Fujairah é o emirado que olha para o outro mar. Enquanto seis dos sete emirados ficam de frente para o golfo Pérsico, Fujairah é o único voltado para o golfo de Omã, a leste da península, encaixado entre as montanhas Hajar e águas profundas e limpas que o transformaram na capital do mergulho do país. Aqui a paisagem muda: montanhas escarpadas e avermelhadas que caem quase no mar, wadis com água, plantações verdes e um ar mais úmido e ameno. É o Emirados que quase ninguém imagina, mais tranquilo, mais natural e com uma história antiquíssima gravada na pedra de seus fortes e da mesquita mais velha do país.
Debaixo d'água, em frente à costa de Al Aqah, a famosa Snoopy Island — uma rocha com o formato do personagem — é um ímã para mergulhadores e praticantes de snorkel: recifes cheios de peixes coloridos, tartarugas e até pequenos tubarões. Em terra, Fujairah guarda joias do passado: a mesquita de Al Bidyah, construída por volta de 1446 e considerada a mais antiga dos Emirados, com suas quatro cúpulas sustentadas por um único pilar; o forte de Fujairah, do século XVI; e o forte de Al Bithnah, que vigiava a passagem-chave do Wadi Ham. Dominado pela tribo Sharqiyin e pela dinastia Al Sharqi, Fujairah foi o último emirado a ser reconhecido como tal, em 1952, antes de se juntar à federação em 1971.
Este guia ajuda você a descobrir suas duas faces com sentido prático: onde e como mergulhar ou fazer snorkel, quais fortes e sítios históricos visitar, como percorrer as montanhas e os wadis, onde ficam as melhores praias e por que vale a pena alugar um carro. Fujairah é o destino ideal para quem quer conhecer um Emirados diferente — o do mar profundo, das montanhas e da história —, combinar mergulho e trilhas, e fugir da agitação rumo à costa leste, mais verde, mais serena e cheia de surpresas.
Fujairah tem uma história antiquíssima ligada às montanhas Hajar e ao golfo de Omã: em seu território há fortes e torres de séculos e a mesquita mais antiga dos Emirados, a de Al Bidyah, erguida por volta de 1446 em barro e pedra. O emirado é dominado pela tribo Sharqiyin, cuja dinastia, os Al Sharqi, governa há gerações. Diferentemente da maioria dos emirados, Fujairah não fica de frente para o golfo Pérsico, e sim para o de Omã, e durante muito tempo esteve sob a órbita de Sharjah, da qual se separou no início do século XX. Foi o último dos sete a ser reconhecido como emirado independente, em 1952, quando firmou acordos com a Grã-Bretanha como parte dos Estados da Trégua. Em dezembro de 1971, foi um dos seis emirados fundadores dos Emirados Árabes Unidos. Os fortes de Fujairah e Al Bithnah, que guardavam o estratégico Wadi Ham, e a mesquita de Al Bidyah contam essa longa história. Tudo isso está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The five smaller emirates: cultural Sharjah, tiny Ajman, serene Umm al Quwain, mountainous Ras al Khaimah, heir to Julfar, and Fujairah looking out over the Gulf of Oman.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Fujairah é a exceção geográfica dos Emirados Árabes Unidos. Enquanto seis dos sete emirados se debruçam sobre o golfo Pérsico, na costa oeste da península, Fujairah fica de frente para o golfo de Omã, do outro lado, a leste, já voltada para o oceano Índico. Essa diferença, que parece um detalhe no mapa, explica quase tudo: ela lhe dá águas mais profundas e limpas, uma barreira de montanhas que a separa do resto do país, um clima um pouco mais úmido e uma história própria, ligada mais ao mar de Omã e às rotas do Índico do que ao comércio do Pérsico.
Essa barreira são os montes Hajar, a grande cordilheira que percorre o leste da península Arábica e que isola Fujairah do interior. Durante milênios, atravessar essas montanhas foi difícil e perigoso, e o contato com o resto da costa era feito por umas poucas passagens entre vales, sobretudo pelo Wadi Ham, o grande leito que liga a costa de Fujairah ao interior. Quem controlava essa passagem controlava o comércio, e por isso as montanhas de Fujairah estão salpicadas de fortes e torres de vigia: era uma terra de fronteiras naturais que precisava ser defendida.
A ocupação humana desta região é antiquíssima. As escavações encontraram tumbas e assentamentos da Idade do Bronze e do Ferro, com milhares de anos, prova de que esses vales e essa costa foram habitados muito antes do islã. A combinação de um mar rico em peixes, montanhas defensivas e vales férteis com água fez de Fujairah um lugar habitável e estratégico desde tempos remotos, com uma identidade marcada pelo isolamento e pela vocação marinheira voltada para o golfo de Omã.
O monumento que melhor resume a antiguidade de Fujairah é a mesquita de Al Bidyah (ou Al Badiyah), construída por volta de 1446 e considerada a mesquita mais antiga dos Emirados Árabes Unidos ainda em uso. É um edifício pequeno e humilde, erguido com adobe, pedra e barro, sem minarete, com quatro cúpulas pontiagudas sustentadas por um único pilar central: uma arquitetura única no país, de uma simplicidade comovente, ao pé das montanhas e com torres de vigia no morro que a domina. Que um edifício de barro tenha resistido a quase seis séculos é, por si só, um pequeno milagre e um testemunho precioso do islã primitivo nesta costa.
Além das mesquitas, os fortes são os grandes protagonistas do patrimônio de Fujairah. O forte de Fujairah, com origem no século XVI, ergue-se sobre uma colina que domina a cidade e as plantações de tâmaras: foi residência dos governantes e bastião militar durante séculos. E no interior, sobre o estratégico Wadi Ham, fica o forte de Al Bithnah, que vigiava a passagem-chave entre a costa e o interior da península. O controle de Al Bithnah foi disputado repetidas vezes, porque quem o detinha dominava a rota comercial e militar mais importante da região.
Essas fortalezas não são enfeite: contam uma história real de tribos que disputavam o controle dos vales, das passagens e dos recursos escassos. A vida em Fujairah, entre as montanhas e o mar, dependia da pesca no golfo de Omã, da agricultura nos wadis com água (sobretudo tâmaras) e do comércio pelas passagens de montanha. Era uma sociedade tribal, austera e guerreira, marcada pela geografia dura e pela necessidade de defender cada palmo de terra fértil.
O emirado de Fujairah é dominado pela tribo Sharqiyin (os 'orientais'), a principal da costa leste, e sua história moderna é, em boa medida, a da luta para se afirmar como poder independente diante dos vizinhos, sobretudo dos poderosos Al Qasimi de Sharjah, que por muito tempo reivindicaram o controle dessas costas. Durante gerações, Fujairah esteve na órbita, mais nominal do que real, de Sharjah, mas os Sharqiyin, protegidos por suas montanhas, mantiveram de fato sua autonomia.
Um marco importante veio em 1901, quando o xeique Hamad bin Abdullah Al Sharqi, chefe dos Sharqiyin, declarou a independência de Fujairah em relação a Sharjah. Os britânicos, que controlavam a política da região, não reconheceram de imediato essa independência, e durante décadas Fujairah ficou num limbo: independente de fato, mas sem o status formal de 'Estado da Trégua' que os outros emirados tinham, o que a deixava de fora dos tratados e da proteção oficial britânica. A dinastia Al Sharqi continuou governando e consolidando seu poder, apoiada no controle dos fortes e das passagens de montanha.
O reconhecimento formal, tão buscado, só chegou em 1952, quando a Grã-Bretanha finalmente aceitou Fujairah como um emirado independente e a incorporou aos Estados da Trégua. Foi o último dos sete territórios a obter esse status, o que a torna a 'caçula' oficial dos emirados, apesar da antiguidade de sua ocupação humana. Esse reconhecimento tardio foi um triunfo para os Sharqiyin e selou o reconhecimento internacional de uma autonomia que na prática já existia havia muito tempo.
Tendo obtido o reconhecimento como emirado apenas duas décadas antes, Fujairah chegou aos anos 1970 com uma identidade e uma autonomia já consolidadas. Quando, em 1968, a Grã-Bretanha anunciou que se retiraria do Golfo até 1971, os sete emirados da costa — Fujairah entre eles — tiveram de decidir seu futuro. A resposta, impulsionada sobretudo pelo xeique Zayed bin Sultan Al Nahyan, de Abu Dhabi, e pelo xeique Rashid, de Dubai, foi a união.
Em 2 de dezembro de 1971 nasceram os Emirados Árabes Unidos, e Fujairah foi um dos seis emirados fundadores, ao lado de Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman e Umm al Quwain (Ras al Khaimah aderiu no início de 1972). Para Fujairah, o emirado mais pobre e periférico, encaixado entre montanhas e sem petróleo próprio de peso, entrar na federação foi uma decisão de futuro e de sobrevivência: significava compartilhar a enorme riqueza de Abu Dhabi, integrar-se a um projeto comum e sair enfim de seu isolamento histórico. Seu governante, da dinastia Al Sharqi, passou a fazer parte do Conselho Supremo de governantes do novo país.
O xeique Zayed tornou-se o primeiro presidente dos Emirados, o 'pai da nação', e com a federação vieram o desenvolvimento, as estradas que finalmente atravessaram os Hajar com conforto, as escolas, os hospitais e a água. Fujairah, tão isolada durante séculos, ficou conectada ao resto do país por rotas de montanha que hoje são uma atração turística. A união transformou em poucos anos a vida de seus habitantes, sem apagar a forte identidade dos Sharqiyin nem o caráter próprio da costa leste.
A Fujairah do século XXI transformou sua geografia única em sua grande vantagem. Sua localização no golfo de Omã, fora do estreito de Ormuz — esse gargalo por onde passa boa parte do petróleo do mundo e onde se concentram as tensões geopolíticas do Golfo —, lhe deu um valor estratégico enorme. O porto de Fujairah é hoje um dos maiores centros de abastecimento de combustível (bunker) para navios do planeta, e um ponto-chave para os oleodutos que permitem exportar petróleo sem passar por Ormuz. Essa função portuária e energética é o motor econômico do emirado.
Ao mesmo tempo, Fujairah apostou no turismo aproveitando o que nenhum outro emirado tem na mesma medida: o mar profundo e limpo do golfo de Omã, ideal para mergulho, e os montes Hajar. A Snoopy Island e os recifes da costa leste estão entre os melhores pontos de mergulho do país; os resorts de Al Aqah e Dibba são um destino de fim de semana muito querido; e as montanhas, os wadis e as rotas panorâmicas atraem trilheiros e aventureiros. A mesquita de Al Bidyah e os fortes somam o atrativo histórico. Fujairah se vende, com razão, como o lado mais natural e autêntico dos Emirados.
O emirado continua governado pela dinastia Al Sharqi e mantém uma identidade marcada por sua história particular: a do território isolado entre montanhas que lutou durante décadas por reconhecimento e que hoje é uma peça estratégica do país. Para o viajante, Fujairah é uma revelação: o lugar onde os Emirados deixam de ser deserto e arranha-céus e se tornam mar profundo, montanhas escarpadas, fortes de barro e uma mesquita de quase seis séculos ao pé dos Hajar. Uma face do país que poucos esperam e que quase ninguém decepciona.