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Villa Traful
🇦🇷 Argentina · Patagônia

Villa Traful

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📌Província
Neuquén, dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, às margens do lago Traful, em um desvio da Rota dos Sete Lagos, entre Bariloche e Villa La Angostura.
📌Cidade de apoio
Villa Traful é uma vila bem pequena, com serviços básicos: alguns mercadinhos, restaurantes, posto de informações/guarda-parques e posto de gasolina (com horário limitado: vale abastecer e levar dinheiro vivo desde Bariloche ou Villa La Angostura). Nem sempre há caixa eletrônico funcionando.
📌Melhor época
Verão (dezembro a março) para o lago, o caiaque, a pesca e o trekking; outono (abril-maio) pelas cores dos bosques. A temporada de pesca patagônica vai de 1° de novembro a 1° de maio. O inverno é frio e muito tranquilo.
📌Dias sugeridos
1 a 2 dias. Dá para fazer um bate-volta desde Bariloche ou Villa La Angostura, mas dormir lá permite curtir o pôr do sol sobre o lago e a calmaria da vila.
📌Moeda
Peso argentino (ARS). A infraestrutura bancária é pouca ou nenhuma; vale levar dinheiro vivo. Muitos prestadores aceitam transferência. Por causa da inflação, os preços mudam rápido; confira na hora de viajar.
📌Como chegar
O mais prático é de carro: desde Villa La Angostura pela RP 65 (desvio da Rota dos Sete Lagos, ~1 a 1,5 h) ou desde Bariloche pela RN 40 e RP 65 (~1,5 a 2 h, uns 100 km), com trechos de cascalho. Também há excursões organizadas para quem não dirige.
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Villa Traful é uma pequena e tranquila vila de montanha às margens do lago Traful, escondida entre bosques e morros no coração do Parque Nacional Nahuel Huapi, na província de Neuquén. Longe do agito dos grandes centros turísticos, mantém o charme de um povoado de cabanas de madeira, ruas de terra e vida sossegada, cercado por uma paisagem de águas cristalinas e montanhas que fazem dela um dos cantos mais serenos e bonitos da região dos lagos.

O lago Traful, de um intenso tom azul-esverdeado, é a alma do lugar: ideal para a pesca esportiva (é famoso por suas trutas e pelos salmões landlocked, que vivem presos no lago), passeios de caiaque, navegação e contemplação. A vila é ponto de partida de ótimas caminhadas, como as que levam ao Mirador del Traful, ao cerro Negro ou à cachoeira do arroio Coa Co, e guarda curiosidades naturais como o Bosque Sumergido, troncos submersos no lago que podem ser vistos mergulhando.

Situada em um desvio da Rota dos Sete Lagos, Villa Traful é uma escapada perfeita para quem busca desconexão, natureza e tranquilidade. Dá para visitar em um bate-volta desde Bariloche ou Villa La Angostura, ou ficar para aproveitar a calmaria, o pôr do sol sobre o lago e o clima de um povoado onde o tempo ainda parece parar.

📖 História de Villa Traful

Villa Traful se formou como um pequeno povoado de moradores e pioneiros às margens do lago de mesmo nome, dentro do território do Parque Nacional Nahuel Huapi, criado na primeira metade do século XX. Seu nome, de origem mapuche, é associado à ideia de 'confluência' ou 'união de águas'. A versão completa está na página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Villa Traful fica em Neuquén

The province of volcanoes, lakes and the araucaria: Pehuenche and Mapuche land in northern Patagonia, world capital of the giant dinosaurs, heart of the Vaca Muerta shale and gateway to the Route of the Seven Lakes.

Ler a história de Neuquén →

🗺️ O que ver

Passeios por perto, em Villa La Angostura

Saem de Villa La Angostura, a 24 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.

1
Lago Traful
O lago de águas azul-esverdeadas que é o centro da vila, para pesca, caiaque e passeio.
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O lago Traful, de águas profundas e de um intenso tom azul-esverdeado, cercado de montanhas e bosque, é o grande protagonista da vila. É um dos lagos mais valorizados para a pesca esportiva na Patagônia, famoso por suas trutas e pela presença de salmões landlocked (que vivem presos em água doce). Também dá para fazer caiaque, SUP, navegação ou simplesmente curtir suas praias de seixos e o pôr do sol. A orla e os mirantes convidam à contemplação.
ℹ️ Na vila; pesca com licença provincial; navegação com prestadores locais
2
Mirador del Traful (Mirador del Viento)
Penhasco de 100 metros sobre o lago, a vista panorâmica mais famosa da região (balcão fechado).
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A uns 5-6 km da vila pela RP 65, o Mirador del Traful — também conhecido como Mirador del Viento por causa das rajadas que sobem pela parede rochosa e 'devolvem' qualquer objeto leve que seja jogado — fica no alto de um penhasco de uns 100 metros que despenca sobre o lago. A vista do azul profundo do Traful emoldurado pelos morros é o cartão-postal clássico do destino. Importante: a estrutura do balcão de madeira está fechada desde 2022 por risco de desmoronamento do penhasco (a administração de Parques Nacionales planeja realocá-lo), mas é possível chegar ao local pela estrada e curtir a vista a partir dos pontos seguros sinalizados, sem acessar o antigo mirante.
ℹ️ A 5-6 km da vila pela RP 65, acesso gratuito. O balcão original está fechado por risco de desmoronamento (verificado em julho de 2026); respeite as grades e aprecie a vista a partir dos setores liberados.
3
Cachoeira do arroio Coa Co e Cascada Las Mellizas
Quedas d'água no meio do bosque, acessíveis por trilhas curtas.
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Perto da vila, trilhas pelo bosque levam às cachoeiras do arroio Coa Co e às Cascadas de las Mellizas, quedas d'água que caem entre a vegetação em um ambiente fresco e sombreado. São caminhadas de dificuldade baixa a moderada, perfeitas para se conectar com a natureza patagônica e se refrescar no verão.
ℹ️ Trilhas sinalizadas a partir da vila; recomenda-se calçado de trekking
4
Bosque Sumergido (mergulho)
Troncos de árvores submersos no lago, visíveis em mergulho, uma raridade natural.
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Uma das curiosidades mais singulares do lago Traful é o Bosque Sumergido: um conjunto de troncos de ciprestes que, depois de um deslizamento de terra, ficaram submersos em posição vertical sob as águas do lago. Dá para observá-los mergulhando (com operadores autorizados), em uma experiência pouco comum de floresta subaquática na Patagônia. É uma atração para mergulhadores e amantes de raridades naturais.
ℹ️ Mergulho com operadores autorizados; água fria, equipamento adequado
5
Cerro Negro e trilhas de montanha
Trekking de montanha com vistas amplas do vale e dos lagos.
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Para quem curte trekking, de Villa Traful saem caminhadas mais puxadas, como a subida ao cerro Negro e outras trilhas de montanha que oferecem vistas amplas do vale, do lago e da cordilheira. São percursos de meio dia ou dia inteiro, que convém fazer com tempo bom e, em alguns casos, com registro junto aos guarda-parques.
ℹ️ Trilhas de montanha; consulte as condições e faça o registro com Parques/Informações. Acesso livre.
6
Rota dos Sete Lagos (trecho e desvio)
Villa Traful como parada de uma das estradas cênicas mais famosas da Patagônia.
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Villa Traful fica em um desvio da famosa Rota dos Sete Lagos, o corredor cênico da RN 40 que liga San Martín de los Andes a Villa La Angostura atravessando lagos, bosques e mirantes. Chegar ou sair da vila por essa estrada já é, por si só, uma atração: o trecho combina asfalto e cascalho em meio a paisagens de montanha, com mirantes como os do lago Espejo e do lago Correntoso na região. O ideal é combinar a visita a Traful com um roteiro pelos lagos vizinhos.
ℹ️ Acesso livre; o desvio para Traful (RP 65) tem trechos de cascalho. Melhor da primavera ao outono; no inverno, confira as condições da estrada por causa da neve.
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Permiso de pesca deportiva (temporada 2025-2026, reglamento patagónico unificado)Residentes argentinos: temporada $40.000 ARS; 10 dias $20.000 ARS; diária $10.000 ARS. Estrangeiros não residentes (como turistas brasileiros): diária $50.000; 10 dias $140.000; temporada $280.000. Grátis para aposentados, maiores de 65, menores de 12 e pessoas com deficiência (fonte: cazaypesca.neuquen.gob.ar / reglamentodepesca.org.ar, temporada de 1° de novembro de 2025 a 1° de maio de 2026, verificado em julho de 2026). É continental (válida em Neuquén, Río Negro, Chubut e nos parques nacionais)
Buceo al Bosque Sumergido (excursión)US$ 40–70 aprox. por pessoa com equipamento e guia (faixa segundo operadores de mergulho locais, verificado em julho de 2026)
Alquiler de kayak / SUPUS$ 12–25 aprox. por hora/meio dia (faixa segundo prestadores locais, verificado em julho de 2026)
Senderos, miradores y cascadasGrátis (acesso livre dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Pesca esportiva no lago Traful
DuraçãoVariável
OperadoraGuias de pesca autorizados (com licença patagônica)
Preço
Licença para residentes de $20.000 (10 dias) a $40.000 ARS (temporada); estrangeiros de $50.000 a diária a $280.000 a temporada (fonte: cazaypesca.neuquen.gob.ar / reglamentodepesca.org.ar, verificado em julho de 2026); guia de pesca US$ 40–80 por dia (faixa segundo guias locais, verificado em julho de 2026)
Mergulho no Bosque Sumergido
DuraçãoMeio dia
OperadoraOperadores de mergulho autorizados
Preço
US$ 40–70 por pessoa (faixa segundo operadores de mergulho locais, verificado em julho de 2026)
Caiaque e SUP no lago
Duração1-3 h
OperadoraPrestadores locais
Preço
US$ 12–25 por hora/meio dia (faixa segundo prestadores locais, verificado em julho de 2026)
Trekking (Mirador, cachoeiras, cerro Negro)
Duração1 h a dia inteiro
OperadoraPor conta própria / guias locais
Preço
Autoguiado grátis; com guia US$ 20–40 por pessoa (faixa segundo guias locais, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Carro próprio ou alugado
DuraçãoVariável
Preço
Só combustível, gasolina super aprox. $1.200–1.400 ARS por litro na região patagônica (faixa segundo postos de gasolina locais, verificado em julho de 2026)
Observações
Quase indispensável; a vila fica em um desvio da Rota dos Sete Lagos, com trechos de cascalho. Abasteça antes de chegar.
Excursão desde Bariloche / Villa La Angostura
DuraçãoDia inteiro
Preço
US$ 30–60 por pessoa (faixa segundo agências de Bariloche/Villa La Angostura, verificado em julho de 2026)
Observações
Opção para quem não está de carro; costuma ser combinada com a Rota dos Sete Lagos.
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

Villa La Angostura → Villa Traful (RP 65, desvio da Rota dos Sete Lagos)
Companhias aéreas / empresasCarro; excursão
DuraçãoAprox. 1 a 1,5 h
Preço médio
De excursão US$ 30–55 por pessoa (faixa segundo agências locais, verificado em julho de 2026)
Bariloche → Villa Traful (RN 40 e RP 65)
Companhias aéreas / empresasCarro; excursão
DuraçãoAprox. 1,5 a 2 h (uns 100 km)
Preço médio
De excursão US$ 35–60 por pessoa (faixa segundo agências de Bariloche, verificado em julho de 2026)
San Martín de los Andes → Villa Traful (Sete Lagos)
Companhias aéreas / empresasCarro; excursão
DuraçãoAprox. 2 a 2,5 h
Preço médio
De excursão combinada com a Rota dos Sete Lagos US$ 35–65 por pessoa (faixa segundo agências locais, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Campings e hospedagens econômicas
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Campings às margens do lago e na vila: US$ 15–25 por pessoa/noite conforme a localização (faixa segundo campings locais, verificado em julho de 2026). Opção clássica para ficar perto da água
Cabanas e pousadas de montanha
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Cabanas e pousadas de categoria intermediária: média de $90.000 ARS/noite, com oferta geral entre $200.000 e $400.000 ARS conforme o tamanho e a temporada (fonte: Rio Negro Post/LM Neuquén, verificado em julho de 2026). É a principal oferta da vila, muitas com vista para o lago ou para o bosque
Lodges e cabanas de alto padrão com charme
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Lodges e cabanas premium com vista para o lago: Ruca Lico a partir de US$ 200/noite (loft) até US$ 300/noite (cabanas familiares com piscina, caiaque incluído) (fonte: rucalicotraful.com, verificado em julho de 2026)

🍴 Onde comer

Cocina patagónica
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Restaurantes de truta, cordeiro patagônico e defumados na vila: prato principal US$ 12–25 (faixa segundo restaurantes locais, verificado em julho de 2026)
Casas de té y comida casera
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Casas de chá, confeitarias e restaurantes familiares: lanche da tarde ou prato caseiro US$ 5–12 (faixa segundo casas de chá locais, verificado em julho de 2026)
Picadas y productos regionales
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Tábuas patagônicas, doces, queijos e defumados da região: tábua para compartilhar US$ 15–30 (faixa segundo comércios locais, verificado em julho de 2026)

📖 História de Villa Traful

Origem, formação e o que dizem as fontes.

O nome e os primeiros moradores

Sob as águas azul-profundo do lago Traful há uma floresta inteira ainda de pé, com seus ciprestes eretos a vários metros de profundidade; na superfície, uma aldeia de apenas algumas centenas de habitantes que os viajantes descrevem como 'o povoado onde o tempo parou'. Villa Traful deve seu nome ao lago em cujas margens está situada: o topônimo Traful é de origem mapuche e costuma ser associado à ideia de 'confluência' ou 'união de águas', em referência à conexão hídrica da região, onde o lago Traful faz parte do sistema de bacias que deságuam no rio Limay e na rede de lagos do Nahuel Huapi.

Antes da chegada dos colonos, a região era território de povos originários de raiz mapuche-tehuelche, que percorriam esses vales e bosques aproveitando seus recursos. Depois das campanhas militares do fim do século XIX e da incorporação da Patagônia ao Estado argentino, as terras foram abertas à ocupação, e começaram a se instalar moradores dedicados à pecuária, à exploração da floresta e, mais tarde, ao turismo que dava seus primeiros passos.

O povoamento de Villa Traful foi lento e em pequena escala, marcado pela distância e pela dificuldade de acesso. Foi se formando como um povoado disperso de moradores e pioneiros às margens do lago, num cenário de montanha e floresta, que com o tempo daria origem à pequena vila de cabanas de madeira que se conhece hoje.

Dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi

O destino de Villa Traful ficou ligado à criação do Parque Nacional Nahuel Huapi, o primeiro da Argentina, cujas origens remontam à doação de terras do perito Francisco P. Moreno e à sua consolidação na primeira metade do século XX. O vasto território do parque, que abrange lagos, florestas e montanhas dos dois lados da divisa entre Río Negro e Neuquén, incluiu a região do lago Traful.

Fazer parte do parque nacional condicionou o desenvolvimento da vila, que cresceu de forma regulada e manteve um caráter de baixo impacto, com construções de madeira, ruas de terra e uma forte presença da natureza. A Administração de Parques Nacionais e os guarda-parques regulamentaram as atividades, o uso do lago e as trilhas, preservando o ambiente natural.

Essa proteção ajudou Villa Traful a manter sua atmosfera tranquila e pouco massificada, em contraste com os grandes centros turísticos vizinhos, como Bariloche ou Villa La Angostura. O lago Traful, com sua famosa pesca e suas águas cristalinas, e as florestas ao redor foram preservados como uma das grandes atrações do parque, integrados ao circuito da Rota dos Sete Lagos por meio de um desvio.

O Bosque Submerso: uma marca geológica

Uma das páginas mais curiosas da história natural do lago Traful é a do Bosque Submerso. Sob as águas do lago, em posição vertical, estão preservados os troncos de uma floresta de ciprestes que afundou em consequência de um movimento de terra. Ele é atribuído a um deslizamento ou desmoronamento da encosta — ligado, segundo as interpretações, à atividade sísmica da região andina — que arrastou parte da floresta para o lago, onde as baixas temperaturas e a profundidade ajudaram a preservar a madeira.

O resultado é um fenômeno pouco comum: árvores inteiras, ainda de pé, submersas a vários metros de profundidade, que hoje podem ser observadas em mergulhos. Além do seu atrativo turístico, o Bosque Submerso é um testemunho da dinâmica geológica dos Andes patagônicos, uma região jovem e ativa onde terremotos, glaciações e deslizamentos moldaram constantemente a paisagem de lagos e montanhas.

Essa característica singular transformou o lago Traful num lugar de interesse tanto para os amantes de raridades naturais quanto para quem busca entender a história profunda do território.

A origem do Bosque Submerso é associada a um deslizamento de encosta provocado por atividade sísmica, embora os detalhes sobre sua datação e sua mecânica exata venham de observações locais e da divulgação turística, e não de um consenso científico fechado.

De povoado isolado a refúgio de tranquilidade

Durante boa parte do século XX, Villa Traful continuou sendo um canto isolado e de difícil acesso, habitado por poucas famílias de moradores dedicados à pecuária e à vida rural de montanha. A melhoria gradual das estradas — em especial a consolidação do corredor da Rota dos Sete Lagos e do seu desvio rumo ao lago Traful — foi aproximando o povoado dos circuitos turísticos da região dos lagos.

Ao contrário de Bariloche ou Villa La Angostura, que cresceram como centros turísticos de massa, Villa Traful manteve de propósito sua escala mínima e seu jeito tranquilo, em parte por estar dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, que limita o desenvolvimento, e em parte pela vontade de manter um perfil de baixo impacto. Suas cabanas de madeira, suas ruas de terra e sua pequena população dão ao lugar um ar de vilarejo parado no tempo.

Hoje Villa Traful se consolidou como destino para quem busca justamente isso: desconexão, natureza e silêncio. Famosa pela pesca esportiva, pelo caiaque, pelo trekking, pelos pores do sol sobre o lago e por curiosidades como o Bosque Submerso, é um passeio que contrasta com o agito dos grandes centros, fiel à sua identidade de refúgio sereno no coração da Patagônia dos lagos.

Os Livio, os Paichil e a fundação de 1936

No fim do século XIX e no começo do XX chegaram às margens do lago Traful os primeiros moradores fixos da região: famílias de raiz mapuche, como os Paichil, e colonos de outras origens, entre eles os Livio, reconhecidos como pioneiros fundadores da vila. Eles se dedicavam à criação de gado e ao cultivo de pequenas chácaras num território tão bonito quanto isolado, onde o inverno fechava as estradas e cada viagem até Bariloche ou San Martín de los Andes podia levar dias.

Nesses primeiros anos, alguns dos donos de terras ao redor do lago foram colonos de origem alemã, atraídos pela qualidade da pesca de trutas e salmões e pela ideia de uma segunda casa em contato pleno com a natureza, longe do agito. Essa mistura de moradores rurais e pioneiros de fim de semana marcou o caráter misto que Villa Traful manteria por décadas.

O marco da fundação chegou em 30 de novembro de 1936, quando uma resolução da Administração de Parques Nacionais autorizou formalmente o loteamento das terras e a criação da vila: foram colocados à venda 144 hectares divididos em 40 lotes, rapidamente comprados por pioneiros argentinos e, em grande parte, por imigrantes europeus que já pressentiam o futuro turístico do lugar. Dois anos antes, em 1934, graças ao esforço dos próprios moradores e ao apoio do Consejo Nacional de Educación, tinha sido erguida a primeira escola do lugarejo, construída inteiramente com troncos, cujas instalações ainda podem ser vistas hoje como testemunho daqueles primeiros tempos.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Villa Traful»: https://es.wikipedia.org/wiki/Villa_Traful
  • Wikipedia (ES) — «Lago Traful»: https://es.wikipedia.org/wiki/Lago_Traful
  • Administración de Parques Nacionales — Parque Nacional Nahuel Huapi: https://www.argentina.gob.ar/parquesnacionales/nahuelhuapi
  • Wikipedia (ES) — «Ruta Nacional 40 (Argentina)»: https://es.wikipedia.org/wiki/Ruta_Nacional_40_(Argentina)
  • Wikipedia (ES) — «Francisco Pascasio Moreno»: https://es.wikipedia.org/wiki/Francisco_Pascasio_Moreno
  • Interpatagonia — Villa Traful: https://www.interpatagonia.com/villatraful/
  • Neuquén Turismo (site oficial da província): https://web.archive.org/web/20240526064952/https://neuquentur.gob.ar/
  • Caza y Pesca de Neuquén — Reglamento y permisos: https://cazaypesca.neuquen.gob.ar/
  • La Angostura Digital (archivo) — «Villa Traful y su historia, al cumplirse 84 años de su fundación»: https://www.archivo.laangosturadigital.com.ar/historia/villa-traful-y-su-historia-al-cumplirse-84-anos-de-su-fundacion
  • Diario Andino — «Historia de pobladores: Los Livio de Villa Traful»: https://www.diarioandino.com.ar/noticias/2021/05/09/219263-historia-de-pobladores-los-livio-de-villa-traful

❓ Perguntas frequentes

Onde fica Villa Traful?+
Na província de Neuquén, dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, às margens do lago Traful, em um desvio da Rota dos Sete Lagos, entre Bariloche e Villa La Angostura.
O que é o Bosque Sumergido?+
É um conjunto de troncos de ciprestes que ficaram submersos em posição vertical sob as águas do lago Traful depois de um deslizamento de terra. Dá para observá-los mergulhando com operadores autorizados, uma raridade natural única na região.
Dá para pescar no lago Traful?+
Sim, é um dos lagos mais famosos para a pesca esportiva na Patagônia, conhecido por suas trutas e pela presença de salmões landlocked. É preciso ter licença provincial, e vale sair com guias autorizados.
Dá para visitar em um bate-volta?+
Sim, muita gente faz bate-volta desde Bariloche ou Villa La Angostura. Mas o maior encanto da vila é a tranquilidade, então dormir lá permite curtir o pôr do sol sobre o lago e o ritmo sem pressa do povoado.
Que caminhadas dá para fazer?+
Da vila saem trilhas para as cachoeiras do arroio Coa Co e de las Mellizas (caminhadas curtas), o passeio pela RP 65 até o setor do Mirador del Traful (o balcão original está fechado por risco de desmoronamento, mas a vista pode ser apreciada a partir dos pontos liberados) e, para os mais preparados, a subida ao cerro Negro e outras trilhas de montanha com vistas amplas. Todas as trilhas dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi têm acesso livre e gratuito.
Quanto custa a licença de pesca?+
Na temporada 2025-2026 (1° de novembro a 1° de maio), a licença patagônica unificada custa, para residentes argentinos, $40.000 ARS a temporada completa, $20.000 a de 10 dias e $10.000 a diária; estrangeiros não residentes, como turistas brasileiros, pagam $50.000 a diária, $140.000 a de 10 dias e $280.000 a temporada. É continental: vale também em Río Negro, Chubut e nos parques nacionais. Aposentados, maiores de 65 e menores de 12 não pagam. A compra é online pelo site de Caza y Pesca de Neuquén ou em comércios autorizados. Confira o valor na hora de viajar: os preços de 2026/27 são publicados por volta de outubro.

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