Bombinhas é um daqueles cantinhos onde o sul do Brasil vira um paraíso de água transparente. Numa pequena península montanhosa de Santa Catarina, coberta de Mata Atlântica e cercada pelo Atlântico, esse município minúsculo reúne umas 39 praias de areia clara e mar cristalino, enseadas escondidas entre pedras e matas que descem até a beira da água. A transparência e a vida marinha a deixaram famosa como a 'capital do mergulho' do sul do país, um ímã para quem ama snorkel, mergulho e mar limpo.
O que diferencia Bombinhas é essa combinação de natureza preservada e mar de cartão-postal num espaço pequeno e fácil de percorrer a pé. Há praias para todos os gostos: as grandes e familiares, como Bombas e Bombinhas, as de surfistas e mais agitadas, como Mariscal e Quatro Ilhas, e os tesouros mais escondidos, aos quais se chega por trilha, como a minúscula Praia da Sepultura, com sua água parada e turquesa, ideal para o snorkel. Em frente à costa, a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo protege um dos ecossistemas marinhos mais ricos do Atlântico Sul, um santuário para o mergulho.
Este guia percorre o essencial de Bombinhas com um olhar prático e acolhedor: quais praias escolher de acordo com o que você procura, onde fazer snorkel e mergulho, quais mirantes oferecem as melhores vistas da península, como se locomover e como aproveitar a temporada sem sufoco de multidão. Bombinhas é um destino para desacelerar, colocar a cabeça debaixo d'água, caminhar entre a mata e o mar e descobrir um lado do Brasil de águas claras que muita gente não espera encontrar tão ao sul.
Depois de Florianópolis consegui trabalho num hostel aqui, e foi o bom: com meus colegas da recepção eu praticava português o dia inteiro. De Bombinhas saiu Meyve, e de Meyve saiu o resto do verão.
Ler a minha experiência completa →Bombinhas é um destino jovem como município, mas sua história está enraizada no povoamento do litoral catarinense. Antes dos europeus, a região era habitada por povos indígenas, entre eles os carijós (um grupo guarani do litoral sul), e guarda registros ainda mais antigos nos sambaquis, aqueles montes de conchas e restos deixados por populações milenares de pescadores-coletores do litoral. A partir do século XVIII, a costa de Santa Catarina foi colonizada sobretudo por imigrantes açorianos (das ilhas dos Açores) e portugueses do continente, que fundaram comunidades de pescadores artesanais ao longo do litoral, vivendo da pesca — especialmente da tainha e da sardinha — e deixando uma forte cultura de raiz açoriana na arquitetura, na religiosidade, no falar e na gastronomia. Durante muito tempo, as praias da península de Bombinhas foram vilas tranquilas de pescadores pertencentes ao município de Porto Belo. A grande virada veio com o turismo: a partir das últimas décadas do século XX, a beleza das praias e a transparência das águas atraíram visitantes e mergulhadores, transformando a economia local. Bombinhas se emancipou de Porto Belo após um plebiscito em março de 1992 (Lei Estadual 8.558) e foi instalada como município independente em 1º de janeiro de 1993, consolidando-se desde então como um dos grandes destinos de praia do sul do Brasil e como a 'capital do mergulho' da região, sempre com a tensão entre o desenvolvimento turístico e a conservação da natureza, hoje protegida em várias unidades de conservação. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The southern state of beaches, islands and cool highlands: settled by Azoreans, Germans and Italians, stage of Garibaldi's short-lived Juliana Republic and of the bloody Guerra do Contestado. Land of Florianópolis and its dozens of beaches, of the Blumenau Oktoberfest and of the only corner of Brazil where it regularly snows.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Há lugares que recebem o nome pelo que se vê; Bombinhas recebeu o nome pelo que se ouve. Contam que os primeiros colonos, ao chegarem a esta península de Santa Catarina, confundiram o estouro das ondas contra as pedras com explosões de pequenas bombas — 'bombinhas' —, e esse estrondo do mar acabou batizando o lugar. Mas muito antes de alguém dar nome ao barulho das ondas, este litoral já era habitado por povos que viviam do mar. Os testemunhos mais antigos dessa presença humana são os sambaquis: enormes montes formados por camadas de conchas de moluscos, ossos de peixes, restos de fogueiras e, às vezes, sepulturas, acumulados ao longo de milhares de anos por populações de pescadores, caçadores e coletores que habitaram a costa sul do Brasil. Esses 'sítios de conchas' são um dos grandes patrimônios arqueológicos do litoral catarinense e mostram uma ocupação humana muito antiga da região.
Mais perto no tempo, quando chegaram os primeiros europeus, a costa era ocupada por povos de língua tupi-guarani. No litoral de Santa Catarina viviam os carijós, uma das denominações pelas quais eram conhecidos os grupos guaranis da costa sul. Viviam da pesca, da coleta de mariscos, da caça e do cultivo, em um ambiente de baías, penínsulas e ilhas que oferecia recursos abundantes do mar.
A toponímia e a arqueologia do litoral conservam essa marca originária, anterior à colonização portuguesa. A península onde hoje fica Bombinhas, com suas enseadas protegidas e seu mar cheio de vida, fazia parte dessa paisagem costeira habitada e aproveitada pelos povos do mar muito antes da chegada dos colonos europeus.
A grande marca cultural do litoral de Santa Catarina e, portanto, da região de Bombinhas vem da colonização portuguesa e, muito especialmente, da imigração açoriana. Durante o século XVIII, a Coroa portuguesa incentivou o povoamento do sul do Brasil para garantir a posse do território diante das disputas com a Espanha. Como parte desse plano, foi promovida a vinda de famílias das ilhas dos Açores e da Madeira, que se estabeleceram ao longo da costa catarinense a partir de meados do século XVIII.
Esses colonos açorianos fundaram inúmeras comunidades de pescadores e pequenos agricultores nas baías, penínsulas e ilhas do litoral, incluindo a região da atual Bombinhas e da vizinha Porto Belo. Viviam da pesca artesanal — com a captura da tainha e da sardinha como atividades centrais —, da agricultura de subsistência e da produção de farinha de mandioca. Sua cultura deixou uma marca profunda e duradoura na arquitetura simples das casas de pescadores, na religiosidade popular, nas festas, no jeito de falar e em uma gastronomia marcada pelos frutos do mar.
Por muito tempo, as praias da península de Bombinhas foram pequenas vilas de pescadores tranquilas, longe dos grandes centros, onde a vida girava em torno do mar e das temporadas de pesca. Essa identidade pesqueira e açoriana continua sendo, hoje, parte da alma do lugar, por trás do cartão-postal turístico.
Durante boa parte de sua história moderna, as vilas da península de Bombinhas não formavam um município próprio: faziam parte de Porto Belo, a cidade vizinha que era a sede administrativa da região. A área era conhecida por seus pescadores e pela beleza de suas praias, mas continuava relativamente isolada e tranquila, longe dos circuitos turísticos de massa do litoral brasileiro.
A transformação chegou nas últimas décadas do século XX, quando o turismo descobriu a região. A extraordinária transparência das águas, a quantidade e a variedade de praias concentradas em uma pequena península e a riqueza da vida marinha — especialmente ao redor das ilhas que mais tarde seriam protegidas como Reserva do Arvoredo — começaram a atrair veranistas, surfistas e, sobretudo, mergulhadores. Bombinhas passou a ganhar fama como um destino de mar excepcional dentro de Santa Catarina.
Esse crescimento turístico mudou profundamente a economia local: das vilas de pescadores passou-se a uma economia centrada no turismo de verão, com pousadas, restaurantes de frutos do mar e operadoras de mergulho. O aumento de visitantes trouxe prosperidade, mas também impôs o desafio — que continua até hoje — de equilibrar o desenvolvimento com a preservação do ambiente natural que é, justamente, a maior atração do lugar.
O crescimento do turismo e o desenvolvimento da península levaram, naturalmente, à busca por autonomia administrativa em relação a Porto Belo. Em 15 de março de 1992 foi realizado o plebiscito de emancipação, com um resultado contundente: 1.454 votos a favor e apenas 75 contra. Dias depois, a Lei Estadual nº 8.558, de 30 de março de 1992, criou oficialmente o município de Bombinhas, que foi instalado em 1º de janeiro de 1993 com Manoel Marcílio dos Santos, o 'Maneca', como seu primeiro prefeito eleito.
O novo município nasceu pequeno em área — é um dos menores de Santa Catarina —, mas com uma identidade turística muito definida, centrada em suas praias, seu mar transparente e o mergulho. A partir da emancipação, Bombinhas pôde administrar de forma autônoma seu desenvolvimento, sua infraestrutura e, de maneira cada vez mais relevante, as políticas de conservação de seu patrimônio natural, que é a base de sua economia.
Desde então, o município se consolidou como um dos grandes destinos de mar do sul do Brasil e como a 'capital do mergulho' da região. A gestão do turismo — com picos enormes de população no verão diante de uma população fixa bem menor — e a proteção do meio ambiente (com a Reserva do Arvoredo em frente à costa e diversas unidades de conservação em terra) se tornaram os grandes temas da vida local, em um equilíbrio permanente entre a atração turística e a preservação.
Se existe um marco que define a identidade turística de Bombinhas, é a criação da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo. Em 1990, o governo federal brasileiro criou essa unidade de conservação marinha de proteção integral em frente ao litoral de Santa Catarina, abrangendo um conjunto de ilhas — a Ilha do Arvoredo, as Galés, a Deserta e a ilhota Calhau de São Pedro — e as águas ao redor. O objetivo era proteger um dos ecossistemas marinhos mais ricos do Atlântico Sul, um ponto onde se encontram águas de temperaturas diferentes e se concentra uma biodiversidade notável.
A reserva abriga costões rochosos, cardumes de peixes, tartarugas marinhas, raias, polvos e uma abundante flora e fauna submarina, em águas de grande transparência. Essa riqueza, somada à limpidez da água das praias e enseadas da península, transformou Bombinhas em um destino de referência para o mergulho e o snorkel, rendendo o apelido de 'capital do mergulho' do sul do Brasil. Por sua condição de reserva biológica de proteção integral, a visitação e o mergulho são regulamentados e feitos por meio de operadoras credenciadas e em áreas autorizadas, para conservar o frágil ecossistema.
A criação da Reserva do Arvoredo, junto com outras áreas protegidas em terra (parques municipais e unidades de conservação que resguardam a Mata Atlântica da península), reflete a aposta da região em proteger o patrimônio natural que é a base de sua atração. A história recente de Bombinhas é, em grande parte, a história desse esforço para conciliar um turismo em expansão com a conservação de um ambiente marinho e costeiro excepcional.