Saskatoon é a maior cidade de Saskatchewan, assentada nas duas margens do rio Saskatchewan Sul, em plena pradaria canadense. Conhecida como a 'Cidade das Pontes' (Bridge City) pelas várias pontes que cruzam o rio, tem nas suas margens verdes (o Meewasin Valley) sua grande marca registrada: um longo corredor de parques e trilhas junto à água que é o orgulho da cidade e o centro da sua vida ao ar livre. Se você está procurando o que ver em Saskatoon, quase tudo gira em torno desse rio.
Cidade universitária e de clima jovem, Saskatoon combina sua natureza ribeirinha com uma cena cultural e gastronômica em crescimento, museus de primeira linha e um forte componente da cultura dos Povos Originários. Nos arredores, o Wanuskewin Heritage Park, candidato a Patrimônio Mundial da UNESCO, oferece uma das melhores janelas para a história milenar dos povos indígenas das planícies do norte da América.
Este guia responde ao que se procura antes de viajar: o que ver em Saskatoon, quanto custam os ingressos de Wanuskewin e dos museus, como chegar a partir de Regina ou de avião, quando ir e quantos dias ficar. Do vale do rio e seus parques à coleção de Picasso do Remai Modern, Saskatoon é uma base agradável e cada vez mais vibrante para descobrir o coração de Saskatchewan.
A região do rio Saskatchewan Sul foi durante milhares de anos território de povos das planícies (cree e outros), como atesta o sítio de Wanuskewin. A cidade de Saskatoon nasceu na década de 1880 como colônia de uma sociedade de temperança (abstinência de álcool) vinda de Ontário, e deve seu nome à baga 'saskatoon' (saskatoon berry), fruta silvestre da região, na língua cree. Com a ferrovia e a imigração, cresceu até se tornar a principal cidade da província. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The province of the wheat prairies: Cree, Saulteaux and Métis land, home of the last great refuge of the bison, birthplace of Canadian medicare and of the biggest skies in Canada, with the only prairie protected as a national park.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A história de Saskatoon guarda um paradoxo curioso: a maior cidade de Saskatchewan nasceu, em teoria, para que ninguém bebesse. Mas essa fundação do fim do século XIX é só o último capítulo de uma história muito mais longa. Muito antes de a cidade existir, o vale do rio Saskatchewan Sul foi, durante milhares de anos, território de povos das planícies do norte. O extraordinário sítio de Wanuskewin, nos arredores da atual Saskatoon, guarda a prova dessa longa presença: vestígios de mais de seis mil anos de ocupação humana (mais antigos que as pirâmides do Egito), com 'buffalo jumps' (penhascos usados para conduzir manadas de bisões para a morte), acampamentos, círculos de pedras de tendas (tipi rings) e uma roda medicinal.
Esses povos, entre eles os cree e outras nações das pradarias, viviam em estreita relação com o bisão, que lhes dava alimento, abrigo, ferramentas e matéria-prima para suas cerimônias. O vale do rio, com sua água, seu abrigo contra o vento e sua abundância de recursos, era um lugar privilegiado para acampar, caçar e se reunir, geração após geração.
Essa herança milenar, longe de ser só arqueologia, continua viva na cultura das Primeiras Nações da região e é transmitida hoje em lugares como Wanuskewin. O próprio nome da cidade, derivado da baga 'saskatoon' (de origem cree), lembra essa raiz indígena anterior a qualquer assentamento europeu.
A Saskatoon moderna tem uma origem singular. Na década de 1880, um grupo de metodistas de Ontário, querendo fundar uma comunidade livre do álcool, organizou a Temperance Colonization Society e conseguiu terras às margens do rio Saskatchewan Sul para estabelecer uma colônia onde o consumo de bebidas alcoólicas fosse proibido. Os primeiros colonos chegaram em 1883 e fundaram o povoado que daria origem à cidade.
O nome escolhido, 'Saskatoon', vem da baga saskatoon (saskatoon berry), uma fruta silvestre abundante na região, cujo nome deriva de uma palavra cree. Assim, a nova colônia adotou um nome de raiz indígena ligado à terra que ocupava. O começo foi difícil: o isolamento, o clima rigoroso e as distâncias deixaram lento o crescimento do pequeno povoado nos primeiros anos.
Tudo mudou com a chegada da ferrovia e a grande onda de imigração que povoou as pradarias no início do século XX. Saskatoon virou um entroncamento ferroviário e um centro de serviços para os colonos que chegavam da Europa e de outras partes do Canadá, e sua população disparou, deixando para trás a origem modesta de colônia da temperança.
Com o auge das pradarias, Saskatoon cresceu rapidamente como centro agrícola e comercial. A construção de várias pontes sobre o rio Saskatchewan Sul, necessárias para unir as margens e os diferentes núcleos que se fundiram na cidade, lhe rendeu o apelido de 'Cidade das Pontes' (Bridge City). Em 1907 foi criada a Universidade de Saskatchewan, cujo belo campus de pedra à beira do rio se tornou um motor educacional, científico e cultural que marcaria o caráter jovem e dinâmico da cidade.
Ao longo do século XX, Saskatoon viveu os altos e baixos de uma economia das pradarias dependente da agricultura, mas também se beneficiou dos recursos da província, como a potassa e outros minerais, que diversificaram sua base econômica. A cidade ultrapassou a capital, Regina, em população e se consolidou como a maior de Saskatchewan.
Nas últimas décadas, Saskatoon apostou em valorizar seu grande patrimônio natural, o rio e o vale do Meewasin, com um longo corredor de parques e trilhas, e em fortalecer sua cena cultural com instituições como o Remai Modern e festivais de música. Ao mesmo tempo, deu cada vez mais destaque à cultura dos Primeiros Povos, com Wanuskewin como símbolo. Hoje é uma cidade de rio, universidade e pradarias, em plena afirmação de sua identidade.
Se tem algo que define Saskatoon é o seu rio. O Saskatchewan Sul atravessa a cidade de sul a norte e, durante décadas, suas margens foram um patrimônio pouco aproveitado. Isso mudou em 1979 com a criação da Meewasin Valley Authority, um órgão dedicado a proteger e valorizar o vale do rio. A palavra 'meewasin' significa 'bonito' na língua cree, e o projeto buscava justamente preservar a beleza natural do corredor fluvial diante da pressão urbana.
Desde então foi desenvolvida a Meewasin Trail, uma extensa rede de trilhas nas duas margens que conecta parques, mirantes, jardins e bairros, e que se tornou o principal espaço de lazer dos moradores. O centro de interpretação do Meewasin, os parques ribeirinhos e a conservação dos ecossistemas de pradaria e de mata ciliar fizeram de Saskatoon um caso de destaque de integração entre cidade e rio nas pradarias canadenses.
Essa abordagem reforçou a identidade de Saskatoon como 'cidade verde e de rio'. As pontes históricas, como a Traffic Bridge de 1907 (reconstruída e reaberta em 2018), convivem com novos espaços públicos à beira d'água. A aposta no rio também foi uma aposta na qualidade de vida e em um tipo de turismo urbano baseado na natureza e no ar livre.
Nas últimas duas décadas, Saskatoon passou por uma notável reinvenção cultural. A inauguração do Remai Modern em 2017, à beira do rio, deu à cidade uma galeria de arte de projeção internacional, famosa por sua coleção de linogravuras e cerâmicas de Picasso. Somam-se a isso uma cena gastronômica em alta em bairros como Broadway e Riversdale, festivais de jazz, folk e teatro (Fringe) e uma vida noturna animada pela presença universitária.
Ao mesmo tempo, a cidade e a região deram cada vez mais destaque à cultura das Primeiras Nações. O Wanuskewin Heritage Park, administrado em estreita relação com as comunidades indígenas, não só preserva um patrimônio milenar, como também é um espaço vivo de transmissão cultural e candidato à lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. A reintrodução de uma manada de bisões em 2019 foi um marco simbólico de reconexão com a história das planícies.
Hoje Saskatoon se apresenta como uma cidade jovem, diversa e em crescimento, que combina sua herança das pradarias, sua origem singular como colônia da temperança e sua raiz indígena com um olhar contemporâneo. O rio continua sendo sua espinha dorsal, e a convivência entre natureza, cultura e memória dos Primeiros Povos define sua identidade para o futuro.