Los Angeles é menos uma cidade e mais um universo: uma imensa constelação de bairros, praias, colinas e rodovias que se estende por quilômetros sob o sol eterno do sul da Califórnia. É, acima de tudo, a capital mundial do cinema e do entretenimento: Hollywood, as estrelas da Calçada da Fama, os grandes estúdios, o letreiro branco nas colinas, o glamour das premières e o sonho da fama. Mas LA é muito mais: são praias lendárias como Santa Monica e Venice, é Beverly Hills e a Rodeo Drive, são museus de classe mundial, é uma diversidade cultural e gastronômica impressionante e uma das maiores comunidades latinas do país.
É uma cidade de contrastes e de mitos: o luxo das mansões nas colinas e a vida de praia; o céu sempre azul, as palmeiras e os pores do sol sobre o Pacífico; os parques temáticos que fazem crianças e adultos sonharem; a cultura das celebridades e, ao mesmo tempo, os bairros operários e multiculturais onde se cozinha e se vive em espanhol, coreano, japonês ou armênio. LA não se 'percorre' de uma vez como uma cidade europeia: ela se explora por regiões, quase como um arquipélago de cidades, e isso faz parte do seu charme particular.
Este guia percorre o essencial de Los Angeles com um olhar prático e acolhedor: como viver o mito de Hollywood, quais praias escolher, onde estão as melhores vistas (o Griffith Observatory), quais museus visitar, como encarar uma cidade pensada para o carro e como aproveitar seu clima, sua diversidade e seus parques temáticos. LA pode assustar pelo tamanho, mas com um bom planejamento e a mente aberta ela rende uma viagem ensolarada, glamourosa e cheia de cinema.
A região era habitada pelos tongva (também chamados de gabrielenhos), um povo originário que vivia em aldeias junto à costa e aos rios do sul da Califórnia. Em 1769, uma expedição espanhola explorou a área e, em 1781, os espanhóis fundaram o povoado com o longo nome de 'El Pueblo de Nuestra Señora la Reina de los Ángeles', um pequeno assentamento agrícola às margens do rio Los Angeles. Sob domínio espanhol e depois mexicano (após a independência do México, em 1821), foi uma modesta vila de fazendas de gado. Em 1848, após a guerra entre o México e os Estados Unidos, a Califórnia passou para as mãos americanas e, quase imediatamente, estourou a Corrida do Ouro (1849), que disparou o crescimento da Califórnia. Los Angeles cresceu devagar no início, mas sua decolagem veio com a chegada da ferrovia, a descoberta de petróleo e, sobretudo, dois fatores decisivos: a água (trazida de longe por aquedutos, o que permitiu o crescimento numa região semiárida) e o cinema. No início do século XX, a indústria cinematográfica se instalou na ensolarada Hollywood, atraída pela luz, pelo clima e pelas paisagens variadas, e transformou Los Angeles na capital mundial do cinema. Ao longo do século XX, a cidade cresceu de forma explosiva, impulsionada pela indústria aeroespacial, pelo entretenimento e por ondas migratórias de todo o país e do mundo, especialmente da América Latina e da Ásia. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The golden state of the Pacific: land of dozens of Native peoples and of the Franciscan missions, forged by the gold rush of 1849, today the largest economy in the United States and the cradle of Hollywood, Silicon Valley and legendary parks such as Yosemite and Sequoia.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes de existirem Hollywood e as autoestradas, a bacia de Los Angeles era habitada pelos tongva, um povo originário que viveu durante milhares de anos no sul da Califórnia. Também conhecidos como gabrieleños (por causa da missão espanhola de San Gabriel), os tongva viviam em inúmeras aldeias espalhadas pelo litoral, pelas planícies e pelos vales, incluindo as ilhas em frente à costa. Viviam da pesca, da caça, da coleta de bolotas e sementes e do comércio, aproveitando a riqueza de uma terra de clima ameno, rios e mar.
A região era um território próspero e densamente povoado para os padrões dos povos da Califórnia, com uma cultura rica e bem adaptada ao ambiente. O rio Los Angeles, que naquela época corria naturalmente pela planície, era uma fonte vital de água numa região que, longe dele, tendia a ser semiárida: a questão da água, que marcaria tanto o futuro da cidade, já era central naquela paisagem.
A chegada dos espanhóis, no final do século XVIII, transformaria de forma drástica e trágica o mundo dos tongva. O sistema de missões, as doenças trazidas pelos europeus e as mudanças no modo de vida dizimaram a população originária e desarticularam sua sociedade. Hoje, os descendentes dos tongva mantêm viva sua identidade, e seu legado sobrevive nos nomes de lugares e na memória da região como seus primeiros habitantes.
A presença europeia na região começou com a exploração espanhola. Em 1769, a expedição de Gaspar de Portolá percorreu a área e, pouco depois, os franciscanos fundaram missões nas proximidades, como a de San Gabriel. Mas a fundação da cidade propriamente dita aconteceu em 4 de setembro de 1781, quando, por ordem do governador espanhol Felipe de Neve, um grupo de colonos fundou um povoado civil às margens do rio.
O nome original era longuíssimo e profundamente religioso: 'El Pueblo de Nuestra Señora la Reina de los Ángeles' (com variações na forma exata, dependendo da fonte), que com o tempo seria abreviado simplesmente para 'Los Angeles'. Um dado significativo, que revela a diversidade da cidade desde a origem: os primeiros colonos (os 'pobladores') eram um grupo de algumas dezenas de pessoas de origem mestiça, mulata, indígena e africana, além de espanhóis, reflexo da miscigenação do México colonial de onde vinham.
Nas décadas seguintes, sob domínio espanhol e depois mexicano, Los Angeles foi um modesto povoado agrícola e pecuário, centro de uma região de grandes ranchos. Depois da independência do México, em 1821, a Alta Califórnia (incluindo Los Angeles) passou a ser território mexicano, e a cidade seguiu sua vida tranquila de vila rural, com sua pequena praça, sua igreja e seus ranchos, ainda longe de qualquer sinal da metrópole que viria a ser.
O destino de Los Angeles mudou com a guerra entre o México e os Estados Unidos. Em 1848, após a derrota mexicana e o Tratado de Guadalupe Hidalgo, a Alta Califórnia — incluindo Los Angeles — passou para as mãos dos Estados Unidos. Quase imediatamente, naquele mesmo ano, a descoberta de ouro no norte da Califórnia deu início à corrida do ouro de 1849, que fez disparar o crescimento e a população da Califórnia e acelerou sua entrada como estado da União em 1850.
Los Angeles, no sul, cresceu mais devagar que São Francisco no começo, mas sua decolagem veio nas últimas décadas do século XIX. Dois fatores foram decisivos. Primeiro, a chegada da ferrovia (que a ligou ao resto do país) e as campanhas de divulgação que atraíram ondas de colonos do leste, seduzidos pelo clima ensolarado e pela promessa de uma vida melhor; a isso se somou a descoberta de petróleo na região. E segundo, e fundamental para uma cidade numa área semiárida: a água.
O grande obstáculo ao crescimento de Los Angeles era a falta de água. A solução veio no começo do século XX com o Aqueduto de Los Angeles, uma obra de engenharia colossal liderada por William Mulholland, que em 1913 trouxe água do distante vale de Owens, a mais de 300 quilômetros. Essa água — obtida em circunstâncias controversas, que deixaram ressentimentos e chegaram a inspirar filmes — permitiu que a cidade crescesse sem limites numa terra que, de outra forma, não teria conseguido sustentar tanta gente. A água foi, literalmente, o que tornou a metrópole possível.
O fator que daria a Los Angeles sua fama mundial e sua identidade mais reconhecível chegou no começo do século XX: o cinema. A nascente indústria cinematográfica, que surgiu em boa parte na costa leste (Nova York, Nova Jersey), começou a se mudar para o sul da Califórnia, atraída por uma combinação irresistível de fatores: o clima ensolarado e a luz quase permanente (essencial para filmar numa época em que as câmeras precisavam de muita luz natural), a enorme variedade de paisagens a pouca distância (mar, montanhas, deserto, florestas, cidade), os terrenos baratos e a distância das patentes que controlavam a indústria no leste.
O pequeno subúrbio de Hollywood, a noroeste de Los Angeles, virou o coração dessa nova indústria. A partir da década de 1910, os estúdios de cinema se instalaram ali, e nasceu o sistema que produziria milhares de filmes e criaria o universo das grandes estrelas, dos grandes estúdios e do glamour. Hollywood se tornou sinônimo de cinema para o mundo inteiro, e a 'fábrica de sonhos' atraiu sonhadores, atores, diretores e técnicos de toda parte. O famoso letreiro ('Hollywoodland', originalmente um anúncio imobiliário dos anos 20) acabou se transformando em símbolo da cidade e da indústria.
O cinema não deu só fama a Los Angeles: transformou a cidade econômica e culturalmente, fazendo dela a capital mundial do entretenimento, papel que mantém até hoje com a indústria do cinema, da televisão, da música e, mais recentemente, do streaming e dos videogames. A cultura das celebridades e do espetáculo virou parte essencial da identidade de Los Angeles.
Ao longo do século XX, Los Angeles viveu um crescimento verdadeiramente explosivo, até se tornar uma das maiores metrópoles do mundo. Ao motor do cinema se somaram outras grandes indústrias: o petróleo e, sobretudo, a indústria aeroespacial e de defesa, que durante as décadas das guerras mundiais e da Guerra Fria fez do sul da Califórnia um dos centros tecnológicos e industriais mais importantes do país, atraindo milhões de trabalhadores. A cidade se expandiu sem freio pela enorme bacia, dando origem à sua forma característica: espalhada, de baixa densidade e dependente do carro e das autoestradas (freeways), um modelo urbano que definiria LA.
Los Angeles também se tornou um dos grandes destinos da imigração. Às ondas de americanos vindos do leste se somaram migrantes do mundo todo, que a transformaram numa das cidades mais diversas do planeta. Especialmente importante foi (e é) a imigração latina, principalmente mexicana e centro-americana, que tornou o espanhol uma língua onipresente e a cultura latina uma parte fundamental da identidade da cidade; ao lado dela, grandes comunidades asiáticas (coreana, chinesa, japonesa, filipina), armênia e de inúmeras outras origens. LA é hoje um mosaico cultural extraordinário.
Nem tudo foi idílico: a cidade também enfrentou tensões raciais e sociais (com episódios como os distúrbios de Watts, em 1965, ou os de 1992), problemas de poluição (o famoso 'smog'), terremotos e desigualdades. Mas Los Angeles continuou sendo um ímã de sonhos e oportunidades. Hoje é uma metrópole global, capital mundial do entretenimento, polo cultural, gastronômico e econômico, e uma das cidades mais influentes e diversas do mundo, onde o sol, o cinema, as praias e a mistura de culturas formam uma identidade inconfundível.