Vancouver é uma daquelas cidades que têm tudo: mar, montanhas e uma floresta milenar, tudo junto e a um passo do centro. Debruçada sobre o Pacífico no extremo oeste do Canadá, cercada de água e com os picos nevados das Coast Mountains como cenário permanente, é uma metrópole moderna e cosmopolita onde dá para esquiar de manhã e passear na praia à tarde. Não é por acaso que aparece, ano após ano, entre as cidades mais habitáveis do planeta.
Sua grande joia é o Stanley Park, um dos parques urbanos maiores e mais bonitos do mundo: uma península coberta por uma floresta de coníferas gigantes, contornada pelo Seawall, um calçadão à beira-mar que convida a caminhar ou pedalar com vista para o mar, os barcos e as montanhas. Somam-se a isso o charme histórico de Gastown com seu relógio a vapor, o clima artístico e gastronômico de Granville Island, uma forte herança asiática (uma das maiores Chinatowns do Canadá), praias urbanas e a possibilidade de subir em poucos minutos ao topo de uma montanha. Vancouver vive de frente para a natureza.
Este guia percorre o essencial de Vancouver com um olhar prático e acolhedor: como aproveitar o Stanley Park, explorar Gastown e Granville Island, subir as montanhas que cercam a cidade, se locomover com seu excelente transporte público e usá-la como base para conhecer Whistler, Victoria e a selvagem Colúmbia Britânica. É a porta de entrada perfeita para o oeste do Canadá e um destino que conquista pela mistura de cidade e natureza.
A região de Vancouver foi habitada durante milhares de anos pelos povos originários da Costa Salish (Coast Salish), especialmente as nações Musqueam, Squamish e Tsleil-Waututh, que viviam da abundância do mar e da floresta. Na verdade, a área fica em territórios tradicionais não cedidos desses povos. Os primeiros europeus chegaram no fim do século XVIII: o navegador britânico George Vancouver explorou a costa em 1792 (e deu seu nome à futura cidade), embora espanhóis e britânicos já tivessem percorrido essas águas antes. O povoado moderno nasceu em torno da serraria e do comércio de madeira na segunda metade do século XIX. Um personagem lendário, 'Gassy Jack' Deighton, abriu um bar para os operários da serraria em 1867, e ao redor dele surgiu o vilarejo de Gastown, embrião da cidade. O grande impulso veio com a ferrovia: em 1886 a cidade de Vancouver foi fundada oficialmente, escolhida como terminal da ferrovia transcontinental Canadian Pacific, o que a ligou ao resto do país e desencadeou seu crescimento. Naquele mesmo ano, um grande incêndio a destruiu quase por completo, mas ela foi reconstruída rapidamente. Como porto do Pacífico e ponta da ferrovia, Vancouver cresceu vertiginosamente, atraindo imigrantes da Europa e, muito especialmente, da Ásia (China, Japão, Índia), que lhe deram seu forte caráter multicultural e asiático. No século XX, consolidou-se como grande porto e centro econômico do oeste. Eventos como a Expo 86 e os Jogos Olímpicos de Inverno de 2010 a projetaram para o mundo. Hoje é uma metrópole próspera, verde e diversa, famosa pela qualidade de vida. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The province of the Canadian Pacific: land of the Haida and Coast Salish coastal peoples, of the Fraser gold rush and the railway, of temperate rainforests, Rocky Mountains and cities such as Vancouver and Victoria.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes de Vancouver existir, a região ao redor da baía de Burrard e da foz do rio Fraser foi habitada durante milhares de anos pelos povos originários da Costa Salish (Coast Salish). As nações Musqueam, Squamish (Sḵwx̱wú7mesh) e Tsleil-Waututh foram, e continuam sendo, os povos dessas terras. Eles tinham uma cultura rica, sustentada pela abundância extraordinária do ambiente: o mar e os rios cheios de salmão, frutos do mar e baleias; as florestas de cedro-vermelho, de onde talhavam canoas, casas comunais e os famosos totens; e um clima temperado que tornava a vida mais fácil do que no interior do continente.
Esses povos desenvolveram sociedades complexas, com aldeias estáveis, chefias, comércio e uma vida cerimonial intensa, simbolizada pelo potlatch, uma cerimônia de redistribuição de bens e de prestígio social. A arte deles (os totens, as máscaras, os entalhes) é uma das mais reconhecíveis do mundo e continua viva hoje. A costa noroeste do Pacífico foi uma das poucas regiões do mundo onde povos caçadores-coletores alcançaram tamanho grau de complexidade social, graças à riqueza do ambiente.
Vale destacar que a cidade de Vancouver está em territórios tradicionais não cedidos dos povos Musqueam, Squamish e Tsleil-Waututh, um fato que a cidade e as instituições reconhecem de forma cada vez mais explícita. A presença e a cultura das Primeiras Nações continuam sendo parte fundamental da identidade da região, visível em lugares como os totens do Stanley Park ou o Museu de Antropologia da UBC.
Os primeiros europeus chegaram a esta costa do Pacífico no fim do século XVIII, num contexto de exploração e disputa pelo controle da costa noroeste da América entre potências como Espanha, Grã-Bretanha e Rússia. Navegadores espanhóis, como José María Narváez, exploraram estas águas por volta de 1791, e até hoje vários topônimos da região têm origem espanhola.
Mas o nome que ficou associado à futura cidade foi o do navegador britânico George Vancouver, oficial da Royal Navy que havia servido sob o comando do capitão James Cook. Em 1792, durante uma longa expedição de reconhecimento da costa noroeste, Vancouver explorou e mapeou a baía de Burrard e os arredores. Curiosamente, ele cruzou nestas águas com os exploradores espanhóis, num encontro cordial, já que as duas potências estavam resolvendo suas diferenças pelo controle da região. A cidade que nasceria quase um século depois levaria o sobrenome dele.
Nas décadas seguintes, a região continuou sendo, antes de tudo, território dos povos originários e área de comércio de peles. A Hudson's Bay Company e outras companhias montaram entrepostos comerciais na região. Só em meados do século XIX, com a corrida do ouro do rio Fraser (1858), que atraiu milhares de garimpeiros, a colonização europeia da Colúmbia Britânica acelerou de verdade, lançando as bases para o surgimento das cidades da região.
O embrião da Vancouver moderna surgiu da indústria madeireira. Em meados do século XIX, a abundância de florestas de coníferas gigantes ao redor da baía de Burrard atraiu a nascente indústria da madeira, que instalou serrarias na região. Essas serrarias precisavam de trabalhadores, e os trabalhadores precisavam, entre outras coisas, de um lugar para beber.
Em 1867, um personagem pitoresco chamado John Deighton, apelidado de 'Gassy Jack' (algo como 'Jack, o tagarela', por ele falar pelos cotovelos), chegou de barco e, com a ajuda dos operários da serraria vizinha (a quem prometeu uísque), levantou em poucas horas um bar (um saloon) à beira da baía. Em volta daquele bar foi crescendo um pequeno povoado de casas de madeira, que logo ficou conhecido popularmente como Gastown (a 'cidade do Gassy'). Esse assentamento improvisado de lenhadores, marinheiros e aventureiros foi o núcleo original do que viria a ser Vancouver.
O pequeno povoado, batizado oficialmente de Granville em 1870, foi crescendo modestamente em torno da atividade madeireira e portuária. Era um lugar rústico, de fronteira, mas sua localização junto a um magnífico porto natural de águas profundas o destinava a algo maior. O destino de Granville/Gastown mudaria radicalmente quando fosse decidido o traçado da ferrovia transcontinental que uniria o Canadá de oceano a oceano.
O acontecimento que transformou a modesta Granville numa grande cidade foi a ferrovia. Na década de 1880, a Canadian Pacific Railway (CPR) estava concluindo a ferrovia transcontinental que ligaria o leste do Canadá à costa do Pacífico, uma obra colossal e fundamental para a unidade do jovem país. Decidiu-se estender a linha até a baía de Burrard e instalar ali o terminal oeste da ferrovia, atraídos pelo excelente porto natural de águas profundas, ideal para o comércio com a Ásia.
A escolha mudou tudo. Em 1886, o assentamento foi oficialmente incorporado como cidade e, por sugestão de William Van Horne, alto executivo da CPR, recebeu o nome de Vancouver, em homenagem ao navegador. A cidade nascia com um destino comercial e portuário garantido pela ferrovia.
Mas o começo foi traumático: poucas semanas depois da fundação, em junho de 1886, um grande incêndio (o Great Vancouver Fire) devastou a nascente cidade de madeira em questão de minutos, destruindo-a quase por completo. A reconstrução, no entanto, foi imediata e febril: com a ferrovia a caminho e o futuro garantido, Vancouver se reergueu rapidamente, desta vez com prédios mais sólidos. Quando o primeiro trem transcontinental chegou a Vancouver em 1887, a cidade já estava renascendo, pronta para se tornar a grande porta do Canadá para o Pacífico. O crescimento posterior foi vertiginoso.
Como terminal ferroviário e porto de águas profundas no Pacífico, Vancouver cresceu com extraordinária rapidez no fim do século XIX e ao longo do XX, tornando-se a grande cidade e o principal porto do oeste do Canadá. Pelos seus cais passavam a madeira, os grãos das pradarias, os minérios e, cada vez mais, o comércio com a Ásia, enquanto a cidade se expandia e se modernizava.
Uma marca definidora de Vancouver desde as origens foi a imigração asiática. Já durante a construção da ferrovia chegaram milhares de trabalhadores chineses, que fizeram as tarefas mais duras e perigosas em condições de grande injustiça. Muitos se estabeleceram e deram origem à Chinatown de Vancouver, uma das maiores da América do Norte. Também chegaram imigrantes japoneses, indianos (sobretudo sikhs) e de outras origens asiáticas, que se somaram aos europeus.
Essa história teve capítulos sombrios: a comunidade asiática sofreu leis discriminatórias, impostos especiais (como o 'head tax' cobrado dos chineses), exclusão migratória e episódios de violência racista. Durante a Segunda Guerra Mundial, os canadenses de origem japonesa tiveram seus bens confiscados e foram internados, uma das páginas mais vergonhosas da história do país. Apesar de tudo, a presença asiática se consolidou e, com o tempo, virou um dos grandes pilares da identidade multicultural de Vancouver. Hoje, a cidade tem uma das maiores proporções de população de origem asiática de toda a América do Norte, o que se reflete na gastronomia, na cultura e no seu caráter cosmopolita.
A Vancouver do século XXI é uma metrópole próspera, verde, diversa e sempre classificada entre as cidades mais habitáveis do planeta. Sua localização privilegiada entre o mar e as montanhas, o clima temperado, a qualidade de vida, a segurança e o caráter multicultural fizeram dela um ímã para imigrantes do mundo todo (especialmente da Ásia) e um destino turístico de primeira linha.
Vários acontecimentos a projetaram para o mundo nas últimas décadas: a Exposição Universal de 1986 (Expo 86), que transformou sua orla e deixou ícones como o Canada Place; e, sobretudo, os Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, divididos com a vizinha Whistler, que mostraram ao mundo seu espetacular cenário natural. A cidade é também um importante polo da indústria de cinema e televisão (apelidada de 'Hollywood North' pelas muitas produções filmadas lá), de tecnologia e de finanças.
Nem tudo é perfeito: Vancouver enfrenta desafios sérios, como uma das crises de moradia mais graves da América do Norte (é uma das cidades mais caras do continente) e os problemas sociais concentrados no Downtown Eastside. Mas sua essência continua sendo a de uma cidade que vive voltada para a natureza, onde a floresta, o mar e as montanhas estão sempre presentes. Para o viajante brasileiro, Vancouver oferece essa combinação rara de cidade grande cosmopolita com aventura na natureza logo ali: dá para caminhar por uma floresta milenar, esquiar numa montanha, navegar entre ilhas e comer a melhor culinária asiática, tudo no mesmo dia. É a porta de entrada para o espetacular oeste do Canadá.