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Xangai
🇨🇳 China · O delta do Yangtzé (Leste)

Xangai

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📍Região
Xangai (上海, Shànghǎi, 'sobre o mar') é a maior e mais cosmopolita cidade da China e um dos grandes centros financeiros do mundo. É um município autônomo com mais de 24 milhões de habitantes na foz do rio Yangtzé, na costa leste do país, coração do pujante delta do Yangtzé. Ao contrário da milenar Pequim, Xangai é uma cidade relativamente jovem, que explodiu no século XIX como porto aberto ao comércio e às potências estrangeiras: dessa época herdou o Bund, suas concessões europeias e um ar mestiço único. Hoje simboliza a China do futuro, com o skyline futurista de Pudong do outro lado do rio.
📌Como chegar e se locomover
Xangai tem dois aeroportos: o Internacional de Pudong (PVG), a leste, que recebe a maioria dos voos internacionais, e o de Hongqiao (SHA), a oeste, mais voltado para voos domésticos e regionais. De Pudong ao centro dá para pegar o famoso trem de levitação magnética (Maglev), que chega a 300-430 km/h. A cidade é um grande entroncamento do trem de alta velocidade da China Railway: as estações de Hongqiao e Xangai conectam com Pequim, Hangzhou, Suzhou, Nanquim e o país inteiro. Dentro da cidade, o metrô é o mais extenso do mundo (mais de 20 linhas), barato e com placas em inglês. Paga-se com o cartão de transporte de Xangai, com QR code ou com Alipay/WeChat Pay vinculados a um cartão estrangeiro. Lembre-se de que na China Google, WhatsApp e Instagram não funcionam sem VPN, que vale a pena instalar antes de chegar.
📌Melhor época
As melhores épocas para visitar Xangai são a primavera (março a maio) e o outono (setembro a novembro), com temperaturas amenas e menos umidade. O verão (junho a agosto) é quente, muito úmido e chuvoso; também é temporada de tufões, embora raramente atinjam a cidade em cheio. O inverno (dezembro a fevereiro) é frio e úmido, sem neve frequente, mas com uma sensação térmica desagradável pela falta de calefação central em muitos prédios. Vale evitar as 'semanas douradas' (a de 1º de outubro e a do Ano-Novo chinês), quando o turismo interno lota as atrações.
📌Dias sugeridos
Com 2 ou 3 dias inteiros dá para cobrir o essencial de Xangai: um dia para o Bund, a Nanjing Road e o Museu de Xangai na People's Square; outro para atravessar para Pudong e subir na Torre de Xangai, mais o jardim Yuyuan e a Cidade Velha; e um terceiro para a Concessão Francesa, Tianzifang e Xintiandi com calma. Com 4 ou 5 dias, dá para incluir passeios às cidades aquáticas próximas, como Zhujiajiao, ou escapadas de trem de alta velocidade a Suzhou e Hangzhou, ambas a menos de uma hora. Xangai é enorme, mas muito bem servida pelo metrô.
🗣️Idioma e moeda
O idioma oficial é o chinês mandarim, embora em Xangai também se fale o dialeto local (xangainês). Fora dos hotéis e das áreas turísticas, pouca gente fala inglês, então vale levar um tradutor no celular com o app baixado para usar offline e os endereços escritos em caracteres chineses. A moeda é o yuan ou renminbi (CNY, ¥); em meados de 2026, 1 dólar equivale a cerca de 6,8 yuans e 1 euro a cerca de 7,75 yuans (¥100 ≈ US$14,7 ≈ €12,9). A China é uma sociedade quase sem dinheiro vivo: quase tudo se paga com o celular por QR code via Alipay ou WeChat Pay, que os turistas podem vincular a um cartão Visa ou Mastercard estrangeiro. Vale levar um pouco de dinheiro em espécie para barraquinhas pequenas.
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🌤️ Weather in Xangai
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Nenhuma cidade da China olha tanto para o futuro quanto Xangai. No fim da tarde, quando as luzes dos arranha-céus de Pudong se acendem e se refletem no rio Huangpu, a sensação é de estar no cenário de um filme de ficção científica: a Torre de Xangai se retorcendo em direção ao céu, a Pérola do Oriente com suas esferas cor-de-rosa, o Jin Mao iluminado. E, no entanto, ao girar 180 graus, na outra margem se alinham os prédios imponentes do Bund, com suas fachadas de banco europeu dos anos 1920. Esse contraste entre a Xangai colonial e a Xangai do século XXI, separadas apenas por um rio, é a essência da cidade.

Xangai não tem o peso imperial de Pequim nem os monumentos milenares de Xi'an, mas tem algo que nenhuma outra cidade chinesa oferece: uma energia urbana vertiginosa, moderna e cosmopolita, misturada a cantinhos de nostalgia. É a China dos cafés da Concessão Francesa à sombra dos plátanos, dos becos (os lilong) onde a roupa fica pendurada entre prédios art déco, do jardim clássico de Yuyuan escondido na Cidade Velha, dos mercados de comida e das casas de chá. E é também a China das lojas de luxo, das galerias de arte contemporânea e de uma vida noturna que não para.

Este guia percorre o melhor de Xangai com um olhar prático: como organizar os dias entre o Bund e Pudong, o que ver na Cidade Velha e nas concessões, como aproveitar o maior metrô do mundo, como pagar com o celular e o que você precisa saber sobre a VPN antes de chegar. Xangai é a porta de entrada mais cômoda para a China para muitos viajantes: moderna, bem conectada e surpreendentemente fácil de percorrer, além de ser uma base perfeita para conhecer as joias do delta do Yangtzé, como Suzhou e Hangzhou.

📖 História de Xangai

Embora houvesse pescadores e uma pequena vila murada há séculos, Xangai era um porto secundário até que a Primeira Guerra do Ópio e o Tratado de Nanquim, de 1842, a abriram à força ao comércio estrangeiro. Em poucas décadas, tornou-se o grande porto da China e uma cidade dividida em concessões: a britânica e a americana (unidas no Assentamento Internacional) e a francesa, cada uma com suas próprias leis, sua polícia e sua arquitetura. No início do século XX, Xangai era a 'Paris do Oriente' e a 'prostituta da Ásia': uma metrópole de banqueiros, gângsteres, revolucionários e refugiados, onde em 1921 foi fundado clandestinamente o Partido Comunista Chinês. A ocupação japonesa, a Segunda Guerra Mundial e a chegada do comunismo em 1949 apagaram esse esplendor cosmopolita por décadas. Só com as reformas de Deng Xiaoping e, sobretudo, com o desenvolvimento do novo distrito de Pudong a partir dos anos 1990, Xangai renasceu como capital financeira da nova China. A história completa, da vila de pescadores à 'Paris do Oriente' e à megacidade global, está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Xangai fica em the Yangtze Delta (East)

China's economic engine for a thousand years: the fertile Yangtze Delta, with the Hangzhou of the Song, the Suzhou of silk and gardens, and the Shanghai of the foreign concessions and skyscrapers.

Ler a história de The Yangtze Delta (East) →

🗺️ O que ver

Passeios que dá para reservar

Um guia que mora no lugar conta em meia hora o que nenhuma placa explica. Nós buscamos na Civitatis: com guia em espanhol e reserva online sem complicação. Em Shanghai eles têm 14 passeios. E aqui tem free tours: você reserva sem pagar nada e no final dá ao guia o que achar justo, então experimentar não custa nada. Aqui embaixo deixo três para você ver do que se trata: toque em qualquer uma e abrem todas.

Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.

1
O Bund (Waitan)
O calçadão à beira do rio com as majestosas fachadas coloniais diante do skyline futurista de Pudong; o cartão-postal de Xangai.
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O Bund (外滩, Wàitān, 'a margem de fora') é o célebre calçadão de Xangai ao longo da margem oeste do rio Huangpu, e o símbolo da cidade. É uma fileira de uns cinquenta edifícios monumentais erguidos entre o fim do século XIX e os anos 1930, quando Xangai era o grande porto aberto da Ásia: antigos bancos, casas comerciais, consulados e hotéis em estilos beaux-arts, neoclássico, art déco e gótico, que dão ao passeio um inconfundível ar de velha Europa. Entre eles se destacam o prédio do antigo banco HSBC, com sua grande cúpula, a Alfândega com sua torre do relógio (o 'Big Ching') e o lendário Peace Hotel (Fairmont Peace Hotel). Mas o que torna o Bund mágico é que, do seu calçadão elevado, você dá as costas para a Xangai colonial e contempla à frente a Xangai do futuro: do outro lado do rio se ergue o distrito financeiro de Pudong, com a Torre de Xangai, a Pérola do Oriente, o Jin Mao e o arranha-céu em forma de abridor de garrafas (o World Financial Center). Esse contraste, a velha Europa olhando para a China do século XXI através da água, é uma das paisagens urbanas mais impressionantes do mundo. Como chegar: metrô estação East Nanjing Road (linhas 2 e 10) ou arredores. Melhor época: o entardecer e o começo da noite são o ponto alto, quando as luzes de Pudong se acendem (o skyline costuma ficar iluminado até 22h ou 23h); também é lindo ao amanhecer, quase vazio. Dicas: caminhe o calçadão inteiro de ponta a ponta, atravesse para Pudong pelo túnel turístico do Bund ou de metrô para ver o skyline de perto e procure algum dos rooftops dos prédios históricos para um drinque com vista. Nos fins de semana e feriados fica lotadíssimo.
ℹ️ Distância: Centro, margem oeste do Huangpu; metrô East Nanjing Road (linhas 2 e 10) · Melhor época: Entardecer e noite (skyline iluminado); amanhecer para ver vazio · Entrada: Grátis (passeio público) (verificado em julho de 2026) · Duração: 1 a 2 horas de passeio
2
Pudong: a Torre de Xangai e o skyline de Lujiazui
O distrito financeiro futurista com os arranha-céus mais altos da China e mirantes de tirar o fôlego sobre a cidade.
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Pudong (浦东, 'a leste do rio') é o distrito financeiro de Xangai, um skyline futurista que há apenas trinta anos eram campos e arrozais. Seu coração é Lujiazui, um punhado de arranha-céus icônicos amontoados diante do Bund. A joia é a Torre de Xangai (Shanghai Tower), com 632 metros, o prédio mais alto da China e o segundo do mundo, com sua característica silhueta retorcida em espiral. Seu mirante, no 118º andar, é um dos observatórios mais altos do planeta, e a subida é feita em um dos elevadores mais rápidos do mundo. Ao lado se erguem o World Financial Center, com seu topo em forma de abridor de garrafas e um mirante com piso de vidro no 100º andar, e a elegante Jin Mao Tower. E, presidindo tudo, a Torre Pérola do Oriente (Oriental Pearl), com suas esferas cor-de-rosa e seu ar retrofuturista dos anos 1990: foi por muito tempo o símbolo de Xangai e continua entre os prédios mais fotografados. Também tem mirantes e um piso de vidro transparente. De qualquer uma dessas alturas, a vista do labirinto de arranha-céus, do rio serpenteando e do Bund em frente é de arrepiar, sobretudo ao entardecer. Como chegar: metrô Lujiazui (linha 2), bem embaixo das torres. Melhor época: suba a um mirante perto do pôr do sol para ver a cidade de dia, o pôr do sol e as luzes acesas, tudo numa visita só; os dias limpos (mais frequentes no outono) oferecem melhor visibilidade. Dicas: compre o ingresso online com antecedência para evitar filas; se tiver que escolher, a Torre de Xangai é a mais alta e moderna, a Pérola do Oriente a mais icônica. Deixe uma margem na programação, porque em dias de neblina ou poluição a vista se perde.
ℹ️ Distância: Pudong (Lujiazui), em frente ao Bund; metrô Lujiazui (linha 2) · Melhor época: Entardecer (dia, pôr do sol e luzes numa visita só); dias limpos de outono · Entrada: Torre de Xangai (118º andar): ¥180 adulto (~US$26 / €23), ¥190-199 em feriados; Pérola do Oriente: a partir de ¥160 aprox., conforme a combinação (verificado em julho de 2026) · Duração: 1,5 a 2 horas por torre
3
O jardim Yuyuan e a Cidade Velha
Um requintado jardim clássico da dinastia Ming em pleno centro antigo, cercado pelo agitado bazar de Yuyuan.
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O jardim Yuyuan (豫园, Yùyuán, 'Jardim da Alegria') é o grande jardim clássico de Xangai, um refúgio de beleza escondido no coração da Cidade Velha. Foi construído no século XVI, durante a dinastia Ming, por um funcionário abastado para o descanso e o prazer de seus pais idosos (daí o nome). É um jardim chinês em miniatura de manual: em apenas dois hectares se espalham lagos com carpas, pavilhões de telhados curvos, rochedos artificiais, pontes em zigue-zague (que, segundo a tradição, despistam os maus espíritos, que só andam em linha reta), corredores cobertos e muros coroados por dragões. Sua joia é uma grande rocha porosa, a 'Pedra de Jade Requintado', muito apreciada pelos colecionadores chineses. Ao redor do jardim se estende o bazar de Yuyuan, um labirinto de ruas de pedestres com prédios em estilo tradicional chinês (muitos deles reconstruídos), cheio de lojas de lembrancinhas, casas de chá, barracas de comida e agito. No centro fica a famosa Casa de Chá Huxinting, um pavilhão sobre um lago ao qual se chega pela ponte em zigue-zague das Nove Curvas, um dos cantos mais fotografados de Xangai. A área também preserva o templo do Deus da Cidade (City God Temple). Como chegar: metrô Yuyuan Garden (linha 14) ou Yuyuan (linha 10). Melhor época: bem cedo, quando o jardim abre e as multidões ainda não chegaram; o bazar é muito turístico e fica abarrotado. Dicas: o jardim fecha às segundas; separe a visita tranquila ao jardim do passeio pelo bazar; prove os xiaolongbao (pãezinhos recheados com caldo) em alguma das barracas lendárias da região, como a Nanxiang. Durante o Ano-Novo chinês, o bazar se enche de lanternas e é um espetáculo.
ℹ️ Distância: Cidade Velha, centro; metrô Yuyuan Garden (linha 14) ou Yuyuan (linha 10) · Melhor época: Bem cedo; fechado às segundas · Entrada: Jardim Yuyuan: ¥40 na alta temporada / ¥30 na baixa (~US$5 / €4,5); o bazar é grátis (verificado em julho de 2026) · Duração: 1 a 2 horas com o bazar
4
A Concessão Francesa, Tianzifang e Xintiandi
A Xangai mais romântica: ruas arborizadas, casarões art déco, becos boêmios e bares da moda.
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A antiga Concessão Francesa (法租界) é o bairro mais charmoso de Xangai e o mais querido por quem mora na cidade. Foi território administrado pela França entre 1849 e 1943, e daquela época herdou sua fisionomia inconfundível: ruas largas ladeadas de plátanos (os 'plátanos franceses'), casarões senhoriais, prédios art déco, igrejas e uma atmosfera tranquila e europeia que contrasta com o resto da cidade. Hoje é um bairro elegante e boêmio ao mesmo tempo, ideal para passear sem rumo, tomar um café numa varanda, curiosear em butiques e galerias e descobrir mansões históricas transformadas em cafés ou museus. Dentro dessa área há dois polos muito visitados. Tianzifang (田子坊) é um emaranhado de becos estreitos (lilong) de casas tradicionais de tijolo (shikumen) convertidos num labirinto boêmio de lojas de design, ateliês de artistas, cafés e barzinhos minúsculos; é turístico e movimentado, mas tem muita personalidade. Xintiandi (新天地), por outro lado, é uma área de shikumen restaurados com bom gosto e transformados num elegante bairro de pedestres com restaurantes, marcas de luxo e vida noturna sofisticada; ali também fica a casa onde, em 1921, foi fundado o Partido Comunista Chinês, hoje museu. Como chegar: metrô South Shaanxi Road (linhas 1, 10, 12) para a Concessão; Dapuqiao (linha 9) para Tianzifang; Xintiandi (linhas 10 e 13) para Xintiandi. Melhor época: qualquer hora do dia para passear; o entardecer e a noite para os bares. Dicas: caminhe trechos da rua Wukang e procure a Villa Wukang (Normandie), um prédio icônico em forma de proa de navio; combine Tianzifang de dia com um jantar e drinques em Xintiandi. É a região ideal para se hospedar se você busca agito.
ℹ️ Distância: Sudoeste do centro; metrô South Shaanxi Road, Dapuqiao (Tianzifang), Xintiandi · Melhor época: O dia todo para passear; entardecer e noite para bares e restaurantes · Entrada: Grátis para passear pelo bairro, Tianzifang e Xintiandi; algumas casas-museu cobram entrada (verificado em julho de 2026) · Duração: Meio dia
5
O Museu de Xangai e a People's Square
Um dos melhores museus de arte chinesa do país, na grande praça central da cidade.
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O Museu de Xangai (上海博物馆) é um dos melhores museus de arte chinesa de todo o país e uma visita imprescindível para entender a profundidade da cultura chinesa. Seu acervo, de altíssimo nível, abrange milhares de anos: bronzes rituais das dinastias antigas, cerâmica e porcelana, pintura e caligrafia, jade, selos, móveis das épocas Ming e Qing, moedas e arte das minorias étnicas da China. Tudo é exposto com critério museográfico moderno e com explicações em inglês. A sede histórica, na People's Square, tem uma arquitetura simbólica: um prédio redondo sobre uma base quadrada, que evoca a antiga concepção chinesa de um céu redondo sobre uma terra quadrada. A cidade também inaugurou uma sede nova e enorme em Pudong (Shanghai Museum East), que amplia a exposição. O museu fica na People's Square (人民广场), a grande praça central de Xangai, um espaço verde e cívico construído sobre o que foi o antigo hipódromo da época colonial. Ao redor ficam prédios institucionais, o teatro Grand Theatre, o Urban Planning Exhibition Center (com uma maquete gigante da cidade) e o início da famosa rua comercial Nanjing Road. É o marco zero de Xangai e um grande entroncamento de metrô. Como chegar: metrô People's Square (linhas 1, 2 e 8), um entroncamento central. Melhor época: durante a semana, para evitar aglomerações; vale reservar a entrada gratuita online com antecedência. Dicas: a entrada no museu é gratuita, mas costuma exigir reserva prévia e há limite diário, sobretudo na sede leste; leve o passaporte. Combine o museu com um passeio pela Nanjing Road em direção ao Bund.
ℹ️ Distância: Centro, People's Square; metrô People's Square (linhas 1, 2 e 8) · Melhor época: Durante a semana; reservar a entrada gratuita online com antecedência · Entrada: Grátis, com reserva prévia e passaporte; fechado às segundas (verificado em julho de 2026) · Duração: 2 a 3 horas
6
Nanjing Road e a rua comercial
A artéria comercial mais famosa da China, um rio de gente e luzes de neon entre a People's Square e o Bund.
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A Nanjing Road (南京路) é a rua comercial mais famosa da China e uma das mais movimentadas do mundo. Começa na People's Square e desce para o leste até desembocar no Bund, junto ao rio. Seu trecho de pedestres (East Nanjing Road) é um rio constante de gente, lojas, grandes magazines históricos, luzes de neon e letreiros luminosos que à noite transformam a rua num espetáculo. Já na época colonial era a grande rua comercial da cidade, com as primeiras grandes lojas de departamentos modernas da China; hoje mistura marcas internacionais, redes chinesas, lojas de lembrancinhas e restaurantes. Mais do que para fazer compras (os preços não são nenhuma pechincha), a Nanjing Road vale pelo clima: é o pulso comercial e popular de Xangai, sempre cheia, com um trenzinho turístico que faz o percurso, artistas de rua e uma energia contagiante. Percorrê-la de ponta a ponta, da People's Square até o Bund, é um jeito ótimo de chegar a pé ao rio e emendar dois dos grandes ícones da cidade. O trecho oeste (West Nanjing Road) é mais moderno e de luxo, com shoppings e arranha-céus. Como chegar: metrô East Nanjing Road (linhas 2 e 10) ou People's Square. Melhor época: à noite, para ver os neons acesos; ao entardecer, se quiser emendar com as luzes do Bund. Dicas: é uma área com muitos vendedores abordando turistas e alguns golpes clássicos (o da 'casa de chá' ou o do 'estudante de arte'); ignore desconhecidos simpáticos demais que te convidam para algum lugar. Cuide das suas coisas no meio da multidão.
ℹ️ Distância: Do centro (People's Square) ao Bund; metrô East Nanjing Road (linhas 2 e 10) · Melhor época: Noite (neons); entardecer para emendar com o Bund · Entrada: Grátis (rua de pedestres) (verificado em julho de 2026) · Duração: 1 hora de passeio
7
A cidade aquática de Zhujiajiao
Um canal de pontes de pedra e casas antigas nos arredores de Xangai, a 'Veneza' mais próxima da cidade.
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Zhujiajiao (朱家角) é a vila aquática mais acessível a partir de Xangai e um passeio perfeito para ver outra China, a dos canais, das pontes de pedra e das casas tradicionais de telhados cinza. Fica a cerca de 50 km a oeste do centro, no distrito de Qingpu, e tem mais de mil e setecentos anos de história. Seu centro histórico, cortado por canais, conserva um clima delicioso: vielas estreitas, casas antigas debruçadas sobre a água, casas de chá, lojas e barracas de comida local. O símbolo da vila é a ponte Fangsheng, uma elegante ponte de pedra de cinco arcos do século XVI que atravessa o canal principal. Como em toda a região do delta do Yangtzé, a vida em Zhujiajiao gira em torno da água: dá para passear pelas margens, cruzar as velhas pontes em arco e, principalmente, fazer um passeio em um dos tradicionais barcos a remo que percorrem os canais, a melhor forma de sentir a atmosfera do lugar. É mais tranquila e menos monumental que as grandes vilas aquáticas de Suzhou (como Tongli ou Zhouzhuang), mas sua grande vantagem é a proximidade: você chega em pouco mais de uma hora. Como chegar: de metrô, a linha 17 vai até a estação Zhujiajiao a partir do centro (baldeação em Hongqiao); também há ônibus turísticos. Melhor época: em dias de semana e cedo, para evitar as multidões do fim de semana; primavera e outono, pelo clima. Dicas: a entrada na vila é gratuita, mas existe um ingresso combinado para visitar as casas e os jardins históricos; o passeio de barco é pago à parte; reserve um tempo para almoçar comida local à beira do canal. Dá para combinar com a volta ao centro para uma tarde de descanso.
ℹ️ Distância: Cerca de 50 km a oeste; metrô linha 17 até Zhujiajiao (~1 h a partir de Hongqiao) · Melhor época: Em dias de semana e cedo; primavera e outono · Entrada: Acesso à vila gratuito; ingresso combinado de atrações ~¥60-80; passeio de barco à parte, ~¥100-150 por barco (verificado julho 2026) · Duração: Meio dia
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Torre de Shanghái (mirador piso 118)¥180 adulto (~US$26 / €23); ¥190-199 no verão e em feriados; estudantes ¥120, 2025 (verificado julho 2026)
Torre de la Perla de OrienteA partir de ¥160 conforme a combinação de mirantes; piso de vidro incluído nas opções mais altas, 2025 (verificado julho 2026)
Shanghai World Financial Center (mirador piso 100)Aprox. ¥180 conforme o andar, 2025 (verificado julho 2026)
Jardín Yuyuan¥40 alta / ¥30 baixa (~US$5 / €4,5); fechado às segundas (verificado julho 2026)
Museo de Shanghái (People's Square y Pudong)Gratuito, com reserva prévia e passaporte; fechado às segundas (verificado julho 2026)
El Bund, Nanjing Road, Concesión FrancesaGratuito (passeios públicos) (verificado julho 2026)
Zhujiajiao (ticket combinado de atracciones)Acesso gratuito; combinado ~¥60-80; passeio de barco à parte, 2025 (verificado julho 2026)
Templo de Jing'anAprox. ¥50, 2025 (verificado julho 2026)
Templo del Buda de JadeAprox. ¥45-75 conforme o acesso à sala do Buda, 2025 (verificado julho 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

AtividadePreçoDuraçãoOperadora
Cruzeiro noturno pelo rio Huangpu com vista do skyline¥120-180 por pessoa conforme o barco, 20251 hHuangpu River Cruise e outros (verificar)
Subida a um mirante de Pudong ao entardecer¥160-199 por pessoa conforme a torre, 20251,5 a 2 hShanghai Tower, Oriental Pearl (verificar)
Bate-volta a Suzhou ou Hangzhou de trem de alta velocidade¥400-900 por pessoa com guia; o trem a partir de ¥40-90, 2025Dia inteiroAgências e guias locais (verificar)
Tour gastronômico de rua pela Cidade Velha e pelas concessões¥300-600 por pessoa, 20253 a 4 hFood tours de Xangai (verificar)
Espetáculo de acrobacia chinesa no Teatro Shanghai Centre¥180-580 por pessoa conforme o lugar, 20251,5 hShanghai Centre Theatre, ERA (verificar)
Passeio no trem de levitação magnética (Maglev)¥50 só ida / ¥80 ida e volta (com passagem aérea do dia, 20% de desconto), 20258 minutosShanghai Maglev (verificar)
Excursão à vila aquática de Zhujiajiao com passeio de barco¥300-500 por pessoa com transporte, 2025Meio diaAgências de excursões (verificar)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Metrô de Xangai
DuraçãoVariável
Preço
A partir de ¥3 (até 6 km) + ¥1 a cada 10 km; cartão de transporte ou QR/Alipay/WeChat, 2025
Observações
O metrô mais extenso do mundo, com mais de 20 linhas, placas em inglês e preços baixos. A forma mais rápida e confortável de se locomover. Há controle de segurança com raio-X na entrada. Evite os horários de pico, quando fica muito lotado
Trem Maglev (levitação magnética)
Duração8 min
Preço
¥50 só ida / ¥80 ida e volta; com passagem aérea do dia, 20% de desconto, 2025
Observações
Liga o aeroporto de Pudong à estação de metrô Longyang Road a até 300-430 km/h. É mais uma atração do que um transporte prático, porque não chega ao centro; para ir ao centro é preciso combinar com o metrô
Táxi e apps (Didi)
PreçoBandeirada aprox. ¥14-16 + tarifa por km; Didi parecido, 2025
DuraçãoVariável
Observações
O Didi é o 'Uber chinês' e funciona pelo app (dá para colocar em inglês e pagar com cartão vinculado). Poucos taxistas falam inglês: leve o endereço escrito em caracteres chineses. O trânsito pode ser intenso no horário de pico
Bicicleta compartilhada (Meituan, Hello)
Aprox. ¥1,5 por 30 min, 2025
DuraçãoVariável
Observações
Bicicletas espalhadas pela cidade toda, desbloqueadas por QR pelo Alipay/WeChat. Práticas para distâncias curtas, principalmente pela Concessão Francesa; Xangai é plana
Balsa pelo rio Huangpu
PreçoBalsa pública a partir de ¥2; cruzeiros turísticos ¥120-180, 2025
DuraçãoVariável
Observações
Há balsas públicas baratíssimas que cruzam o rio entre o Bund e Pudong, uma forma autêntica e barata de navegar pelo Huangpu, além dos cruzeiros turísticos noturnos
A pé
Grátis
DuraçãoVariável
Observações
Ideal para o Bund, a Nanjing Road, a Cidade Velha e a Concessão Francesa, todos ótimos para caminhar; combine caminhada com metrô para as distâncias longas
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Aeroporto de Pudong (PVG) → centroMaglev + metrô; metrô linha 2; táxi; DidiMaglev ¥50 + metrô; metrô ¥7-8; táxi ¥150-200, 2025Maglev 8 min até Longyang Road + metrô; metrô direto ~1 h; táxi 45-70 min
Aeroporto de Hongqiao (SHA) → centroMetrô linhas 2 e 10; táxi; DidiMetrô ¥4-6; táxi ¥60-100, 2025Metrô 30-50 min; táxi 30-50 min conforme o trânsito
Trem de alta velocidade de Pequim a XangaiChina Railway (trens G Fuxing), estações Hongqiao e Xangai2ª classe ¥553-693 aprox., 2025~4,5-6 h conforme o trem
Trem de alta velocidade para Suzhou / Hangzhou / NanquimChina Railway (trens G), a partir de HongqiaoSuzhou a partir de ¥40; Hangzhou ¥73-90; Nanquim ¥135-170, 2025Suzhou ~25-40 min; Hangzhou ~1 h; Nanquim ~1,5 h
Chegada em voo doméstico ou cruzeiroVoos domésticos para PVG/SHA; cruzeiros ao porto de WusongkouVariávelVariável
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Luxo com vista (Bund e Pudong)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
¥1.500-5.000+ a diária (US$220-735), 2025; grandes hotéis internacionais no Bund com vista para o skyline e nas torres de Pudong (Fairmont Peace Hotel, Waldorf Astoria, Ritz-Carlton, Park Hyatt). Reserve com antecedência na alta temporada
Charme na Concessão Francesa
Preço$$$$$
Opções recomendadas
¥600-1.500 a diária (US$88-220), 2025; hotéis boutique em casarões e prédios históricos entre ruas arborizadas, ideais para viver uma Xangai com mais personalidade, perto de bares e restaurantes. Ótima opção pelo clima do bairro
Intermediário bem localizado (centro e People's Square)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
¥400-800 a diária (US$59-118), 2025; boa oferta de hotéis médios e redes chinesas confortáveis perto do Bund, da Nanjing Road e do metrô. Confirme se o hotel aceita hóspedes estrangeiros (nem todos têm licença)
Econômico e hostels
Preço$$$$$
Opções recomendadas
¥80-200 por cama em dormitório; ¥250-450 quartos privativos econômicos (US$37-66), 2025. Hostels internacionais e hotéis econômicos no centro e na Cidade Velha, os preferidos dos mochileiros. Confirme na reserva se aceitam passaporte estrangeiro

🍴 Onde comer

Cocina de Shanghái (benbang cai)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
¥60-200 por pessoa, 2025. A cozinha local é adocicada e saborosa, com pratos icônicos como a carne de porco braseada (hongshao rou), o peixe agridoce, os caranguejos peludos na temporada (outono) e, acima de tudo, os xiaolongbao, os bolinhos de sopa no vapor. Clássicos como Jesse (Old Jesse), Fu 1088 e as casas de xiaolongbao
Xiaolongbao y comida callejera
Preço$$$$$
Opções / prato típico
¥15-60 por pessoa, 2025. Os xiaolongbao (bolinhos recheados de carne e caldo) e os shengjianbao (bolinhos fritos) são o petisco símbolo da cidade; dá para comê-los em casas especializadas como Din Tai Fung, Jia Jia Tang Bao ou Yang's Fry Dumplings, e nas barracas da Cidade Velha
Alta cocina internacional y con vistas
Preço$$$$$
Opções / prato típico
¥500-2.000+ por pessoa, 2025. Xangai é a capital gastronômica cosmopolita da China: restaurantes de alta gastronomia com estrelas Michelin, cozinha autoral e rooftops com vista para o skyline, sobretudo no Bund e em Pudong. Reserve com antecedência
Cafés y brunch en la Concesión Francesa
Preço$$$$$
Opções / prato típico
¥40-150 por pessoa, 2025. A Concessão Francesa reúne uma cena de cafés especiais, padarias, brunch e cozinha internacional à sombra dos plátanos; é a região ideal para tomar café da manhã ou um café da tarde com calma entre butiques

📖 História de Xangai

Origem, formação e o que dizem as fontes.

De vila de pescadores a cidade murada (séculos X-XVIII)

É difícil imaginar hoje, olhando a floresta de arranha-céus de Pudong, mas durante quase toda a sua história Xangai foi um lugar sem importância. A região do delta do Yangtzé, onde o grande rio deságua no mar, é habitada desde tempos remotos, mas o povoado que daria origem à cidade só aparece com clareza na Idade Média. O próprio nome, Xangai ('sobre o mar'), é documentado a partir do século XI, quando existia na região uma modesta aldeia de pescadores e comerciantes às margens do rio Huangpu, um afluente do Yangtzé.

Durante as dinastias Song e Yuan, a localidade foi crescendo como porto fluvial graças ao comércio de algodão e tecidos e, em 1292, sob a dinastia Yuan, ganhou o status administrativo de cidade. Mesmo assim, continuava sendo um lugar secundário, à sombra das grandes cidades cultas e ricas do delta, como Suzhou ou Hangzhou, que eram os verdadeiros centros da região. No século XVI, durante a dinastia Ming, Xangai foi cercada por uma muralha circular para se defender dos piratas japoneses (os wako) que assolavam a costa; dessa época vem o traçado da Cidade Velha, cujo perímetro ainda hoje segue o das antigas muralhas.

Foi assim que Xangai chegou ao início do século XIX: uma cidade murada de porte médio, próspera graças ao comércio de algodão e à sua posição na foz do Yangtzé, a grande via fluvial da China, mas sem nada que antecipasse o destino extraordinário que a esperava. Esse destino não viria da China, e sim dos canhões das potências ocidentais.

As Guerras do Ópio e o porto aberto à força (1842)

A virada decisiva na história de Xangai veio pelas mãos da violência colonial. No início do século XIX, a Grã-Bretanha tinha montado um comércio lucrativo e devastador: levava para a China enormes quantidades de ópio cultivado na Índia para equilibrar sua balança comercial e financiar a compra de chá e seda. Quando o governo imperial chinês tentou frear esse tráfico que estava destruindo sua população, estourou a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842), que terminou com uma derrota humilhante da China diante da superioridade militar britânica.

O Tratado de Nanquim, de 1842, o primeiro dos chamados 'tratados desiguais', obrigou a China a abrir cinco portos ao comércio estrangeiro, ceder Hong Kong à Grã-Bretanha e pagar uma enorme indenização. Xangai era um desses cinco portos. A partir de 1843, comerciantes britânicos, e logo depois franceses e americanos, se instalaram na cidade e conquistaram o direito de administrar seus próprios bairros, as concessões, regidos por leis estrangeiras e fora da autoridade chinesa. Estava plantada a semente da Xangai moderna.

A posição de Xangai, na foz do Yangtzé e com acesso ao imenso mercado do interior da China, logo a transformou no grande porto do país. Em poucas décadas, a aldeia murada ficou cercada e superada por uma cidade nova, ocidental, erguida pelos estrangeiros às margens do Huangpu. Sobre o barro da margem começaram a surgir os primeiros edifícios do que viria a ser o Bund, a fachada monumental dessa Xangai colonial que crescia sem parar.

A 'Paris do Oriente': as concessões e a era de ouro (1900-1937)

Nas primeiras décadas do século XX, Xangai viveu uma época deslumbrante e contraditória que a transformou em uma das cidades mais fascinantes do mundo. A cidade era dividida em três partes com administrações diferentes: o Assentamento Internacional (fusão das concessões britânica e americana), a Concessão Francesa e a cidade chinesa propriamente dita. Cada zona tinha suas próprias leis, sua polícia, seus tribunais e sua arquitetura, o que criava um mosaico urbano único e um curioso limbo jurídico.

Essa Xangai cosmopolita ganhou o apelido de 'Paris do Oriente' pelo seu glamour, sua arquitetura art déco, suas grandes lojas de departamentos, seus cabarés e sua vida noturna, mas também de 'puta da Ásia' pelo seu lado sombrio: era uma cidade de desigualdades enormes, de ópio, prostituição, casas de jogo e máfias poderosas como a temida Gangue Verde, que controlava boa parte do submundo e da política local. Conviviam ali milionários estrangeiros e chineses, refugiados de meio mundo —incluindo milhares de russos brancos que fugiram da revolução e, mais tarde, judeus que escapavam do nazismo, para quem Xangai foi um dos poucos refúgios que não exigiam visto—, operários explorados nas fábricas e uma agitada classe média chinesa.

Foi também um caldeirão político. Em 1921, numa casa da Concessão Francesa, um pequeno grupo de intelectuais fundou clandestinamente o Partido Comunista Chinês; entre os presentes estava um jovem Mao Tsé-tung. A cidade era o grande centro operário e industrial da China e, portanto, um foco de agitação. Em 1927, durante a guerra entre nacionalistas e comunistas, o líder do Kuomintang, Chiang Kai-shek, aliado à Gangue Verde, desencadeou em Xangai um expurgo sangrento de comunistas e sindicalistas. A cidade brilhava e fervia ao mesmo tempo, num equilíbrio que a história estava prestes a romper.

Xangai, refúgio de judeus durante o Holocausto
Entre o fim dos anos 1930 e a Segunda Guerra Mundial, cerca de 20.000 judeus que fugiam da perseguição nazista encontraram refúgio em Xangai, um dos poucos lugares do mundo que não exigiam visto de entrada. Eles se concentraram sobretudo no bairro de Hongkou, onde ergueram sinagogas, cafés e jornais. Sob a ocupação japonesa, foram confinados em um gueto, mas a maioria sobreviveu à guerra. Hoje o Museu dos Refugiados Judeus de Xangai preserva essa memória.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Shanghai_Ghetto

Guerra, ocupação e o fim da Xangai cosmopolita (1937-1949)

O esplendor de Xangai se apagou com a guerra. Em 1937, depois da eclosão da Segunda Guerra Sino-Japonesa, a cidade foi palco de uma das batalhas mais ferozes do conflito: a Batalha de Xangai, que durou três meses e deixou dezenas de milhares de mortos antes que as tropas japonesas tomassem a cidade chinesa. Por um tempo, as concessões estrangeiras se mantiveram como uma 'ilha solitária' neutra no meio do território ocupado, mas depois do ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, o Japão ocupou também os assentamentos internacionais e o sonho cosmopolita acabou de repente.

Sob a ocupação japonesa, a população estrangeira aliada foi internada em campos e a comunidade judaica refugiada, confinada no gueto de Hongkou. As velhas potências ocidentais, enfraquecidas pela guerra mundial, renunciaram em 1943 às suas concessões e aos privilégios extraterritoriais que tinham imposto um século antes: a era das concessões, que tinha feito de Xangai o que ela era, chegava formalmente ao fim.

Terminada a guerra mundial em 1945, Xangai voltou brevemente às mãos do governo nacionalista chinês, mas o país afundava na guerra civil entre o Kuomintang e os comunistas. A hiperinflação e a corrupção devastaram a economia da cidade. Em maio de 1949, as tropas comunistas entraram em Xangai. Muitos empresários, banqueiros e estrangeiros fugiram, boa parte deles para Hong Kong, levando consigo capitais e know-how. A Xangai frívola e cosmopolita dos cabarés e das concessões desaparecia para sempre.

Da Xangai maoísta ao renascimento de Pudong (1949-hoje)

Sob a República Popular, Xangai mudou completamente de cara. O novo regime comunista fechou os cabarés, as casas de jogo e os bordéis, nacionalizou as empresas e transformou a cidade frívola em um grande centro industrial e operário a serviço do Estado. Xangai, que tinha sido o símbolo da penetração estrangeira e do capitalismo na China, virou uma cidade produtiva e cinzenta, mas continuava respondendo por uma parte enorme da arrecadação fiscal do país. Durante a Revolução Cultural (1966-1976), foi um bastião da esquerda radical maoísta: daqui saiu o chamado 'Bando dos Quatro', o grupo dirigente que comandou aquele período de fanatismo e caos.

O grande renascimento veio com as reformas econômicas. Embora Deng Xiaoping tenha aberto a China para o mundo desde o fim dos anos 1970, Xangai demorou a decolar; o impulso decisivo foi a decisão, em 1990, de desenvolver Pudong, a área de arrozais e armazéns a leste do rio Huangpu, como nova zona econômica especial. Em apenas três décadas, aquele terreno pantanoso se transformou no distrito financeiro mais espetacular da Ásia: foram erguidos a Torre Pérola Oriental, o Jin Mao, o World Financial Center e, por fim, a Torre de Xangai, a mais alta da China. A cidade recuperou seu papel de grande capital econômica e cosmopolita do país.

Hoje Xangai é uma megacidade com mais de 24 milhões de habitantes, o maior porto de contêineres do mundo, a bolsa de valores mais importante da China continental e um centro global de finanças, comércio e cultura. Na sua pele convivem as três camadas da sua história: a Cidade Velha murada dos pescadores, a Xangai colonial do Bund e das concessões e a Xangai futurista de Pudong. Poucas cidades contam seu passado, seu presente e sua ambição de futuro só de atravessar um rio, e esse talvez seja o maior fascínio de Xangai.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Shanghái»: https://es.wikipedia.org/wiki/Shangh%C3%A1i
  • Wikipedia (EN) — «Shanghai»: https://en.wikipedia.org/wiki/Shanghai
  • Wikipedia (EN) — «History of Shanghai»: https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Shanghai
  • Wikipedia (ES) — «Tratado de Nankín»: https://es.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Nank%C3%ADn
  • Wikipedia (EN) — «Shanghai International Settlement»: https://en.wikipedia.org/wiki/Shanghai_International_Settlement
  • Wikipedia (EN) — «Shanghai French Concession»: https://en.wikipedia.org/wiki/Shanghai_French_Concession
  • Wikipedia (EN) — «Shanghai Ghetto»: https://en.wikipedia.org/wiki/Shanghai_Ghetto
  • Wikipedia (EN) — «Battle of Shanghai»: https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Shanghai
  • Wikipedia (EN) — «Pudong»: https://en.wikipedia.org/wiki/Pudong
  • Britannica — «Shanghai»: https://www.britannica.com/place/Shanghai

❓ Perguntas frequentes

Quantos dias preciso para conhecer Xangai?+
Com 2 ou 3 dias inteiros você vê o essencial: um dia para o Bund, a Nanjing Road e o Museu de Xangai; outro para Pudong (subir em uma torre) e o jardim Yuyuan com a Cidade Velha; e um terceiro para a Concessão Francesa, Tianzifang e Xintiandi. Com 4 ou 5 dias dá para incluir a vila aquática de Zhujiajiao e bate-voltas de trem de alta velocidade a Suzhou e Hangzhou, ambas a menos de uma hora.
Qual é a melhor época para visitar Xangai?+
A primavera (março a maio) e o outono (setembro a novembro), com temperaturas amenas e menos umidade. O verão é quente, muito úmido, chuvoso e com risco de tufões; o inverno é frio e úmido, com uma sensação térmica desagradável. Evite as 'semanas douradas' (1º de outubro e Ano-Novo chinês), quando o turismo interno lota tudo.
Preciso de VPN e como pago as coisas em Xangai?+
Sim, você precisa de VPN: na China não funcionam Google, WhatsApp, Instagram, Facebook nem a maioria dos apps ocidentais por causa do 'Grande Firewall', e é preciso instalar a VPN ANTES de viajar. Para pagar, quase tudo é feito pelo celular escaneando um QR com Alipay ou WeChat Pay, aos quais o turista pode vincular um cartão Visa ou Mastercard estrangeiro. Leve um pouco de dinheiro em yuans para barracas pequenas.
Vale a pena subir na Torre de Xangai ou na Pérola do Oriente?+
Sim, se o tempo estiver bom. A Torre de Xangai (andar 118, ¥180) é a mais alta da China e tem as vistas mais impressionantes; a Pérola do Oriente é a mais icônica e tem piso de vidro. Suba perto do entardecer para ver a cidade de dia, o pôr do sol e as luzes numa só visita, e compre o ingresso online. Em dias de neblina ou muita poluição a vista some, então vale escolher um dia limpo.
Como chego do aeroporto de Pudong ao centro?+
Você pode pegar o trem de levitação magnética (Maglev), que chega a 300-430 km/h até a estação de metrô Longyang Road em 8 minutos (¥50), e de lá seguir de metrô; ou ir direto pela linha 2 do metrô, que leva ao centro em pouco mais de uma hora (¥7-8); ou pegar um táxi/Didi (¥150-200, 45-70 min). O Maglev é uma experiência e tanto, mas não chega ao centro, então é preciso combiná-lo com o metrô.
Dá para fazer um bate-volta a Suzhou ou Hangzhou saindo de Xangai?+
Sim, e é muito recomendável. De trem de alta velocidade, Suzhou fica a apenas 25-40 minutos e Hangzhou a cerca de uma hora da estação de Hongqiao, com saídas muito frequentes. Suzhou é a cidade dos jardins clássicos e dos canais; Hangzhou, a do Lago do Oeste. Dá para visitá-las no mesmo dia, embora cada uma mereça um pernoite se você tiver tempo.
Xangai é segura para o turista?+
Xangai é uma cidade muito segura em termos de criminalidade: assaltos violentos são raros e dá para andar à noite com tranquilidade. Os maiores riscos são os golpes contra turistas em áreas como a Nanjing Road e o Bund (o clássico da 'casa de chá' ou da 'estudante de arte' que te convida para um lugar e termina numa conta absurda): recuse convites de desconhecidos simpáticos demais. Cuide dos seus pertences no metrô lotado e ande sempre com o passaporte.

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