A Costa do Oregon é um dos litorais mais selvagens, bonitos e democráticos dos Estados Unidos: uns 580 quilômetros de falésias, praias de areia sem fim, rochas monumentais saindo do mar, faróis, dunas gigantes, florestas que chegam até a beira da água e vilas de pescadores cheias de personalidade. Uma particularidade a torna única: por lei, toda a praia do Oregon é pública, ou seja, cada metro de areia do estado pertence às pessoas e está aberto a todos.
A US-101 (Pacific Coast Scenic Byway) percorre a costa de ponta a ponta. É uma das grandes rotas cênicas do país, pontilhada de mirantes, vilas e parques estaduais. Entre seus ícones estão Cannon Beach com a gigantesca Haystack Rock, as dunas de areia do Oregon Dunes, o dramático Cape Perpetua, os faróis históricos e cidades como Astoria, Newport e Bandon. O mar costuma ser frio e bravo, o clima instável e a neblina frequente, mas essa mesma aspereza é a essência da sua beleza tranquila.
Este guia percorre o essencial da Costa do Oregon com um olhar prático: as cidades, praias e rochas imperdíveis de norte a sul, as dunas e os faróis, como planejar a road trip pela US-101, quando ir para pegar o melhor clima (e o que esperar da chuva e da neblina) e onde dormir e comer. É uma escapada perfeita a partir de Portland (a parte norte) ou uma viagem por si só, percorrendo a costa inteira.
O litoral foi lar de vários povos originários (tillamook, clatsop, siletz, coos, entre outros), que viviam do mar, dos rios e das florestas. A foz do rio Columbia, no extremo norte, foi onde a expedição de Lewis e Clark passou o inverno de 1805-1806 (Fort Clatsop). Astoria, fundada em 1811, é um dos assentamentos americanos mais antigos a oeste das Montanhas Rochosas. A economia costeira girou em torno da pesca, da madeira e das fábricas de conservas. Em 1967, a histórica 'Oregon Beach Bill' estabeleceu por lei que todas as praias do estado são públicas, um marco que define a identidade desta costa. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The destination of the Oregon Trail pioneers: land of the salmon peoples, of wild Pacific shores, of the impossible blue of Crater Lake and of a green, independent culture with Portland as its banner.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Imagine uma grande canoa de cedro-vermelho, esculpida em um único tronco, deslizando pela neblina do amanhecer em um estuário do Pacífico, carregada de salmão e de gente que conhece cada rocha desta costa há mais de dez mil anos. Muito antes da chegada de Lewis e Clark, do primeiro farol ou do asfalto da US-101, a Costa do Oregon já tinha donos: numerosos povos originários adaptados a um ambiente generoso de mar, estuários, rios e florestas. De norte a sul viviam os clatsop e os tillamook e, mais ao sul, os siletz, os coos, os siuslaw e os tututni, entre outros. A abundância de recursos — salmão nos rios, frutos do mar, baleias e focas no oceano, frutas silvestres e caça nas florestas — permitia uma vida relativamente próspera e sociedades complexas, com aldeias estáveis.
Esses povos eram navegadores experientes e construíam grandes canoas esculpidas em troncos de cedro, que usavam para pescar, comerciar e se deslocar pela costa e pelos rios. A madeira de cedro era central na sua cultura: com ela faziam casas comunais (longhouses), canoas, cestaria e objetos rituais. O comércio ao longo da costa e para o interior, pelos vales dos rios, conectava comunidades diversas.
A chegada dos europeus e, sobretudo, dos colonos anglo-americanos no século XIX teve consequências trágicas: as epidemias dizimaram a população indígena, e os tratados, as expropriações e as remoções forçadas para reservas (como a de Siletz e a de Grand Ronde) desmantelaram o seu mundo. Mesmo assim, as tribos da costa do Oregon seguem vivas hoje como nações reconhecidas, mantendo sua identidade, sua cultura e seu vínculo com esta terra e este mar.
O extremo norte da costa, na foz do rio Columbia, ocupa um lugar de destaque na história da expansão americana. Foi ali que chegou, no fim de 1805, a expedição de Lewis e Clark depois de cruzar o continente, alcançando enfim o oceano Pacífico. A expedição passou o chuvoso inverno de 1805-1806 em um forte construído perto da costa, o Fort Clatsop, batizado em homenagem ao povo originário da região, antes de iniciar a volta. Hoje uma réplica do forte faz parte de um parque histórico nacional.
Poucos anos depois, em 1811, a companhia de peles de John Jacob Astor fundou o Fort Astoria na foz do Columbia, dando origem a Astoria, considerada o assentamento americano permanente mais antigo a oeste das Montanhas Rochosas. O objetivo era o lucrativo comércio de peles, em especial de lontra-marinha, muito cobiçada. Astoria se tornou um enclave estratégico na disputa entre potências (Estados Unidos e Grã-Bretanha) pelo controle do território do Oregon.
A foz do Columbia, com seu banco de areia, suas correntes e suas tempestades, se revelou uma das mais perigosas do mundo para a navegação, ganhando o apelido de 'Graveyard of the Pacific' (cemitério do Pacífico) pela quantidade de naufrágios. Esse perigo marcaria a história marítima da costa e daria sentido à posterior construção de faróis ao longo do litoral.
Ao longo dos séculos XIX e XX, a economia da costa do Oregon girou em torno dos seus recursos naturais: a pesca (salmão, caranguejo Dungeness, atum), as fábricas de conservas que processavam o pescado, a exploração madeireira das densas florestas costeiras e, mais tarde, o turismo. Vilarejos de pescadores e madeireiros se espalharam pelo litoral, e muitos deles ainda conservam esse jeito marinheiro nos portos, nas frotas e na gastronomia de frutos do mar.
O marco que mais definiu a identidade moderna da costa, porém, foi uma lei, e por trás dela há uma história com final de filme. No verão de 1966, William Hay, dono do motel Surfsand, em Cannon Beach, usou troncos trazidos pelo mar para cercar um pedaço de areia seca em frente ao seu hotel, colocou guarda-sóis e mesas e fincou placas de 'propriedade privada'. O gesto desencadeou uma tempestade política: se um hoteleiro podia se apropriar da praia, qualquer um podia. A assembleia legislativa passou então a debater a 'Oregon Beach Bill', inspirada na lei de praias abertas do Texas, mas o projeto quase morreu diante da oposição de incorporadores do litoral e de republicanos conservadores, que o viam como um ataque à propriedade privada.
Em 13 de maio de 1967, o governador republicano Tom McCall armou uma jogada de mídia inesquecível: pousou na praia com dois helicópteros cheios de cientistas da Universidade Estadual do Oregon, legisladores e jornalistas, para medir ao vivo até onde chegava a maré e demonstrar que a linha da vegetação coincidia com o nível que a lei propunha proteger. A cobertura provocou uma onda de apoio popular impossível de conter. O projeto foi aprovado em junho e McCall o sancionou em 6 de julho de 1967. A 'Oregon Beach Bill' estabeleceu que toda a faixa de praia até a linha da maré alta é de propriedade e uso públicos, garantindo o acesso livre das pessoas a todo o litoral do estado. Foi uma decisão pioneira e muito popular, que protegeu as praias da urbanização e da privatização para sempre.
Graças a essa lei, e à posterior proteção de amplas áreas como parques estaduais, áreas nacionais de recreação (como as Oregon Dunes) e à conservação de cabos e florestas costeiras, a Costa do Oregon mantém seu caráter selvagem e aberto. Hoje é uma das costas mais queridas e acessíveis dos Estados Unidos, onde qualquer pessoa pode caminhar quilômetros de areia pública, um legado daquela decisão histórica que continua definindo o espírito deste litoral.
O perigo das águas do noroeste do Pacífico — com o banco de areia do Columbia, as rochas, a neblina e as tempestades — tornou indispensável a construção de faróis ao longo do litoral na segunda metade do século XIX e no começo do XX. O Cape Blanco (1870), o Yaquina Bay (1871), o Yaquina Head (1873), o Heceta Head (1894) e outros foram erguidos para guiar os navios e reduzir os naufrágios que lotavam o 'Graveyard of the Pacific'. Hoje esses faróis, vários deles automatizados ou desativados, são monumentos históricos e mirantes muito queridos, e alguns guardam a lenda de serem mal-assombrados, como o Heceta Head.
Os muitos naufrágios também deixaram sua marca na paisagem e na memória. O mais famoso talvez seja o do Peter Iredale, um veleiro encalhado em 1906 perto de Astoria, cujo esqueleto de ferro enferrujado ainda desponta na praia de Fort Stevens e virou uma das imagens icônicas da costa.
A partir do século XX, e especialmente depois da construção da US-101 (Oregon Coast Highway) nas décadas de 1920 e 1930, a costa começou a viver um boom turístico. A estrada cênica, as pontes art déco projetadas pelo engenheiro Conde McCullough e a criação de parques estaduais abriram o litoral aos visitantes. Cidadezinhas antes pesqueiras e madeireiras, como Cannon Beach, Newport ou Bandon, se reinventaram em torno do turismo, das galerias de arte e da gastronomia de frutos do mar. A combinação de natureza protegida, praias públicas e cidadezinhas charmosas transformou a Costa do Oregon em um dos grandes destinos de road trip dos Estados Unidos, sem perder seu caráter selvagem.