Toronto é a grande metrópole do Canadá: uma cidade vertical, dinâmica e impressionantemente diversa, debruçada sobre o imenso lago Ontário e coroada pela silhueta da CN Tower, durante décadas a estrutura autoportante mais alta do mundo. Mas o que define Toronto não é só o seu skyline de arranha-céus de vidro, e sim a sua gente: é uma das cidades mais multiculturais do planeta, um mosaico de bairros onde convivem e se misturam culturas de todos os cantos da Terra. Andar pelas suas ruas é passar, em poucos quarteirões, de uma Chinatown agitada para uma Little Italy cheia de trattorias, de um Kensington Market hippie e colorido para um Yorkville elegante.
É uma cidade para caminhar, comer e observar. Tem museus de primeira linha, como o Royal Ontario Museum e a Art Gallery of Ontario, mercados históricos como o St. Lawrence, o encantador e exclusivo para pedestres Distillery District, com suas ruas de paralelepípedo vitorianas, e uma orla revitalizada de onde saem as balsas para as Toronto Islands, esse refúgio verde com praias e vistas perfeitas do skyline. E é, claro, uma cidade apaixonada por esporte: o hóquei é quase uma religião, e é aqui que fica o Hockey Hall of Fame.
Este guia percorre o essencial de Toronto com um olhar prático e acolhedor: como subir na CN Tower, quais bairros explorar, onde comer na sua cena gastronômica multicultural, como se locomover de transporte público e como usar a cidade de base para conhecer as Cataratas do Niágara. Toronto não se resume a um único cartão-postal: ela se revela bairro por bairro, e quase sempre surpreende.
A história de Toronto começa muito antes dos europeus: a região foi habitada durante milênios por povos originários, e o nome 'Toronto' deriva de uma palavra de raiz iroquesa/mohawk ligada a 'onde há árvores na água', em referência à área do lago Simcoe. A região era um importante ponto de passagem entre os Grandes Lagos, a chamada 'Toronto Carrying-Place Trail'. No século XVIII, os franceses instalaram um entreposto comercial (Fort Rouillé), mas foram os britânicos que, após a Revolução Americana, fundaram em 1793 o povoado de York, futura capital do Alto Canadá, por iniciativa do vice-governador John Graves Simcoe. Durante a Guerra de 1812, as tropas americanas tomaram e incendiaram York em 1813. Em 1834, a cidade foi reincorporada com seu nome atual, Toronto. Ao longo dos séculos XIX e XX, cresceu com sucessivas ondas de imigração — irlandeses, italianos, judeus, chineses, gregos, portugueses e, mais tarde, comunidades do mundo todo — que a transformaram na cidade multicultural que é hoje. No século XX, consolidou-se como o centro financeiro do país, superando Montreal, e em 1976 foi inaugurada a CN Tower. Em 1998, seis municípios se fundiram na atual 'megacidade' de Toronto. Hoje é a quarta maior cidade da América do Norte. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓Canada's economic and demographic heart: land of the Iroquoian and Algonquian nations, refuge of the Loyalists, cradle of Upper Canada and the country's industrial engine, home to Toronto, to the national capital Ottawa and to Niagara Falls.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes de existir qualquer cidade, a região onde hoje fica Toronto foi habitada durante milhares de anos por povos originários. A área, na margem noroeste do lago Ontário, era um cruzamento natural de caminhos: por aqui passava a chamada Toronto Carrying-Place Trail, uma antiga rota de transposição (portage) que ligava o lago Ontário ao lago Huron e à baía Georgiana pelos rios Humber e Holland. Essa rota permitia aos povos indígenas atravessar o sul de Ontário evitando os Grandes Lagos inferiores, o que a transformou em um ponto estratégico para o comércio e os deslocamentos.
Ao longo dos séculos, diferentes povos ocuparam ou percorreram a região: os huron-wendat, os povos iroqueses e, mais tarde, os mississauga do povo anishinaabe (ojíbua), que eram os habitantes da área quando os europeus chegaram. Para todos eles, a região do lago Ontário era um território rico em caça, pesca e vias de comunicação.
O próprio nome da cidade guarda essa herança. 'Toronto' deriva de uma palavra de raiz iroquesa (muitas vezes associada ao mohawk 'tkaronto'), que significaria algo como 'onde há árvores em pé na água' ou 'lugar de árvores na água', e que originalmente se referia a uma área do atual lago Simcoe, onde se cravavam estacas para pescar. Com o tempo, esse topônimo foi migrando nos mapas para o sul, até ficar associado ao povoado às margens do lago Ontário que hoje conhecemos como Toronto.
A primeira presença europeia estável na região foi francesa. Em meados do século XVIII, em plena rivalidade com os britânicos pelo controle do comércio de peles e dos Grandes Lagos, os franceses instalaram postos na região. O mais importante foi o Fort Rouillé (também conhecido como Fort Toronto), erguido por volta de 1750-1751 onde hoje fica o terreno da Canadian National Exhibition, à beira do lago. Era um pequeno forte comercial que os próprios franceses incendiaram em 1759, durante a Guerra Franco-Indígena, ao se retirarem diante do avanço britânico.
Após a conquista britânica da Nova França, a região passou para as mãos do Império Britânico. O grande impulso para a fundação de uma cidade veio depois da Revolução Americana: milhares de leais à Coroa britânica (os United Empire Loyalists) fugiram dos recém-criados Estados Unidos rumo ao norte, e a Grã-Bretanha precisava organizar e povoar seus territórios ao norte dos Grandes Lagos. Em 1791 foi criada a província do Alto Canadá, e seu primeiro vice-governador, John Graves Simcoe, buscou uma capital bem protegida, longe da fronteira americana.
Em 1793, Simcoe fundou o povoado de York às margens da baía de Toronto, escolhendo o local por seu porto natural protegido e sua posição defensiva. Ele o batizou de York em homenagem ao duque de York, filho do rei, e o transformou na capital do Alto Canadá. York nasceu como uma pequena vila colonial, apelidada ironicamente de 'Muddy York' ('York lamacenta') por causa das ruas enlameadas, mas estava destinada a crescer.
A jovem capital do Alto Canadá teve seu batismo de fogo durante a Guerra de 1812, o conflito entre o Império Britânico (e suas colônias norte-americanas) e os recém-independentes Estados Unidos. York, por ser a capital provincial, virou um alvo militar apesar do tamanho modesto.
Em abril de 1813, na chamada Batalha de York, as forças americanas desembarcaram e tomaram a cidade depois de vencer a guarnição britânica. Durante a retirada, os defensores explodiram o paiol de pólvora do forte, causando muitas baixas entre os atacantes. Em represália e durante a ocupação, as tropas americanas saquearam e incendiaram vários prédios públicos de York, incluindo os da Assembleia Legislativa do Alto Canadá.
Esse episódio teve consequências que foram além da pequena York. Considera-se que o incêndio dos prédios do governo de York foi uma das motivações da posterior represália britânica de 1814, quando as tropas do Império incendiaram prédios públicos em Washington, incluindo a residência presidencial. Para York, a guerra deixou a lição de sua vulnerabilidade, mas também reforçou o sentimento de lealdade à Coroa e a identidade própria diante do vizinho do sul, uma característica que marcaria a cultura política do futuro Canadá.
Em 1834, o crescente povoado de York foi oficialmente incorporado como cidade e recuperou seu nome de raiz indígena: passou a se chamar Toronto. Seu primeiro prefeito foi William Lyon Mackenzie, uma figura combativa que poucos anos depois, em 1837, lideraria a fracassada Rebelião do Alto Canadá, um levante contra o governo oligárquico da colônia (o chamado 'Family Compact') que, embora derrotado, impulsionou reformas rumo a um governo mais representativo.
Ao longo do século XIX, Toronto cresceu de forma constante como centro comercial, financeiro e de transportes do sul de Ontário, impulsionada pela ferrovia, pelo porto e pela indústria. Mas o que moldou seu caráter mais profundamente foram as sucessivas ondas de imigração. Primeiro chegaram os irlandeses, em grande número depois da Grande Fome de meados do século XIX; depois italianos, judeus do Leste Europeu, chineses, gregos, portugueses e ucranianos, entre muitos outros.
Cada comunidade foi deixando sua marca em bairros inteiros — Chinatown, Little Italy, Greektown, o bairro judeu de Kensington — que até hoje definem o mapa cultural da cidade. Durante boa parte de sua história, Toronto foi uma cidade de forte marca britânica e protestante (era apelidada de 'Toronto the Good'), mas a imigração a transformou aos poucos em um dos lugares mais diversos do planeta. Essa mistura, longe de se diluir, virou seu maior orgulho e a base de sua identidade multicultural.
Durante o século XX, Toronto consolidou sua posição como o grande centro econômico do Canadá. Ao longo das décadas, e especialmente a partir dos anos 1960 e 1970, foi tomando de Montreal o posto de capital financeira do país. Vários fatores se somaram: o crescimento industrial do sul de Ontário, a concentração de bancos e empresas, e também as tensões políticas e linguísticas em Quebec, que levaram muitas sedes corporativas a se mudar de Montreal para Toronto. A Bolsa de Toronto (TSX) se tornou a mais importante do Canadá.
O auge se refletiu no skyline. O centro se encheu de arranha-céus de bancos e escritórios, e em 1976 foi inaugurada a obra que se tornaria o símbolo da cidade e do país: a CN Tower, com seus 553 metros, durante décadas a estrutura autoportante mais alta do mundo. Toronto também desenvolveu uma das redes de transporte público mais usadas da América do Norte (a TTC, com seu metrô inaugurado em 1954) e a enorme rede subterrânea de pedestres PATH, pensada para enfrentar os invernos rigorosos.
Em 1998, os seis municípios da região metropolitana (incluindo Toronto, North York, Scarborough, Etobicoke, York e East York) se fundiram em uma única grande cidade, a 'megacidade' de Toronto, que é a que existe hoje. Com mais de seis milhões de habitantes na região metropolitana, Toronto está entre as maiores cidades da América do Norte. Ao perfil financeiro somou um protagonismo cultural crescente: o Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), criado em 1976, é hoje um dos mais prestigiados do mundo, e a cidade é um polo de cinema, televisão, teatro e música.
A Toronto do século XXI é o ponto alto de toda essa história: uma metrópole global, próspera e, acima de tudo, profundamente diversa. Mais da metade dos seus moradores nasceu fora do Canadá, e nas suas ruas se falam mais de 150 idiomas, o que a torna, segundo vários rankings, uma das cidades mais multiculturais do planeta. Longe do modelo de 'caldeirão' que assimila os recém-chegados, Toronto encarna o ideal canadense de multiculturalismo, em que as diferentes comunidades preservam sua identidade e convivem como em um mosaico.
Essa diversidade se vive nos bairros étnicos, na impressionante variedade gastronômica, nos festivais que lotam o calendário (do caribenho Caribana às celebrações de cada comunidade) e no jeito aberto e tolerante da cidade. Toronto também é uma capital cultural: sede de grandes museus (o ROM, a AGO), do TIFF, de uma cena teatral e musical vibrante, e casa de times que apaixonam o país, como os Maple Leafs (hóquei), os Raptors (basquete, campeões da NBA em 2019) e os Blue Jays (beisebol).
Economicamente, continua sendo o motor do Canadá: centro financeiro, tecnológico e de serviços, com um skyline em crescimento constante. Para o viajante, tudo isso se traduz em uma cidade que não se entende com uma única imagem, e sim percorrendo-a bairro por bairro, provando suas cozinhas e se deixando surpreender pela mistura de culturas. Toronto mostra que a diversidade, bem compreendida, pode ser a maior riqueza de uma cidade.