Dallas é uma das grandes metrópoles do Texas e o coração da enorme região metropolitana de Dallas-Fort Worth, a quarta mais populosa dos Estados Unidos. Nascida como entroncamento ferroviário e comercial nas pradarias do norte do Texas, hoje é uma cidade moderna e próspera, com um skyline reluzente, uma economia diversificada (bancos, tecnologia, telecomunicações, energia) e um orgulho texano que se sente em cada esquina.
Para o viajante, Dallas combina história, cultura e entretenimento. É inevitavelmente conhecida no mundo inteiro pelo assassinato do presidente John F. Kennedy em 1963, fato que hoje é lembrado no sóbrio e comovente Sixth Floor Museum, na Dealey Plaza. Mas a cidade é muito mais: um vibrante Arts District (o maior do país), bairros como Deep Ellum com sua música ao vivo, o histórico West End e uma cena gastronômica em que o Tex-Mex e o churrasco texano são religião.
Este guia percorre o essencial de Dallas com um olhar prático: os lugares ligados à memória de JFK, os grandes museus do Arts District, os parques e mirantes, a vida noturna de Deep Ellum, onde comer churrasco texano e Tex-Mex, e como se locomover por uma cidade pensada para o carro, mas com um centro perfeitamente caminhável e bem conectado por VLT.
Fundada em 1841 por John Neely Bryan às margens do rio Trinity, Dallas cresceu como ponto de encontro de rotas comerciais e, sobretudo, graças à ferrovia, que a transformou em um grande centro de algodão e comércio. O petróleo e os bancos a transformaram, no século XX, em uma metrópole financeira. Em 22 de novembro de 1963, o assassinato do presidente John F. Kennedy na Dealey Plaza marcou para sempre sua história e sua imagem no mundo. A história completa está na nossa página de história.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Às 12h30 de 22 de novembro de 1963, três tiros numa praça do centro de Dallas mudaram o rumo da história dos Estados Unidos e gravaram para sempre o nome desta cidade na memória do mundo. Mas muito antes de ser 'a cidade que matou Kennedy', Dallas já era uma história improvável: uma grande metrópole erguida no meio de uma pradaria seca, sem porto, sem montanhas, sem petróleo sob os pés, que ficou rica simplesmente por estar no cruzamento dos caminhos certos.
Dallas foi fundada em 1841 pelo advogado e comerciante John Neely Bryan, que montou um posto comercial num vau do rio Trinity, nas pradarias do norte do Texas, então parte da efêmera República do Texas. A origem do nome 'Dallas' não é totalmente clara: a hipótese mais aceita o liga a George Mifflin Dallas, vice-presidente dos Estados Unidos na época, embora outras versões apontem para diferentes membros da família Dallas.
Nas primeiras décadas, Dallas foi um modesto centro agrícola e comercial. O grande salto veio na década de 1870 com a chegada da ferrovia: o cruzamento das linhas Houston and Texas Central (norte-sul) e Texas and Pacific (leste-oeste) transformou Dallas num entroncamento ferroviário estratégico. Isso fez dela um importante mercado de algodão, grãos e gado, e atraiu comércio, bancos e indústria.
No fim do século XIX, Dallas já era uma próspera cidade comercial. Sua localização, sem grandes recursos naturais próprios, fez com que sua riqueza se baseasse no comércio, nas finanças e nos serviços, uma característica que marca a cidade até hoje: uma cidade nascida do comércio e da conexão, mais do que da indústria pesada.
O século XX consolidou Dallas como uma potência econômica do sudoeste. Embora a cidade em si não ficasse sobre jazidas de petróleo, a descoberta de enormes campos petrolíferos no leste do Texas na década de 1930 (o East Texas Oil Field, um dos maiores do mundo na época) transformou Dallas no centro financeiro e administrativo da indústria do petróleo da região. Os bancos e seguradoras de Dallas financiaram a exploração, e a cidade cresceu com força.
Dallas virou um importante centro bancário, de seguros e comercial. Em 1936 sediou a Texas Centennial Exposition no Fair Park, um conjunto de edifícios art déco que ainda está preservado e é Patrimônio Histórico Nacional. A cidade foi formando seu característico skyline de arranha-céus e se tornou sede de grandes corporações.
Depois da Segunda Guerra Mundial, Dallas continuou se expandindo junto com a vizinha Fort Worth, formando uma das maiores regiões metropolitanas do país. A inauguração, em 1974, do enorme aeroporto Dallas/Fort Worth (DFW) reforçou seu papel como grande centro de conexões aéreas e logísticas. Hoje sua economia é diversificada: tecnologia, telecomunicações, bancos, defesa e comércio, com várias sedes de empresas da lista Fortune 500.
O acontecimento que marcou para sempre a história de Dallas e a projetou para o mundo inteiro foi o assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy, em 22 de novembro de 1963. Naquele meio-dia, a comitiva presidencial percorria o centro de Dallas num carro conversível quando, ao passar pela Dealey Plaza, em frente ao Texas School Book Depository, soaram vários tiros. O presidente Kennedy foi atingido e morreu pouco depois no hospital Parkland.
As investigações oficiais, conduzidas pela Comissão Warren, concluíram que o autor dos disparos foi Lee Harvey Oswald, que teria atirado de uma janela do sexto andar do Depository. Oswald foi preso poucas horas depois, mas dois dias mais tarde, enquanto era transferido, foi morto por Jack Ruby diante das câmeras de televisão, o que alimentou durante décadas inúmeras teorias e dúvidas sobre o que aconteceu.
O magnicídio transformou Dallas, por muito tempo, em 'a cidade que matou Kennedy', uma sombra que levou anos para ser superada. A comoção foi enorme: pela primeira vez, milhões de pessoas acompanharam pela televisão o desenrolar de uma tragédia nacional ao vivo, incluindo o próprio assassinato de Oswald por Ruby dois dias depois, transmitido em tempo real. Com o tempo, a cidade assumiu essa memória de forma reflexiva: em 1989 abriu o Sixth Floor Museum, no próprio prédio do Depository, e a Dealey Plaza, com seu cenotáfio memorial projetado por Philip Johnson e o X que marca o local do tiro, virou um lugar de peregrinação histórica.
O caso nunca deixou de gerar debate. A liberação gradual dos arquivos federais sobre o assassinato — um processo que se estendeu por décadas e continuou divulgando documentos em anos recentes — manteve viva a fascinação do público e alimentou as teorias da conspiração. Seja qual for a interpretação, o assassinato de JFK continua sendo um dos episódios mais estudados, filmados e debatidos do século XX, e a Dealey Plaza, um dos poucos lugares do mundo onde um instante de poucos segundos foi gravado, analisado e discutido quadro a quadro.
Depois da sombra do magnicídio, Dallas passou por décadas de forte crescimento e de reinvenção da sua imagem. Nos anos 70 e 80, a cidade virou símbolo da prosperidade e da opulência do sul petroleiro graças, em parte, à popularíssima série de TV 'Dallas' (1978-1991), cuja saga da família Ewing e de seu rancho Southfork levou o nome da cidade para o mundo todo e fixou no imaginário a figura do magnata texano do petróleo.
O esporte ocupa um lugar central na identidade da cidade. O Dallas Cowboys, time de futebol americano, é uma das franquias mais valiosas e acompanhadas do mundo, apelidado de 'America's Team', com vários títulos de Super Bowl e um estádio futurista (o AT&T Stadium, em Arlington). Somam-se a ele o Dallas Mavericks da NBA — campeão em 2011 —, o Texas Rangers no beisebol e o Dallas Stars no hóquei, que fazem da metrópole uma potência esportiva.
Nas últimas décadas, Dallas apostou forte na cultura e na revitalização urbana: o Arts District, o maior do país, com museus e salas assinados por arquitetos renomados; o Klyde Warren Park, construído sobre uma rodovia; e a revitalização de bairros como Deep Ellum. A região metropolitana Dallas-Fort Worth é hoje uma das que mais crescem nos Estados Unidos, uma região dinâmica que atrai empresas, tecnologia e gente, sem perder aquele inconfundível orgulho texano que define seu jeito de ser.