O Parque Nacional Sierra de las Quijadas protege uma das paisagens mais espetaculares e surpreendentes de San Luis: um conjunto de cânions, paredões e formações rochosas de um vermelho intenso que lembram os grandes parques desérticos do oeste americano. Localizado no noroeste da província, às margens da Ruta Nacional 147, preserva um ambiente de mata seca chaquenha e um valioso patrimônio paleontológico.
O grande símbolo do parque é o Potrero de la Aguada, um enorme anfiteatro natural de cerca de 5.000 hectares e paredões de até 400 metros, esculpido pela erosão, que se contempla de um mirante impressionante. Mas Las Quijadas guarda outro tesouro: sítios com fósseis de dinossauros e de pterossauros do período Cretáceo, que fazem do parque um lugar de importância paleontológica internacional, além de vestígios de antigos povos indígenas.
Este guia percorre o essencial do Parque Nacional Sierra de las Quijadas: o mirante e as trilhas do Potrero de la Aguada, os circuitos guiados pelos cânions e pelos sítios fósseis, as tarifas (hoje com a cobrança de entrada suspensa) e o guia, e como chegar a partir da capital, San Luis. Um destino imperdível para quem ama paisagens desérticas, geologia e paleontologia.
O Parque Nacional Sierra de las Quijadas foi criado pela Lei 24.015, de novembro de 1991, em 73.534 hectares do noroeste de San Luis, para proteger suas formações avermelhadas, sua mata seca e um patrimônio paleontológico excepcional. Em suas rochas do Cretáceo (uns 100 milhões de anos) foram encontrados restos de dinossauros e centenas de exemplares do pterossauro Pterodaustro guinazui, um réptil voador filtrador descrito por José Bonaparte em 1970. A região guarda também vestígios dos antigos povos huarpes e comechingones. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The 'Gateway to Cuyo' between the sierras and the plain: land of Comechingones and Ranqueles, contributor to the Army of the Andes, home of Colonel Pringles, of the Sierras de los Comechingones and of the red canyon country of the Sierra de las Quijadas.
Ler a história de San Luis →Saem de Potrero De Los Funes, a 108 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Poucos viajantes esperam encontrar, no meio da planície de San Luis, um pedaço do oeste americano: cânions vermelhos, paredões de centenas de metros e um silêncio de deserto que só o vento interrompe. E, no entanto, lá está ela, a 120 km da capital San Luis: a Sierra de las Quijadas, uma paisagem que muitos comparam ao Arizona ou a Utah e que guarda, além disso, um segredo que nem o Grand Canyon pode oferecer: uma lagoa fóssil cheia de répteis voadores de 100 milhões de anos atrás. As rochas que formam seus espetaculares paredões avermelhados se depositaram durante o período Cretáceo, quando a região era um mundo de lagoas, rios e planícies úmidas, cujos sedimentos se transformaram, com o tempo, nos arenitos e argilas que hoje vemos tingidos de vermelho pelos óxidos de ferro.
O traço mais imponente do parque é o Potrero de la Aguada, um enorme anfiteatro natural em forma de ferradura, cercado por paredões de até várias centenas de metros. Essa grande depressão se formou pela erosão diferencial: a água, o vento e as variações de temperatura foram desgastando as rochas mais macias e deixando expostas as mais resistentes, esculpindo cânions, agulhas e formações caprichosas. O resultado é uma paisagem monumental, comparável à dos grandes parques desérticos do oeste da América do Norte.
A aridez do clima — poucas chuvas, forte amplitude térmica, sol intenso — é fundamental nessa paisagem: a falta de vegetação densa deixa a rocha nua à mostra, em toda a sua crueza cromática. Assim, Las Quijadas são um livro aberto de geologia, onde dá para 'ler' a história da Terra em seus estratos, e um cenário natural de beleza impressionante, que muda de tonalidade a cada hora do dia.
As rochas cretáceas da Sierra de las Quijadas não só dão forma a uma paisagem espetacular: elas também guardam um valioso registro fóssil, que transformou o lugar em um sítio paleontológico de relevância internacional. Em seus estratos, com cerca de 100 milhões de anos, foram encontrados restos de dinossauros, peixes, crustáceos e outros animais que povoaram a região quando o ambiente era de lagoas e planícies úmidas, muito diferente do deserto atual.
O achado mais famoso é o do Pterodaustro guinazui, um pterossauro (réptil voador) realmente singular, descrito em 1970 pelo grande paleontólogo argentino José Bonaparte a partir de restos desta região; o ponto do parque onde apareceram centenas de exemplares é conhecido, justamente, como Loma del Pterodaustro. Seu traço mais impressionante era a mandíbula curvada para cima, com cerca de mil dentes finíssimos, em forma de cerda, na mandíbula inferior, que funcionavam como um filtro: o animal varria a água das lagoas para reter pequenos organismos, como fazem hoje os flamingos. É um dos pterossauros mais curiosos e mais bem conhecidos do mundo, e a Loma del Pterodaustro está entre as jazidas de répteis voadores mais ricas da América do Sul.
Esses achados fazem de Las Quijadas um lugar de grande interesse científico e educativo. O parque e seu centro de interpretação permitem que o visitante espie esse passado remoto e entenda a enorme antiguidade geológica da paisagem que está percorrendo. A combinação de geologia espetacular e paleontologia excepcional é uma das grandes razões que justificaram a criação da área protegida.
A Sierra de las Quijadas não foi só cenário de dinossauros: ela também guarda marcas da presença humana. Povos originários como os huarpes e os comechingones habitaram ou frequentaram a área, aproveitando seus recursos em um ambiente exigente. No parque são preservados vestígios dessa ocupação, como antigos fornos e locais de uso, testemunho da adaptação humana ao monte árido. Esses rastros acrescentam uma camada cultural e histórica ao valor natural do lugar.
O reconhecimento da importância geológica, paleontológica e natural da serra levou à sua proteção formal: a Lei nacional 24.015, sancionada em 13 de novembro de 1991, criou o Parque Nacional Sierra de las Quijadas em 73.534 hectares dos departamentos de Belgrano e Ayacucho, somando essa paisagem única ao sistema de áreas protegidas da Argentina. A medida buscou preservar tanto as espetaculares formações rochosas e as jazidas fósseis quanto a biodiversidade do monte e do chaco árido que ele abriga — guanacos, pumas, maras, condores, tartarugas-terrestres —, com sua flora e fauna adaptadas à seca.
Hoje o parque é uma das principais atrações turísticas de San Luis e um destino reconhecido entre os amantes de paisagens desérticas, geologia e paleontologia. Administrado pela Administración de Parques Nacionales, ele oferece trilhas, mirantes e visitas guiadas que permitem descobrir, em poucas horas, um lugar onde se cruzam a história profunda da Terra, a marca dos povos originários e uma beleza paisagística que não deixa ninguém indiferente.
A origem do nome 'Sierra de las Quijadas' tem várias explicações possíveis. A mais difundida diz que ele vem da palavra indígena 'Hue-Quijadas' ou da presença abundante de ossos e mandíbulas (quijadas, em espanhol) de animais na região, embora também tenha sido associado ao formato das próprias formações rochosas, que lembrariam dentaduras ou mandíbulas dentadas recortadas contra o céu. A etimologia exata ainda é motivo de discussão.
A serra, agreste e de difícil acesso, também alimentou relatos e lendas ao longo do tempo. Por sua geografia labiríntica de cânions e desfiladeiros, ela foi associada a esconderijos de bandoleiros e ladrões de gado que, segundo a tradição popular, encontravam refúgio entre seus paredões para fugir da justiça ou guardar o butim. Essas histórias, mistura de realidade e folclore, fazem parte do imaginário que envolve o lugar.
Além das lendas, o fato é que a combinação de uma paisagem monumental, um passado paleontológico extraordinário, vestígios indígenas e relatos populares dá à Sierra de las Quijadas uma identidade forte e singular. É um daqueles lugares onde natureza, ciência e cultura se entrelaçam, e onde cada visita convida a imaginar as muitas camadas de história — geológica e humana — guardadas em seus cânions vermelhos.