Para muita gente, Killington é sinônimo de esqui no leste dos Estados Unidos. Encravado nas Montanhas Verdes de Vermont, o Killington Resort se estende por seis picos interligados e reúne a maior área esquiável de toda a região, o que lhe rendeu o apelido de 'Beast of the East', a Fera do Leste. Todo inverno, milhares de esquiadores e snowboarders de Nova York, Boston e de todo o nordeste sobem a Killington Road em busca das suas encostas, da sua neve confiável e da sua animada vida après-ski.
Mas Killington não é só neve. Quando o branco vai embora, a montanha se cobre primeiro do verde intenso do verão e depois do vermelho e do dourado da famosa folhagem de outono da Nova Inglaterra. Nesses meses, o resort vira um grande parque de mountain bike, com trilhas para descer de bike, e a região oferece caminhadas, golfe e a calma das cidadezinhas de Vermont, com seus celeiros vermelhos, suas igrejas brancas e suas lojas de xarope de bordo.
Este guia percorre Killington com um olhar prático: como é o resort e seus picos, o que fazer em cada estação, como chegar a partir dos aeroportos e cidades próximas, onde se hospedar ao longo da Killington Road e como combinar a viagem com o resto de Vermont. Seja para esquiar na 'Fera' ou para se perder entre as cores do outono, é um dos grandes destinos de montanha do nordeste americano.
A história de Killington como destino começa em meados do século XX. A cidade, nas Montanhas Verdes de Vermont, era uma área rural e montanhosa até que, em 1958, o empresário Preston Smith abriu o Killington Resort nas encostas do Killington Peak, o segundo pico mais alto do estado. O complexo cresceu rápido e se tornou pioneiro da neve artificial e das temporadas longas, ganhando a fama de 'Beast of the East'. A região, como toda Vermont, foi habitada originalmente por povos de língua algonquina, em especial os abenaki, antes da colonização europeia e da chegada de colonos ingleses que deram forma às cidadezinhas da Nova Inglaterra. Vermont, que chegou a ser uma república independente entre 1777 e 1791, foi incorporado aos Estados Unidos como o 14º estado. Ao longo do século XX, o esqui transformou a economia de muitas dessas cidades de montanha, e Killington passou a ser um dos grandes ícones do esqui no leste do país, sede frequente de provas da Copa do Mundo de esqui alpino feminino. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Green Mountain State: Abenaki land, briefly an independent republic and the first territory of the future nation to abolish adult slavery, home of maple syrup, blazing autumns and the ski resorts of Stowe and Killington.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes de existir qualquer estação de esqui, as montanhas e os vales do que hoje é Vermont eram habitados por povos originários de língua algonquina. Na região viviam os abenaki (em especial os abenaki ocidentais), caçadores, pescadores e agricultores que percorriam as florestas das Montanhas Verdes e os vales dos rios, vivendo da caça, da pesca e do cultivo de milho, feijão e abóbora. Para eles, essas montanhas não eram um destino de lazer, e sim um território de vida do qual faziam parte havia milhares de anos.
A chegada dos europeus a partir do século XVII — primeiro exploradores e comerciantes franceses e ingleses — transformou profundamente esse mundo. O território que hoje é Vermont ficou numa zona de atrito entre as colônias francesas do Canadá e as colônias inglesas da Nova Inglaterra e de Nova York, e os abenaki foram arrastados para essas disputas, além de sofrerem com as epidemias trazidas pelos recém-chegados.
O próprio nome da região tem raiz francesa: 'Vermont' costuma ser associado a 'verts monts' ('montanhas verdes'), por causa das florestas que cobrem suas cadeias. Essa identidade de montanha e floresta, que hoje é o grande atrativo turístico de lugares como Killington, tem raízes numa paisagem que os povos originários habitaram muito antes de ser traçada a primeira pista de esqui.
Durante o século XVIII, o território de Vermont foi alvo de disputa entre as colônias inglesas vizinhas, sobretudo Nova York e Nova Hampshire, que reivindicavam as mesmas terras e concediam títulos sobrepostos aos colonos. Dessa tensão surgiram os Green Mountain Boys, uma milícia liderada por Ethan Allen que defendia os direitos dos colonos de Vermont contra as pretensões de Nova York.
Em plena Guerra de Independência dos Estados Unidos, Vermont deu um passo singular: em 1777 se declarou uma república independente, com constituição própria, que teve o mérito histórico de ser uma das primeiras a proibir a escravidão de adultos. A República de Vermont funcionou como entidade soberana de fato durante catorze anos, entre 1777 e 1791, sem fazer parte ainda da nova União americana.
Finalmente, em 1791, Vermont foi incorporado aos Estados Unidos como o 14º estado, o primeiro a se somar às treze colônias originais. Ao longo do século XIX, consolidou-se como um estado rural, de economia agrícola e pecuária — famoso por suas fazendas leiteiras, sua lã e seu xarope de bordo —, com pequenas cidades de igrejas brancas e celeiros vermelhos espalhadas pelas Montanhas Verdes. Essa paisagem rural e montanhosa seria, muito depois, o cenário onde cresceria a indústria do esqui.
O esqui chegou a Vermont no começo do século XX pelas mãos de imigrantes europeus e de entusiastas que adaptaram o esporte dos Alpes e da Escandinávia às montanhas da Nova Inglaterra. As encostas nevadas que durante séculos tinham sido apenas um obstáculo para a vida rural passaram, de repente, a ser vistas como uma oportunidade de lazer e de negócio.
Um marco importante aconteceu nos anos 1930, quando foi instalado em Vermont um dos primeiros teleféricos mecânicos dos Estados Unidos, que permitia aos esquiadores subir sem precisar ir a pé toda vez. Esse avanço, junto com a chegada da ferrovia, que aproximava os visitantes das grandes cidades do nordeste, lançou as bases para o desenvolvimento das estações de esqui.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o esqui se popularizou com força. Veteranos das tropas de montanha, uma classe média em expansão e a melhoria das estradas e dos carros fizeram com que cada vez mais gente de Nova York, Boston e de todo o nordeste subisse nos fins de semana para as montanhas de Vermont. Nesse contexto de boom do esqui nasceram muitas das grandes estações do estado, entre elas a que seria construída nas encostas do Killington Peak.
O grande salto de Killington como destino veio em 1958, quando o empresário Preston Leete Smith abriu a estação de esqui nas encostas do Killington Peak, o segundo pico mais alto de Vermont. A aposta era ambiciosa: criar um complexo numa montanha alta e de grande potencial, numa cidade até então rural e pouco povoada, em plena efervescência do esqui do pós-guerra.
Sob o comando de Smith, Killington cresceu rápido e se tornou pioneiro em várias frentes. Foi um dos primeiros a apostar forte na neve artificial (snowmaking) para garantir a cobertura das pistas e prolongar a temporada, e a se expandir para montanhas vizinhas para ganhar mais terreno esquiável. Essa estratégia de crescimento fez com que Killington acabasse abrangendo vários picos interligados, tornando-se o maior complexo de esqui do leste dos Estados Unidos.
Com o tempo, Killington ganhou outros atrativos — entre eles a incorporação da estação vizinha de Pico — e recebeu o apelido de 'Beast of the East', a Fera do Leste, por sua escala, pela variedade de pistas e pelas temporadas notavelmente longas. A estação passou por diferentes donos e processos de modernização, mas manteve seu lugar como uma das grandes referências do esqui no nordeste americano.
Hoje Killington é um dos destinos de montanha mais conhecidos do leste dos Estados Unidos. O resort, com seus seis picos interligados, continua oferecendo a maior área esquiável da região e uma das temporadas mais longas, fiel ao apelido de 'Beast of the East'. A animada vida après-ski ao longo da Killington Road e a proximidade com as grandes cidades do nordeste fazem dele um ímã para esquiadores de Nova York, Boston e de todo o corredor atlântico.
Um dos marcos de sua fase recente foi se tornar sede de provas da Copa do Mundo de esqui alpino. Killington já recebeu provas femininas da Copa do Mundo por volta do fim de semana do Dia de Ação de Graças, atraindo as melhores esquiadoras do planeta e milhares de espectadores, o que reforçou seu prestígio internacional e sua imagem de grande montanha capaz de receber eventos de altíssimo nível.
Mas Killington deixou de ser um destino só de inverno. A estação apostou nas temporadas mais quentes com o Killington Bike Park de mountain bike downhill, trilhas, golfe e a gôndola panorâmica, além do enorme atrativo da folhagem de outono das Montanhas Verdes. Assim, uma cidade que no século XX vivia quase exclusivamente da neve se transformou num destino de montanha para o ano todo, sem perder o espírito rural de Vermont nem a paixão pelo esqui que lhe deu origem.