Oslo é uma daquelas capitais que surpreendem o viajante. Encaixada entre o fiorde e as florestas, é uma cidade em escala humana onde a natureza nunca fica longe: em poucos minutos você passa de um museu de vanguarda para um mergulho no fiorde ou uma trilha entre pinheiros. Durante anos foi vista como uma capital tranquila e meio cinzenta, mas nas últimas décadas se transformou em uma das cidades mais dinâmicas e arquitetonicamente ousadas da Europa, com a Ópera que parece emergir da água, o novo museu Munch e o bairro do fiorde (Fjordbyen) como símbolos dessa nova Oslo.
A cidade combina seu passado viking e sua história como capital de um país jovem (a Noruega se tornou plenamente independente em 1905) com um presente próspero e verde. É o berço de Edvard Munch e do seu célebre 'O Grito', a cidade onde todo ano é entregue o Prêmio Nobel da Paz, e um lugar onde o design escandinavo, a sustentabilidade e a vida ao ar livre ditam o ritmo. Passear pela avenida Karl Johan, percorrer os museus de Bygdøy, se perder pelo boêmio Grünerløkka ou subir até Holmenkollen são experiências que mostram suas muitas faces.
Este guia percorre o essencial de Oslo com um olhar prático e acolhedor: o que ver, como se locomover no excelente transporte público, como aproveitar o fiorde, onde dormir e comer sem que a conta dispare (o que na Noruega é uma verdadeira arte) e como combinar a cidade com o resto do país. Oslo é o melhor ponto de partida para se apaixonar pela Noruega: uma capital pequena no tamanho, mas enorme em qualidade de vida, cultura e paisagem.
Segundo a tradição, Oslo foi fundada por volta do ano 1040 pelo rei Harald Hardrada, embora escavações recentes sugiram povoamentos um pouco anteriores; em 2000 a cidade comemorou seu milênio. Na Idade Média era uma pequena cidade medieval à sombra da fortaleza de Akershus, erguida por volta de 1300 pelo rei Haakon V, que fez de Oslo a capital do reino norueguês. Depois de um incêndio devastador em 1624, o rei dinamarquês Christian IV mandou reconstruir a cidade junto à fortaleza e a rebatizou de 'Christiania' (mais tarde escrita 'Kristiania') em sua homenagem, nome que ela carregaria por quase três séculos. Durante a longa união com a Dinamarca e depois com a Suécia, foi uma capital provincial. A verdadeira transformação veio no século XIX: após a dissolução da união com a Dinamarca em 1814 e a assinatura da Constituição norueguesa (a célebre 'Grunnloven' de Eidsvoll), a Noruega entrou em união pessoal com a Suécia e Kristiania cresceu como capital, com sua Universidade, seu Palácio Real e seu Parlamento (Storting). Em 1905 a Noruega se tornou totalmente independente, e a cidade recuperou seu antigo nome, Oslo, em 1925. Durante a Segunda Guerra Mundial foi ocupada pela Alemanha nazista (1940-1945). No pós-guerra, impulsionada pelo petróleo do Mar do Norte a partir dos anos setenta, a Noruega se tornou um dos países mais ricos do mundo e Oslo floresceu. Nas últimas décadas viveu uma espetacular renovação urbana em torno do fiorde, com ícones como a Ópera (2008) e o novo museu Munch (2021). A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The capital region and the southern coast: Oslo, the old Christiania where the Constitution of 1814, Ibsen's theater and Munch's art were born; the fjord with its Viking ships; Stavanger and North Sea oil; and the luminous Sørlandet coastline.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Oslo é uma das cidades mais antigas da Escandinávia, embora seu nome não apareça entre as grandes capitais medievais da Europa. As escavações arqueológicas na região de Gamlebyen (a 'cidade velha'), ao pé do fiorde, mostram assentamentos urbanos que remontam pelo menos ao ano 1000, bem no finalzinho da era viking. Durante muito tempo, a fundação foi atribuída ao rei Harald Hardrada (Harald III) por volta de 1048, mas descobertas posteriores mostraram que já havia vida urbana antes disso. Por isso, em 2000, a cidade comemorou seu milênio.
A Oslo medieval cresceu às margens do fundo do fiorde de Oslo (Oslofjord), na foz do rio Alna (Alnaelva), um local estratégico para o comércio e a pesca. No século XIII, sob o rei Håkon V Magnusson, a cidade ganhou peso político: o monarca transferiu para lá sua residência e mandou construir a fortaleza de Akershus (por volta de 1300), que até hoje vigia o porto e que seria decisiva na defesa da cidade durante séculos. Assim, Oslo se tornou uma das sedes do poder real norueguês.
Daquela cidade medieval, feita sobretudo de madeira, restam poucas ruínas visíveis — igrejas e conventos em Gamlebyen —, porque os incêndios eram uma ameaça constante nas cidades nórdicas construídas com troncos. O nome 'Oslo' tem origem no nórdico antigo e seu significado já foi muito debatido: costuma ser associado a 'o prado ao pé da colina' ou a 'o prado dos deuses (Ás)', sem que exista uma certeza definitiva.
O ano de 1624 foi um divisor de águas na história da cidade. Um grande incêndio devastou a velha Oslo medieval, construída em madeira ao pé do fiorde. Naquela época, a Noruega estava unida à Dinamarca sob uma mesma Coroa, e o rei dinamarquês Christian IV tomou uma decisão drástica: em vez de reconstruir a cidade no mesmo lugar, mandou erguê-la de novo em outro local, do outro lado da baía, bem sob a proteção da fortaleza de Akershus.
A nova cidade foi traçada com um plano regular de ruas retas e quarteirões ortogonais, no estilo renascentista da época, e rebatizada de 'Christiania' em homenagem ao próprio rei. Para reduzir o risco de novos incêndios, Christian IV incentivou a construção em tijolo e pedra no centro, embora a regra tenha demorado a ser cumprida por completo. Esse núcleo planejado é o atual bairro de Kvadraturen, cujo traçado quadriculado ainda dá para reconhecer no mapa da Oslo moderna.
Nos séculos seguintes, Christiania foi crescendo como centro administrativo e comercial da parte oriental da Noruega, sempre à sombra de Copenhague, a capital do reino dano-norueguês. A grafia do nome mudou com o tempo para 'Kristiania' (em 1877, nos documentos oficiais). A cidade só recuperaria seu nome histórico, Oslo, muito mais tarde, já no século XX, como símbolo de identidade nacional.
O ano de 1814 mudou o destino da cidade. Depois das Guerras Napoleônicas, a Dinamarca — que tinha ficado do lado perdedor — foi obrigada a ceder a Noruega à Suécia pelo Tratado de Kiel. Mas os noruegueses não aceitaram a transferência de braços cruzados: na cidade de Eidsvoll, perto de Christiania, uma assembleia redigiu e assinou, em 17 de maio de 1814, uma constituição própria, uma das mais liberais de seu tempo, e proclamou a independência. Embora no fim a Noruega tenha tido que aceitar uma união com a Suécia, manteve sua Constituição, seu Parlamento e uma ampla autonomia, e Christiania foi consagrada como capital norueguesa.
Ao longo do século XIX, já como capital de uma Noruega autônoma dentro da união com a Suécia, Christiania viveu um crescimento notável. Foram construídas as grandes instituições do novo Estado: o Palácio Real, o prédio do Parlamento (Storting), a Universidade, o Teatro Nacional e a Bolsa, e a população se multiplicou com a chegada de trabalhadores às fábricas instaladas às margens do rio Akerselva, em plena Revolução Industrial. A cidade se encheu de prédios elegantes em estilo historicista ao longo da avenida Karl Johan.
Foi também a época de ouro da cultura norueguesa: em Christiania e arredores viveram e criaram figuras como o dramaturgo Henrik Ibsen, o compositor Edvard Grieg (mais ligado a Bergen, mas presente na vida cultural do país) e o pintor Edvard Munch, autor de 'O Grito'. A união com a Suécia foi dissolvida pacificamente em 1905, e a Noruega se tornou um reino plenamente independente, com Christiania como sua capital indiscutível.
Em 1925, já como capital de um país plenamente independente, a cidade recuperou seu antigo nome nórdico: Christiania (Kristiania) voltou a se chamar Oslo. Foi um gesto carregado de simbolismo nacional, uma forma de deixar para trás os séculos de domínio dinamarquês e de se reconectar com as raízes medievais norueguesas. O velho bairro ao pé do fiorde, onde ficava a cidade medieval, manteve o nome de Gamlebyen ('cidade velha').
Durante a Segunda Guerra Mundial, Oslo e toda a Noruega foram ocupadas pela Alemanha nazista entre 1940 e 1945. O rei Haakon VII e o governo se exilaram em Londres, enquanto no país se impunha o regime colaboracionista de Vidkun Quisling, cujo sobrenome virou sinônimo de traição em vários idiomas. A resistência norueguesa protagonizou episódios célebres, como a sabotagem da produção de água pesada. A libertação, em maio de 1945, e o retorno do rei são momentos fundadores da Noruega contemporânea.
Na segunda metade do século XX, a descoberta de petróleo e gás no Mar do Norte (no fim dos anos 1960) transformou a Noruega em um dos países mais ricos do mundo, e Oslo se modernizou a toda velocidade. Hoje é uma capital próspera e voltada para a sustentabilidade, com bairros revitalizados como Aker Brygge e Bjørvika, este último dominado pela espetacular Ópera de mármore branco (2008), pela nova Biblioteca Deichman e pelo Museu Munch. Oslo é, além disso, a cidade onde todo mês de dezembro é entregue o Prêmio Nobel da Paz.
Há uma característica que diferencia Oslo de qualquer outra capital do mundo: é a cidade onde se entrega o Prêmio Nobel da Paz. Enquanto os outros prêmios Nobel (Física, Química, Medicina, Literatura e Economia) são concedidos em Estocolmo, na Suécia, o da Paz é entregue em Oslo. Essa particularidade vem do testamento do próprio Alfred Nobel, o inventor sueco da dinamite, que em 1895 determinou que o prêmio da paz fosse decidido por um comitê eleito pelo Parlamento norueguês.
As razões exatas dessa escolha já foram muito debatidas. Uma hipótese frequente aponta que, na época de Nobel, Noruega e Suécia estavam unidas e que o Parlamento norueguês tinha fama de ser menos belicoso e mais voltado à mediação internacional; outras leituras destacam o respeito de Nobel pela tradição parlamentar norueguesa. Seja qual for o motivo, a decisão transformou Oslo em um palco simbólico da diplomacia mundial.
A cerimônia acontece todo 10 de dezembro — aniversário da morte de Nobel — na Prefeitura de Oslo (Rådhuset), o imponente prédio de tijolos vermelhos em frente ao porto. A cidade também abriga o Centro Nobel da Paz (Nobel Peace Center), um museu dedicado aos premiados e à história do prêmio. Ao longo dos séculos XX e XXI, os Acordos de Oslo (1993) entre israelenses e palestinos, negociados em boa parte na capital norueguesa, reforçaram essa imagem de Oslo como 'cidade da paz' e da mediação.