Stavanger tem duas almas que convivem com naturalidade. De um lado, é uma cidade moderna e próspera, a 'capital do petróleo' da Noruega, com bons restaurantes, museus e um clima cosmopolita. Do outro, preserva um dos centros históricos de madeira mais bonitos do norte da Europa, um labirinto de ruelas de pedra e casinhas brancas que parecem saídas de outra época. E, acima de tudo, está cercada por algumas das paisagens mais espetaculares do país.
Porque, se tem algo que colocou Stavanger no mapa do viajante, é a natureza. A poucos quilômetros se abre o Lysefjord, um fiorde de águas escuras encaixado entre paredões verticais, e sobre ele desponta o Preikestolen, 'o Púlpito': uma plataforma de rocha quase perfeitamente plana suspensa a 604 metros de altura sobre a água, um dos mirantes naturais mais fotografados do planeta. Chegar a pé até a borda e olhar para o vazio é uma das grandes experiências da Noruega.
Este guia percorre o essencial de Stavanger com um olhar prático e acolhedor: como organizar a trilha até o Preikestolen, como é o caminho e o que levar, o que ver na cidade, como se locomover e que outras maravilhas o Lysefjord esconde, do vertiginoso Kjeragbolten aos cruzeiros entre cachoeiras. Uma base perfeita para combinar cultura urbana e aventura ao ar livre no sudoeste norueguês.
Stavanger é uma cidade antiga: sua origem como núcleo urbano está ligada à construção da catedral, a Stavanger domkirke, consagrada por volta de 1125, na época em que ali foi estabelecida uma sede episcopal. Durante a Idade Média, foi um importante centro religioso e comercial do sudoeste da Noruega. A perda do bispado após a Reforma Protestante (século XVI) fez a cidade decair por um tempo, mas a partir do século XIX ela viveu um grande auge graças à pesca e, em especial, à indústria de conservas de peixe: as fábricas de sardinha e arenque em lata transformaram Stavanger em um próspero centro industrial e exportador, e deixaram uma marca profunda em sua identidade (ainda lembrada no Museu da Conserva). O grande salto, porém, veio no fim dos anos 1960, quando a descoberta de enormes jazidas de petróleo e gás no Mar do Norte transformou a Noruega, e Stavanger virou o centro dessa nova indústria: a 'capital do petróleo' norueguesa, sede de grandes empresas de energia. Esse boom trouxe riqueza, crescimento e uma população internacional. Hoje Stavanger combina esse passado pesqueiro e industrial com seu papel energético e com um turismo de natureza em plena expansão, atraído pelo Lysefjord, pelo Preikestolen e pelo Kjerag. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The capital region and the southern coast: Oslo, the old Christiania where the Constitution of 1814, Ibsen's theater and Munch's art were born; the fjord with its Viking ships; Stavanger and North Sea oil; and the luminous Sørlandet coastline.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
O nascimento de Stavanger como cidade está intimamente ligado à sua catedral. Embora a região seja habitada desde tempos pré-históricos (nos arredores foram encontrados vestígios que remontam à Idade da Pedra e à Idade do Ferro), o núcleo urbano propriamente dito se desenvolveu em torno da construção da Stavanger domkirke, a catedral consagrada por volta de 1125 e dedicada a São Swithun (Svithun). Por isso, tradicionalmente se considera 1125 o ano de fundação da cidade, que assim comemorou seus novecentos anos.
Naqueles primeiros tempos do cristianismo norueguês, a criação de uma sede episcopal em Stavanger foi um acontecimento de enorme importância. O bispo e sua catedral transformaram o pequeno povoado costeiro em um centro religioso e administrativo do sudoeste do país. Atribui-se um papel de destaque ao bispo Reinald, de origem inglesa, na fundação da sede e no impulso à construção da igreja. A catedral, que existe até hoje, é uma das catedrais medievais mais bem preservadas da Noruega e o monumento mais antigo da cidade.
O nome 'Stavanger' tem raízes no nórdico antigo, e sua etimologia é motivo de discussão. Costuma ser associado às palavras 'stafr' (ligada a um acidente geográfico, talvez uma montanha ou rocha em forma de bastão) e 'angr' (fiorde ou enseada), de modo que o topônimo faria referência à baía onde a cidade está. Essa relação com o mar e os fiordes acompanharia Stavanger ao longo de toda a sua história.
Durante a Idade Média, Stavanger foi um dos centros mais importantes do sudoeste da Noruega. A presença do bispo e da catedral atraía clérigos, peregrinos, artesãos e comerciantes, e a cidade funcionava como ponto de encontro entre o interior agrícola de Rogaland e as rotas marítimas que percorriam a costa. A vida urbana se organizava em torno da catedral e do palácio episcopal, em um emaranhado de casas de madeira que desciam em direção ao porto.
A diocese de Stavanger abrangia um território extenso do sudoeste do país, o que dava à cidade um peso político e eclesiástico considerável. Os bispos eram figuras poderosas, e a catedral, reconstruída e ampliada em estilo gótico depois de um incêndio no século XIII, virou um símbolo desse prestígio. A economia dependia da pesca, da agricultura dos arredores e de um comércio modesto, mas constante, ao longo da costa.
Como o resto da Noruega, Stavanger passou pelas grandes crises do fim da Idade Média, especialmente a peste negra de meados do século XIV, que dizimou a população do país e atingiu duramente as cidades. Apesar de tudo, Stavanger manteve sua condição de sede episcopal e seu papel de centro religioso da região até as mudanças profundas que a Reforma Protestante traria no século XVI.
O século XVI foi um ponto de virada para Stavanger. A Reforma Protestante, que chegou à Noruega pelas mãos da coroa dinamarquesa por volta de 1537, transformou a vida religiosa do país: os bens da Igreja Católica passaram para o Estado e o poder dos bispos foi drasticamente reduzido. Para uma cidade cuja importância se apoiava em grande parte na condição de sede episcopal, a mudança foi um duro golpe.
O declínio se aprofundou em 1682, quando a sede do bispado foi transferida para Kristiansand, a nova cidade fundada pelo rei dinamarquês Cristiano IV no sul do país. Sem seu papel de centro eclesiástico, Stavanger perdeu boa parte de sua relevância administrativa e entrou em um período de estagnação. Por um tempo, até seu status formal de cidade chegou a ser questionado.
A economia local, porém, continuava dependendo do mar. A pesca, em especial a do arenque, cujos cardumes apareciam e sumiam da costa de forma cíclica, sustentava a população nos anos bons e a mergulhava em dificuldades nos ruins. Stavanger sobreviveu como um porto modesto, à espera das grandes mudanças que o século XIX traria com a indústria.
O século XIX devolveu a prosperidade a Stavanger, desta vez graças ao peixe. As fartas pescas de arenque das primeiras décadas do século impulsionaram o comércio e o crescimento da população, e a cidade se encheu de comerciantes, armadores e trabalhadores do mar. Mas o grande motor da transformação foi a indústria de conservas.
Ao longo da segunda metade do século XIX e do início do XX, Stavanger se tornou a capital norueguesa das conservas de peixe, especialmente das pequenas sardinhas defumadas e enlatadas em óleo (os famosos 'brisling', ou sardinhas norueguesas). Dezenas de fábricas se instalaram na cidade e deram trabalho a milhares de pessoas, muitas delas mulheres e crianças, em jornadas pesadas. As latas de sardinha de Stavanger, com seus rótulos coloridos, eram exportadas para o mundo inteiro e viraram uma marca da identidade local.
Essa época industrial deixou uma marca profunda na fisionomia e na cultura da cidade: os armazéns do porto, as fileiras de casas de madeira dos bairros operários e uma memória coletiva que hoje se preserva, entre outros lugares, no Norsk hermetikkmuseum (Museu das Conservas), instalado em uma antiga fábrica. Quando a indústria de conservas entrou em declínio em meados do século XX, Stavanger parecia condenada de novo à incerteza. Mas sob as águas do Mar do Norte a esperava uma riqueza que mudaria seu destino para sempre.
O acontecimento que transformou Stavanger por completo aconteceu no fim dos anos 1960. Em 1969 foi descoberta a enorme jazida de petróleo de Ekofisk, no setor norueguês do Mar do Norte, um achado que mudaria a história econômica de toda a Noruega. A exploração de petróleo e gás, iniciada nos anos 1970, transformaria um país pesqueiro e relativamente modesto em uma das nações mais ricas do mundo.
Stavanger, por sua localização estratégica na costa sudoeste, foi escolhida como base da nova indústria. Ali se instalaram a sede da empresa estatal (a futura Equinor, antes Statoil) e de inúmeras empresas de energia nacionais e internacionais, além da Diretoria Norueguesa do Petróleo. A cidade se encheu de engenheiros, técnicos e trabalhadores vindos do mundo todo, e viveu um crescimento acelerado da população, da economia e do seu caráter internacional. Assim nasceu a 'capital do petróleo' da Noruega.
Esse boom trouxe riqueza e modernidade, mas também o desafio de preservar a identidade histórica da cidade. Stavanger conseguiu manter seu centro antigo de madeira (Gamle Stavanger), um dos mais bem preservados do norte da Europa, enquanto desenvolvia novos bairros e infraestrutura. O Norsk Oljemuseum (Museu Norueguês do Petróleo), inaugurado em 1999 no porto, conta essa fase que define a Stavanger contemporânea.
A Stavanger contemporânea é uma cidade próspera, cosmopolita e diversa, onde convivem o legado pesqueiro e industrial, a potente indústria de energia e um turismo em plena expansão. Junto com Sandnes, sua região metropolitana forma uma das áreas mais dinâmicas da Noruega, com uma população bastante internacional graças às décadas do boom do petróleo.
A cidade soube se reinventar culturalmente. Em 2008 foi Capital Europeia da Cultura, um reconhecimento que impulsionou sua cena artística, seus festivais (como o de gastronomia Gladmat ou o de jazz) e sua aposta na arte urbana, com o conhecido festival Nuart, que encheu os muros da cidade de murais. O centro antigo de Gamle Stavanger, com suas casinhas brancas de madeira, e os museus da cidade atraem visitantes do mundo todo.
Mas, se tem algo que colocou Stavanger no mapa do viajante global, foi a natureza ao redor. A região do Lysefjord, com o Preikestolen ('o Púlpito') debruçado a 604 metros acima da água e o vertiginoso Kjeragbolten encaixado entre dois paredões, virou um dos grandes destinos de trilha do mundo. Consciente do valor da transição energética, Stavanger também olha para um futuro mais verde, enquanto combina seu passado, seu presente industrial e sua natureza espetacular em uma identidade única.