Praia do Forte é uma vila de praia do litoral norte da Bahia, a pouco mais de uma hora de Salvador, famosa por ser a sede do Projeto Tamar, a iniciativa brasileira de conservação das tartarugas marinhas. Seu charmoso centrinho para pedestres — a Alameda do Sol ou Vila de Praia do Forte — reúne lojas, restaurantes e pousadas num clima tranquilo, a poucos passos de praias calmas com piscinas naturais na maré baixa.
Além do Tamar, Praia do Forte tem o Castelo Garcia d'Ávila (as ruínas de um castelo colonial do século XVI), reservas de Mata Atlântica, manguezais e observação de baleias-jubarte na temporada. É um destino gostoso e ótimo para a família, base ideal para explorar a Costa dos Coqueiros e a Linha Verde, com praias cheias de coqueiros que se estendem ao norte até a divisa com Sergipe.
Este guia percorre o essencial de Praia do Forte com olhar prático: o Projeto Tamar, o Castelo Garcia d'Ávila, as praias e piscinas naturais, como chegar de Salvador, onde comer e dormir, e como aproveitar a temporada de tartarugas e baleias.
Praia do Forte fica em terras que pertenceram à antiga Casa da Torre de Garcia d'Ávila, um dos maiores latifúndios da América colonial, cujo castelo do século XVI ainda se conserva em ruínas no alto de uma colina. Durante séculos foi uma região de vilas de pescadores ligada ao coco. Em 1980 foi instalada aqui a base principal do Projeto Tamar de conservação das tartarugas marinhas, que transformou a vila numa referência do ecoturismo no Nordeste. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The cradle of Brazil: this is where Cabral landed in 1500 and where Salvador was founded, the country's first capital for more than two centuries. The heart of Afro-Brazilian culture —candomblé, capoeira, axé— and of a coastline that runs from the Chapada Diamantina to the beaches of Porto Seguro.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A história de Praia do Forte está ligada para sempre a uma das figuras mais poderosas do Brasil colonial: Garcia d'Ávila. Ele chegou à Bahia em 1549, junto com Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral do Brasil. Ao longo do século XVI, Garcia d'Ávila juntou um patrimônio de terras gigantesco. Seu domínio, conhecido como Casa da Torre, chegou a cobrir áreas imensas do Nordeste brasileiro e foi um dos maiores latifúndios de toda a América colonial.
No alto de uma colina de frente para o litoral, Garcia d'Ávila mandou construir uma residência fortificada de pedra, o chamado Castelo Garcia d'Ávila. A obra foi erguida em estilo maneirista ao longo da segunda metade do século XVI. Ao lado da casa-forte foi construída a capela de Nossa Senhora da Conceição. O castelo é considerado o único castelo medieval-renascentista do Brasil e um dos registros mais antigos da arquitetura colonial portuguesa no país.
Daquela torre e de suas terras eram administradas a pecuária, a agricultura e a expansão rumo ao interior do Nordeste. O próprio nome "Praia do Forte" vem dessa presença fortificada na costa. Hoje, as ruínas do castelo estão restauradas e abertas à visitação. Lá dá para conhecer as origens da colonização da região e o poder quase feudal que a família d'Ávila teve durante gerações.
Com o passar dos séculos, o poder da Casa da Torre foi diminuindo e suas terras imensas foram divididas. A região de Praia do Forte virou um trecho de litoral dedicado à pesca artesanal e ao cultivo de coco. Ali havia pequenas comunidades costeiras que viviam no ritmo do mar e da Mata Atlântica, que cobria boa parte do litoral norte da Bahia.
Por muito tempo, essa faixa do litoral, hoje conhecida como Costa dos Coqueiros, ficou relativamente isolada e pouco desenvolvida, longe das rotas turísticas e do crescimento urbano de Salvador. Os moradores mantinham um modo de vida tradicional. As praias de coqueiros, os manguezais e os recifes continuavam praticamente intocados. Enquanto isso, o castelo de Garcia d'Ávila seguia em ruínas no alto da colina, como testemunha silenciosa do esplendor de outros tempos.
Com o tempo, essa mistura de natureza preservada e herança histórica viraria a base da transformação turística de Praia do Forte. As praias tranquilas, as piscinas naturais e a Mata Atlântica ao redor ganhariam ainda mais valor no século XX, quando a região começou a ser vista com olhos de conservação e de turismo sustentável.
O grande marco da história recente de Praia do Forte foi a chegada do Projeto Tamar. O TAMAR (de "tartarugas marinhas") foi criado no fim da década de 1970 para proteger as tartarugas marinhas ameaçadas no litoral brasileiro. Em 1980, o projeto instalou em Praia do Forte uma de suas principais bases. A escolha não foi por acaso: as praias da região eram área de desova de várias espécies de tartarugas marinhas. Essas espécies estavam seriamente ameaçadas pela captura dos animais e pelo saque dos ninhos.
O projeto juntou pesquisa e proteção das tartarugas com um trabalho forte de educação ambiental e de parceria com as comunidades locais, oferecendo alternativas de renda aos pescadores. O centro de visitantes, com tanques e exposições, virou uma das principais atrações turísticas da região e conseguiu unir conservação, ciência e lazer. Assim, Praia do Forte passou a ser um símbolo nacional do ecoturismo e da proteção da fauna marinha.
A partir daí, a vila teve um crescimento turístico acelerado. Esse crescimento seguiu, em boa parte, um modelo de ecoturismo e de turismo de praia para a família. Vieram pousadas, resorts, uma vila charmosa só para pedestres e passeios na natureza, como a observação de baleias e as trilhas da Reserva de Sapiranga. A soma do castelo histórico, das praias com piscinas naturais e do famoso Projeto Tamar fez de Praia do Forte um dos destinos mais queridos e marcantes do litoral norte da Bahia.
O poder da Casa da Torre ia muito além da torre fortificada no litoral. Garcia d'Ávila e seus descendentes chegaram a controlar um dos maiores patrimônios de terras da história da América portuguesa. A família d'Ávila juntou terras por meio de doações da Coroa, de compras e, principalmente, de uma expansão agressiva da pecuária rumo ao interior. Pelas estimativas mais amplas, essas terras cobriam partes enormes do Nordeste brasileiro, da Bahia até as margens dos rios São Francisco e Parnaíba, e chegavam ainda mais ao norte.
Esse domínio quase feudal se apoiava na criação de gado, que avançava terra adentro e abria o sertão à colonização. Também dependia do trabalho de pessoas escravizadas e de indígenas submetidos à força. Os d'Ávila financiaram e comandaram expedições militares e de exploração, incluindo campanhas contra grupos indígenas e contra o Quilombo dos Palmares. Era a lógica de fronteira violenta típica da expansão colonial. Nos séculos XVI e XVII, a Casa da Torre foi uma verdadeira potência privada dentro do Brasil colonial.
Com o tempo, esse poder foi se desgastando por causa das disputas por terras, dos processos na Justiça, das divisões de herança e das mudanças na economia. Nos séculos XVIII e XIX, o latifúndio já estava dividido e a influência da família tinha diminuído. O castelo abandonado virou uma ruína romântica no litoral, enquanto a memória daquele império do gado se apagava. Hoje, as ruínas restauradas são a marca visível de um capítulo pouco conhecido, mas decisivo, da formação do território brasileiro.
Praia do Forte virou a capital do ecoturismo baiano graças a dois grandes símbolos da conservação marinha: as tartarugas e as baleias. O Projeto Tamar, presente na vila desde 1980, transformou praias onde antes se capturavam tartarugas e se recolhiam ovos em áreas protegidas de desova. Ao longo das décadas, o programa ajudou a recuperar as populações de várias espécies ameaçadas, como a tartaruga-cabeçuda, a tartaruga-verde, a tartaruga-de-pente e a tartaruga-oliva. Com isso, virou um modelo internacional de conservação com a participação da comunidade.
Já no século XXI, essa história ganhou um novo capítulo com o boom da observação de baleias-jubarte. Todo ano, mais ou menos entre julho e novembro, esses cetáceos migram das águas da Antártida para o litoral quente do Nordeste para se reproduzir e cuidar dos filhotes. A costa de Praia do Forte e o Banco de Abrolhos, mais ao sul, viraram dois dos melhores lugares do Brasil para ver as jubartes. Daí nasceram um turismo de observação regulamentado e campanhas de conscientização sobre a fauna marinha.
Esse duplo legado define a identidade de Praia do Forte hoje. De um lado está o patrimônio histórico da Casa da Torre. Do outro, o patrimônio natural das tartarugas, das baleias, dos manguezais e da Mata Atlântica. A vila tenta equilibrar o crescimento do turismo com a preservação. O modelo tem seus problemas, como a pressão imobiliária, a sazonalidade e o impacto ambiental, mas continua sendo uma referência de turismo sustentável no litoral norte da Bahia.