Omaha, a maior cidade de Nebraska, fica às margens do rio Missouri, no coração das Grandes Planícies. Antiga porta de entrada dos pioneiros rumo ao oeste e ponto de partida da primeira ferrovia transcontinental, hoje é uma cidade próspera e acolhedora, conhecida sobretudo pelo seu excelente zoológico, considerado um dos melhores do mundo, e pelo animado bairro histórico do Old Market, cheio de restaurantes, galerias e vida.
Para quem viaja, Omaha é uma parada surpreendentemente atraente no centro do país. O Henry Doorly Zoo and Aquarium é o grande orgulho da cidade, famoso por habitats inovadores como a maior floresta tropical coberta do mundo, um deserto sob cúpula e um aquário de destaque. O Old Market, com suas ruas de paralelepípedo e prédios de armazéns do século XIX, reúne a melhor gastronomia e vida noturna. E a cidade ainda conta com bons museus e uma orla revitalizada às margens do Missouri.
Este guia percorre o essencial de Omaha com um olhar prático: o extraordinário zoológico Henry Doorly, o clima do Old Market, os museus e a herança ferroviária e pioneira, a orla do rio Missouri e a ligação com a vizinha Council Bluffs (Iowa), onde comer (Omaha é famosa pelas suas carnes) e como se locomover por uma cidade simpática do Meio-Oeste, fácil de aproveitar em um ou dois dias.
Fundada em 1854 às margens do rio Missouri, Omaha nasceu como porta de entrada para o oeste e prosperou ao se tornar o ponto de partida da Union Pacific, parte da primeira ferrovia transcontinental, na década de 1860. A ferrovia e os enormes currais de gado (um dos maiores centros de carne do país) impulsionaram seu crescimento. Lar do investidor Warren Buffett, hoje é um importante centro financeiro, de seguros e de tecnologia, além de um destino para famílias graças ao seu famoso zoológico. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The agricultural heart of the Great Plains: Pawnee, Omaha and Lakota land, a pioneer corridor along the Platte valley, cradle of corn, of cattle and of one of the largest crane migrations on the planet.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
O nome já diz tudo: 'Omaha' significa, na língua da nação que o carregou primeiro, algo como 'os que vão contra a corrente'. É uma definição surpreendentemente precisa da cidade que cresceria séculos depois às margens do rio Missouri: um lugar que, vez após vez, apostou na contramão e ganhou. Mas muito antes de existir uma única rua, essas margens férteis das Grandes Planícies já eram território de povos originários. A nação omaha, que dá nome à cidade, vivia aqui ao lado dos pawnee, dos oto e de outros povos: sociedades seminômades que combinavam o cultivo de milho, feijão e abóbora com a caça sazonal do bisão, e que organizavam a vida em torno do rio e das grandes caçadas de verão.
Em julho e agosto de 1804, a expedição de Lewis e Clark subiu o Missouri e acampou perto de onde hoje fica a cidade, num lugar que batizaram de Council Bluff. Ali realizaram um de seus primeiros conselhos formais com líderes oto e missouria: foi o primeiro encontro oficial da expedição com povos originários, e daí vem o nome da vizinha Council Bluffs, em Iowa. Ao longo das décadas seguintes, comerciantes de peles, missionários, epidemias e uma sucessão de tratados foram corroendo o território da nação omaha, que em 1854 cedeu por tratado grande parte de suas terras ao governo americano, abrindo caminho para a colonização que estava prestes a explodir.
Omaha foi traçada oficialmente em 1854, o mesmo ano em que a Lei Kansas-Nebraska criou o Território de Nebraska. Especuladores da vizinha Council Bluffs (Iowa) atravessaram o Missouri e fundaram a cidade apostando que ela se tornaria a capital territorial e um ponto-chave da expansão para o oeste. A aposta deu certo: Omaha foi capital do Território de Nebraska entre 1855 e 1867.
Desde o início, a cidade se vendeu como 'a porta para o oeste'. Sua posição às margens do Missouri fez dela ponto de embarque e abastecimento para os pioneiros, mineradores e colonos que seguiam rumo às planícies, às Montanhas Rochosas e à Califórnia. Quando Nebraska virou estado em 1867, a capital foi transferida para Lincoln, mas Omaha já tinha garantido um destino industrial e comercial muito maior.
O acontecimento que definiu Omaha foi sua escolha, em 1863, como ponto de partida oriental da Union Pacific Railroad, a metade leste da primeira ferrovia transcontinental dos Estados Unidos. O presidente Abraham Lincoln fixou o ponto inicial perto de Omaha, e dali os trilhos avançaram para o oeste até se unirem aos da Central Pacific em Promontory (Utah), em 1869. A sede da Union Pacific continua em Omaha até hoje.
A ferrovia transformou a cidade num polo de transporte, indústria e processamento. No fim do século XIX e começo do XX, Omaha se tornou um dos maiores centros de currais de gado e de embalagem de carne do país, rivalizando com Chicago. Os Union Stockyards de South Omaha atraíam milhares de imigrantes (irlandeses, alemães, tchecos, poloneses, italianos e, mais tarde, mexicanos) que chegavam para trabalhar nos frigoríficos e deram à cidade seu caráter multicultural e operário.
Se a ferrovia foi a faísca, os currais de gado foram o motor que fez de Omaha uma grande cidade. Em 1883 foram fundados os Union Stockyards em South Omaha, e em poucas décadas eles se tornaram um dos maiores mercados de gado e centros de embalagem de carne do mundo. Durante boa parte do século XX, Omaha disputou com Chicago o título de 'capital da carne' dos Estados Unidos, e em 1955 chegou a ser o maior centro de processamento de carne do país. Ao redor dos frigoríficos de gigantes como Armour, Swift e Cudahy cresceu South Omaha, um mundo à parte de fumaça, currais e trabalho duríssimo.
Esse motor industrial atraiu ondas de imigrantes que chegavam só com a roupa do corpo para trabalhar nas fábricas: irlandeses, alemães, tchecos e boêmios, poloneses, italianos, lituanos, gregos e, mais tarde, mexicanos e outros latino-americanos. Cada comunidade deixou sua marca (igrejas, sociedades de ajuda mútua, padarias, restaurantes, bairros inteiros) e deu a Omaha um caráter operário, católico e profundamente multicultural que ainda se sente em South Omaha, hoje o coração da vibrante comunidade latina da cidade. A histórica colônia tcheca deixou sua marca até na gastronomia e em bairros como Little Bohemia.
Foi uma época de enorme energia, mas também de tensões brutais: as condições nos frigoríficos eram perigosas, as greves e a organização sindical ditaram o ritmo de South Omaha, e os choques entre comunidades por trabalho terminaram em violência mais de uma vez. Dessa mistura de suor, trilhos e diversidade nasceu boa parte da identidade da Omaha moderna.
O século XX trouxe prosperidade, mas também tensões. Omaha viveu episódios difíceis, como os distúrbios raciais de 1919 e as lutas trabalhistas nos frigoríficos. A Grande Depressão bateu forte, mas a Segunda Guerra Mundial reaqueceu a economia: perto da cidade foram fabricados bombardeiros B-29 e, em 1948, instalou-se nos arredores a base aérea de Offutt, sede do Comando Aéreo Estratégico (SAC) durante a Guerra Fria, o que deu a Omaha um peso militar e estratégico nacional.
Na segunda metade do século, o declínio dos currais e da indústria da carne obrigou Omaha a se reinventar. A cidade diversificou a economia rumo a seguros, finanças, telecomunicações e tecnologia. É a sede da Berkshire Hathaway, a empresa do investidor Warren Buffett, 'o oráculo de Omaha', cuja presença transformou a cidade num nome conhecido no mundo financeiro global.
A Omaha contemporânea é uma cidade próspera e em transformação. O antigo distrito de armazéns do Old Market foi resgatado da decadência e hoje é um bairro vibrante, cheio de restaurantes, galerias e vida noturna. A orla do rio Missouri, antes industrial e degradada, foi revitalizada com parques, o Gene Leahy Mall renovado e a icônica Bob Kerrey Pedestrian Bridge, que liga Nebraska a Iowa.
O Omaha's Henry Doorly Zoo and Aquarium, inaugurado em sua forma moderna na década de 1960 e famoso por seus habitats recordistas, virou uma atração de nível mundial. A cidade também recebe a College World Series de beisebol todo verão, tem uma cena artística e musical sólida (berço do selo Saddle Creek e de bandas indie) e uma comunidade latina e imigrante crescente, que renova sua tradição de mistura. De porta dos pioneiros a centro financeiro e cultural do Meio-Oeste, Omaha continua olhando, como o próprio nome, contra a corrente.