Orlando é, simplesmente, a capital mundial da diversão e dos parques temáticos, o lugar onde a fantasia vira realidade. Nesta região do centro da Flórida, o que há poucas décadas eram pântanos e plantações de cítricos é hoje uma concentração de parques de diversões única no planeta: o Walt Disney World, o maior complexo da Disney no mundo; o Universal Orlando, com o seu Mundo Mágico de Harry Potter; o SeaWorld; e dezenas de outras atrações. Para milhões de famílias do mundo inteiro, e muito especialmente do Brasil, viajar para Orlando é realizar o sonho de uma vida.
Mas Orlando não é só Disney. É montanha-russa cheia de adrenalina, espetáculos, desfiles, fogos de artifício sobre castelos de conto de fadas, encontros com personagens, mundos recriados com um nível de detalhe impressionante. É também uma capital das compras, com outlets enormes que atraem compradores de todo o continente — os brasileiros são presença garantida —, e um ponto de partida ideal para conhecer outras maravilhas da Flórida: as praias das duas costas, as nascentes de água cristalina, os jacarés dos pântanos e, a pouca distância, o Centro Espacial Kennedy, de onde a humanidade partiu rumo à Lua.
Este guia percorre o essencial de Orlando com um olhar prático e acolhedor: como organizar a visita aos grandes complexos de parques, quantos dias dedicar a cada um, como se locomover em uma cidade pensada para o carro, como economizar e planejar para evitar as piores filas, e o que fazer além das atrações. Orlando pode assustar pelo tamanho e pela quantidade de opções, mas, com um bom planejamento, garante uma viagem inesquecível para toda a família.
O centro da Flórida foi habitado por povos originários como os seminoles (um povo formado após a chegada dos europeus). A região de Orlando começou a ser povoada por colonos americanos em meados do século XIX, em torno de um forte militar das guerras seminoles (Fort Gatlin). O povoado cresceu e, em 1857, adotou o nome de Orlando (sua origem exata é cercada de lendas, várias ligadas a um certo Orlando Reeves). Durante muito tempo foi uma tranquila cidade agrícola e pecuária, centro da indústria de cítricos (as laranjas da Flórida) e da criação de gado. Tudo mudou radicalmente na segunda metade do século XX. Primeiro, a proximidade do Centro Espacial Kennedy, no litoral (de onde partiu o programa Apollo rumo à Lua), trouxe desenvolvimento. Mas a grande transformação veio quando Walt Disney, em busca de um lugar para construir um complexo muito maior que a sua Disneyland da Califórnia, escolheu em segredo os terrenos pantanosos e baratos a sudoeste de Orlando. O Walt Disney World abriu as portas em 1971 e mudou tudo: em poucas décadas, Orlando passou de cidade agrícola a capital mundial do turismo familiar, com Universal, SeaWorld e uma infinidade de complexos se somando ao fenômeno. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The 'sunshine state': the land with the oldest European roots in the country, with St. Augustine; home of the Timucua, the Seminoles and the Everglades, of the tourism of Miami and Orlando, of Cape Canaveral and of a vibrant Latino culture.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
O centro da Flórida, onde hoje fica Orlando, foi durante milênios um território de lagos, pinheirais e áreas úmidas habitado por povos originários. Em tempos históricos, a região esteve associada aos seminoles, um povo singular que se formou depois da chegada dos europeus: um mosaico de grupos indígenas (em sua maioria de origem creek) que se deslocaram para a Flórida, junto com afro-americanos que fugiam da escravidão e encontravam refúgio entre eles. Os seminoles se adaptaram à vida nos pântanos e nas florestas do interior da Flórida.
A colonização americana da área foi marcada justamente pelos conflitos com esse povo: as chamadas Guerras Seminoles, uma série de campanhas militares travadas durante a primeira metade do século XIX, nas quais o exército dos Estados Unidos tentou expulsar ou submeter os seminoles e abrir a região aos colonos. Foram guerras longas, duras e custosas, em que os seminoles opuseram uma resistência notável a partir de seus refúgios nas áreas úmidas.
Foi nesse contexto militar que surgiu o primeiro assentamento estável na área da futura Orlando: um forte do exército chamado Fort Gatlin, estabelecido por volta de meados da década de 1830 para as operações contra os seminoles. Em torno daquele forte e dos primeiros moradores que se instalaram na fértil região de lagos começou a se formar, lentamente, a comunidade que com o tempo daria origem à cidade.
O assentamento que cresceu em torno de Fort Gatlin e dos lagos vizinhos foi reunindo uma pequena comunidade de colonos, criadores de gado e agricultores. Por volta de 1857, o lugar adotou oficialmente o nome de Orlando. A origem exata do nome é um daqueles pequenos mistérios históricos envoltos em lenda, e existem várias versões contadas na região.
A explicação mais popular e repetida atribui o nome a um tal Orlando Reeves, supostamente um soldado ou sentinela que teria morrido na área durante as guerras seminoles, dando origem ao topônimo em sua memória; no entanto, os historiadores duvidam da existência documentada desse personagem, e a história tem muito de lenda. Outras versões o ligam a um colono chamado Orlando, ou até ao personagem da peça 'Como Gostais', de Shakespeare, em alguma anedota local. A verdade histórica precisa se perdeu, e várias tradições convivem.
Para além do mistério do nome, o fato é que durante a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do XX, Orlando se desenvolveu como um tranquilo centro agrícola e pecuário do interior da Flórida. Sua economia girava em torno da pecuária e, sobretudo, do cultivo de cítricos: as laranjas da Flórida transformaram a região em um importante polo citrícola, e a cidade cresceu sem pressa como um pacato povoado do 'coração' do estado, ainda muito longe do fenômeno turístico mundial em que se transformaria.
Durante boa parte do século XX, Orlando continuou sendo uma cidade tranquila e de porte médio, profundamente ligada à terra. Os enormes laranjais que cercavam a região fizeram dela um dos grandes centros da indústria citrícola da Flórida, e a imagem das flores de laranjeira e das laranjas esteve associada à cidade por décadas. Era uma comunidade sossegada, de clima quente e ritmo calmo, sem nada que fizesse prever seu futuro extraordinário.
O primeiro grande impulso modernizador chegou em meados do século, pelas mãos do espaço. A escolha do Cabo Canaveral, na vizinha costa atlântica, como base para o programa espacial americano transformou a região. Dali, nas décadas de 1950 e 1960, os Estados Unidos lançaram seus primeiros foguetes, seus satélites e, finalmente, as missões do programa Apollo que levaram o ser humano à Lua em 1969. O Centro Espacial Kennedy atraiu engenheiros, cientistas, técnicos e empresas, e dinamizou toda a área central da Flórida, incluindo Orlando, que começou a crescer e a modernizar sua infraestrutura.
Essa combinação — clima excelente, terras baratas, muito espaço disponível e uma região em pleno desenvolvimento graças ao impulso espacial — preparou, sem que ninguém soubesse, o cenário perfeito para a revolução que estava por vir. Um visionário do entretenimento procurava exatamente um lugar assim para realizar um sonho descomunal, e seus olhos pousaram nos pântanos baratos a sudoeste da tranquila Orlando.
O acontecimento que mudou para sempre o destino de Orlando foi a decisão de Walt Disney de construir ali um novo e gigantesco complexo de parques. Depois do sucesso da Disneyland, inaugurada na Califórnia em 1955, Disney tinha aprendido uma lição amarga: em volta do seu parque californiano haviam proliferado hotéis, lojas e atrações de terceiros que se aproveitavam do seu sucesso, sem que ele pudesse controlar o entorno. Para o próximo projeto, ele queria algo muito maior: uma enorme extensão de terra que lhe permitisse controlar tudo o que cercasse o parque e construir, inclusive, uma cidade do futuro.
Disney buscou um lugar com bom clima o ano inteiro (para não depender das estações, como na Califórnia) e escolheu o centro da Flórida, perto de Orlando, pelas terras baratas e abundantes e pela boa conexão. A compra das terras foi feita no mais absoluto segredo, no começo dos anos 60: para que os preços não disparassem quando se soubesse que por trás estava a poderosa Disney, a empresa adquiriu enormes extensões de pântanos e campos por meio de empresas fictícias e laranjas, até reunir um território imenso, muito maior que o da Disneyland.
Quando o projeto finalmente foi revelado, a notícia abalou a região. Walt Disney não chegaria a ver seu sonho concluído (morreu em 1966), mas seu irmão Roy e a empresa levaram a obra adiante. Em 1º de outubro de 1971 foi inaugurado o Walt Disney World, com o Magic Kingdom como primeiro parque. Aquela abertura marcou o verdadeiro ponto de virada: a transformação da pacata Orlando agrícola na futura capital mundial dos parques temáticos.
A abertura do Walt Disney World em 1971 desencadeou um fenômeno sem precedentes. Milhões de visitantes começaram a chegar ao centro da Flórida, e ao redor floresceu uma indústria turística colossal: hotéis, restaurantes, lojas, atrações e serviços que se multiplicaram em ritmo vertiginoso. O que tinha sido uma tranquila cidade de laranjais se transformou, em poucas décadas, em um dos destinos turísticos mais visitados do planeta.
A Disney não ficou parada: ao Magic Kingdom se somaram com os anos o Epcot (1982), o Disney's Hollywood Studios e o Disney's Animal Kingdom, além de parques aquáticos, hotéis temáticos e áreas de lazer, até fazer do Walt Disney World o maior complexo de parques do mundo. E o sucesso atraiu a concorrência: a Universal abriu seus parques (Universal Studios e depois Islands of Adventure, com o tempo o Mundo de Harry Potter e novos parques), e o SeaWorld e muitos outros se juntaram à oferta. Orlando se transformou em uma constelação de parques temáticos como não existe nenhuma outra no planeta.
A cidade, como consequência, cresceu de forma explosiva, atraindo trabalhadores de todo o país e imigrantes do mundo inteiro, com forte presença latino-americana — brasileiros incluídos. Hoje Orlando é a capital mundial indiscutível do turismo de parques temáticos e um ímã para famílias de todos os continentes — e muito especialmente do Brasil —, além de um polo crescente de tecnologia e convenções. Daquele vilarejo de cítricos e fortes militares não sobrou quase nada: no seu lugar se ergue uma das grandes mecas da diversão e da fantasia da era moderna.