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Aconcágua
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Aconcágua

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📌Província
Mendoza. O Parque Provincial Aconcagua protege a montanha mais alta da América (~6.961 m), na alta Cordilheira dos Andes, na RN7, a cerca de 185 km da cidade de Mendoza, perto da fronteira com o Chile
📌Cidade de apoio
A cidade de Mendoza é a base logística (aeroporto, permissões, guias, agências). Penitentes, Puente del Inca, Uspallata e Los Penitentes são os pontos de apoio mais próximos na RN7
📌Melhor época
Temporada de verão de 1º de novembro a 30 de abril (confira as datas oficiais). O verão (dezembro a fevereiro) é o período clássico para expedições e trekkings; fora da temporada, o parque tem restrições
📌Dias sugeridos
Passeio de dia inteiro (mirante e Laguna de Horcones) saindo de Mendoza; trekking curto de 3 dias; trekking longo de 7 dias; expedição ao cume de ~20 dias (com permissão, guias e aclimatação)
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O Aconcágua é o teto da América: com cerca de 6.961 metros de altitude, é a montanha mais alta do continente e de todo o hemisfério ocidental e sul, o ponto culminante da Cordilheira dos Andes. Ele se ergue no oeste da província de Mendoza, dentro do Parque Provincial Aconcagua, às margens da mítica Ruta Nacional 7, que cruza para o Chile, e é um dos grandes objetivos do montanhismo mundial.

Mas o Aconcágua não é só para escaladores. O parque oferece experiências para todos os níveis: desde a caminhada tranquila até o mirante e a Laguna de Horcones — acessível num passeio de dia inteiro saindo de Mendoza, sem precisar ser montanhista —, passando por trekkings de vários dias até os acampamentos de Confluencia e Plaza de Mulas, até a grande expedição ao cume, reservada para quem tem experiência, preparo e permissão.

Seu atrativo combina uma natureza descomunal com uma história épica do montanhismo: a primeira ascensão registrada, em 1897, foi uma façanha solitária do guia suíço Matthias Zurbriggen. Desde então, milhares de montanhistas do mundo todo chegam a cada verão para tentar o colosso. Subir — ou simplesmente chegar perto para contemplá-lo — é viver de perto a imensidão dos Andes. O acesso exige permissões oficiais da província de Mendoza e, para o cume, um seguro especial obrigatório.

📖 História de Aconcágua

O Aconcágua, a montanha mais alta da América (~6.961 m), foi durante milênios um colosso intocado da alta cordilheira. Sua primeira ascensão registrada aconteceu em 14 de janeiro de 1897, quando o guia suíço Matthias Zurbriggen, integrante da expedição do explorador inglês Edward FitzGerald, chegou sozinho ao topo pelo que hoje é a via normal. Desde então, a montanha se tornou um dos grandes objetivos do montanhismo andino mundial. No século XX, a província de Mendoza criou o Parque Provincial Aconcagua para proteger a área e regular o acesso, com um sistema de permissões, controles médicos e acampamentos. A história completa, com as teorias sobre a altitude exata, está na nossa página de história.

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🏛️ Aconcágua fica em Mendoza

The land of sun and good wine: a Huarpe oasis at the foot of Aconcagua, cradle of San Martín's Army of the Andes, rebuilt after the 1861 earthquake and turned into the world capital of Malbec and the high mountains.

Ler a história de Mendoza →

🗺️ O que ver

Passeios por perto, em Mendoza Capital

Um guia que mora no lugar conta em meia hora o que nenhuma placa explica. Nós buscamos na Civitatis: com guia em espanhol e reserva online sem complicação. Em Mendoza Capital eles têm 17 passeios. E aqui tem free tours: você reserva sem pagar nada e no final dá ao guia o que achar justo, então experimentar não custa nada. Aqui embaixo deixo três para você ver do que se trata: toque em qualquer uma e abrem todas.

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Mirante do Aconcágua e Laguna de Horcones
O ponto acessível por excelência: uma caminhada curta e fácil desde a entrada do parque (a cerca de 2.800 m) até a Laguna de Horcones, com vistas espetaculares da face sul do Aconcágua. Ideal no passeio de dia inteiro saindo de Mendoza, sem ser montanhista.
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Se você nunca se imaginou "ao pé" do teto da América sem ser montanhista, este é o seu lugar. O centro de visitantes de Horcones, na entrada do Parque Provincial Aconcagua, fica a cerca de 2.900 metros de altitude, e dali sai a única trilha realmente indicada para todos os públicos: um percurso tranquilo e bem sinalizado que, em cerca de uma hora e meia (ida e volta, sem pressa), leva até a Laguna de Horcones, uma lagoinha de águas calmas que reflete — quando o vento dá uma trégua — a imponente parede sul do Aconcágua com suas geleiras suspensas. É o cartão-postal clássico da montanha e a foto que todo mundo quer levar. A caminhada é de baixíssima dificuldade: terreno quase plano, pensado para famílias, crianças e idosos. Mesmo assim, você está a quase 3.000 metros, então vale ir devagar, se hidratar e não subestimar o sol de altitude nem o vento, que pode apertar a qualquer hora do dia. A paisagem é puro semideserto de alta montanha: tons ocre, amarelos e avermelhados, o rio Horcones serpenteando e, ao fundo, a massa branca e cinza do colosso. Vale a pena chegar até a ponte sobre o rio e ficar um tempo no mirante para o panorama se ajeitar entre as nuvens. Saindo da cidade de Mendoza, o acesso é pela RN7 em direção ao Chile, cerca de 185 quilômetros (3 a 4 horas de estrada de montanha). O jeito mais cômodo e popular é entrar no passeio de Alta Montanha, que combina Potrerillos, Uspallata, Puente del Inca e a parada em Horcones num só dia inteiro, sem você precisar dirigir. Para fazer esse passeio, você só precisa do ingresso de entrada por um dia (sem acampamento), que é feito de forma virtual; não precisa de permissão de trekking nem de experiência prévia. A melhor época para o mirante é a temporada de verão (de novembro a abril), com o verão e as meias-estações de primavera e outono como os momentos de clima mais ameno. A trilha costuma ficar aberta o ano todo, dependendo das condições, mas no inverno o frio, a neve e os possíveis fechamentos da passagem para o Chile complicam o acesso. Algumas dicas: saia cedo para fugir do vento da tarde, leve protetor solar, óculos de sol, boné e agasalho (mesmo com sol, a sensação térmica cai assim que nubla) e reserve um tempo para combinar a visita com Puente del Inca, a poucos quilômetros na mesma estrada.
ℹ️ Altitude do acesso: ~2.900 m (centro de visitantes Horcones) · Duração da trilha: ~1 h 30 min ida e volta · Dificuldade: Baixa, indicada para todos os públicos · Permissão: Ingresso de entrada por um dia (virtual)
2
O cume do Aconcágua (~6.961 m)
O grande objetivo do montanhismo andino: o ponto mais alto da América. A subida pela via normal exige experiência, aclimatação, vários dias, permissão oficial, seguro especial e, de preferência, guias credenciados. Não é uma escalada técnica, mas a altitude extrema a torna muito exigente.
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O cume do Aconcágua, a cerca de 6.961 metros, é o ponto mais alto da América e de todo o hemisfério sul e ocidental, e um dos cobiçados "Sete Cumes" (o pico mais alto de cada continente). Não é uma parede vertical nem uma escalada técnica: pela via normal não é preciso dominar gelo nem rocha. O que o transforma num desafio enorme é a altitude extrema, o frio, o vento branco e a necessidade de uma aclimatação paciente. Subir o colosso é uma expedição de verdade, não um trekking longo, e exige preparo físico, cabeça fria e respeito absoluto pela montanha. A expedição clássica dura cerca de 20 dias no total (em geral entre 18 e 21), quase todos dedicados à aclimatação: subir, dormir no alto, descer para se recuperar e voltar a subir, no famoso esquema de "sobe e desce" que o corpo precisa para fabricar glóbulos vermelhos e tolerar a falta de oxigênio. O dia de cume é longo e duríssimo, muitas vezes de doze horas ou mais, começando de madrugada para chegar ao topo e voltar ao acampamento antes que o tempo mude. O mal de altitude, a desidratação e os congelamentos são riscos reais: a cada temporada há resgates e, infelizmente, também acidentes fatais. Para tentar, você precisa obrigatoriamente da permissão oficial de ascensão da província de Mendoza, que é feita presencialmente na cidade de Mendoza (as permissões de vários dias não são emitidas na entrada do parque). Também é obrigatório ter um seguro especial de resgate e assistência médica em altitude: sem esse seguro, a permissão não é concedida. Além disso, há controles médicos na entrada e no acampamento base. A grande maioria dos montanhistas contrata uma empresa de expedições credenciada, que cuida da logística, das mulas para o equipamento, dos carregadores, das barracas e dos guias; é a opção mais segura e a mais recomendada, principalmente se for o seu primeiro "seis mil". A única janela possível é o verão austral: a temporada de ascensões vai aproximadamente de dezembro a março, com janeiro e fevereiro como os meses mais procurados pelo clima relativamente mais ameno em altitude. Ainda assim, o Aconcágua tem fama de ventos brutais e tempestades repentinas, e muitas tentativas fracassam não pela altitude, mas pelo tempo. Segundo as fontes, a taxa de sucesso gira em torno de metade de quem tenta. Alguns conselhos básicos: encare com experiência prévia em altitude, treine meses antes, não economize na aclimatação, siga as orientações dos guias e dos médicos do parque e tenha sempre em mente que o cume é opcional e voltar é obrigatório.
ℹ️ Altitude: ~6.961 m (teto da América) · Duração da expedição: ~18 a 21 dias · Dificuldade: Muito exigente pela altitude (via normal, não técnica) · Requisitos: Permissão oficial + seguro de resgate obrigatório
3
Acampamento Confluencia
Primeiro acampamento do trekking (a cerca de 3.400 m), acessível com permissão de trekking curto. Ponto de aclimatação e base para a caminhada até Plaza Francia, com vista para a imponente parede sul.
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Confluencia, a cerca de 3.400 metros de altitude, é a primeira parada de quem entra a pé no coração do parque. O nome vem da união dos rios Horcones Inferior e Superior exatamente nesse ponto, e ele funciona como o acampamento de transição entre a entrada acessível de Horcones e o mundo de alta montanha que se abre mais acima. É o lugar onde o corpo começa de verdade a entrar em contato com a altitude, e por isso é fundamental tanto para os trekkers quanto para os montanhistas que seguem rumo ao cume: quase todos passam pelo menos uma ou duas noites aqui para aclimatar antes de continuar. Chegar a Confluencia saindo de Horcones leva em geral entre 4 e 5 horas de caminhada por uma trilha que vai ganhando altitude aos poucos, seguindo o vale do rio. Não é técnica, mas exige estar em forma e ir no seu tempo; o prêmio é ir entrando num anfiteatro de montanhas cada vez mais imponente. No acampamento há serviços das empresas credenciadas — barracas-refeitório, banheiros, assistência —, e ele é a base natural para a caminhada estrela da região: o trekking de um dia até Plaza Francia, ao pé da colossal parede sul do Aconcágua. Para pernoitar em Confluencia, você precisa da permissão de trekking curto (de 3 dias) ou, se for seguir mais acima, da de trekking longo ou de ascensão, todas emitidas presencialmente em Mendoza. Vale lembrar que o trekking curto não é um simples passeio: você caminha a quase 3.500 metros, com sol forte, vento e noites frias mesmo em pleno verão. O ideal é chegar já com algum condicionamento físico e subir devagar. A temporada em Confluencia coincide com a do parque, de novembro a abril, sendo o verão a época de clima mais confiável. Dicas práticas: hidrate-se muito (a altitude e o ar seco desidratam mais do que parece), leve obrigatoriamente roupa de frio e proteção solar de montanha e aproveite a noite em altitude para aclimatar antes do dia em Plaza Francia, que sai cedo e volta para o mesmo acampamento.
ℹ️ Altitude: ~3.400 m · Acesso: ~4 a 5 h de caminhada desde Horcones · Permissão: Trekking curto (3 dias) ou superior · Função: Aclimatação e base para Plaza Francia
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Plaza de Mulas (acampamento base da via normal)
O acampamento base da rota normal (cerca de 4.300 m), um dos maiores acampamentos de altitude do mundo, destino do trekking longo de 7 dias e ponto de partida para a subida ao cume.
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Plaza de Mulas, a cerca de 4.300 metros de altitude, é o acampamento base da via normal do Aconcágua e um dos maiores acampamentos de altitude do planeta. Em plena temporada, vira uma pequena cidade de barracas coloridas onde convivem montanhistas do mundo todo, guias, carregadores, médicos do parque e arrieiros com suas mulas. É o destino do trekking longo — para muitos, a grande experiência sem precisar ir ao cume — e, ao mesmo tempo, o ponto de partida da subida ao teto da América. Estar ali, com o colosso despontando lá em cima, já é uma aventura por si só. Chegar a Plaza de Mulas exige vários dias de caminhada. Saindo de Puente del Inca (a cerca de 2.700 m), são aproximadamente 36 quilômetros de trilha com cerca de 1.500 metros de desnível acumulado, em geral divididos em duas ou três jornadas, com pernoite em Confluencia para aclimatar. O trekking longo de 7 dias prevê justamente esse ritmo tranquilo de subida, dias de descanso e aclimatação, e a volta. No acampamento base há serviços das empresas de montanha (refeitórios, banheiros, comunicação) e até atendimento médico do parque, que avalia quem segue para cima. Para pernoitar aqui você precisa da permissão de trekking longo (7 dias) ou da de ascensão, ambas emitidas presencialmente em Mendoza, e — para trekking longo e ascensão — o seguro de resgate e assistência médica é obrigatório (com algumas exceções pontuais para montanhistas argentinos em certas datas; vale conferir as regras vigentes). O equipamento pesado costuma subir em mulas contratadas com as empresas credenciadas, o que alivia muito a caminhada. A época é a temporada de verão, de novembro a abril, com o verão como momento ideal. A 4.300 metros o clima é sério: frio intenso à noite, sol escaldante de dia, vento e ar muito rarefeito. Dicas: suba devagar respeitando os dias de aclimatação, hidrate-se o tempo todo, proteja-se do sol (a neve e a altitude intensificam a radiação) e, se o seu plano terminar aqui, aproveite o lugar sem pressão: ver o acampamento base em movimento e a parede do Aconcágua de perto é uma lembrança que, por si só, justifica os dias de caminhada.
ℹ️ Altitude: ~4.300 m · Distância desde Puente del Inca: ~36 km, ~1.500 m de desnível · Permissão: Trekking longo (7 dias) ou ascensão · Função: Acampamento base da via normal
5
Plaza Francia e a parede sul
Mirante do trekking que leva ao pé da colossal parede sul do Aconcágua, uma das grandes paredes de gelo e rocha do mundo. Uma caminhada de altitude para quem faz o trekking de vários dias.
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Plaza Francia, a cerca de 4.200 metros, é o mirante natural de onde se contempla de frente a lendária parede sul do Aconcágua, uma das grandes paredes de gelo e rocha do montanhismo mundial. Com cerca de 3.000 metros de desnível vertical, essa face é uma das muralhas mais imponentes dos Andes, cortada por geleiras suspensas e vias de escalada de dificuldade máxima. Para quem faz o trekking curto, chegar ao mirante da parede sul é o grande objetivo da viagem: não se sobe ao cume, mas se fica cara a cara com o lado mais brutal e espetacular do colosso. A caminhada sai de Confluencia (a cerca de 3.400 m) e ocupa um dia inteiro: cerca de 7 horas de caminhada entre ida e volta, seguindo uma trilha sinalizada que margeia a geleira Horcones Inferior. Poucos minutos depois da saída, a geleira já aparece acompanhando o percurso e, pouco a pouco, a parede sul vai crescendo até tomar todo o horizonte. O mirante da parede fica a cerca de 4.100 metros e, dali, dá para seguir mais uma hora, aproximadamente, até Plaza Francia propriamente dita, a cerca de 4.200 metros. É um trekking de altitude, exigente pelo desnível e pela falta de oxigênio, mas sem trechos técnicos. Ele é feito dentro do trekking curto de 3 dias, com base em Confluencia, então você precisa da permissão de trekking correspondente (emitida em Mendoza), e o ideal é ter passado pelo menos uma noite aclimatando antes de encarar. Não é uma caminhada para improvisar: você está a mais de 4.000 metros, longe de qualquer serviço, e o tempo pode mudar rápido. A temporada é a de verão do parque (novembro a abril), com o verão como melhor momento. Saia cedo de Confluencia para ter margem diante do vento e das mudanças de tempo à tarde, leve água de sobra, agasalho, proteção solar forte e algum lanche energético. O esforço compensa de sobra: poucos cartões-postais dos Andes se comparam à parede sul do Aconcágua vista do seu próprio pé.
ℹ️ Altitude: ~4.200 m (mirante da parede ~4.100 m) · Duração: ~7 h ida e volta desde Confluencia · Parede sul: ~3.000 m de desnível vertical · Permissão: Trekking curto (3 dias)
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A via normal e seus marcos
O caminho clássico até o cume, com suas estações lendárias: Plaza Canadá, Nido de Cóndores (~5.250 m), Berlín, Independencia, La Canaleta e o cume. Cada nome faz parte da história do montanhismo andino.
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A via normal é o caminho clássico até o cume do Aconcágua e o preferido dos montanhistas, porque não tem obstáculos técnicos de escalada em rocha ou gelo: o que põe à prova é a altitude, o frio e a resistência. Apesar do nome, ela percorre a face noroeste da montanha. Começa no acampamento base Plaza de Mulas (~4.300 m) e vai subindo por uma sequência de estações cujos nomes fazem parte da mitologia do montanhismo argentino e mundial. Percorrê-la, nem que seja na imaginação, é entender por que o Aconcágua é um objetivo de vida para tanta gente. Os principais marcos se encadeiam assim: de Plaza de Mulas, passa-se por El Semáforo e pelas Piedras Conway até Plaza Canadá (cerca de 5.050 m), o primeiro acampamento de altitude. Mais acima aparecem Cambio de Pendiente e o Nido de Cóndores (entre 5.250 e 5.550 m, dependendo da fonte), um amplo platô com vistas enormes e um dos acampamentos mais usados. Depois vêm Berlín (por volta de 5.800 a 5.930 m), com seus refúgios históricos, e então Piedras Blancas, Piedras Negras e Independencia, marco lendário rumo ao topo. A parte final combina o Portezuelo de los Vientos, a Gran Travesía e La Canaleta — um trecho íngreme de pedra solta que é o último grande esforço — antes de pisar no cume, a cerca de 6.961 metros. Os montanhistas costumam montar dois ou três acampamentos de altitude (Canadá, Nido de Cóndores e/ou Berlín) e vão levando material em etapas, dormindo cada vez mais alto para aclimatar. Tudo isso acontece dentro da expedição de ascensão de cerca de 20 dias, com permissão oficial de Mendoza (presencial), seguro de resgate obrigatório e controles médicos. Não é um percurso para improvisar: a maioria vai com empresa credenciada e guias, que conhecem os tempos, o clima e os sinais do mal de altitude. A janela é o verão austral, de dezembro a março, com janeiro e fevereiro como os meses preferidos. Ainda assim, os ventos do Aconcágua são temidos e muitos cumes fracassam por causa do tempo. Se um dia você encarar a via normal, o básico é claro: experiência prévia em altitude, aclimatação sem atalhos, ritmo lento e constante, hidratação permanente e a humildade de dar meia-volta se a montanha não deixar. Cada um desses nomes — Canadá, Nido de Cóndores, Berlín, Independencia, La Canaleta — se conquista passo a passo.
ℹ️ Início: Plaza de Mulas (~4.300 m) · Marcos: Plaza Canadá ~5.050 m · Nido de Cóndores ~5.250 m · Berlín ~5.800 m · Característica: Não técnica, exigente pela altitude (face noroeste) · Melhor época: Dezembro a março (verão austral)
7
Paisagem de alta montanha na RN7
O entorno do parque, na Ruta 7 em direção ao Chile, com desfiladeiros, geleiras e a imensidão dos Andes, parte do clássico passeio de Alta Montanha saindo de Mendoza.
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Além da montanha em si, a viagem ao Aconcagua já é um espetáculo por si só: a Ruta Nacional 7, que sobe em direção ao Chile, atravessa um dos corredores de alta montanha mais impressionantes da Argentina. É a espinha dorsal do clássico passeio de Alta Montanha que sai de Mendoza, um dia inteiro em que se encadeiam quebradas de cores incríveis, rios de degelo, geleiras suspensas e a imensidão nua dos Andes, com o Aconcagua como grande pano de fundo. Mesmo que você não ponha os pés no parque, o caminho já vale a viagem. Saindo da capital, Mendoza, a estrada vai deixando para trás pontos imperdíveis à medida que ganha altitude: o dique e a represa de Potrerillos, o povoado de Uspallata (a uns 120 km de Mendoza), Los Penitentes, com suas formações rochosas que parecem monges em procissão, e Puente del Inca, a famosa ponte natural tingida de ocre pelas águas termais, uma das paradas estrela. Mais acima aparece o acesso ao Parque Aconcagua, com a Laguna de Horcones, e, quase na fronteira, Las Cuevas e o histórico Cristo Redentor de los Andes. Todo o trajeto é pontuado por mirantes, capelas de montanha e vestígios da antiga ferrovia transandina. Chegar é simples: o passeio de Alta Montanha com transfer saindo de Mendoza é a opção mais cômoda, porque você não precisa dirigir e um guia vai contando a história e a geografia de cada parada. Também dá para ir de carro próprio ou alugado pela RN7 (entre 3 e 4 horas até o acesso ao parque, uns 185 km), ou até aproveitar os ônibus internacionais para o Chile que passam pela região, combinando onde descer e a volta. É estrada de montanha, então vale sair cedo e com o tanque cheio. A melhor época vai da primavera ao outono, com o verão como alta temporada. No inverno a paisagem nevada é lindíssima, mas o frio aperta e a passagem internacional para o Chile pode fechar por causa da neve, então sempre vale checar as condições da estrada antes de sair. Dicas: leve agasalho mesmo que o dia comece ensolarado (a temperatura cai muito na altitude), leve água e lanches, faça as paradas com calma para o corpo se acostumar à altitude e guarde bateria da câmera: entre Potrerillos, Uspallata, Puente del Inca e o mirante do Aconcagua, a RN7 oferece alguns dos cartões-postais mais imponentes de toda a cordilheira.
ℹ️ Via de acesso: RN7 (Mendoza–Chile) · Distância: ~185 km de Mendoza até o parque (3 a 4 h) · Paradas clássicas: Potrerillos · Uspallata · Puente del Inca · Las Cuevas · Como percorrê-la: Passeio de Alta Montanha, carro ou ônibus internacional
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Trekking diario (ingreso por el día, mirador/Laguna de Horcones; sin acampe)Temporada 2025-2026: mendocinos $15.000, argentinos residentes $25.000, latino-americanos $45.000, estrangeiros $55.000 ARS; liberado entre 15/11 e 10/4 (fonte: Prensa Gobierno de Mendoza, verificado em julho de 2026)
Permiso de trekking corto (3 días, hasta Confluencia/Plaza Francia)Temporada 2025-2026: mendocinos $35.000, argentinos residentes $60.000 ARS; latino-americanos US$ 160, estrangeiros US$ 190 (fonte: Prensa Gobierno de Mendoza, verificado em julho de 2026)
Permiso de trekking largo (7 días, hasta Plaza de Mulas)Temporada 2025-2026: mendocinos $55.000, argentinos residentes $110.000 ARS; latino-americanos US$ 320, estrangeiros US$ 380. Exige seguro de resgate (fonte: Prensa Gobierno de Mendoza, verificado em julho de 2026)
Permiso de ascenso a cumbre con asistencia (~20 días, Quebrada de Horcones)Temporada 2025-2026: mendocinos $100.000, argentinos residentes $190.000 ARS, latino-americanos US$ 910, estrangeiros US$ 1.170. Seguro de resgate obrigatório; a autorização é tirada presencialmente em Mendoza (fonte: Prensa Gobierno de Mendoza, verificado em julho de 2026)
Permiso de ascenso con asistencia (Quebrada de Vacas / Circuito 360°)Temporada 2025-2026: mendocinos $120.000, argentinos residentes $230.000 ARS, latino-americanos US$ 1.130, estrangeiros US$ 1.450 (tarifa corrigida em relação às temporadas anteriores); seguro de resgate obrigatório (fonte: Prensa Gobierno de Mendoza, verificado em julho de 2026)
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Atividades e passeios

Passeio de Alta Montanha + mirante do Aconcagua (Horcones)
DuraçãoDia inteiro saindo de Mendoza (RN7)
OperadoraAgências receptivas de Mendoza
Preço
US$ 80–90 aprox. ($80.500–89.000 ARS, janeiro-março de 2026) por pessoa; inclui transfer e guia saindo de Mendoza, ingressos e refeições à parte (fonte: quehacermendoza.site e orbetravel.com.ar, verificado em julho de 2026)
Trekking curto até Confluencia (3 dias)
Duração3 dias (com acampamento)
OperadoraEmpresas de montanha habilitadas / Parque Provincial Aconcagua
Preço
Permissão $35.000–60.000 ARS / US$ 160–190 conforme a nacionalidade (fonte: Prensa Gobierno de Mendoza) + logística da empresa (barracas, comida, mulas) US$ 300–600 aprox. (faixa segundo operadores de montanha, verificado em julho de 2026)
Trekking longo até Plaza de Mulas (7 dias)
Duração7 dias (com acampamento e aclimatação)
OperadoraEmpresas de montanha habilitadas
Preço
Permissão $55.000–110.000 ARS / US$ 320–380 (fonte: Prensa Gobierno de Mendoza) + logística (mulas, comida, barracas) US$ 600–1.200 aprox. (faixa segundo operadores, verificado em julho de 2026)
Expedição de subida ao cume, via normal (~18 a 21 dias)
Duração~18 a 21 dias (aclimatação + cume)
Preço
US$ 5.890–6.790 com a Inka Expediciones (early booking/tarifa cheia, temporada 2025-2026); outros operadores argentinos, como a Grajales, de US$ 4.500 a US$ 6.500 conforme a duração; a isso se somam a permissão oficial (US$ 1.170 para estrangeiros) e o seguro de resgate (fonte: inkaexpediciones.com e globalsummitguide.com, verificado em julho de 2026)
Operadora
Empresas de expedição e guias de montanha habilitados (Inka Expediciones, Grajales, Aconcagua Expeditions etc.)
Caminhada curta até a Laguna de Horcones
Duração1 a 2 h (dá para fazer sem experiência)
OperadoraPor conta própria com ingresso / passeio
Preço
Só o ingresso de trekking diário, $15.000–55.000 ARS conforme a nacionalidade (fonte: Prensa Gobierno de Mendoza, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Passeio com transfer saindo de Mendoza (RN7)
DuraçãoDia inteiro
Preço
US$ 80–90 aprox. ($80.500–89.000 ARS, janeiro-março de 2026) por pessoa (fonte: quehacermendoza.site e orbetravel.com.ar, verificado em julho de 2026)
Observações
A forma mais cômoda de chegar ao mirante e a Horcones sem dirigir, dentro do clássico passeio de Alta Montanha.
Carro próprio ou alugado
DuraçãoMendoza-acesso ao parque ~3 a 4 h
Preço
Combustível ida e volta $40.000–60.000 ARS; aluguel a partir de $50.000/dia aprox. (faixa segundo locadoras de Mendoza, verificado em julho de 2026)
Observações
Pela RN7 em direção ao Chile. Estrada de montanha; no inverno pode haver neve e fechamento da passagem internacional.
Ônibus internacionais Mendoza-Chile (RN7)
DuraçãoConforme o serviço
Preço
Trecho Mendoza-Uspallata/Penitentes US$ 10–20 aprox. (faixa segundo a rodoviária de Mendoza, verificado em julho de 2026)
Observações
Os ônibus que vão para o Chile passam pela região; úteis para chegar a Penitentes/Puente del Inca, combinando onde descer e a volta.
Mulas e carregadores (dentro do parque)
Preço
Carga de mula (até ~60 kg) US$ 200–400 por trecho conforme o acampamento (faixa segundo operadores de montanha habilitados, verificado em julho de 2026)
Observações
Para o transporte de equipamento em trekkings e expedições; são contratados com as empresas de montanha.
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

Mendoza capital → Parque Provincial Aconcagua (pela RN7)
Duração~3 a 4 h (uns 185 km)
Companhias aéreas / empresas
Passeio de Alta Montanha, carro ou ônibus internacional para o Chile (com parada na região)
Preço médio
Passeio US$ 80–90 ($80.500–89.000 ARS); carro: combustível $40.000–60.000 ARS ida e volta (fonte: quehacermendoza.site, verificado em julho de 2026)
Buenos Aires → Mendoza (base logística)
DuraçãoVoo ~1 h 50 min + traslado até a montanha
Companhias aéreas / empresas
Voos para El Plumerillo (Aerolíneas Argentinas, Flybondi, JetSmart) ou ônibus de longa distância
Preço médio
Voo US$ 60–150 conforme a antecedência; ônibus a partir de $40.000 ARS aprox. (faixa segundo buscadores de voos e Plataforma10, verificado em julho de 2026)
Santiago do Chile → região do Aconcagua (pela RN7 / Paso Cristo Redentor)
DuraçãoConforme a fronteira e a neve
Companhias aéreas / empresas
Ônibus internacionais pela cordilheira (sujeito ao clima e a fechamentos no inverno)
Preço médio
US$ 30–60 aprox. o trecho internacional (faixa segundo empresas de ônibus internacionais, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Pousadas e lodges de alta montanha (Penitentes, Puente del Inca, Uspallata)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 50–110 a diária / $50.000–120.000 ARS (faixa segundo Booking.com e blogs de viajantes para a Hostería Puente del Inca e hospedagens de Uspallata, verificado em julho de 2026), base para passeios e para o início de trekkings e expedições
Hotéis em Mendoza capital (base logística)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 60–150 a diária / $60.000–160.000 ARS (faixa segundo Booking.com e Expedia para hotéis 3-4 estrelas do centro de Mendoza, verificado em julho de 2026), onde se resolvem permissões, guias e compras antes de subir a montanha
Acampamentos do parque (Confluencia, Plaza de Mulas)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Serviço de barraca/refeitório das empresas de montanha, US$ 30–80 por noite com assistência (faixa segundo pacotes da Inka Expediciones e da Grajales, verificado em julho de 2026); única opção para trekkers e montanhistas, só com permissão e na temporada
Estabelecimentos específicos (nomes verificados)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
O Parque Provincial Aconcagua não tem hospedagem: dorme-se em Puente del Inca, Los Penitentes ou Uspallata, na ruta 7. No buscador do Ministério de Turismo de Mendoza, zona Las Heras alta montanha, os cinco inscritos são Los Cóndores Hotel de Montaña (https://loscondoreshotel.com), Domos Uspallata (https://www.domosuspallata.com.ar), Cabañas Cumbres del Mirador, Cabañas La Quebrada del Sauce e Cinco Cumbres. Dentro do parque, a única opção é o acampamento-base, com as empresas habilitadas pela província.

🍴 Onde comer

Paradores y hosterías de la RN7
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Prato/menu $8.000–18.000 ARS (faixa segundo avaliações do TripAdvisor sobre restaurantes de Penitentes, Puente del Inca e Uspallata, verificado em julho de 2026), para comer antes ou depois do passeio à montanha
Gastronomía en Mendoza capital
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Menu de parrilla ou cozinha mendocina $12.000–30.000 ARS por pessoa; restaurantes de vinícola com harmonização a partir de $40.000 ARS (faixa segundo TripAdvisor e sites de vinícolas de Mendoza, verificado em julho de 2026), base de qualquer viagem ao Aconcagua
Comida de campamento (en el parque)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Incluída nos serviços de expedição (parte do pacote); os trekkers de orçamento apertado levam a própria comida. Comida quente nos refeitórios dos acampamentos US$ 10–20 por refeição (faixa segundo operadores de montanha, verificado em julho de 2026)
Locales concretos (nombres verificados)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
O registro provincial não lista estabelecimentos gastronômicos inscritos em Las Heras alta montanha. sem fonte oficial: no corredor, come-se nos próprios hotéis e nos restaurantes de beira de estrada de Uspallata.

📖 História de Aconcágua

Origem, formação e o que dizem as fontes.

O colosso da América: geografia e nome

Tem uma pergunta que se repete todo verão nos acampamentos de altitude do Aconcagua: por que uma montanha que não exige escalar gelo nem rocha vertical mata, em média, mais de um montanhista por temporada? A resposta está na escala descomunal do colosso: quase sete mil metros de pedra e vento onde o corpo humano deixa de funcionar como na planície. Não é exagero de guia turístico: o Aconcagua é, simplesmente, a montanha mais alta da América, a mais alta de todo o hemisfério ocidental e do hemisfério sul, e um dos famosos 'Sete Cumes', que reúnem o pico mais elevado de cada continente, lado a lado com o Everest, o Denali e o Kilimanjaro no imaginário de qualquer montanhista.

O Aconcagua se ergue no oeste da província de Mendoza, a poucos metros da fronteira com o Chile, dentro de um parque provincial de mais de 65.000 hectares, com altitudes que vão dos 2.800 metros do acesso em Horcones até o cume, a cerca de 6.961 metros. É o ponto culminante de toda a cordilheira dos Andes, a cadeia de montanhas mais longa do planeta, e sua massa é tão descomunal que gera um microclima próprio: ventos que passam dos 200 km/h na zona do cume, tempestades de neve que surgem em minutos num céu limpo e aquele fenômeno temido pelos montanhistas que eles chamam de 'vento branco'.

A origem do nome 'Aconcagua' continua sendo, a esta altura, quase tão enigmática quanto a própria montanha. As hipóteses mais difundidas a ligam a línguas indígenas: algumas a derivam do quéchua 'Ackon Cahuak' ('sentinela de pedra'), outras do aimará ou de termos do povo huarpe, os antigos habitantes da região de Cuyo, com significados que oscilam entre 'grande montanha vigia' e outras variantes ligadas à ideia de um guardião de pedra sobre o vale. Não existe uma única explicação aceita pelos linguistas, e esse mistério alimenta boa parte da aura mítica que cerca o colosso há séculos, muito antes de qualquer europeu pisar em suas encostas.

Sobre a altura exata
A altura do Aconcagua costuma ser citada como 6.960, 6.961 ou 6.962 metros, dependendo da fonte e da medição. As diferenças se devem aos diferentes métodos e referências usados para medir a montanha ao longo do tempo. Hoje se aceita um número próximo de 6.961 metros, mas é comum encontrar os três valores em diferentes textos oficiais e enciclopédicos.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Aconcagua
Sobre a origem do nome
Existem várias teorias sobre o significado de 'Aconcagua'. Algumas o derivam de línguas andinas (quéchua ou aimará), com sentidos ligados a 'sentinela de pedra' ou 'montanha vigia'; outras o associam a termos dos povos indígenas de Cuyo. Não há consenso definitivo, e diferentes interpretações convivem.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Aconcagua
en.wikipedia.org · Aconcaguainformacionoficial.mendoza.gob.ar · Aconcaguacerroaconcagua.com · Ubicacion del aconcagua

1897: a façanha solitária de Zurbriggen

Durante milênios, o Aconcagua foi um colosso intocado, contemplado de longe pelos povos indígenas de Cuyo e, séculos depois, pelos viajantes que atravessavam a cordilheira. Já em 1818 a região tinha ganhado enorme valor histórico: foi o corredor pelo qual o general José de San Martín fez passar parte do seu Exército dos Andes rumo ao Chile, na campanha de libertação que mudaria o mapa político da América do Sul. Mas o cume do Aconcagua continuava intocado, um desafio que ninguém tinha sequer tentado a sério.

A conquista do cume só chegou no fim do século XIX, quando a alta montanha ainda era um território quase desconhecido para a ciência e para o esporte. O cientista alemão Paul Güssfeldt tinha tentado chegar ao topo pelo lado chileno em 1883, passando dos 6.500 metros antes de desistir por causa do clima, convencido de que aquele acesso era mais curto. Sua tentativa, embora frustrada, serviu de precedente e de alerta sobre a dureza real da montanha.

Foi uma expedição científico-esportiva liderada pelo explorador britânico Edward FitzGerald que finalmente concretizou a primeira ascensão registrada. FitzGerald zarpou de Southampton em 15 de outubro de 1896 a bordo do vapor Thames, rumo a Buenos Aires, com todo o seu equipamento, um grupo de guias — a maioria suíços — e o topógrafo Stuart Vines como assistente principal. Já em Mendoza, a expedição montou um acampamento-base a uns 4.250 metros no vale de Horcones e fez, ao longo de quase seis semanas, até cinco tentativas de cume. O próprio FitzGerald participou de várias delas, mas as náuseas e o esgotamento sempre o venciam perto dos 6.000 metros, um limite que a falta de oxigênio tornava quase intransponível para boa parte do grupo.

Em 14 de janeiro de 1897, o guia suíço Matthias Zurbriggen — contratado como o montanhista mais experiente da expedição — chegou completamente sozinho ao cume do Aconcagua, tornando-se a primeira pessoa registrada a pisar nele, pela rota que hoje é conhecida como via normal. Um mês depois, em 13 de fevereiro de 1897, uma segunda cordada formada pelo próprio Stuart Vines e pelo guia italiano Nicola Lanti repetiu a façanha; meses mais tarde, já em abril, Vines e Zurbriggen voltaram a se encontrar em um novo cume conjunto, fechando uma temporada extraordinária para a época. Assim nasceu a lenda do colosso no montanhismo, poucos anos antes de o novo século transformar o Aconcagua em um dos grandes objetivos do montanhismo mundial.

intriper.com · El dia que el aconcagua fue conquistado por…lacapital.com.ar · Se cumplen 125 anos del primer ascenso…old.culturademontania.org.ar · HIS matthiaszurbriggen aconcagua

A via normal e suas estações lendárias

A rota aberta por Zurbriggen virou a 'via normal', o caminho clássico que a maioria dos montanhistas segue para tentar o cume e que, apesar do nome, passa pela face noroeste da montanha. Não é uma escalada técnica — não exige grandes habilidades em rocha ou gelo —, mas a altitude extrema, o frio, o vento e o famoso 'vento branco' fazem dela uma empreitada muito exigente, em que o verdadeiro inimigo é a falta de oxigênio e o mal da altitude, capaz de derrubar montanhistas treinados que subestimam a aclimatação.

Os marcos da via normal fazem parte do imaginário da montanha: o acampamento-base de Plaza de Mulas (cerca de 4.300 m), um dos maiores acampamentos de altitude do mundo, onde em plena temporada convivem centenas de barracas de expedições de todos os continentes; depois Plaza Canadá (~5.050 m), a Piedra de 5.000, o Nido de Cóndores (~5.250 m), um amplo platô de rocha que oferece uma das vistas mais amplas de toda a cordilheira; mais acima, Berlín (~5.800 m), com seus históricos refúgios de montanha, hoje em parte substituídos por estruturas mais modernas; e depois Piedras Blancas, Piedras Negras e Independencia, o marco que evoca a data pátria argentina e que durante décadas foi o último refúgio antes do trecho final. A parte mais dura chega com o Portezuelo de los Vientos, a Gran Travesía e La Canaleta, um canal de rocha solta e inclinação acentuada que esgota até os montanhistas mais treinados, antes de desembocar no cume.

Cada um desses nomes é uma estação na lenta marcha de aclimatação, que pode levar duas semanas ou mais: subir, dormir na altitude, descer para recuperar oxigênio e voltar a subir, no ciclo de que o corpo precisa para fabricar glóbulos vermelhos extras e tolerar o ar rarefeito. Da façanha de Zurbriggen até hoje, milhares de expedições repetiram esse percurso, e com os anos surgiram variantes como a rota do Glaciar de los Polacos (pelo leste) ou o exigente Circuito 360°, que contorna a montanha inteira pelo vale de las Vacas antes de se juntar à via normal para a subida final. Mas a rota de Zurbriggen continua sendo, quase cento e trinta anos depois, o caminho escolhido pela enorme maioria de quem sonha em pisar no teto da América.

old.culturademontania.org.ar · HIS matthiaszurbriggen aconcaguainformacionoficial.mendoza.gob.ar · Aconcaguaen.wikipedia.org · Aconcaguaandeshandbook.org · Aconcagua

O Parque Provincial e o montanhismo de hoje

Com o passar do século XX e o crescimento explosivo do montanhismo internacional, a província de Mendoza deu um passo fundamental: em 1983, por meio do Decreto-Lei Provincial N.º 4807, foi criado oficialmente o Parque Provincial Aconcagua, com uma área de cerca de 71.000 hectares no departamento de Las Heras, a uns 190 quilômetros da cidade de Mendoza. O objetivo era duplo: proteger um ecossistema de alta montanha frágil — com espécies como o guanaco, o condor-andino e uma flora adaptada a condições extremas — e, ao mesmo tempo, organizar a avalanche crescente de expedições que chegavam do mundo todo atraídas pela fama da montanha.

Desde então, o parque conta com uma equipe permanente de guarda-parques, responsável pelo controle, pela vigilância e — quando necessário — por barrar quem tenta burlar as normas de segurança, inclusive com a aplicação de multas pesadas. Foi criado um sistema de permissões oficiais diferenciadas por tipo de atividade (trekking de um dia, trekking curto, trekking longo e ascensão), exames médicos obrigatórios nos postos de entrada e nos acampamentos de altitude, uma temporada de verão liberada (em geral de novembro a abril) e a exigência de um seguro especial de evacuação e assistência médica para quem vai além do trekking curto. Essas normas, revisadas e atualizadas todo ano, buscam reduzir os acidentes em uma montanha onde o clima muda em minutos e onde, apesar de todos os avanços, toda temporada há resgates e, infelizmente, também mortes.

Hoje, todo verão, milhares de montanhistas do mundo inteiro chegam ao Aconcagua para tentar o colosso — guiados, em sua grande maioria, por empresas de expedição habilitadas que conhecem o terreno, o clima e os protocolos de segurança —, enquanto muitos outros visitantes, sem experiência de montanha, vão só para contemplá-lo do mirante de Horcones, num passeio de dia inteiro saindo de Mendoza que não exige mais do que vontade de caminhar umas duas horas a quase 3.000 metros. A montanha que durante milênios ninguém tinha pisado, e que só em 1897 entregou seu cume à teimosia de um guia suíço, virou um dos grandes destinos do montanhismo mundial: símbolo dos Andes, orgulho de Mendoza e, ainda hoje, um desafio enorme que exige o mesmo respeito que Zurbriggen e seus companheiros tiveram por ela há mais de um século.

informacionoficial.mendoza.gob.ar · Aconcaguasitioandino.com.ar · Quienes pueden subir el aconcagua requisitos…larutanatural.gob.ar · Parque provincial aconcagua📄 2026es.wikipedia.org · Parque provincial Aconcaguamendoza.gov.ar · PPA 40 aniversario

📚 Bibliografia

  • Gobierno de Mendoza — «Aconcagua» (Ministerio de Energía y Ambiente): https://informacionoficial.mendoza.gob.ar/energiayambiente/aconcagua/
  • Wikipedia (inglés) — «Aconcagua»: https://en.wikipedia.org/wiki/Aconcagua
  • Cultura de Montaña — «La historia de Matthias Zürbriggen y su primera ascensión al Aconcagua»: https://old.culturademontania.org.ar/Historia/HIS_matthiaszurbriggen-aconcagua.htm
  • La Capital — «Se cumplen 125 años del primer ascenso registrado al Aconcagua»: https://www.lacapital.com.ar/informacion-general/se-cumplen-125-anos-del-primer-ascenso-registrado-al-aconcagua-n10005733.html
  • Sitio Andino — «Quiénes pueden subir el Aconcagua: requisitos, controles médicos y permisos»: https://www.sitioandino.com.ar/policiales/quienes-pueden-subir-el-aconcagua-requisitos-controles-medicos-y-permisos-alcanzar-la-cumbre-n5717725
  • La Ruta Natural — «Parque Provincial Aconcagua»: https://web.archive.org/web/20260520065014/https://www.larutanatural.gob.ar/es/imperdible/58/parque-provincial-aconcagua
  • Wikipedia — «Parque provincial Aconcagua»: https://es.wikipedia.org/wiki/Parque_provincial_Aconcagua
  • Andes Handbook — «Cerro Aconcagua (6959m)»: https://www.andeshandbook.org/montanismo/cerro/25/aconcagua

❓ Perguntas frequentes

Qual é a altura do Aconcagua e por que ele é famoso?+
O Aconcagua tem cerca de 6.961 metros (algumas fontes citam 6.962 m) e é a montanha mais alta das Américas e de todo o hemisfério ocidental e sul. É um dos grandes objetivos do montanhismo mundial: um dos 'Sete Cumes' (o pico mais alto de cada continente). Sua primeira subida registrada foi em 1897. Fica em Mendoza, dentro de um parque provincial, na RN7 em direção ao Chile.
É preciso ser montanhista para visitá-lo?+
Não necessariamente. Mesmo sem ser montanhista, você pode fazer o passeio de dia inteiro saindo de Mendoza e caminhar até o mirante e a Laguna de Horcones, com vistas espetaculares da montanha, só com o ingresso do dia. Para os trekkings de vários dias (Confluencia, Plaza de Mulas) e, principalmente, para a subida ao cume, aí sim são necessários preparo físico, aclimatação, permissões e experiência.
Como se sobe até o cume?+
A subida clássica é pela via normal, que parte do acampamento-base Plaza de Mulas (~4.300 m) e sobe por estações como Plaza Canadá, Nido de Cóndores, Berlín e Independencia até La Canaleta e o cume. Não é uma escalada técnica, mas a altitude extrema a torna muito exigente e perigosa: exige vários dias de aclimatação, bom condicionamento físico, permissão oficial de Mendoza, seguro especial obrigatório e, muito recomendável, guias e empresa de expedição habilitada. A expedição completa dura cerca de 20 dias.
Quais permissões e requisitos eu preciso?+
Para entrar no parque é preciso uma permissão oficial emitida pela província de Mendoza. Há ingressos de trekking diário (sem acampamento) e permissões de trekking de 3 ou 7 dias e de expedição ao cume (~20 dias). As permissões de vários dias são tiradas presencialmente em Mendoza (não são entregues na entrada do parque). Para o cume, além disso, é obrigatório ter um seguro especial: sem ele, a permissão não é concedida. Vale conferir os requisitos e os controles médicos atualizados com o órgão provincial.
Quanto custam as permissões do Aconcagua?+
As tarifas têm valores diferenciados por nacionalidade e são atualizadas a cada temporada. Para a temporada 2025-2026 (fonte: Prensa Gobierno de Mendoza, verificado em julho de 2026), em pesos para residentes e em dólares para estrangeiros: o trekking diário vai de $15.000 (mendocinos) a $55.000 (estrangeiros); o trekking curto (3 dias), de $35.000 a US$ 190; o trekking longo (7 dias), de $55.000 a US$ 380; e a subida ao cume com assistência por Horcones custa $100.000 para mendocinos, $190.000 para argentinos residentes e US$ 1.170 para estrangeiros (pela rota de Vacas/Circuito 360° sobe para US$ 1.450). Brasileiros entram na categoria de latino-americanos, que tem valores intermediários. A isso se somam o seguro de resgate obrigatório para trekking longo e subida ao cume e o custo do programa com agência (de US$ 4.500 a US$ 6.790 para a expedição completa com a Inka Expediciones ou a Grajales). Confira as tarifas oficiais antes de viajar.
Qual é a melhor época para ir?+
A temporada de verão vai, em geral, de 1º de novembro a 30 de abril (confira as datas oficiais), e o período clássico para expedições e trekkings é o verão (dezembro a fevereiro), quando o clima é mais ameno na altitude. Para o passeio de dia inteiro ao mirante e a Horcones, o verão e a primavera/outono são ideais. No inverno há fortes restrições, muito frio e possíveis fechamentos da passagem para o Chile por causa da neve.
Como chego ao Aconcagua?+
A base logística é a cidade de Mendoza, onde se chega de avião (El Plumerillo) ou de ônibus. De lá, o acesso ao parque fica a uns 185 km pela RN7 em direção ao Chile (3 a 4 horas). Você pode ir no passeio de Alta Montanha, de carro ou de ônibus internacional (que passa pela região). No inverno, a estrada de montanha pode ter neve e a passagem para o Chile pode fechar.

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