Drumheller é uma cidadezinha do centro-sul de Alberta encravada no espetacular vale do rio Red Deer, bem no coração dos badlands canadenses: uma paisagem surreal de barrancos erodidos, ravinas, platôs estriados e curiosas formações rochosas chamadas hoodoos, que contrasta de forma impressionante com a pradaria plana ao redor. Mas o que deu fama mundial a esta terra é o que ela esconde debaixo da superfície: é uma das jazidas de fósseis de dinossauros mais ricas do planeta.
Drumheller ficou conhecida como a 'capital mundial dos dinossauros'. Sua grande atração é o Royal Tyrrell Museum, um dos melhores museus de paleontologia do mundo, com uma coleção extraordinária de esqueletos e fósseis. A região inteira respira o tema: uma gigantesca estátua de um tiranossauro domina a cidade, e os arredores oferecem passeios pelos badlands, pelos hoodoos, por antigas vilas mineiras de carvão e por mirantes de uma paisagem única.
Este guia percorre o essencial de Drumheller e dos badlands com um olhar prático: o Royal Tyrrell Museum, os hoodoos e os mirantes, os passeios pelo vale e os vestígios da mineração, e como chegar e se locomover num bate-volta muito popular a partir de Calgary. É um dos destinos mais singulares do Canadá, uma viagem ao mesmo tempo pelo tempo geológico e pela era dos dinossauros.
O vale do rio Red Deer, esculpido pelo degelo glacial, deixou expostas camadas de rocha riquíssimas em fósseis de dinossauros que viveram há dezenas de milhões de anos. A região foi território de povos das planícies (blackfoot e outros). Drumheller nasceu no começo do século XX como vila mineira de carvão, que era abundante no vale. A descoberta de fósseis espetaculares e a inauguração do Royal Tyrrell Museum em 1985 transformaram a cidade num centro mundial de paleontologia e turismo. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The province of the prairies and the Rockies: Blackfoot and Cree land, land of cattle ranching and oil, home of Banff —Canada's first national park—, of Lake Louise and of the dinosaurs of Drumheller.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A extraordinária riqueza de Drumheller começou a se formar há dezenas de milhões de anos, durante o Cretáceo, quando esta região de Alberta era uma planície costeira quente e úmida, cortada por rios e povoada por dinossauros. Quando esses animais morriam, seus restos às vezes eram soterrados rapidamente por sedimentos, o que permitiu sua fossilização nas camadas de rocha que foram se acumulando ao longo de milhões de anos.
Muito mais tarde, no fim da última glaciação, os enormes volumes de água do degelo glacial escavaram com força o vale do rio Red Deer, cortando fundo a pradaria e deixando à mostra essas antigas camadas de rocha repletas de fósseis. O resultado é a paisagem de badlands que vemos hoje: barrancos, ravinas e hoodoos onde a erosão contínua segue expondo, ano após ano, novos restos de dinossauros e da vida pré-histórica.
Essa combinação única — um registro fóssil excepcional soterrado e um vale que o deixa à mostra — transformou a região de Drumheller e o vizinho Dinosaur Provincial Park (Patrimônio da Humanidade) em um dos melhores lugares do mundo para a paleontologia de dinossauros.
Antes dos dinossauros turísticos, o que deu origem e vida a Drumheller foi o carvão. No começo do século XX, descobriu-se que o vale do Red Deer era extraordinariamente rico em veios de carvão, e a região viveu um boom da mineração. Dezenas de minas foram abertas ao longo do vale, e vilas mineiras surgiram rapidamente para abrigar os trabalhadores, muitos deles imigrantes da Europa e de outras partes do mundo, atraídos pelo emprego.
Drumheller, fundada e desenvolvida nesse contexto, virou o centro de uma próspera bacia carbonífera. O carvão extraído era carregado em grandes estruturas de madeira (tipples) e transportado de trem. A vida em torno das minas, dura e perigosa, marcou a identidade e a composição multicultural da região durante as primeiras décadas do século XX.
Com o tempo, a queda na demanda por carvão — substituído pelo petróleo e pelo gás, abundantes em Alberta — levou ao fechamento gradual das minas em meados do século. O patrimônio daquela época, como a Atlas Coal Mine, transformada em sítio histórico, lembra hoje esse passado que veio antes da fama paleontológica do vale.
O interesse científico pelos fósseis do vale do Red Deer vem de longa data: já no fim do século XIX, o geólogo Joseph Burr Tyrrell, enquanto procurava carvão para o Serviço Geológico do Canadá, encontrou na região o crânio de um dinossauro carnívoro, o que antecipou a enorme riqueza paleontológica do lugar. Ao longo do século XX, a região se consolidou como um dos grandes centros de descobertas de dinossauros do mundo.
A virada veio em 1985, com a inauguração do Royal Tyrrell Museum of Palaeontology, batizado em homenagem àquele pioneiro. O museu, com instalações modernas e uma coleção excepcional, colocou Drumheller no mapa mundial da paleontologia e atraiu um número cada vez maior de visitantes. A economia mineira em declínio encontrou assim um novo motor no turismo científico e familiar.
Desde então, Drumheller abraçou de vez sua identidade jurássica: autoproclamou-se 'capital mundial dos dinossauros', ergueu a maior estátua de dinossauro do mundo e encheu a cidade de figuras e temas pré-históricos. Hoje, a história dos dinossauros e a das minas de carvão convivem em um vale de paisagem única, que combina o espetáculo das badlands com uma viagem fascinante pela história profunda da Terra.
Muito antes de o carvão e os dinossauros atraírem gente de fora, o vale do rio Red Deer e as pradarias de Alberta eram território de povos indígenas das planícies, em especial a Confederação Blackfoot (Niitsitapi), junto com os cree das planícies, os nakoda (stoney) e outros. Para esses povos, a vida girava em torno do bisão, que caçavam nas vastas pradarias e que lhes fornecia alimento, abrigo, ferramentas e matéria-prima para quase tudo.
A própria paisagem de badlands, com suas formas estranhas e seus ossos despontando da rocha, não passou despercebida por eles. Há relatos e tradições que interpretavam esses restos fósseis — os grandes ossos de criaturas desconhecidas — dentro de sua visão de mundo, muito antes de a ciência ocidental classificá-los como dinossauros. O rio que dá nome ao vale, o Red Deer, é na verdade uma tradução aproximada de um nome indígena que fazia referência ao uapiti (um grande cervo), abundante em suas margens.
A chegada dos colonos europeus, da ferrovia e da mineração de carvão no começo do século XX transformou radicalmente esse mundo. Reconhecer essa presença indígena, anterior e contínua, faz parte de uma compreensão mais completa da história do vale, que não começa nem com o carvão nem com os museus.
Depois da descoberta de Joseph Burr Tyrrell em 1884, o vale do Red Deer e a área do atual Dinosaur Provincial Park viraram, no começo do século XX, palco de uma competição febril entre paleontólogos: a chamada 'Great Canadian Dinosaur Rush'. Equipes de museus do Canadá e dos Estados Unidos — entre elas figuras como Barnum Brown, do Museu Americano de História Natural, e a família Sternberg, célebres caçadores de fósseis contratados pelo Serviço Geológico do Canadá — percorreram as badlands desenterrando esqueletos espetaculares que hoje estão expostos em museus do mundo todo.
Dessas terras saíram alguns dos dinossauros mais emblemáticos e mais bem conservados que se conhecem: hadrossauros (os 'dinossauros bico-de-pato'), ceratopsídeos como o Centrosaurus e grandes carnívoros como o Albertosaurus e o Gorgosaurus, parentes do Tyrannosaurus. A densidade e a qualidade das descobertas quase não têm igual no planeta, e o Dinosaur Provincial Park, rio abaixo, foi declarado Patrimônio Mundial da Unesco em 1979 justamente por seu valor paleontológico.
Essa longa tradição de descobertas é a base sobre a qual foi erguido, em 1985, o Royal Tyrrell Museum, e é o que mantém Drumheller e seus arredores na linha de frente da paleontologia mundial. A cada temporada, a erosão das badlands continua revelando novos fósseis, de modo que a história profunda do vale nunca termina de ser escrita.