maiores polos tecnológicos do mundo. Na vizinha Redmond, a Microsoft (fundada por Bill Gates e Paul Allen, naturais da região) se transformou numa gigante mundial do software. E no começo do século XXI, a Amazon instalou sua sede na própria Seattle, crescendo até se tornar uma das maiores empresas do planeta e transformando a cidade. A elas se somaram muitas outras empresas de tecnologia. Esse boom atraiu uma enorme quantidade de talento e capital, gerando uma grande prosperidade.
Esse crescimento tecnológico transformou a cara da cidade — com novos arranha-céus, bairros revitalizados e uma população crescente —, mas também trouxe desafios como o encarecimento da moradia e a desigualdade. Hoje Seattle é uma metrópole próspera e dinâmica, capital do noroeste do Pacífico, que combina seu poderoso setor de tecnologia com sua identidade de cidade de água e montanha, sua cultura do café e da música e seu acesso privilegiado a algumas das paisagens naturais mais espetaculares do país. Uma cidade verde, criativa e inovadora.