Cleveland, às margens do lago Erie, no estado de Ohio, é uma clássica cidade do cinturão industrial americano que soube se reinventar em torno da cultura, da música e da saúde. Antiga potência do aço, do petróleo e da indústria, hoje é conhecida principalmente por ser a sede do Hall da Fama do Rock and Roll, um ímã para amantes da música do mundo inteiro, e por sua excelente oferta cultural, boa parte dela concentrada no distrito de University Circle.
Para o viajante, Cleveland combina ícones da música, museus de primeira linha e uma vida urbana renovada. O Rock and Roll Hall of Fame, num prédio marcante de I. M. Pei à beira do lago, celebra a história do rock; o Cleveland Museum of Art, com entrada gratuita, é um dos melhores do país; e bairros como Ohio City, com seu histórico West Side Market, ou o Flats, à beira do rio Cuyahoga, mostram o pulso de uma cidade em alta na gastronomia e na cerveja.
Este guia percorre o essencial de Cleveland com olhar prático: o imperdível Hall da Fama do Rock, os grandes museus gratuitos de University Circle, o lago Erie e o rio Cuyahoga, o mercado histórico, a cena gastronômica e como se locomover por uma cidade acessível e com boa parte da sua oferta cultural sem custo de entrada.
Fundada em 1796 pelo agrimensor Moses Cleaveland às margens do lago Erie, a cidade cresceu graças ao canal de Ohio e, sobretudo, à indústria pesada do século XIX: aqui John D. Rockefeller fundou a Standard Oil, e o aço e a indústria a transformaram em uma das grandes cidades industriais do país. Depois do declínio do século XX, Cleveland se reinventou em torno da cultura, da música (sede do Rock Hall) e da saúde (a prestigiada Cleveland Clinic). A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Midwest's 'swing state': land of the Hopewell and Adena mound builders and of the Shawnee, a great industrial power of steel and rubber, birthplace of seven presidents and of astronauts such as Neil Armstrong, with Cleveland on the shore of Lake Erie.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
No verão de 1796, um agrimensor de Connecticut chamado Moses Cleaveland desembarcou na foz de um rio pantanoso às margens do lago Erie, fincou algumas estacas e deu seu sobrenome a um punhado de lotes que quase ninguém queria. Nem ele imaginava que aquele lamaçal insalubre acabaria se tornando a cidade que viu nascer o maior império do petróleo da história, que veria seu próprio rio pegar fogo e que, um século e meio depois, seria consagrada como o berço do rock and roll. Curiosamente, o próprio Cleaveland voltou para Connecticut e nunca mais pisou no lugar que leva o seu nome.
Moses Cleaveland liderava uma expedição da Connecticut Land Company, encarregada de medir e colonizar as terras conhecidas como Western Reserve, na margem sul do lago Erie. O povoado, erguido na foz do rio Cuyahoga, recebeu o sobrenome de seu fundador. Segundo a tradição, a grafia perdeu uma letra ('a') por volta de 1831 para que o nome 'Cleveland' coubesse no cabeçalho de um jornal local, o Cleveland Advertiser.
Em suas primeiras décadas, Cleveland foi um vilarejo de fronteira pequeno e modesto, de crescimento lento, em parte por causa das condições insalubres da área pantanosa junto ao rio. O grande impulso veio em 1832, com a abertura do Canal de Ohio e Erie, que ligou o lago Erie ao rio Ohio e, por meio dele, ao Mississippi e ao golfo do México. Isso transformou Cleveland em um polo comercial estratégico para o transporte de mercadorias entre os Grandes Lagos e o interior do país.
A posição da cidade, no cruzamento de rotas aquáticas e, mais tarde, ferroviárias, colocou-a no lugar ideal para receber as matérias-primas do Meio-Oeste (minério de ferro da região do lago Superior e carvão dos Apalaches) que alimentariam sua futura potência industrial.
Na segunda metade do século XIX, Cleveland se transformou em uma das grandes potências industriais dos Estados Unidos. O acesso ao minério de ferro e ao carvão fez dela um importante centro de produção de aço e de indústria pesada. Mas o episódio mais célebre de sua história econômica foi o nascimento do império do petróleo: em 1870, John D. Rockefeller fundou em Cleveland a Standard Oil Company, que chegaria a controlar quase toda a indústria petrolífera do país e transformaria Rockefeller em um dos homens mais ricos da história.
O auge industrial atraiu enormes ondas de imigrantes europeus (alemães, irlandeses, italianos, poloneses, húngaros, eslovenos e muitos outros), além de migrantes afro-americanos vindos do sul, que deram a Cleveland uma notável diversidade étnica, ainda visível em seus bairros, suas igrejas, sua gastronomia e em mercados como o West Side Market. A cidade cresceu vertiginosamente até se tornar, no início do século XX, uma das maiores e mais prósperas dos Estados Unidos.
Essa riqueza industrial financiou grandes instituições culturais (como o Cleveland Museum of Art e a Orquestra de Cleveland) e avenidas elegantes. A cidade foi berço de inovações e, na primeira metade do século XX, uma referência do poderio industrial americano, com o rio Cuyahoga e o porto do lago Erie como eixos de sua intensa atividade industrial.
Como muitas cidades do cinturão industrial (Rust Belt), Cleveland sofreu um forte declínio a partir de meados do século XX: a desindustrialização, a perda de empregos, a suburbanização e o êxodo da população esvaziaram boa parte da cidade e abalaram sua economia. Um símbolo dessa crise foi a grave poluição do rio Cuyahoga, que chegou a pegar fogo várias vezes; o incêndio de 1969 teve grande repercussão nacional e virou um emblema da degradação ambiental, impulsionando a criação de leis federais de proteção das águas e o movimento ambientalista nos Estados Unidos.
Depois de décadas difíceis, Cleveland partiu para uma reinvenção apoiada na cultura, na música, na saúde e na revitalização urbana. Um marco decisivo foi a escolha da cidade como sede do Rock and Roll Hall of Fame, inaugurado em 1995 em um prédio de I. M. Pei à beira do lago, em reconhecimento ao papel histórico de Cleveland na difusão do rock and roll. O museu virou um ímã de turistas e um novo cartão de visita da cidade.
A saúde se tornou outro pilar: a renomada Cleveland Clinic, centro médico de fama mundial, é hoje um dos maiores empregadores e atrativos da cidade. Somam-se a isso a revitalização de bairros como Ohio City e Tremont, uma cena gastronômica e cervejeira em alta, o rio Cuyahoga recuperado e a oferta cultural de University Circle. Cleveland encarna, assim, a história de uma velha cidade industrial que busca um novo futuro em torno da cultura e dos serviços.
A ligação de Cleveland com o rock and roll não é por acaso: foi aqui que o termo se popularizou. No início dos anos 50, o DJ Alan Freed apresentava na rádio local WJW um programa que tocava rhythm and blues afro-americano para um público jovem e misturado, e atribui-se a ele a popularização da expressão 'rock and roll' para nomear essa música. Em 1952, Freed organizou na cidade o Moondog Coronation Ball, considerado por muitos o primeiro grande show de rock and roll da história, que acabou tomado por uma multidão muito maior do que o previsto. Esse legado foi o argumento decisivo para que Cleveland conquistasse a sede do Rock and Roll Hall of Fame nos anos 80, superando outras cidades candidatas.
A identidade de Cleveland também se formou em torno do esporte e de uma torcida tão apaixonada quanto sofrida. Durante décadas, os times locais viveram um longo jejum de títulos que se tornou quase parte do folclore da cidade. A espera terminou de forma memorável em 2016, quando os Cleveland Cavaliers, liderados por LeBron James (nascido na vizinha Akron), conquistaram o título da NBA com uma virada em uma final que parecia perdida, vivida como uma catarse coletiva. A cidade conta ainda com um time histórico de beisebol (os Guardians, antigos Indians) e com os Browns, de futebol americano, cujas paixões fazem parte do caráter resiliente de Cleveland.
Música e esporte resumem bem o espírito da cidade: a capacidade de se reinventar e de transformar sua história (industrial, cultural e popular) em motivo de orgulho e de identidade diante das dificuldades.