Poucas cidades chinesas carregam tanto passado quanto Luoyang. Às margens do rio Luo, perto do grande Rio Amarelo, esta antiga capital foi por mais de mil anos o coração político e cultural da China: treze dinastias a escolheram como sede de sua corte, e por suas ruas passou boa parte da história do país. Foi aqui que o budismo criou suas primeiras raízes em solo chinês, onde floresceram a arte e a poesia, e onde a peônia se tornou a flor imperial por excelência. Hoje, sob uma cidade moderna e industrial, pulsa uma das maiores concentrações de história de toda a Ásia.
O grande tesouro de Luoyang são as grutas de Longmen: milhares de budas e bodhisattvas esculpidos nos penhascos às margens do rio, de figuras minúsculas até o colossal Buda Vairocana, uma das esculturas mais imponentes da China. A poucos quilômetros, o Templo do Cavalo Branco lembra que aqui nasceu o budismo chinês, e um pouco mais longe, entre montanhas, o lendário Templo Shaolin continua sendo o berço do kung fu e a meca das artes marciais. E na primavera a cidade inteira se cobre de peônias em flor, um espetáculo que atrai multidões.
Este guia percorre o essencial de Luoyang com um olhar prático: como organizar a visita às grutas de Longmen e ao Templo do Cavalo Branco, como chegar ao Templo Shaolin, quando ver as peônias e como se locomover pela cidade. Menos glamorosa que outras cidades chinesas, mas riquíssima em história, Luoyang é uma parada fascinante num roteiro pelas antigas capitais do norte da China, ideal para combinar com a vizinha Xi'an.
Luoyang é uma das 'quatro grandes capitais antigas' da China, com uma história de mais de três mil anos. Situada no vale do rio Luo, perto do Rio Amarelo — o berço da civilização chinesa —, foi capital de treze dinastias ao longo de mais de um milênio, desde os Zhou do Leste (século VIII a.C.) até as dinastias Han do Leste, Wei, Jin, Wei do Norte e Tang, entre outras. Sob a dinastia Han do Leste, no século I d.C., o budismo chegou a Luoyang, e foi fundado o Templo do Cavalo Branco, considerado o primeiro templo budista da China. Quando a dinastia Wei do Norte transferiu para cá sua capital, vinda de Datong, no fim do século V, começou a escavação das grutas de Longmen, que continuaria por séculos, sobretudo sob a dinastia Tang, quando Luoyang foi uma das maiores cidades do mundo e a imperatriz Wu Zetian — a única mulher que governou a China com o título de imperatriz — fez dela sua capital. Com a decadência dos Tang, Luoyang perdeu seu status imperial e passou a ser uma cidade de província, embora tenha conservado seu enorme patrimônio. Hoje é um importante centro industrial que se orgulha de sua história gloriosa. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The historic heart of the country, the cradle of civilisation on the banks of the Yellow River: the imperial capitals, the Great Wall, the Buddhist grottoes and the Ming walled city of Pingyao.
Ler a história de Northern China →Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.
Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.
Origem, formação e o que dizem as fontes.
Luoyang fica em um lugar que os antigos chineses consideravam, literalmente, o centro do mundo. Situada na planície fértil onde o rio Luo se aproxima do grande Rio Amarelo — o 'rio mãe' da civilização chinesa —, a região foi um dos berços da cultura Han. Segundo a tradição histórica, foi aqui que algumas das primeiras dinastias chinesas tiveram sua sede, e bem perto fica o sítio arqueológico de Erlitou, que muitos arqueólogos associam à lendária dinastia Xia, a primeira da história chinesa, de cerca de três mil e quinhentos anos atrás.
A posição de Luoyang era excepcional do ponto de vista geográfico e simbólico. A cidade era protegida por montanhas e passagens estratégicas, tinha terras férteis e água em abundância e ficava no ponto onde, segundo se acreditava, convergiam as energias do país. Por isso os antigos a chamavam de 'o centro sob o céu': o lugar ideal, segundo a cosmologia chinesa, para estabelecer a capital de um império que se via como o 'Império do Meio' (o significado do nome 'China' em chinês, Zhongguo).
Essa condição de lugar central e auspicioso marcaria o seu destino. Ao longo de mais de mil anos, treze dinastias escolheram Luoyang como sede de sua corte, o que faz dela uma das 'quatro grandes capitais antigas' da China, ao lado de Xi'an, Nanquim e Pequim. Poucas cidades do mundo podem se gabar de ter sido, por tanto tempo e para tantas dinastias, o coração político de uma civilização tão vasta e duradoura.
O primeiro grande momento de Luoyang como capital chegou no ano 770 a.C., quando a dinastia Zhou, depois de perder sua capital ocidental, transferiu a corte para o leste, para a região de Luoyang, dando início ao período conhecido como Zhou Oriental. Embora a autoridade real dos Zhou tenha se enfraquecido aos poucos e a China tenha se fragmentado em reinos rivais durante os períodos das Primaveras e Outonos e dos Reinos Combatentes, Luoyang continuou sendo a capital simbólica e o centro ritual do mundo chinês. Foi nessa época de efervescência intelectual que floresceram as grandes escolas de pensamento, do confucionismo ao taoismo.
Depois da unificação da China pelo primeiro imperador Qin e da ascensão da dinastia Han, Luoyang recuperou um papel central. No ano 25 d.C., quando a dinastia Han foi restaurada após um período de usurpação, o imperador estabeleceu a capital em Luoyang, inaugurando a época conhecida como Han Oriental ou Han Posterior. Durante quase dois séculos, Luoyang foi a capital de um dos maiores impérios do mundo antigo, contemporâneo e comparável ao Império Romano, com o qual mantinha contatos comerciais pela Rota da Seda.
Foi nessa época, no século I d.C., que aconteceu um fato de enorme importância para a história da China e da Ásia: a chegada do budismo. Segundo a tradição, depois de um sonho do imperador Ming, emissários foram enviados para o oeste e voltaram com monges e escrituras budistas, e no ano 68 foi fundado nos arredores de Luoyang o Templo do Cavalo Branco, considerado o primeiro templo budista da China. A partir dali, a nova religião vinda da Índia começaria a se espalhar por todo o país, transformando para sempre a espiritualidade, a arte e a cultura chinesas.
Depois da queda dos Han, a China viveu séculos de divisão e guerras. No norte se impuseram dinastias de origem nômade, entre elas a Wei do Norte, fundada pelos Tuoba, que tinham feito de Datong sua capital e patrocinado ali as grandes grutas de Yungang. No fim do século V, no ano 494, o imperador Xiaowen tomou uma decisão histórica: transferir a capital Wei de Datong para Luoyang, no coração da China histórica, como parte de uma ambiciosa política de sinização que buscava integrar os governantes nômades à cultura chinesa.
Com a corte chegou também o impulso budista, e foi então que começou um dos grandes empreendimentos artísticos da história chinesa: a escavação das grutas de Longmen, nos penhascos de calcário às margens do rio Yi, ao sul da cidade. Os artistas que tinham trabalhado em Yungang continuaram aqui o seu trabalho, esculpindo na rocha budas, bodisatvas e cenas sagradas. Ao longo dos séculos seguintes, e sobretudo sob a dinastia Tang, seriam escavadas milhares de cavernas e nichos com cerca de 100.000 imagens, em um estilo cada vez mais chinês e refinado.
A reconstrução de Luoyang sob os Wei do Norte foi monumental: a cidade se tornou uma das maiores do mundo em sua época, com uma população enorme, centenas de mosteiros budistas e uma vida cultural intensa. Essa fase de esplendor durou pouco: nas décadas seguintes, as lutas internas e as rebeliões acabaram com a dinastia e levaram Luoyang a um período de destruição e decadência. Mas as grutas de Longmen ficaram como testemunho indelével daquela época e continuariam crescendo com as dinastias posteriores, até se tornarem um dos três grandes conjuntos de arte rupestre budista da China.
O maior esplendor de Luoyang chegou com as dinastias Sui e Tang, entre os séculos VI e X, a era de ouro da China imperial. A dinastia Sui reconstruiu a cidade no começo do século VII em escala grandiosa e a transformou na 'capital do leste', ligada ao resto do império pelo Grande Canal, a gigantesca obra hidráulica que unia o norte e o sul da China. Sob a dinastia Tang, Luoyang chegou ao seu ápice: foi uma das maiores e mais cosmopolitas cidades do mundo, com mais de um milhão de habitantes, mercados repletos de mercadorias de toda a Ásia, mosteiros, palácios e uma vida cultural deslumbrante.
A figura mais associada à Luoyang Tang é a imperatriz Wu Zetian, uma personagem excepcional: a única mulher em toda a história da China que governou com o título de imperatriz por direito próprio, e não como regente ou consorte. No fim do século VII, ela transferiu na prática o centro do poder para Luoyang, fez da cidade a sua capital e daqui governou o império com mão firme. Foi ela quem, segundo a tradição, patrocinou a escultura do colossal Buda Vairocana de Longmen, cujo rosto sereno teria sido inspirado no dela, e quem mandou erguer os grandes palácios cerimoniais da cidade, como o Mingtang.
A Wu Zetian também se liga a famosa lenda das peônias: dizem que, furiosa porque a flor não obedeceu à sua ordem de florescer em pleno inverno, ela a desterrou da capital Chang'an para Luoyang, onde floresceu mais bela do que nunca; desde então, a peônia é a flor-símbolo da cidade. Depois da morte da imperatriz e do longo reinado Tang, a dinastia entrou em crise no século VIII com a devastadora rebelião de An Lushan, e Luoyang sofreu saques e destruições das quais demoraria a se recuperar. Com a queda dos Tang, no começo do século X, a cidade perdeu definitivamente o posto de grande capital imperial.
Depois da queda da dinastia Tang, Luoyang perdeu o posto de grande capital e entrou em uma longa decadência. Embora durante a dinastia Song do Norte (séculos X-XII) tenha continuado sendo uma cidade importante e refinada, famosa por seus jardins e suas peônias, o centro de gravidade do império se deslocou para o leste e o sul, e depois para o norte, com Pequim. Nos séculos seguintes, sob as dinastias Ming e Qing, Luoyang ficou reduzida a uma cidade de província, guardiã de um patrimônio glorioso, mas distante dos grandes acontecimentos.
O século XX trouxe transformações profundas. Como boa parte da China, Luoyang sofreu com a instabilidade da era dos senhores da guerra, a invasão japonesa e a guerra civil. Depois da fundação da República Popular, em 1949, a cidade foi escolhida como um dos grandes centros da industrialização socialista: com ajuda soviética, foram instaladas aqui fábricas importantes — de tratores, maquinário pesado, rolamentos —, e Luoyang se tornou uma cidade industrial relevante, com bairros inteiros construídos em torno das fábricas. Esse lado operário e industrial marcou a Luoyang do século XX, bem diferente da sua imagem imperial.
Nas últimas décadas, com o boom econômico chinês e o interesse crescente pelo patrimônio, Luoyang voltou a reivindicar sua história extraordinária. Foram restaurados e valorizados as grutas de Longmen — declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2000 —, o Templo do Cavalo Branco e outros sítios; foram erguidas reconstruções dos grandes palácios da cidade Sui-Tang, como o Mingtang e o Tiantang; e o Festival da Peônia atrai milhões de visitantes a cada primavera. Hoje Luoyang é uma cidade de mais de dois milhões de habitantes que combina seu passado industrial com o turismo cultural, decidida a recuperar o lugar que lhe cabe como uma das grandes capitais históricas da China.