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Valletta
🇲🇹 Malta · Valletta e o Grande Porto

Valletta

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📍Região
Valletta (il-Belt em maltês, simplesmente 'a Cidade' para os malteses) é a capital da República de Malta, no coração do arquipélago maltês, em pleno Mediterrâneo central, entre a Sicília e o norte da África. É uma das menores capitais da Europa: apenas meio quilômetro quadrado sobre uma península rochosa que separa dois portos naturais, o Grande Porto (Grand Harbour) e o porto de Marsamxett. A cidade inteira é Patrimônio Mundial da Unesco, um conjunto barroco murado construído pela Ordem de São João após o Grande Cerco de 1565. Foi Capital Europeia da Cultura em 2018
📌Cidade de apoio
Valletta é o centro de tudo em Malta. O Aeroporto Internacional de Malta (MLA), em Luqa, a uns 8 km, é a única porta de entrada aérea do país. A rodoviária central fica logo do lado de fora do portão da cidade (City Gate), na praça da Fontana do Tritão: de lá sai a rede Tallinja para toda Malta. Do Grande Porto partem os ferries rápidos para Sliema e para as Três Cidades, e um terminal de cruzeiros recebe grandes navios. O centro histórico é quase todo para pedestres e se percorre a pé; para o resto da ilha, a base são os ônibus ou o carro alugado (a mão é inglesa: dirige-se pela esquerda)
📌Melhor época
A primavera (abril a junho) e o outono (setembro a outubro) são as melhores épocas: clima quente e agradável, mar morno e menos multidões. O verão (julho e agosto) é quente, seco e muito cheio, com temperaturas que beiram e passam dos 33-35 °C e umidade alta; Valletta, de pedra dourada e pouca sombra, esquenta muito ao meio-dia. O inverno (novembro a março) é ameno — raramente fica abaixo de 10 °C — com dias de sol e um ou outro temporal de chuva e vento; é baixa temporada, tranquila e mais barata, ideal para o turismo cultural
📌Dias sugeridos
Com 1 dia inteiro dá para ver o essencial da cidade: a Concatedral de São João com os Caravaggio, o Palácio do Grão-Mestre, os Jardins de Upper Barrakka com a salva de canhão sobre o Grande Porto e um passeio pela Republic Street e pelas vielas barrocas. Com 2 dias, somam-se o Museu Nacional de Arqueologia, as Lascaris War Rooms, o Forte Santo Elmo e uma escapada de ferry às Três Cidades ou a Sliema. Valletta também funciona como base perfeita para conhecer toda Malta em bate-voltas: Mdina e Rabat, os templos megalíticos, Marsaxlokk ou Gozo
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Valletta é uma cidade construída de propósito, de uma vez e com um objetivo: nunca mais ficar indefesa. Depois do Grande Cerco de 1565, quando os Cavaleiros da Ordem de São João e o povo maltês resistiram por quase quatro meses ao ataque do Império Otomano, o grão-mestre Jean de Valette decidiu erguer uma nova cidade-fortaleza sobre a árida península do monte Sciberras, entre os dois portos. Em poucas décadas nasceu uma das primeiras cidades planejadas da Europa: traçado em grade, muralhas colossais, igrejas, palácios e albergues (auberges) da Ordem, tudo na mesma pedra calcária dourada que, ao entardecer, brilha como ouro.

O resultado é uma capital barroca em miniatura, densa e intensa, declarada inteiramente Patrimônio Mundial da Unesco. Em poucos quarteirões se concentram a deslumbrante Concatedral de São João — com seu piso de lápides de mármore e duas obras-primas de Caravaggio —, o palácio onde governaram os grão-mestres, museus, abrigos subterrâneos da Segunda Guerra Mundial e balcões de madeira pintados que se debruçam sobre ruas íngremes descendo em direção ao mar. Dos Jardins de Upper Barrakka, a vista do Grande Porto e das Três Cidades fortificadas em frente é uma das mais impressionantes do Mediterrâneo.

Este guia percorre Valletta com um olhar prático e acolhedor: o que ver sem perder o essencial, como entrar na Concatedral e nos museus, como aproveitar os mirantes e a salva de canhão, onde comer bem um pastizzi ou um coelho à maltesa, e como usar a cidade como base para descobrir o resto de Malta. Pequena, fácil de percorrer a pé e carregada de história, Valletta recompensa o viajante que tira um tempo para se perder por suas escadarias e espiar cada esquina com vista para o mar.

📖 História de Valletta

Valletta nasceu da guerra. Quando, em 1530, o imperador Carlos V cedeu Malta à Ordem de São João de Jerusalém — os Cavaleiros Hospitalários expulsos de Rodes —, a ilha não tinha uma grande cidade. Tudo mudou com o Grande Cerco de 1565: entre maio e setembro, alguns poucos milhares de cavaleiros e malteses, sob o comando do idoso grão-mestre Jean Parisot de Valette, resistiram ao ataque de uma enorme frota e de um exército otomanos enviados por Solimão, o Magnífico. A vitória cristã ecoou por toda a Europa e transformou Malta em símbolo de resistência. Para blindar a ilha, De Valette fundou em 1566 uma nova cidade sobre a península do monte Sciberras, entre o Grande Porto e Marsamxett, que levaria seu nome. Projetada pelo engenheiro militar Francesco Laparelli e continuada pelo maltês Girolamo Cassar, foi erguida em poucas décadas, com muralhas descomunais, uma grade regular e edifícios barrocos. Durante mais de dois séculos foi a capital dos Cavaleiros, até Napoleão tomar Malta em 1798. Pouco depois veio o domínio britânico (1800-1964), sob o qual Valletta foi uma base naval fundamental; na Segunda Guerra Mundial, Malta sofreu um dos bombardeios mais intensos da história e a ilha inteira foi condecorada com a Cruz de Jorge. Independente desde 1964 e república desde 1974, hoje Valletta é a capital de um Estado-membro da União Europeia e uma joia barroca preservada como Patrimônio da Humanidade. A história completa está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Valletta and the Grand Harbour

The fortified heart of Malta: the Baroque capital built after the Great Siege and the Three Cities of the knights, all looking out over the Grand Harbour.

Ler a história de Valletta and the Grand Harbour →

🗺️ O que ver

Passeios que dá para reservar

Um guia que mora no lugar conta em meia hora o que nenhuma placa explica. Nós buscamos na Civitatis: com guia em espanhol e reserva online sem complicação. Em La Valeta eles têm 10 passeios. E aqui tem free tours: você reserva sem pagar nada e no final dá ao guia o que achar justo, então experimentar não custa nada. Veja as de baixo: toque em qualquer uma para ver todas.

Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.

1
Concatedral de São João
A deslumbrante igreja barroca da Ordem de Malta, com o piso de lápides de cavaleiros e duas obras-primas de Caravaggio.
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A Concatedral de São João (St John's Co-Cathedral) é o monumento imperdível de Valletta e uma das igrejas barrocas mais impactantes da Europa. Foi construída entre 1573 e 1578 pela Ordem de São João como sua igreja conventual, obra do arquiteto maltês Girolamo Cassar. A fachada externa, sóbria e quase militar, não prepara para o que espera lá dentro: uma explosão de ouro, mármore e pintura que cobre cada centímetro. O interior é uma obra-prima do barroco. A abóbada é inteiramente pintada em afresco pelo calabrês Mattia Preti, com cenas da vida de São João Batista, padroeiro da Ordem. O piso é um tapete de quase quatrocentas lápides de mármores policromados que cobrem os túmulos dos cavaleiros mais ilustres, com caveiras, esqueletos e brasões. Nas laterais se abrem as capelas das diferentes 'línguas' ou nações da Ordem (Castela, Aragão, França, Itália, Provença…), cada uma competindo em riqueza. O grande tesouro fica no Oratório: 'A decapitação de São João Batista' (1608), a maior pintura de Caravaggio e a única que ele assinou, considerada um dos ápices da pintura ocidental. Na mesma sala está o seu 'São Jerônimo escrevendo'. Caravaggio viveu em Malta como cavaleiro da Ordem antes de fugir após uma briga. Ver essas obras no lugar para o qual foram pensadas é uma experiência única. Dicas: o ingresso inclui audioguia de 20 paradas. É proibido entrar de salto fino para proteger as lápides do piso. Vale ir cedo para evitar filas; fecha aos domingos e feriados. É uma visita curta, mas intensa e imprescindível.
ℹ️ Distância: Centro de Valletta, na Republic Street esquina com a St John Street; a pé desde o City Gate · Melhor época: Bem cedo pela manhã para evitar filas e grupos; fechada aos domingos e feriados · Entrada: €15 adulto, €12 sênior/estudante, grátis para menores de 12 acompanhados de adulto; campanário +€5 (fonte: stjohnscocathedral.com, verificado julho 2026) · Duração: 1 a 1,5 hora
2
Palácio do Grão-Mestre e a Armaria
A sede do poder da Ordem por mais de dois séculos, com salões de Estado, tapeçarias e uma das melhores armarias da Europa.
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O Palácio do Grão-Mestre (Grandmaster's Palace) foi, por mais de 250 anos, o centro do poder em Malta: residência e sede de governo dos grão-mestres da Ordem de São João, mais tarde palácio dos governadores britânicos e hoje gabinete do presidente da República e sede cerimonial. Ocupa um quarteirão inteiro no coração da cidade, em torno de dois pátios internos, na St George's Square. A visita aos Salões de Estado (State Rooms) percorre os espaços mais solenes: o Salão do Trono, ou de São Miguel e São Jorge, com um friso pintado que narra episódios do Grande Cerco de 1565; a Sala do Conselho, ou das Tapeçarias, decorada com uma série de tapeçarias flamengas dos Gobelins com cenas exóticas da América, da África e da Ásia (as 'Tentures des Indes'); longos corredores com retratos de grão-mestres e armaduras. Os tetos em caixotões, os pisos de mármore e a decoração dão uma ideia do esplendor da Ordem. No mesmo palácio fica a Armaria do Palácio (Palace Armoury), uma das coleções de armas e armaduras históricas mais importantes do mundo ainda preservadas no local de origem. Reúne milhares de peças dos séculos XVI a XVIII: armaduras de gala dos grão-mestres, espadas, mosquetes, canhões e troféus capturados dos otomanos. Dicas: o ingresso costuma ser um ticket combinado para os Salões de Estado e a Armaria. Algumas salas podem fechar por eventos oficiais, então vale conferir antes. Fica a poucos passos da Concatedral, fácil de combinar.
ℹ️ Distância: St George's Square, centro de Valletta; a poucos passos da Concatedral de São João · Melhor época: Qualquer dia; verificar fechamentos por eventos oficiais da Presidência · Entrada: €12 adulto, €10 jovem (12-17)/sênior, €8 crianças (6-11), grátis 1-5 anos; inclui Salões de Estado e Armaria (fonte: Heritage Malta, verificado julho 2026) · Duração: 1,5 a 2 horas
3
Jardins de Upper Barrakka e a salva de canhão
O mirante mais famoso de Malta sobre o Grande Porto e as Três Cidades, com uma salva de canhão todo meio-dia.
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Os Jardins de Upper Barrakka (Upper Barrakka Gardens) são a varanda de Valletta: um terraço ajardinado com arcadas no ponto mais alto das muralhas, de onde se abre a vista mais célebre de Malta. Lá embaixo se estende o Grande Porto (Grand Harbour), um dos portos naturais mais espetaculares do mundo, e, em frente, as três cidades fortificadas de Vittoriosa, Senglea e Cospicua, com seus baluartes caindo sobre a água. É o lugar perfeito para entender, num relance, a geografia militar que fez de Malta uma fortaleza. Abaixo dos jardins fica a Saluting Battery (bateria de salvas), uma fileira de canhões históricos apontados para o porto. Todos os dias, ao meio-dia (e também às 16h), artilheiros com uniforme de época disparam uma salva de canhão numa cerimônia que remonta aos tempos da Ordem e da Marinha britânica, quando servia para marcar a hora e saudar os navios. Assistir lá de cima, com o estrondo ecoando no porto, é um pequeno espetáculo gratuito e muito fotogênico. Um elevador panorâmico (o Barrakka Lift) liga os jardins ao nível do porto e à área dos ferries, vencendo o desnível das muralhas em segundos. Dicas: chegue alguns minutos antes do meio-dia para garantir lugar no parapeito e ver o disparo. A entrada nos jardins é gratuita; descer até a própria bateria tem ingresso à parte. É um programa ideal ao entardecer, quando a pedra fica dourada e o porto se ilumina.
ℹ️ Distância: Extremo sul de Valletta, sobre as muralhas; a pé desde o centro · Melhor época: 12h para a salva de canhão; entardecer pela luz · Entrada: Jardins grátis; acesso à Saluting Battery aprox. €3 adulto com guia/audioguia (fonte: Fondazzjoni Wirt Artna, verificado julho 2026) · Duração: 30 a 45 minutos
4
Museu Nacional de Arqueologia
O museu que reúne os tesouros dos templos megalíticos, incluindo a célebre 'Dama Adormecida' e a 'Vênus de Malta'.
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O Museu Nacional de Arqueologia (National Museum of Archaeology) é a porta de entrada para entender a pré-história única de Malta, a dos templos megalíticos de pedra mais antigos do mundo. Funciona no Auberge de Provence, um dos antigos albergues da Ordem na Republic Street, um elegante edifício barroco que por si só já vale a visita. O acervo reúne os achados dos grandes sítios pré-históricos da ilha: Ħaġar Qim, Mnajdra, Tarxien, o Hipogeu de Ħal Saflieni e outros. A peça mais famosa é a 'Dama Adormecida' (Sleeping Lady), uma minúscula figura de argila de uma mulher deitada, encontrada no Hipogeu, obra-prima da arte pré-histórica de mais de 5.000 anos atrás. Outro tesouro é a chamada 'Vênus de Malta', uma pequena figura feminina vinda de Ħaġar Qim, ao lado de estatuetas de divindades corpulentas, altares entalhados e cerâmicas decoradas. O museu também cobre as épocas posteriores — fenícia, púnica e romana — com peças como os cipos de mármore com inscrições bilíngues que foram fundamentais para decifrar a escrita fenícia, sarcófagos e joias. É a melhor forma de ganhar contexto antes ou depois de visitar os templos in loco. Dicas: é uma visita ideal para fazer antes de ir a Ħaġar Qim ou ao Hipogeu, para entender o que se está vendo. Fica bem no centro, na Republic Street. Pede uma hora e pouco; a 'Dama Adormecida' é pequena, então não espere uma grande escultura, e sim uma joia delicada.
ℹ️ Distância: Republic Street, Auberge de Provence, centro de Valletta · Melhor época: Qualquer dia; ideal antes de visitar os templos megalíticos · Entrada: €5,50 adulto, €3,50 jovem/sênior/estudante, €2,50 crianças (6-11), grátis 1-5 anos (fonte: Heritage Malta, verificado julho 2026) · Duração: 1 a 1,5 hora
5
Lascaris War Rooms
O bunker subterrâneo de onde foram comandados a defesa de Malta na Segunda Guerra Mundial e o desembarque na Sicília.
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As Lascaris War Rooms são um fascinante complexo de túneis e salas escavado sob os baluartes de Valletta, na rocha sobre a qual a cidade está assentada. Foi o centro secreto de comando de onde os Aliados dirigiram a defesa de Malta durante a Segunda Guerra Mundial, quando a ilha — posição estratégica no meio do Mediterrâneo — sofreu um dos cercos aéreos mais intensos da história, com milhares de ataques da aviação alemã e italiana. Nessas salas subterrâneas, à prova de bombas, trabalhavam os escritórios de operações da Royal Air Force, da Marinha e do Exército, acompanhando em mapas enormes o movimento de aviões e navios. Daqui foi coordenada a caça que defendia o céu maltês e, em 1943, a Operação Husky, o desembarque aliado na Sicília, planejado em parte a partir de Malta sob o comando do general Eisenhower. Mais tarde, durante a Guerra Fria, a OTAN usou o complexo como centro de vigilância. A visita percorre as salas de operações reconstruídas, com seus mapas, telefones, maquetes e painéis, enquanto um audioguia ou guia explica o dia a dia daquele bunker e o drama do cerco. É uma das melhores experiências para entender o papel de Malta na guerra e por que a ilha inteira recebeu a Cruz de Jorge do rei Jorge VI em 1942. Dicas: o ambiente é subterrâneo e fresco, um bom refúgio num dia de calor. Combina muito bem com os Jardins de Upper Barrakka, que ficam logo acima (o acesso é por uma entrada próxima). Confira horários e preços, que variam conforme a visita seja livre ou guiada.
ℹ️ Distância: Sob os Jardins de Upper Barrakka, Valletta; entrada sinalizada nas proximidades · Melhor época: Qualquer dia; fresco no verão por ser subterrâneo · Entrada: Aprox. €16-20 adulto conforme a modalidade (ingresso ou tour guiado); ticket combinado com Saluting Battery e Malta at War Museum €25 (fonte: lascariswarrooms.com, verificado julho 2026, confirmar na bilheteria) · Duração: 1 a 1,5 hora
6
Forte Santo Elmo e o Museu Nacional da Guerra
A fortaleza na ponta de Valletta que caiu heroicamente no Grande Cerco, hoje museu militar com a Cruz de Jorge.
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O Forte Santo Elmo (Fort St Elmo) ocupa a extremidade da península de Valletta, na ponta onde o Grande Porto e Marsamxett se abrem para o mar. É um lugar carregado de simbolismo: no Grande Cerco de 1565, este forte — então bem menor — resistiu por quase um mês ao bombardeio constante dos otomanos antes de cair, com quase todos os seus defensores mortos. Aquela resistência desesperada deu tempo ao resto da Ordem para organizar a defesa e foi decisiva para a vitória final. Após o cerco, o forte foi reconstruído e ampliado como peça-chave das muralhas da nova cidade. Hoje o forte abriga o Museu Nacional da Guerra (National War Museum), que percorre a história militar de Malta desde a pré-história e a época da Ordem até as duas guerras mundiais, com atenção especial à Segunda Guerra Mundial. Entre as peças está exposta a Cruz de Jorge original, a mais alta condecoração civil britânica, que o rei Jorge VI concedeu a todo o povo maltês em 1942 pela coragem sob os bombardeios, uma honra única concedida a uma nação inteira. Também há armas, uniformes, veículos e o famoso avião biplano 'Faith', um dos três caças Gloster Gladiator que, segundo a lenda, defenderam o céu de Malta nos primeiros dias da guerra. Dicas: dentro do forte às vezes acontece o 'In Guardia', uma recriação histórica com soldados de época. As vistas do mar e das muralhas a partir do forte são magníficas. Combine a visita com uma caminhada pela orla até a ponta da cidade.
ℹ️ Distância: Ponta nordeste de Valletta, sobre o Grande Porto e Marsamxett; a pé pela orla · Melhor época: Manhã ou meio da tarde; verificar os dias das recriações 'In Guardia' · Entrada: €10 adulto aprox., descontos para jovens/sênior/crianças (fonte: Heritage Malta, verificado julho 2026) · Duração: 1,5 a 2 horas
7
Republic Street, as auberges e as ruas barrocas
O eixo de pedestres de Valletta e sua trama de ruas íngremes, palácios da Ordem e balcões de madeira coloridos.
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A melhor forma de conhecer Valletta é, simplesmente, caminhar por ela. A cidade é tão pequena e compacta que dá para percorrê-la inteira a pé, e seu traçado em grade, projetado por engenheiros militares do século XVI, torna quase impossível se perder. A espinha dorsal é a Republic Street (Triq ir-Repubblika), a principal rua de pedestres, que atravessa a cidade de ponta a ponta, do moderno City Gate até o Forte Santo Elmo, ladeada por lojas, cafés, palácios e museus. Ao longo do caminho aparecem os grandes edifícios da Ordem: as auberges, ou albergues, onde os cavaleiros se hospedavam de acordo com a nação de origem. A mais imponente é a Auberge de Castille, de fachada barroca curva, hoje gabinete do primeiro-ministro. Também estão ali o novo Parlamento, obra do arquiteto Renzo Piano junto ao City Gate, e a Igreja do Naufrágio de São Paulo. Vale a pena desviar pelas ruas laterais, que descem em declive acentuado rumo aos dois portos, com longas escadarias e vistas para a água entre os prédios. O detalhe mais característico são os gallariji, os balcões de madeira fechados e pintados de cores — verde, azul, vermelho, ocre — que despontam das fachadas de pedra dourada, típicos da arquitetura maltesa. Ao entardecer, quando o calcário ganha tom de mel, a cidade inteira parece de ouro. Dicas: use calçado confortável por causa das ladeiras e escadas. Praças como a St George's Square e a da Fontana do Tritão (junto à entrada) são bons pontos de referência. Não deixe de ir aos mirantes de Lower Barrakka e do Hastings Garden, mais tranquilos que o Upper Barrakka.
ℹ️ Distância: Todo o centro histórico de Valletta; eixo central na Republic Street · Melhor época: Entardecer pela luz dourada; manhã cedo para ruas vazias · Entrada: Grátis (passeio livre pela cidade) · Duração: Meio dia (passeio, praças e mirantes)
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Concatedral de San Juan (con audioguía)€15 adulto, €12 sênior/estudante, grátis para menores de 12; campanário +€5 (fonte: stjohnscocathedral.com, verificado julho 2026)
Palacio del Gran Maestre + Armería€12 adulto, €10 jovem/sênior, €8 crianças (6-11), grátis 1-5 (fonte: Heritage Malta, verificado julho 2026)
Museo Nacional de Arqueología€5,50 adulto, €3,50 reduzido, €2,50 crianças (fonte: Heritage Malta, verificado julho 2026)
Fuerte San Telmo y Museo Nacional de la Guerra€10 adulto aprox., descontos disponíveis (fonte: Heritage Malta, verificado julho 2026)
Lascaris War RoomsAprox. €16-20 adulto conforme a modalidade; combo com Saluting Battery e Malta at War €25 (fonte: lascariswarrooms.com, verificado julho 2026)
Saluting Battery (Upper Barrakka)Aprox. €3 adulto com guia; os jardins são grátis (fonte: Fondazzjoni Wirt Artna, verificado julho 2026)
Malta Heritage Pass (varios sitios de Heritage Malta)Passe de vários dias com acesso a museus e sítios estatais; vale a pena se você for visitar 3 ou mais (fonte: Heritage Malta, verificado julho 2026)
Jardines de Upper y Lower Barrakka, paseo por la ciudadGrátis
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

AtividadePreçoDuraçãoOperadora
Free tour a pé por Valletta (Concatedral, auberges, mirantes)Contribuição livre (gorjeta sugerida €10-15 por pessoa)2-2,5 hEmpresas de free tour em espanhol/inglês
Passeio de barco pelo Grande Porto (Grand Harbour)€16-20 por pessoa aprox. (2026, referencial)1-1,5 hCompanhias de barcos saindo de Sliema e Valletta
Espetáculo audiovisual 'The Malta Experience' ou 'Malta 5D'€10-16 por pessoa aprox. (2026, referencial)45 min - 1 hSalas do centro histórico
Bate-volta a Mdina, Rabat e Dingli€35-60 por pessoa com transporte (2026, referencial)Meio dia a dia inteiroAgências de passeios de Malta
Bate-volta a Gozo e Comino€40-70 por pessoa com ferry (2026, referencial)Dia inteiroAgências e companhias de barcos
Tour gastronômico maltês (pastizzi, vinho, mercado)€50-80 por pessoa aprox. (2026, referencial)3-4 hGuias gastronômicos locais
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

A pé
Grátis
DuraçãoVariável
Observações
Valletta é minúscula (meio km²) e quase toda para pedestres; dá para percorrê-la inteira a pé. Atenção às ladeiras e escadarias que descem até os portos: use calçado confortável
Ônibus Tallinja (Malta Public Transport)
DuraçãoVariável
Preço
€2 inverno / €2,50 verão a passagem simples (2 h, dinheiro ou contactless); com o cartão Tallinja personalizado (€25) você viaja de graça (fonte: publictransport.com.mt, verificado em julho de 2026)
Observações
A estação central fica do lado de fora da City Gate, junto à Fonte dos Tritões; dali saem as linhas para toda Malta. É o principal meio para se locomover pela ilha. Lá se dirige pela esquerda
Barrakka Lift (elevador panorâmico)
PreçoAprox. €1 a subida (2026, verificar)
Duração1 min
Observações
Liga os Jardins de Upper Barrakka ao nível do Grande Porto e ao terminal de ferries; poupa a subida das muralhas
Ferries do porto (para Sliema e para as Três Cidades)
PreçoAprox. €1,50-2,80 por trecho (2026, referencial)
Duração5-10 min
Observações
Os ferries rápidos atravessam até Sliema (porto de Marsamxett) e até as Três Cidades (Grande Porto); são rápidos, baratos e têm ótimas vistas das muralhas
Táxi e apps (Bolt, eCabs)
DuraçãoVariável
Preço
Trajetos curtos a partir de €8-14 aprox.; do aeroporto a Valletta, táxi com tarifa fixa de €17 (2026, referencial)
Observações
Os apps (Bolt, eCabs) costumam ser mais baratos que os táxis brancos de rua. Práticos à noite ou com bagagem
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Aeroporto de Malta (MLA) → Valletta (ônibus TD4/Tallinja)Malta Public Transport (Tallinja)€3 simples em dinheiro/contactless; €1,50 com cartão Tallinja (2026)20-25 min
Aeroporto de Malta (MLA) → Valletta (táxi com tarifa fixa)Táxis do aeroporto / apps (Bolt, eCabs)€17 tarifa fixa pré-paga no balcão; Bolt €8-14 (2026, referencial)15-20 min (uns 8 km)
Sliema ↔ Valletta (ferry de Marsamxett)Valletta Ferry ServicesAprox. €1,50-2,80 por trecho (2026, referencial)5-10 min
Três Cidades ↔ Valletta (ferry do Grande Porto)Valletta Ferry ServicesAprox. €1,50-2,80 por trecho (2026, referencial)5 min
Resto de Malta → Valletta (rede de ônibus Tallinja)Malta Public Transport (Tallinja)€2 inverno / €2,50 verão a passagem simples (2026)Depende da origem; quase todas as linhas terminam em Valletta
Terminal de cruzeiros (Valletta Cruise Port) → centroA pé, Barrakka Lift ou táxiBarrakka Lift aprox. €1; a pé subindo as muralhas5-15 min
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Luxo boutique em palácios barrocos
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 220–500 a diária; hotéis de luxo e 'palazzo hotels' em edifícios históricos restaurados do centro, muitos com terraços, piscinas de borda infinita e vista para o Grande Porto ou para as cúpulas da cidade
Boutique charmoso no centro histórico
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 120–220 a diária; pequenos hotéis boutique e casas maltesas de pedra reformadas em ruas tranquilas de Valletta, a poucos passos da Concatedral e dos mirantes
Intermediário em Valletta ou Sliema
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 70–130 a diária; hotéis de categoria média bem localizados; muitos viajantes se hospedam na vizinha Sliema ou em St. Julian's (mais bem conectadas e com mais opções) e visitam Valletta de ferry ou ônibus
Econômico / hostels
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 20–55 a diária (dormitórios a partir de US$ 18); hostels e guesthouses em Valletta, Sliema e St. Julian's, uma boa base para conhecer a ilha com orçamento apertado

🍴 Onde comer

Cocina maltesa tradicional
Preço$$$$$
Opções / prato típico
€12–25 por prato; pratos típicos como o fenkata (coelho ensopado no vinho e alho), o bragioli (enroladinhos de carne), a aljotta (sopa de peixe) e a ftira maltesa. Tavernas e restaurantes familiares no centro histórico e em Marsaxlokk
Pastizzi y comida callejera
Preço$$$$$
Opções / prato típico
€0,50–3 por porção; os pastizzi (pasteizinhos de massa folhada recheados com ricota ou purê de ervilha) são o lanche nacional, baratíssimos; também tem qassatat e ftira. Ideais para o café da manhã ou um lanche no meio da manhã
Marisco y pescado fresco
Preço$$$$$
Opções / prato típico
€18–40 por prato; polvo, lampuki (dourado, na temporada de outono), camarão e peixe do dia. Os melhores lugares ficam à beira-mar, em Marsaxlokk, Sliema e no Grande Porto
Cocina moderna y rooftops con vista
Preço$$$$$
Opções / prato típico
€25–50 por prato; restaurantes de cozinha mediterrânea contemporânea e terraços com vista para o porto ou para as muralhas, ideais para um jantar especial ao pôr do sol em Valletta

📖 História de Valletta

Origem, formação e o que dizem as fontes.

A Ordem de São João chega a Malta (1530)

A história de Valletta começa com uma ordem de cavaleiros sem terra. Os Cavaleiros de São João de Jerusalém, também chamados de Hospitalários, surgiram no século XI para cuidar dos peregrinos cristãos na Terra Santa e, com o tempo, viraram uma ordem militar-religiosa que lutava nas Cruzadas. Depois da queda dos últimos redutos cristãos no Oriente, recuaram para Chipre e depois para a ilha de Rodes, no Egeu, onde por dois séculos foram uma potência naval que atormentava os turcos otomanos. Em 1522, após um cerco brutal, o sultão Solimão, o Magnífico, os expulsou de Rodes.

Durante oito anos, a Ordem vagou pela Europa sem um lar, até que em 1530 o imperador Carlos V — rei da Espanha e senhor da Sicília — cedeu a eles o arquipélago de Malta como feudo. O preço simbólico era curioso: um falcão maltês que deveriam entregar todo ano ao vice-rei da Sicília (daí a lenda do 'falcão maltês'). Em troca, os cavaleiros tinham que defender o Mediterrâneo central do avanço otomano e dos corsários berberes.

Malta não era um prêmio cobiçado. Era uma ilha árida, sem rios, com poucas árvores e pouca água, habitada por alguns milhares de camponeses e pescadores de língua semítica. Os cavaleiros, acostumados à fértil Rodes, se instalaram a contragosto em Birgu (a futura Vittoriosa), junto ao Grande Porto, e fortificaram aquela faixa de terra. Logo ficaria claro que aquela pequena rocha no meio do mar era uma posição estratégica de primeira linha, e que a sua posse seria decidida em uma das batalhas mais célebres da história.

O feudo do falcão
As fontes históricas confirmam que Carlos V cedeu Malta à Ordem em 1530 em troca do tributo anual simbólico de um falcão, além da obrigação de defender a região. O imperador buscava um baluarte cristão diante da expansão otomana no Mediterrâneo central.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Order_of_Saint_John_(chartered_1888)
De Rodes a Malta
A historiografia documenta a expulsão dos Hospitalários de Rodes por Solimão, o Magnífico, em 1522 e seus anos sem sede fixa até se estabelecerem em Malta em 1530, primeiro em Birgu, junto ao Grande Porto.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Knights_Hospitaller

O Grande Cerco de 1565

Na primavera de 1565, o Império Otomano lançou contra Malta uma das maiores operações militares do seu tempo. Solimão, o Magnífico, o sultão mais poderoso da época, enviou uma frota de mais de 180 navios e um exército que as fontes estimam entre 30.000 e 40.000 homens, com a missão de arrancar a ilha dos cavaleiros e usá-la como trampolim para atacar a Sicília, a Itália e o Mediterrâneo ocidental. Do outro lado, o grão-mestre Jean Parisot de Valette, um veterano de mais de setenta anos, contava com apenas uns 500 cavaleiros e alguns milhares de soldados e milicianos malteses: talvez 6.000 ou 8.000 defensores no total.

O cerco, que durou de maio a setembro, foi de uma ferocidade extrema. Os otomanos concentraram primeiro o fogo no pequeno Forte de Santo Elmo, na ponta da península onde hoje fica Valletta. Contra todas as expectativas, Santo Elmo resistiu por quase um mês sob bombardeio incessante antes de cair, com quase todos os seus defensores mortos; mas essa resistência sangrou o atacante e o fez perder um tempo precioso. Diz a tradição que o comandante otomano Mustafá Paxá, ao ver o custo de tomar aquele forte menor, teria se perguntado, desesperado, quanto custaria então a cidadela principal.

O ataque passou então para Birgu e Senglea, onde os cavaleiros e o povo maltês lutaram casa por casa. Houve episódios de crueldade dos dois lados — decapitações, corpos usados como mensagem — e uma defesa desesperada com a participação de mulheres, idosos e crianças. Quando tudo parecia perdido, no início de setembro chegou enfim o Grande Socorro: uma força de reforço enviada da Sicília pelo vice-rei espanhol. Exaustos e dizimados, os otomanos levantaram o cerco e se retiraram. A vitória cristã, celebrada em toda a Europa como um milagre, salvou Malta e freou o avanço otomano rumo ao oeste.

O sacrifício de Santo Elmo
Os historiadores concordam que a resistência do Forte de Santo Elmo por quase um mês, apesar da sua queda, foi decisiva: desgastou o exército otomano e o fez perder tempo e homens, o que foi fundamental para a vitória final dos defensores.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Great_Siege_of_Malta
O Grande Socorro da Sicília
A chegada, em setembro de 1565, da força de socorro enviada da Sicília pelo vice-rei espanhol (o 'Gran Soccorso') é apontada pelas fontes como o golpe que levou os otomanos, já esgotados por meses de combate e doenças, a abandonar o cerco.
Fonte: https://es.wikipedia.org/wiki/Gran_Sitio_de_Malta

A fundação de uma cidade-fortaleza (1566)

O Grande Cerco deixou uma lição clara: se os cavaleiros quisessem sobreviver a um próximo ataque, precisavam de uma fortaleza moderna na posição dominante da península do monte Sciberras, a faixa de terra entre o Grande Porto e o porto de Marsamxett de onde os otomanos tinham bombardeado os defensores. Em 28 de março de 1566, apenas meio ano depois da vitória, o grão-mestre Jean de Valette lançou a pedra fundamental de uma cidade totalmente nova que levaria o seu nome: Valletta.

O projeto foi uma façanha de engenharia e urbanismo. A Ordem contratou o engenheiro militar italiano Francesco Laparelli, enviado pelo papa Pio V, que desenhou um traçado revolucionário para a época: uma malha regular de ruas retas que se cruzam em ângulo reto, pensada tanto para a circulação quanto para a defesa, cercada por um cinturão de muralhas, baluartes e fossos escavados na rocha viva. Era uma das primeiras cidades europeias planejadas inteiramente do zero segundo os princípios do urbanismo renascentista e da fortificação 'à moderna'. Depois da partida de Laparelli, a obra foi continuada pelo seu assistente maltês, o arquiteto Girolamo Cassar, autor de muitos dos edifícios emblemáticos.

A construção avançou num ritmo impressionante graças a milhares de operários e escravos. Em poucos anos foram erguidas as muralhas, a Concatedral de São João, o Palácio do Grão-Mestre, os albergues (auberges) das diferentes 'línguas' ou nações da Ordem e um hospital, a Sacra Infermeria, famosa pelo seu enorme salão e pelo atendimento avançado para a época. Valletta se tornou assim a nova capital e o orgulho da Ordem: uma cidade barroca de pedra dourada, concebida ao mesmo tempo como bastião militar e como vitrine do poder e da fé dos cavaleiros. Jean de Valette morreu em 1568 e foi enterrado na cidade que havia sonhado, sem chegar a vê-la pronta.

Uma das primeiras cidades planejadas da Europa
As fontes destacam que Valletta, com seu traçado em malha projetado por Laparelli e continuado por Cassar, é um dos exemplos mais antigos e completos de cidade planejada do Renascimento, concebida simultaneamente como fortaleza e como capital.
Fonte: https://whc.unesco.org/en/list/131/
O lema da cidade
A tradição registra que Valletta foi concebida como 'uma cidade construída por cavaleiros para cavaleiros', e a Unesco a reconhece como um dos conjuntos urbanos históricos mais concentrados do mundo, com 320 monumentos em apenas 55 hectares.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Valletta

A era de ouro da Ordem e o esplendor barroco

Durante os séculos XVII e XVIII, Valletta viveu sua época de maior esplendor como capital de um Estado próspero e cosmopolita governado pela Ordem. Os cavaleiros, vindos da nobreza de toda a Europa católica, fizeram de Malta uma encruzilhada do Mediterrâneo: base de uma frota que combatia os corsários, refúgio do comércio e centro artístico onde se misturavam influências italianas, francesas e espanholas. A riqueza acumulada foi despejada no embelezamento da cidade com a linguagem exuberante do barroco.

O símbolo desse esplendor é a Concatedral de São João. Por fora é austera, quase uma fortaleza; por dentro, uma explosão de ouro, mármores policromados e pintura. O grão-mestre Rafael Cotoner encomendou ao pintor calabrês Mattia Preti a decoração da abóbada com cenas da vida de São João Batista, e cada 'língua' da Ordem competiu para enfeitar sua capela com a maior magnificência. O piso é um mosaico de quase quatrocentas lápides de mármore sob as quais repousam os cavaleiros. E no seu oratório está a joia absoluta: 'A decapitação de São João Batista', de Caravaggio, a única obra que o gênio italiano assinou, pintada durante sua estadia em Malta como cavaleiro, pouco antes de fugir da ilha depois de um incidente violento.

A Ordem também deixou sua marca científica e humanitária. A Sacra Infermeria era um dos hospitais mais avançados da Europa, onde os doentes — inclusive peregrinos e escravos — eram servidos em pratos de prata. Foi fundada uma universidade, construíram-se bibliotecas, teatros e palácios, e Valletta se encheu de fontes, igrejas e jardins. Aquele mundo brilhante, porém, se apoiava numa economia que incluía o corso e a escravidão, e numa aristocracia que, com o passar das gerações, foi perdendo o fervor guerreiro dos fundadores. No fim do século XVIII, a Ordem estava em decadência, enfraquecida pela perda de suas rendas na Europa revolucionária.

Caravaggio em Malta
Os historiadores da arte confirmam que Caravaggio chegou a Malta em 1607, foi admitido como cavaleiro e pintou ali várias obras, entre elas 'A decapitação de São João Batista' (1608), a única que assinou, antes de ser expulso da Ordem e fugir da ilha após uma briga.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/The_Beheading_of_Saint_John_the_Baptist_(Caravaggio)
A Sacra Infermeria
As fontes descrevem o hospital da Ordem em Valletta, a Sacra Infermeria, como um dos mais avançados da sua época, com um dos salões de enfermos mais longos da Europa e um atendimento médico notável para os padrões do século XVII.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Sacra_Infermeria

Napoleão, os britânicos e uma base imperial (1798-1964)

O fim da Ordem em Malta veio de repente. Em junho de 1798, a caminho da sua campanha no Egito, Napoleão Bonaparte apareceu com sua frota diante de Valletta e exigiu a rendição. O grão-mestre Ferdinand von Hompesch, sem vontade de resistir e com uma Ordem dividida e decadente, entregou a ilha praticamente sem luta. Em poucos dias, os franceses saquearam igrejas e tesouros — inclusive boa parte da prata da Ordem — e aboliram o antigo regime. Mas o saque e as reformas anticlericais enfureceram os malteses, que se rebelaram contra a guarnição francesa e a cercaram dentro das muralhas de Valletta.

Os malteses pediram ajuda à Grã-Bretanha, cuja frota bloqueou o porto. Em 1800, os franceses, famintos, capitularam e Malta ficou sob proteção britânica, algo que o Tratado de Paris de 1814 confirmou de forma definitiva: a ilha virou colônia da Coroa. Para o Império Britânico, Malta era uma joia estratégica: seu Grande Porto, profundo e abrigado, se transformou numa das principais bases navais do Mediterrâneo, escala-chave na rota para a Índia e, depois da abertura do canal de Suez em 1869, ponto vital do comércio e do poder imperial.

Sob o domínio britânico, que durou um século e meio, Valletta continuou sendo a capital e o centro administrativo. A cidade se modernizou com novas obras, foram construídos estaleiros e fortificações, e cresceu uma identidade maltesa que combinava a herança católica e latina com a língua inglesa e as instituições britânicas. O maltês e o inglês passariam a conviver como idiomas, e o país adotaria a mão inglesa no trânsito, herança que continua até hoje. No início do século XX começou a crescer também um movimento pelo autogoverno, que exigia mais voz para os malteses no destino da sua ilha.

A rendição sem luta diante de Napoleão
A historiografia concorda que a Ordem entregou Malta a Napoleão em 1798 quase sem resistência, por causa da decadência interna, da falta de vontade do grão-mestre Von Hompesch e da presença de cavaleiros franceses pouco dispostos a lutar contra a França. O saque que veio depois provocou a rebelião maltesa.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/French_occupation_of_Malta
Malta, base do Mediterrâneo britânico
As fontes ressaltam o valor estratégico do Grande Porto de Valletta para o Império Britânico como base naval no Mediterrâneo, reforçado após a abertura do canal de Suez em 1869, que fez de Malta uma escala-chave rumo à Índia.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Crown_Colony_of_Malta

A Segunda Guerra Mundial e a Malta independente (1939-hoje)

O século XX colocou Valletta e toda Malta na linha de frente. Durante a Segunda Guerra Mundial, a posição da ilha — no meio do caminho entre a Europa e a África, junto às rotas de abastecimento do Eixo para o norte da África — a transformou num alvo prioritário. Entre 1940 e 1942, as forças aéreas alemã e italiana submeteram Malta a um dos bombardeios mais intensos e prolongados da história: milhares de ataques aéreos despejaram uma tonelagem de bombas descomunal sobre uma ilha minúscula, arrasando parte de Valletta, os estaleiros e as Três Cidades, e obrigando a população a se abrigar em túneis e refúgios escavados na rocha.

Malta resistiu à beira da fome, com a população e a guarnição dependendo de comboios que cruzavam um mar dominado pelo inimigo. O mais famoso foi a Operação Pedestal, em agosto de 1942, quando um comboio duramente castigado conseguiu levar suprimentos e combustível que salvaram a ilha da rendição. Em reconhecimento à coragem dos malteses sob fogo, em abril de 1942 o rei Jorge VI concedeu à ilha inteira a Cruz de Jorge, a mais alta condecoração civil britânica por bravura: uma honra sem precedentes dada a um povo inteiro, e cuja cruz aparece hoje na bandeira de Malta. Dos Lascaris War Rooms, escavados sob Valletta, foi comandada a defesa aérea e, em 1943, ajudou-se a planejar o desembarque aliado na Sicília.

Depois da guerra, o movimento pela autonomia ganhou força. Malta conquistou a independência dentro da Commonwealth em 1964 e se proclamou república em 1974; as últimas forças militares britânicas saíram em 1979. Em 2004, o país entrou na União Europeia e, em 2008, adotou o euro. Valletta, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1980, foi restaurada e revitalizada, com marcos como o novo Parlamento e a reforma da entrada da cidade projetados por Renzo Piano. Em 2018 foi Capital Europeia da Cultura. Hoje, aquela cidade-fortaleza erguida depois do Grande Cerco continua de pé, dourada e viva, como capital de uma república mediterrânea e como um dos conjuntos barrocos mais bem conservados do mundo.

A Cruz de Jorge para uma nação inteira
As fontes confirmam que em abril de 1942 o rei Jorge VI concedeu a Cruz de Jorge à ilha de Malta como um todo, para homenagear a coragem da sua população sob o intenso bombardeio do Eixo; é um dos poucos casos em que a condecoração foi concedida de forma coletiva, e a cruz aparece na bandeira nacional.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/George_Cross
O cerco e a Operação Pedestal
A historiografia descreve o cerco de Malta (1940-1942) como um dos bombardeios mais intensos da guerra e destaca a Operação Pedestal (agosto de 1942) como o comboio que, apesar das enormes perdas, permitiu que a ilha resistisse sem se render.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Siege_of_Malta_(World_War_II)

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «La Valeta»: https://es.wikipedia.org/wiki/La_Valeta
  • Wikipedia (EN) — «Valletta»: https://en.wikipedia.org/wiki/Valletta
  • Wikipedia (EN) — «Great Siege of Malta»: https://en.wikipedia.org/wiki/Great_Siege_of_Malta
  • Wikipedia (ES) — «Gran Sitio de Malta»: https://es.wikipedia.org/wiki/Gran_Sitio_de_Malta
  • Wikipedia (EN) — «Knights Hospitaller»: https://en.wikipedia.org/wiki/Knights_Hospitaller
  • Wikipedia (EN) — «St John's Co-Cathedral»: https://en.wikipedia.org/wiki/St_John%27s_Co-Cathedral
  • Wikipedia (EN) — «The Beheading of Saint John the Baptist (Caravaggio)»: https://en.wikipedia.org/wiki/The_Beheading_of_Saint_John_the_Baptist_(Caravaggio)
  • Wikipedia (EN) — «French occupation of Malta»: https://en.wikipedia.org/wiki/French_occupation_of_Malta
  • Wikipedia (EN) — «Siege of Malta (World War II)»: https://en.wikipedia.org/wiki/Siege_of_Malta_(World_War_II)
  • Wikipedia (EN) — «George Cross»: https://en.wikipedia.org/wiki/George_Cross
  • UNESCO — «City of Valletta»: https://whc.unesco.org/en/list/131/
  • Encyclopaedia Britannica — «Siege of Malta»: https://www.britannica.com/event/Siege-of-Malta-1565

❓ Perguntas frequentes

Quantos dias preciso para conhecer Valletta?+
Com 1 dia inteiro você vê o essencial: a Concatedral de São João com os Caravaggio, o Palácio do Grão-Mestre, os Jardins de Upper Barrakka com a salva de canhão e um passeio pelas ruas barrocas. Com 2 dias dá para incluir o Museu de Arqueologia, os Lascaris War Rooms, o Forte de Santo Elmo e uma escapada de ferry às Três Cidades ou a Sliema. Como a cidade é tão pequena, muita gente a usa como base e dedica os outros dias a passeios por Malta e Gozo.
Qual é a melhor época para visitar Valletta?+
A primavera (abril a junho) e o outono (setembro a outubro) são as melhores épocas: clima quente e agradável, mar morno e menos gente. O verão (julho e agosto) é quente e muito cheio, com mais de 33 °C e pouca sombra na cidade de pedra; vale a pena sair cedo. O inverno é ameno, tranquilo e mais barato, ideal para o turismo cultural, embora possa haver dias de chuva e vento.
Como vou do aeroporto até Valletta?+
O aeroporto de Malta (MLA) fica a apenas 8 km. As opções são o ônibus TD4 da Tallinja (€3 em dinheiro/contactless, uns 20-25 minutos até a City Gate), um táxi com tarifa fixa de €17 pré-paga no balcão do aeroporto, ou um app como o Bolt (€8-14 aprox.). O ônibus é o mais econômico; o táxi ou o Bolt, o mais confortável com bagagem.
É preciso reservar o ingresso para a Concatedral de São João?+
Não é obrigatório reservar, mas vale comprar o ingresso online ou chegar cedo para evitar filas, principalmente na alta temporada. Custa €15 (€12 para idosos/estudantes, grátis para menores de 12) e inclui audioguia. Fecha aos domingos e feriados, e é proibido entrar de salto fino para proteger o piso de lápides de mármore.
Dá para usar Valletta como base para conhecer Malta?+
Sim, é a base ideal. A estação central de ônibus Tallinja fica logo do lado de fora da City Gate e quase todas as linhas da ilha terminam ali, então de Valletta você chega de ônibus a Mdina, Rabat, aos templos megalíticos, Marsaxlokk, Sliema ou ao porto do ferry para Gozo. Também saem dali passeios organizados para todos esses destinos e passeios de barco pelos portos.
Vale a pena conhecer Valletta ou é só de passagem?+
Vale muito a pena: é Patrimônio Mundial e uma das capitais barrocas mais completas da Europa, concentrada em apenas meio quilômetro quadrado. A Concatedral com os Caravaggio, o Palácio do Grão-Mestre, os mirantes sobre o Grande Porto e o clima das ruas de pedra dourada justificam pelo menos um dia inteiro, além de usá-la como base para o resto da ilha.

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