Phoenix, capital do Arizona e coração do 'Valley of the Sun' (Vale do Sol), é a maior cidade do Sudoeste americano e uma das que mais crescem no país. Fincada no meio do deserto de Sonora, cercada de cactos saguaro, montanhas peladas e campos de golfe, ostenta um sol quase eterno — mais de 300 dias de céu limpo por ano — que a transformou em destino de inverno, de aposentadoria e de esporte ao ar livre.
É uma metrópole extensa e moderna, formada pela união de várias cidades (Scottsdale, Tempe, Mesa, Glendale…), que combina arranha-céus e bairros artísticos com resorts de luxo, spas, uma cena gastronômica do Sudoeste de peso e a cultura indígena e mexicana que impregna a região. O nome, 'Phoenix' (Fênix), evoca a ave que renasce das cinzas, numa alusão à cidade moderna que surgiu sobre os antigos canais dos povos hohokam.
Este guia percorre o essencial de Phoenix com um olhar prático: as trilhas urbanas de Camelback e South Mountain, o espetacular Desert Botanical Garden, o Heard Museum de arte indígena, a vizinha Scottsdale e seus resorts, os passeios a Sedona e ao Grand Canyon, o clima (e como sobreviver ao calor do verão), como se locomover numa cidade pensada para o carro e onde se hospedar e comer. Phoenix é sol, deserto e modernidade na mesma medida.
O Vale do Sol foi o lar, há mais de mil anos, do povo hohokam, que construiu uma extensa rede de canais de irrigação para cultivar o deserto antes de desaparecer por volta do século XV. A Phoenix moderna nasceu na década de 1860, quando colonos reaproveitaram aqueles antigos canais para a agricultura; daí o nome 'Fênix', pela cidade que renascia sobre as ruínas de outra. Capital do Arizona desde 1889, seu crescimento disparou no século XX com o ar-condicionado, que tornou o deserto habitável no verão. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Grand Canyon state: land of the Navajo, Hopi and Apache, of the Sonoran Desert and its saguaros, of the thousand-year-old canals of the Hohokam, of copper and the Old West, and of legendary landscapes such as Monument Valley, Sedona and Antelope Canyon.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
O nome de Phoenix não é coincidência nem capricho poético: é uma das etimologias urbanas mais literais dos Estados Unidos. A cidade se chama 'Fênix', a ave que renasce das próprias cinzas, porque literalmente renasceu sobre as cinzas de outra civilização, reaproveitando os canais de irrigação que um povo desaparecido tinha escavado mil anos antes. Para entender Phoenix, é preciso começar por esses primeiros engenheiros do deserto: os hohokam.
Muito antes de Phoenix existir, o Vale do Sol foi um dos grandes centros de civilização do Sudoeste americano graças ao povo hohokam, que habitou a região ao longo do rio Salgado (Salt River) e do rio Gila por mais de mil anos, aproximadamente entre os séculos III e XV da nossa era. O nome hohokam vem da língua o'odham e costuma ser traduzido como 'os que se foram' ou 'os antepassados'.
Sua conquista mais extraordinária foi a engenharia hidráulica. Num deserto onde quase não chove, os hohokam construíram uma vasta rede de canais de irrigação — centenas de quilômetros de valas escavadas à mão, algumas com mais de 15 metros de largura — que desviavam a água dos rios para irrigar plantações de milho, feijão, abóbora e algodão. Foi um dos sistemas de irrigação pré-colombianos mais sofisticados da América do Norte, capaz de sustentar dezenas de milhares de pessoas em plena aridez, e tão bem traçado que os engenheiros do século XIX simplesmente o reabriram em vez de projetar um novo.
Os hohokam ergueram aldeias, plataformas cerimoniais e quadras de jogo de bola de influência mesoamericana, e mantinham comércio de longa distância com conchas do Golfo da Califórnia e araras da Mesoamérica. Por volta do século XV, porém, sua sociedade se desarticulou e eles abandonaram seus grandes assentamentos, possivelmente por causa de secas, enchentes catastróficas, salinização do solo ou conflitos. Seus descendentes são, em parte, os atuais povos o'odham e pima da região, que ainda vivem no vale.
A Phoenix moderna nasceu das ruínas daquela civilização. Na década de 1860, depois da Guerra de Secessão, colonos anglo-americanos chegaram ao vale e perceberam que os antigos canais hohokam podiam ser reaproveitados para a agricultura. Por volta de 1867, o pioneiro Jack Swilling criou uma companhia para limpar e reabrir esses canais milenares, o que permitiu cultivar o deserto de novo.
O povoado que surgiu precisava de um nome. Segundo a tradição, foi Darrell Duppa, um colono britânico culto, quem sugeriu chamá-lo de 'Phoenix' (Fênix), pela ave mitológica que renasce das cinzas: uma cidade nova que florescia sobre as ruínas da antiga civilização hohokam. O nome acabou sendo profético.
Phoenix foi oficialmente constituída como cidade em 1881. Sua economia inicial se baseava na agricultura irrigada (algodão, frutas cítricas, lavouras) e na pecuária, favorecida pela chegada da ferrovia, que ligou o vale ao resto do país. Em 1889, Phoenix virou a capital do Território do Arizona, e continuou sendo quando o Arizona se tornou estado, em 1912.
O crescimento de Phoenix dependia, acima de tudo, da água. A aprovação do Reclamation Act de 1902 e, principalmente, a construção da represa Roosevelt (concluída em 1911) no rio Salgado garantiram um abastecimento estável para a agricultura e a população, assegurando o futuro do vale. O controle da água transformou o deserto em uma das regiões agrícolas mais produtivas do Sudoeste.
Mas a verdadeira explosão de Phoenix veio com uma invenção que tornou o deserto habitável em pleno verão: o ar-condicionado. A partir das décadas de 1930 e 1940, e de forma massiva depois da Segunda Guerra Mundial, a refrigeração permitiu viver e trabalhar com conforto apesar de temperaturas que beiram os 45 °C. Sem ar-condicionado, a Phoenix de hoje seria simplesmente impensável.
A Segunda Guerra Mundial trouxe ainda bases militares e aeronáuticas e, com elas, indústria, empregos e novos moradores. Phoenix deixou de ser uma cidade agrícola para se tornar um ímã de migração interna, atraindo quem buscava sol, espaço e oportunidades no crescente 'Sun Belt' (cinturão do sol) do sul dos Estados Unidos.
Desde o pós-guerra, Phoenix viveu um crescimento espetacular e contínuo, um dos mais rápidos do país. A população se multiplicou década após década com a chegada de aposentados atraídos pelo clima (surgiram comunidades pioneiras para aposentados, como Sun City), empresas de tecnologia e manufatura e famílias em busca de moradia acessível e sol o ano todo. O ar-condicionado, o carro e as rodovias moldaram uma metrópole horizontal, extensa e de baixa densidade.
A região metropolitana — o Valley of the Sun — foi absorvendo e conectando cidades vizinhas como Scottsdale, Tempe, Mesa, Glendale e Chandler, até formar uma das maiores conurbações dos Estados Unidos. Essa expansão trouxe prosperidade, mas também desafios: a dependência do carro, a pressão sobre os recursos hídricos numa região árida e o desafio de um urbanismo disperso.
Phoenix também se consolidou como centro cultural e esportivo do Sudoeste, com times nas principais ligas profissionais, museus de primeira linha como o Heard e uma identidade marcada pela herança indígena, mexicana e do Velho Oeste, que convive com a modernidade tecnológica.
Hoje Phoenix é a quinta cidade mais populosa dos Estados Unidos e o coração de uma região metropolitana de quase cinco milhões de habitantes, uma das que mais crescem no país. Capital do Arizona, ela combina arranha-céus, bairros artísticos, universidades, uma economia forte de serviços e tecnologia e uma qualidade de vida ligada ao sol, ao esporte e à vida ao ar livre durante boa parte do ano.
Seu maior desafio para o futuro é, paradoxalmente, o mesmo que a define: o clima. O calor extremo se intensifica com as mudanças climáticas e o efeito de 'ilha de calor' urbana, e os verões cada vez mais severos trazem desafios de saúde pública e consumo de energia. Some-se a isso a questão da água: em pleno deserto, a gestão sustentável do rio Colorado e dos aquíferos é vital para uma metrópole que não para de crescer.
Phoenix enfrenta esses desafios com inovação — em eficiência energética, sombra urbana, energia solar e reaproveitamento de água —, fiel ao seu nome. Como a fênix que renasceu das cinzas dos canais hohokam, a cidade segue se reinventando em um dos ambientes mais exigentes do planeta, mostrando até onde o ser humano pode ir para florescer no deserto.