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Parque Nacional Mburucuyá
🇦🇷 Argentina · Litoral

Parque Nacional Mburucuyá

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📍Província/Estado
Corrientes, Argentina. O Parque Nacional Mburucuyá fica no centro-norte da província, entre as localidades de Mburucuyá e Palmar Grande, em uma zona de transição entre o Chaco úmido e os banhados de Corrientes. Protege um mosaico de ambientes: banhados e lagoas, palmeirais de yatay e carandá, campos naturais, bosques e matas de galeria. Surgiu da doação das estâncias Santa Teresa e Santa María pelo botânico dinamarquês Troels Pedersen e sua esposa Nina Sinding (1991).
📌Melhor época
O outono, o inverno e a primavera (abril a outubro) são as melhores épocas: temperaturas mais agradáveis, menos mosquitos e boa observação de fauna e aves. O verão (dezembro a fevereiro) é muito quente e úmido, com calor intenso e muitos insetos, embora a vegetação fique exuberante. Vale evitar os horários mais quentes e consultar a condição das estradas depois das chuvas.
📌Dias sugeridos
Dá para visitar em um dia percorrendo as trilhas e a área de uso público, mas quem acampa ou pernoita por perto aproveita melhor o amanhecer e o entardecer para ver a fauna. Com 1 a 2 dias você cobre bem as trilhas e a observação de aves. Muita gente combina a visita com a cidade de Corrientes, Mercedes ou os Esteros del Iberá.
📌Horário
Acesso à área protegida todos os dias, das 7h30 às 20h. A administração (intendência) atende de segunda a sexta, das 7h30 às 15h30. O horário máximo de entrada nas trilhas é 15h no inverno e 17h no verão (confirmar na hora da visita).
📌Moeda
Peso argentino (ARS). Leve dinheiro em espécie: a região é rural, com poucos serviços e pode faltar caixa eletrônico e sinal de celular.
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O Parque Nacional Mburucuyá é um dos cantos naturais mais interessantes e menos conhecidos de Corrientes: um mosaico de ambientes onde se encontram o Chaco úmido e os banhados de Corrientes, com palmeirais, lagoas, campos naturais, bosques e matas de galeria convivendo no mesmo território. O nome vem do guarani 'mburucuyá', a flor do maracujá (passiflora), símbolo da região.

O parque tem uma história singular: nasceu da doação das estâncias Santa Teresa e Santa María —17.660 hectares— que o botânico dinamarquês Troels Myndel Pedersen e sua esposa Nina Sinding entregaram ao Estado argentino em 1991 para que essa natureza de Corrientes fosse preservada para sempre. Essa origem lhe dá um caráter especial, ligado à ciência e à botânica. Hoje protege uma biodiversidade notável —jacarés, capivaras, cervos-do-pantanal, macacos, lobos-guará e uma riquíssima avifauna— e oferece trilhas para explorar seus diferentes ambientes.

Este guia percorre o essencial de Mburucuyá com um olhar prático e acolhedor: como chegar, quais trilhas fazer, quando ir, que fauna e flora esperar e como combinar a visita com outros destinos de Corrientes. É um parque ideal para quem ama a natureza e as aves e procura um destino tranquilo, autêntico e fora dos circuitos lotados do Litoral.

📖 História de Parque Nacional Mburucuyá

A região do atual Parque Nacional Mburucuyá foi território guarani e depois, nos tempos coloniais e modernos, área de estâncias de gado no centro de Corrientes. O parque deve sua existência ao botânico dinamarquês Troels Myndel Pedersen e sua esposa Nina Sinding, que em 27 de novembro de 1991 doaram as estâncias Santa Teresa e Santa María (17.660 hectares) ao Estado argentino para conservar sua biodiversidade. O Parque Nacional Mburucuyá foi criado oficialmente por lei em junho de 2001, um ano depois da morte de Pedersen. O nome vem do guarani e faz referência à flor do maracujá (mburucuyá). A história completa está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Parque Nacional Mburucuyá fica em Corrientes

Founded in 1588 as San Juan de Vera de las Siete Corrientes, it is the most Guaraní and most federalist province in Argentina: cradle of chamamé, declared Intangible Cultural Heritage of Humanity, setting of the outbreak of the War of the Triple Alliance and home of the Esteros del Iberá, where the jaguar roars again after seventy years.

Ler a história de Corrientes →

🗺️ O que ver

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1
Trilhas interpretativas e palmeirais de yatay
Caminhadas pelos diferentes ambientes do parque, entre palmeirais, campos naturais e bosques.
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O parque oferece várias trilhas interpretativas que permitem percorrer a pé seus diferentes ambientes e entender a transição entre o Chaco úmido e os banhados de Corrientes. Uma das paisagens mais características são os palmeirais: extensões de palmeiras yatay e carandá que se destacam sobre os campos, criando cenas muito fotogênicas, principalmente com a luz do amanhecer ou do entardecer. Entre os palmeirais e os campos aparecem aves, mamíferos e uma flora rica. As trilhas também atravessam bosques, matas de galeria ao longo dos cursos d'água e áreas de transição, cada uma com sua própria comunidade de plantas e animais. Caminhar devagar, em silêncio e com paciência é a melhor forma de avistar a fauna e aproveitar o lugar. As placas interpretativas e as informações do posto dos guarda-parques ajudam a entender o que você está vendo.
ℹ️ Distância: Trilhas a partir da área de uso público (antiga estância Santa María) · Melhor época: Outono, inverno e primavera; de manhã ou ao entardecer · Entrada: Gratuita (acesso livre ao parque) · Duração: 1 a 4 horas, dependendo da trilha
2
Banhados, lagoas e observação de fauna
As áreas úmidas do parque, hábitat de jacarés, capivaras, cervos-do-pantanal e aves aquáticas.
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Boa parte do valor de Mburucuyá está nos seus ambientes aquáticos: banhados, lagoas e alagados que fazem parte do grande sistema de áreas úmidas de Corrientes. Ali vivem espécies emblemáticas do Litoral, como o jacaré (de papo-amarelo e o jacaré-do-pantanal), a capivara (o maior roedor do mundo), o cervo-do-pantanal (o maior cervídeo da América do Sul), o lobo-guará (o 'raposão' dos pampas e banhados) e macacos bugios. A fauna aquática e de beira d'água é abundante. A observação de aves é uma das grandes atrações: garças, cegonhas, tachãs, jaçanãs, patos, frangos-d'água, martins-pescadores e aves de rapina, entre muitas outras espécies, frequentam as lagoas e os campos. Os pontos perto dos corpos d'água, sobretudo nas primeiras horas do dia, são ideais para o avistamento. Paciência e silêncio são, mais uma vez, a chave.
ℹ️ Distância: Banhados e lagoas dentro do parque (acessíveis pelas trilhas) · Melhor época: Manhã e entardecer; estações mais frescas · Entrada: Incluída no acesso gratuito ao parque · Duração: Meio dia a dia inteiro
3
O entorno histórico da antiga estância doada pelo botânico dinamarquês que deu origem ao parque.
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Mburucuyá tem uma marca cultural e científica que o diferencia: nasceu da doação das estâncias Santa Teresa e Santa María, que o botânico dinamarquês Troels Myndel Pedersen e sua esposa Nina Sinding entregaram à Administração de Parques Nacionais em 27 de novembro de 1991 para que fossem preservadas para sempre. Percorrer o entorno da antiga casa da estância Santa Teresa, hoje parte da área de uso público, permite se conectar com essa história e entender a origem do parque. Pedersen, apaixonado por botânica, estudou e catalogou a flora de Corrientes durante décadas e reuniu uma importante coleção científica, o que dá ao parque um valor extra para quem se interessa por plantas. Ele morreu em fevereiro de 2000, pouco antes de a lei de criação do parque (2001) tornar seu sonho realidade. O posto dos guarda-parques e as placas do parque contam essa história incomum de generosidade e conservação.
ℹ️ Distância: Área de uso público do parque, em torno da antiga estância Santa María · Melhor época: Qualquer momento da visita · Entrada: Incluída no acesso gratuito ao parque · Duração: 1 a 2 horas
4
Trilha Yatay e os palmeirais de carandá
Percurso pelos extensos palmeirais que dão ao parque sua paisagem mais característica.
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Entre as trilhas do parque, destacam-se as que atravessam os grandes palmeirais de carandá e yatay, que cobrem amplas áreas da unidade de conservação. Essas palmeiras, adaptadas aos solos alagáveis e aos incêndios naturais, formam 'bosques abertos' de grande beleza, especialmente ao amanhecer e ao entardecer, quando a luz dourada banha os troncos. É uma das paisagens mais representativas do Chaco úmido de Corrientes e um cenário ideal para fotografia de natureza. Os palmeirais também são hábitat de muitas aves —papagaios, pica-paus, falcões— e de mamíferos como o cachorro-do-mato. Percorrê-los a pé, com calma, permite apreciar a transição entre o palmeiral, o campo e o mato. As placas interpretativas explicam a ecologia desses ambientes e sua importância para a conservação.
ℹ️ Distância: Trilhas sinalizadas a partir da área de uso público · Melhor época: Amanhecer e entardecer; estações mais frescas · Entrada: Gratuita (acesso livre ao parque) · Duração: 1 a 3 horas
5
Camping e pernoite na área de uso público
A área de camping gratuita do parque, ideal para aproveitar a fauna ao amanhecer e ao entardecer.
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O parque tem uma área de camping rústico na área de uso público, com água potável, bancadas, churrasqueiras e banheiros, de uso gratuito. Pernoitar dentro do parque é a melhor forma de aproveitar os momentos de maior atividade da fauna —o amanhecer e o entardecer— e os céus estrelados do interior de Corrientes, longe da poluição luminosa. É um camping pensado para quem busca uma experiência de natureza tranquila e autossuficiente: vale levar tudo o que for preciso (comida, repelente, agasalho conforme a estação), porque os serviços são básicos e não há mercearia dentro do parque. Consulte disponibilidade e regras na administração antes da visita.
ℹ️ Distância: Área de uso público do parque · Melhor época: O ano todo; de outono a primavera é mais confortável · Entrada: Camping gratuito (serviços básicos) · Duração: Uma ou mais noites
6
Observação de aves (birdwatching)
Mburucuyá é um destino de referência para observadores de aves do Litoral.
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Com seu mosaico de ambientes —banhados, palmeirais, campos naturais e mata de galeria—, Mburucuyá reúne uma diversidade de aves que o torna um destino muito valorizado pelos observadores. Nos diferentes hábitats dá para ver desde aves aquáticas (garças, cegonhas, tachãs, jaçanãs, patos, frangos-d'água) até espécies de campo e de mato (tesouras-do-brejo, noivinhas, caboclinhos, pica-paus, papagaios e aves de rapina). Para muitos entusiastas, é parada obrigatória em um roteiro de birdwatching por Corrientes e pelos Esteros del Iberá. A melhor estratégia é percorrer as trilhas logo cedo, com binóculos e, se possível, acompanhado de um guia local (baqueano) que conheça os pontos de observação. A diversidade de espécies é alta e o baixo movimento de visitantes facilita uma observação tranquila.
ℹ️ Distância: Trilhas e margens dos banhados do parque · Melhor época: Bem cedo de manhã; de outono a primavera · Entrada: Gratuita; guias de observação de aves são contratados à parte · Duração: Meio dia a dia inteiro
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Entrada general — visitantes extranjeros/no residentes$25.000 ARS por pessoa (tarifa aprovada a partir de junho de 2026; a cobrança efetiva depende da conclusão da infraestrutura de controle de acesso, então na prática a entrada pode continuar livre até a implementação; fonte: Infobae e argentina.gob.ar/parquesnacionales, verificado em julho de 2026)
Tarifa nacional (turistas argentinos)$12.000 ARS por pessoa (fonte: APN, verificado em julho de 2026)
Residentes de la provincia de Corrientes$8.000 ARS por pessoa (fonte: APN, verificado em julho de 2026)
Estudiantes$10.000 ARS por pessoa (fonte: APN, verificado em julho de 2026)
Jubilados, menores de 6 años, personas con CUD, veteranos de MalvinasAcesso gratuito (fonte: APN, verificado em julho de 2026)
Camping del parqueGrátis (camping livre com serviços básicos: água, churrasqueiras, banheiros; fonte: APN, verificado em julho de 2026)
Guía de naturaleza / aves (baqueano local)$20.000–50.000 ARS por dia, dependendo do grupo (faixa de referência segundo agências de Corrientes e do Iberá, verificado em julho de 2026; combinar na cidade ou com agências)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Caminhadas pelos diferentes ambientes
Duração1 a 4 h
OperadoraPor conta própria ou com guia
Preço
Incluído na entrada do parque ($25.000 ARS estrangeiros / $12.000 argentinos; fonte: APN, verificado em julho de 2026)
Observação de aves e fauna
DuraçãoMeio dia a dia inteiro
OperadoraGuias de natureza locais / baqueanos
Preço
Incluído na entrada, por conta própria; com guia, $20.000–50.000 ARS por dia (faixa de referência segundo agências locais, verificado em julho de 2026)
Camping e pernoite no parque
DuraçãoUma ou mais noites
OperadoraParque Nacional (APN)
Preço
Grátis (camping livre com serviços básicos; fonte: APN, verificado em julho de 2026)
Passeio combinado com Corrientes / Iberá
DuraçãoVariável
OperadoraAgências de Corrientes e do Iberá
Preço
US$ 60–150 por pessoa/dia, dependendo da operadora e dos traslados (faixa segundo agências de turismo do Iberá, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Veículo próprio ou alugado
DuraçãoVariável
Preço
Aluguel a partir de US$ 45–80 por dia (faixa segundo agregadores de aluguel de carro em Corrientes capital, verificado em julho de 2026) mais combustível
Observações
A forma mais prática de chegar e se deslocar; estradas de terra que podem ficar complicadas depois de chuvas. Abasteça antes; há poucos serviços na região
A pé (trilhas)
Incluído na entrada do parque
DuraçãoVariável
Observações
As trilhas do parque são percorridas a pé; repelente e água são indispensáveis
Remís (carro com motorista) da cidade de Mburucuyá até o parque
Duração20-30 min
Preço
$8.000–20.000 ARS por viagem (faixa de referência segundo motoristas locais, verificado em julho de 2026; o parque fica a uns 12-15 km da cidade)
Observações
Útil para quem chega de ônibus à cidade e não tem carro. Combine também a volta
Passeio / traslado com agência
DuraçãoVariável
Preço
US$ 60–150 por pessoa/dia (faixa segundo agências de turismo, verificado em julho de 2026)
Observações
Opção para quem não tem carro; agências de Corrientes e guias locais oferecem traslados e passeios
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

Corrientes (capital) → Mburucuyá (cidade)
Companhias aéreas / empresasCarro (RN12 e RP13) ou ônibus (Expreso Sauce, até 7 saídas diárias)
DuraçãoAprox. 2 a 3 h (uns 150 km)
Preço médio
Ônibus a partir de aprox. $2.500–5.000 ARS por trecho (faixa segundo Rome2Rio e Plataforma10, verificado em julho de 2026); combustível, se for de carro
Cidade de Mburucuyá / Palmar Grande → entrada do parque
Companhias aéreas / empresasCarro ou remís (carro com motorista)
DuraçãoUns 12-15 km de estrada rural (20-30 min)
Preço médio
Remís $8.000–20.000 ARS (faixa de referência, verificado em julho de 2026)
Mercedes / Iberá → Mburucuyá
Companhias aéreas / empresasCarro
DuraçãoVaria conforme o trajeto (aprox. 2-3 h)
Preço médio
Combustível; sem transporte público direto (verificado em julho de 2026)
Resistencia (Chaco) → Corrientes → Mburucuyá
Companhias aéreas / empresasÔnibus e depois carro/ônibus regional
DuraçãoResistencia-Corrientes ~30 min, mais o trecho até Mburucuyá
Preço médio
Trecho Resistencia-Corrientes $3.000–6.000 ARS (faixa de referência segundo empresas da região, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Camping do parque
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Grátis. O parque tem uma área de camping rústico na zona de uso público (água potável, churrasqueiras/fogueiras, banheiros), ideal para quem ama a natureza e quer aproveitar o nascer e o pôr do sol. Leve tudo o que for precisar
Pousadas e chalés na cidade de Mburucuyá
Preço$$$$$
Opções recomendadas
$25.000–60.000 ARS a diária (faixa segundo Booking.com e sites das próprias hospedagens, verificado em julho de 2026). Pousadas, hotéis simples e chalés na cidade de Mburucuyá; ex.: Cabañas Eterno Vergel, Cabañas Mburucuyá Poty. Base próxima ao parque
Hotéis intermediários e apart-hotéis em Corrientes (capital)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 45–90 a diária (faixa segundo Booking.com, verificado em julho de 2026). Ampla oferta de hotéis três estrelas e apart-hotéis na cidade de Corrientes, para quem prefere visitar o parque como bate-volta
Hotéis superiores / lodges de natureza na região
Preço$$$$$
Opções recomendadas
A partir de US$ 100–200 a diária (faixa segundo Booking.com e Tripadvisor, verificado em julho de 2026). Hotéis 4 estrelas em Corrientes (capital) e lodges de natureza voltados ao ecoturismo na região do Iberá, que dá para combinar com a visita a Mburucuyá

🍴 Onde comer

Cocina correntina y del Litoral
Preço$$$$$
Opções / prato típico
$8.000–18.000 ARS por pessoa (faixa segundo Tripadvisor e blogs gastronômicos, verificado em julho de 2026). Peixes de rio (surubim, dourado, pacu), chipa, mandioca, mbeyú (parecido com o beiju) e pratos de raiz guarani nos restaurantes da cidade e de Corrientes
Comedores y parrillas locales
Preço$$$$$
Opções / prato típico
$7.000–15.000 ARS por pessoa (faixa de referência segundo restaurantes da região, verificado em julho de 2026). Restaurantes familiares e churrascarias (parrillas) em Mburucuyá e arredores, práticos antes ou depois da visita
Restaurantes y cervecerías en Corrientes capital
Preço$$$$$
Opções / prato típico
$12.000–28.000 ARS por pessoa (faixa segundo Tripadvisor, verificado em julho de 2026). Restaurantes de cozinha regional e autoral, cervejarias e opções mais completas na orla (costanera) de Corrientes
Provisiones para el parque
Preço$$$$$
Opções / prato típico
$5.000–12.000 ARS por pessoa/dia em mantimentos (faixa de referência segundo os mercadinhos da cidade, verificado em julho de 2026). Vale levar água e lanche; dentro do parque os serviços são limitados. Faça as compras na cidade de Mburucuyá

📖 História de Parque Nacional Mburucuyá

Origem, formação e o que dizem as fontes.

O dinamarquês que deu de presente um parque nacional

Em 27 de novembro de 1991, no centro da província de Corrientes, um advogado dinamarquês de 75 anos assinou um dos atos de generosidade mais extraordinários da história da conservação argentina: junto com a esposa, doou ao Estado suas duas estâncias —Santa Teresa e Santa María, 17.660 hectares de palmeirais, banhados e matas— com uma única condição: que virassem parque nacional. Ele se chamava Troels Myndel Pedersen, e não era um fazendeiro qualquer. Advogado de profissão, botânico por vocação e talento, tinha dedicado meio século a estudar e catalogar as plantas de Corrientes, tornando-se uma autoridade científica reconhecida internacionalmente.

Pedersen conhecia cada canto das suas terras: os palmeirais de butiá-jataí que se acendem ao entardecer, as lagoas onde os jacarés tomam sol, os campos do lobo-guará. Sabia, também, que a pecuária e o avanço da agricultura estavam transformando a paisagem de Corrientes, e decidiu que suas terras ficariam fora desse destino. A doação foi aceita pela Administração de Parques Nacionais por meio da Resolução 002/92, mas a burocracia não teve pressa: passaram-se dez anos entre a assinatura e a lei.

Pedersen morreu em 5 de fevereiro de 2000, aos 84 anos, sem ver seu sonho realizado. O Parque Nacional Mburucuyá só foi criado por lei em 27 de junho de 2001, tornando-se o primeiro parque nacional de Corrientes. Hoje, quem caminha pelas trilhas ao redor da sede da antiga estância Santa Teresa está percorrendo, literalmente, o presente de um homem que preferiu deixar sua terra para todos em vez de deixá-la para alguém em particular.

Terra guarani entre o Chaco e os banhados

O território que hoje o parque protege fica numa encruzilhada ecológica fascinante, onde o Chaco úmido, a oeste, se funde com o universo de banhados e áreas alagadas que caracteriza boa parte de Corrientes. Essa posição de fronteira natural faz com que, num mesmo lugar, convivam ambientes muito diferentes —palmeirais, campos, bosques, matas de galeria, banhados e lagoas—, cada um com sua própria comunidade de plantas e animais. É essa diversidade que dá ao parque a sua riqueza.

Desde os tempos pré-hispânicos, a região foi território dos povos guaranis, que habitavam estas terras de água e mata. Da língua deles vem o próprio nome do lugar: 'mburucuyá', a flor do maracujá (passiflora), uma trepadeira de flores espetaculares que cresce na região e à qual os guaranis atribuíam propriedades medicinais. A toponímia guarani está por toda Corrientes —Iberá, 'água que brilha'; Itatí, 'ponta de pedra'—, e Mburucuyá é um exemplo de como a língua originária ficou gravada na paisagem: a flor é hoje o símbolo do parque e da cidade vizinha.

Os banhados, palmeirais e alagados da região faziam parte de um vasto sistema de áreas úmidas que, durante séculos, foi ao mesmo tempo fonte de vida e barreira natural. A fauna era abundante: jacarés, capivaras, cervos-do-pantanal, aves aquáticas em quantidade. Depois da conquista e da colonização, estas terras foram integradas à economia rural de Corrientes por meio da pecuária em grandes estâncias, que marcou o uso do território por gerações, até que uma família dinamarquesa mudou o destino de uma delas.

Um botânico entre as vacas: a ciência na estância

A história dos Pedersen em Corrientes começou no início do século XX, quando a família dinamarquesa comprou terras no centro da província, numa época em que a Argentina agroexportadora atraía capitais e imigrantes europeus para o negócio da terra. Troels Myndel Pedersen, nascido em 1916, formou-se em Direito, mas sua verdadeira paixão eram as plantas: instalado na estância Santa Teresa, transformou o estabelecimento pecuário numa base de exploração botânica que percorreu durante décadas.

Pedersen coletou, classificou e descreveu a flora de Corrientes com rigor de especialista. Tornou-se uma autoridade mundial em amarantáceas —a família de plantas que estudou a vida inteira— e suas coleções abasteceram herbários científicos da Argentina e da Europa. Botânicos de vários países viajavam até a estância para consultá-lo, e várias espécies hoje levam seu nome em homenagem. Esse olhar científico explica sua decisão final: poucos entendiam melhor do que ele o valor biológico do mosaico de ambientes onde suas vacas pastavam.

Junto com a esposa, Nina Johanne Sinding, ele decidiu que esse patrimônio não podia se perder. A doação de 1991 foi o gesto de um naturalista que escolheu a conservação acima da herança: os 17.660 hectares de Santa Teresa e Santa María passaram para o Estado argentino para sempre. No parque, a memória do casal continua viva: a área de uso público conserva a sede da estância, e a história dos 'dinamarqueses de Mburucuyá' é contada a cada visitante como exemplo de que a iniciativa privada pode dar de presente um patrimônio público.

A origem do parque na doação de Pedersen
O Parque Nacional Mburucuyá foi criado a partir da doação das estâncias Santa Teresa e Santa María (17.660 ha) por Troels Myndel Pedersen e Nina Sinding, formalizada em 27 de novembro de 1991 e aceita pela Resolução 002/92 da APN. A lei de criação do parque foi sancionada em 27 de junho de 2001. Essa é a origem documentada da área protegida.
Fonte: https://www.diarioellibertador.com.ar/troels-y-nina-la-pareja-de-daneses-que-le-dio-a-corrientes-un-parque-nacional/

Biodiversidade e conservação no coração de Corrientes

Desde a sua criação, Mburucuyá cumpre a função de proteger um trecho representativo dos ambientes de transição entre o Chaco úmido e os banhados de Corrientes, numa província que é, por si só, um dos grandes reservatórios de áreas úmidas e de biodiversidade da Argentina. O parque abriga fauna emblemática do Litoral argentino: jacarés (de-papo-amarelo e do-pantanal), capivaras, cervos-do-pantanal, lobos-guará e bugios, além de uma avifauna riquíssima —já foram registradas mais de 300 espécies de aves— que faz dele um destino de primeira linha para observadores de aves.

A diversidade de ambientes é a chave dessa riqueza. Os palmeirais de butiá-jataí e carandá, os campos, os bosques, as matas de galeria que acompanham os cursos d'água e os banhados e lagoas —como a lagoa Mburucuyá e os esteros de Santa Lucía— oferecem, cada um, hábitats diferentes. Essa heterogeneidade permite que convivam espécies de ambientes secos e úmidos, de mata e de água, num território relativamente pequeno. Para a ciência, é um laboratório natural de grande valor, e não é por acaso que tenha sido justamente um botânico quem o colocou sob proteção.

Mburucuyá faz parte, junto com outras áreas protegidas, dos esforços para conservar as áreas úmidas de Corrientes, uma província onde a natureza —dos Esteros del Iberá aos palmeirais e matas— é um patrimônio extraordinário. Menos movimentado que o Iberá, o parque oferece uma experiência tranquila e autêntica, ideal para quem quer conhecer a biodiversidade de Corrientes longe das multidões.

O parque hoje: ecoturismo e conservação viva

Mais de duas décadas depois da sua criação, o Parque Nacional Mburucuyá se consolidou como um destino de natureza tranquilo e de baixo impacto, integrado ao sistema de áreas protegidas que cuida das áreas úmidas e dos ambientes do Litoral argentino. Conserva intacta a transição entre o Chaco úmido e os banhados de Corrientes e mantém sua vocação científica original por meio de programas de pesquisa, monitoramento de fauna e conservação da flora que tanto interessou a Pedersen.

Ao contrário dos Esteros del Iberá, que recebem um fluxo crescente de turistas, Mburucuyá oferece uma experiência mais reservada e silenciosa: trilhas interpretativas, observação de aves, fotografia de natureza e camping gratuito num ambiente quase deserto. Para 2026, a Administração de Parques Nacionais aprovou uma tarifa de acesso geral (ainda dependente da instalação de estrutura de controle), enquanto o camping continua sem custo; o órgão trabalha com as comunidades vizinhas de Mburucuyá e Palmar Grande para promover um turismo respeitoso.

O desafio atual é conciliar a conservação com o desenvolvimento local. O parque funciona como motor de educação ambiental para as escolas da região e como uma atração que, junto com o Iberá e a cidade de Corrientes, ajuda a posicionar a província como destino de ecoturismo. Proteger os palmeirais, os banhados e sua fauna —num contexto de mudanças climáticas e de pressão sobre as áreas úmidas— continua sendo, como queriam Troels e Nina, a razão de ser deste cantinho de Corrientes.

📚 Bibliografia

  • Administración de Parques Nacionales — «Parque Nacional Mburucuyá»: https://www.argentina.gob.ar/parquesnacionales/nea/parque-nacional-mburucuya
  • Wikipedia (ES) — «Parque nacional Mburucuyá»: https://es.wikipedia.org/wiki/Parque_nacional_Mburucuy%C3%A1
  • Diario El Libertador — «Troels y Nina, la pareja de daneses que le dio a Corrientes un parque nacional»: https://www.diarioellibertador.com.ar/troels-y-nina-la-pareja-de-daneses-que-le-dio-a-corrientes-un-parque-nacional/
  • La Nación (Revista Lugares) — «La estancia de Corrientes que pasó a ser Parque Nacional Mburucuyá gracias a la donación de un botánico danés»: https://www.lanacion.com.ar/revista-lugares/la-estancia-de-corrientes-que-paso-a-ser-parque-nacional-mburucuya-gracias-a-la-donacion-de-un-nid21122021/
  • La Ruta Natural (Ministerio de Turismo) — «Parque Nacional Mburucuyá»: https://web.archive.org/web/20260520065014/https://larutanatural.gob.ar/es/imperdible/151/parque-nacional-mburucuya
  • Parque Iberá — «Parque Nacional Mburucuyá»: https://parqueibera.gob.ar/portales/parque-nacional-mburucuya/
  • Turismo Corrientes (oficial): https://www.corrientes.tur.ar/
  • Wikipedia (ES) — «Pasiflora (mburucuyá)»: https://es.wikipedia.org/wiki/Passiflora
  • Wikipedia (ES) — «Esteros del Iberá»: https://es.wikipedia.org/wiki/Esteros_del_Iber%C3%A1
  • SIB — Sistema de Información de Biodiversidad, Parque Nacional Mburucuyá: https://sib.gob.ar/area/APN*MB*mburucuya

❓ Perguntas frequentes

Quanto custa entrar no Parque Nacional Mburucuyá?+
Desde junho de 2026, a APN aprovou uma tarifa de $25.000 ARS para estrangeiros, $12.000 para turistas argentinos, $10.000 para estudantes e $8.000 para residentes de Corrientes (fonte: Infobae e argentina.gob.ar/parquesnacionales, verificado em julho de 2026). No entanto, a cobrança efetiva em Mburucuyá depende da conclusão da infraestrutura de controle de acesso, então, na prática, a entrada pode continuar gratuita até a implementação: vale confirmar a situação na hora de viajar. O camping na zona de uso público é gratuito, com serviços básicos (água potável, churrasqueiras/fogueiras e banheiros). Aposentados, menores de 6 anos, pessoas com CUD (certificado argentino de deficiência) e veteranos das Malvinas não pagam.
O que Mburucuyá tem de especial?+
É um mosaico de ambientes onde o Chaco úmido se encontra com os esteros (áreas alagadas) de Corrientes: palmeirais, lagoas, campos, bosques e matas ciliares convivem num mesmo parque. Abriga a fauna emblemática do Litoral argentino (jacarés, capivaras, cervos-do-pantanal, lobos-guará, macacos) e uma riquíssima avifauna, num destino tranquilo e pouco massificado.
Por que se chama Mburucuyá?+
O nome vem do guarani e se refere à flor do maracujá (mburucuyá ou passiflora), típica da região. É também o nome da cidade próxima que dá acesso ao parque.
Qual é a história do parque?+
Ele nasceu da doação das estâncias Santa Teresa e Santa María (17.660 hectares), que o botânico dinamarquês Troels Myndel Pedersen e sua esposa, Nina Sinding, entregaram ao Estado argentino em 1991 para conservar para sempre esse pedaço da natureza de Corrientes. O Parque Nacional Mburucuyá foi criado por lei em junho de 2001 —Pedersen tinha morrido em 2000, sem chegar a vê-lo— e mantém uma marca ligada à ciência e à botânica. Foi o primeiro parque nacional de Corrientes.
Qual é a melhor época para visitar?+
Outono, inverno e primavera (abril a outubro), com temperaturas mais agradáveis, menos mosquitos e boa observação de fauna. O verão é muito quente, úmido e cheio de insetos, embora a vegetação fique exuberante. Em qualquer época, o repelente é indispensável.
Preciso de carro para chegar?+
É o mais prático, já que o parque fica em zona rural, a uns 150 km de Corrientes (capital), com estradas que podem ficar complicadas depois das chuvas. Há ônibus regionais (Expreso Sauce, até 7 saídas diárias) até a cidade de Mburucuyá, a partir de $2.500–5.000 ARS o trecho (faixa segundo Rome2Rio, verificado em julho de 2026), mas de lá até o parque (uns 12-15 km) é melhor combinar um remís ou traslado. Abasteça o carro e compre mantimentos antes, porque os serviços são escassos.
Com quais outros destinos dá para combinar?+
Mburucuyá combina bem com a cidade de Corrientes, com Mercedes e com os Esteros del Iberá, num roteiro pela natureza e pela cultura de Corrientes, no Litoral argentino.

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