Frankfurt é a face mais moderna e cosmopolita da Alemanha: a única cidade do país com um verdadeiro skyline de arranha-céus, sede do Banco Central Europeu e de uma das bolsas mais importantes do mundo. Chamam-na de 'Mainhattan', um trocadilho entre o rio Meno (Main) e Manhattan, e esse rótulo resume seu caráter: negócios, finanças, feiras internacionais e um aeroporto que é porta de entrada para a Europa. É uma cidade que muitos viajantes só cruzam de passagem rumo a outros destinos, mas que tem bem mais a oferecer do que sua fama de cidade-escritório sugere.
Vale ser honesto: o centro antigo de Frankfurt não é um núcleo medieval intacto como o de outras cidades alemãs. A cidade ficou devastada pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial, e seu coração histórico — a Römerberg e a 'Nova Cidade Velha' (Neue Altstadt) entre a prefeitura e a catedral — é uma reconstrução cuidadosa, cuja última fase foi inaugurada em 2018. Mesmo assim, é um conjunto muito bem-feito e encantador, e a poucos passos está o que é autêntico: a catedral onde os imperadores eram coroados, a Paulskirche do primeiro parlamento alemão e, do outro lado do rio, em Sachsenhausen, as velhas tavernas onde a sidra é servida em jarra de cerâmica.
Este guia percorre Frankfurt sem cartões-postais enganosos: o que ver no centro reconstruído, quais museus escolher no famoso Museumsufer (a margem dos museus), onde apreciar o skyline, como provar o Apfelwein como um local e como aproveitar a cidade como base para explorar o vale do Reno e o centro da Alemanha. Uma cidade de contrastes — arranha-céus e tavernas, bancos e livros, história imperial e modernidade — que ganha muito quando é olhada com calma.
Frankfurt tem uma história muito mais antiga e densa do que sua imagem de metrópole financeira deixa ver. Nasceu como um povoado junto a um vau do Meno; seu nome, Franconofurd ('o vau dos francos'), aparece pela primeira vez no ano 794, quando Carlos Magno convocou ali uma assembleia. Na Baixa Idade Média, tornou-se cidade livre imperial e um lugar central do Sacro Império Romano-Germânico: desde a Bula de Ouro de 1356, Frankfurt foi a sede oficial da eleição dos imperadores, que a partir de 1562 também eram coroados em sua catedral. Ao mesmo tempo, suas feiras comerciais a tornaram rica e cosmopolita, e dessa tradição mercantil nasceram sua bolsa e seus bancos — incluindo a célebre família Rothschild, surgida do gueto judeu da Judengasse. Em 1848, a cidade foi palco do primeiro parlamento alemão eleito democraticamente, reunido na Paulskirche, uma experiência que fracassou, mas deixou uma marca profunda na memória democrática do país. Frankfurt é também a cidade natal de Goethe. A Segunda Guerra Mundial destruiu quase por completo seu centro antigo nos bombardeios de 1944, e o pós-guerra a reconstruiu como capital financeira da nova Alemanha e, mais tarde, sede do Banco Central Europeu. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Rhineland heart of Germany: Cologne, a Roman colony and city of archbishops with its Gothic cathedral; the Rhine valley of castles and legends; Frankfurt, city of imperial coronations and today the financial capital; and the Ruhr basin, the country's industrial forge.
Ler a história de West and the Rhine →Se você tem um único dia, faça um passeio guiado no primeiro: organiza o resto da viagem e evita caminhar à toa. Nós buscamos na Civitatis: com guia em espanhol e reserva online sem complicação. Em Frankfurt eles têm 11 passeios. E aqui tem free tours: você reserva sem pagar nada e no final dá ao guia o que achar justo, então experimentar não custa nada. Veja as de baixo: toque em qualquer uma para ver todas.
Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.
Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.
Origem, formação e o que dizem as fontes.
Frankfurt não começou como uma cidade de arranha-céus e banqueiros, e sim como uma travessia de rio. O nome já diz tudo: Franconofurd, 'o vau dos francos', o ponto raso por onde dava para atravessar a pé o rio Meno (Main). Esse vau, em uma planície fértil e bem conectada, era usado desde a época romana —havia um acampamento militar na região—, mas a primeira menção escrita a Frankfurt tem data exata: o ano de 794, quando o imperador Carlos Magno convocou ali um importante sínodo e assembleia imperial e assinou um documento em 'Franconofurd'.
Sob os carolíngios, a cidade ganhou importância: foi uma das residências reais e sede de assembleias do reino franco oriental, embrião do que viria a ser a Alemanha. Sua posição no coração do país, no cruzamento de rotas comerciais que ligavam o norte ao sul e o leste ao oeste, foi aos poucos transformando a cidade em um lugar de encontro, mercado e poder.
Essa vocação de ponto central —geográfico, comercial e político— é a chave de toda a história posterior de Frankfurt. Ela não foi capital de um grande reino nem uma sede episcopal poderosa, e sim algo diferente e muito alemão: uma cidade de mercadores no centro do Sacro Império, um lugar onde se faziam negócios e, com o tempo, onde se faziam imperadores.
O Sacro Império Romano-Germânico não era uma simples monarquia hereditária: seu rei (que depois era coroado imperador) era eleito por um pequeno grupo de grandes príncipes, os príncipes eleitores. Durante séculos, o local dessas eleições foi mudando, até que um documento-chave o fixou para sempre. Em 1356, o imperador Carlos IV promulgou a Bula Dourada (Goldene Bulle), a 'constituição' do Império, que regulamentou como o rei seria eleito e determinou que a eleição aconteceria em Frankfurt. A partir daí, e por mais de quatro séculos, era em Frankfurt que se decidia quem governaria o Império.
No começo, os eleitos eram coroados em Aachen, a antiga cidade de Carlos Magno. Mas em 1562 as coroações também passaram para Frankfurt, na catedral de São Bartolomeu —por isso chamada de 'Kaiserdom', catedral imperial—, onde dez imperadores foram coroados até 1792. Era um acontecimento suntuoso: a cidade se enchia de príncipes, embaixadores e multidões, havia banquetes, um boi inteiro era assado na praça e o vinho jorrava das fontes. O jovem Goethe, nascido na cidade, deixou um relato vívido da coroação de 1764 em suas memórias.
Essa função imperial deu a Frankfurt um status especial: ela era uma Cidade Livre Imperial (Freie Reichsstadt), ou seja, não dependia de nenhum príncipe local, e sim diretamente do imperador, e governava a si mesma por meio de seu conselho, com sede no Römer, a prefeitura que a cidade comprou em 1405 e cujo salão imperial (Kaisersaal) foi decorado com os retratos de todos os imperadores. Frankfurt era, assim, uma república urbana de mercadores no meio de um império de príncipes.
Se algo tornou Frankfurt grande e rica, não foi a coroa imperial, e sim o comércio. Desde a Idade Média, suas feiras (Messe) atraíam mercadores de toda a Europa: a feira de outono é documentada desde o século XII e recebeu privilégios imperiais no século XIII. Com a invenção da imprensa, Frankfurt se tornou também o grande centro do comércio de livros da Europa: sua feira do livro, que existe desde o século XV, é a antecessora direta da atual Buchmesse, até hoje a maior do mundo. Do dinheiro que essas feiras movimentavam nasceu naturalmente a atividade que define a cidade até hoje: os bancos e as finanças. A Bolsa de Frankfurt foi fundada em 1585.
Dentro dessa história comercial há um capítulo que precisa ser contado sem enfeites, porque é ao mesmo tempo glorioso e sombrio: o da comunidade judaica e seu gueto. Em 1462, as autoridades obrigaram os judeus de Frankfurt a se mudar para uma única rua murada, a Judengasse ('rua dos judeus'), um dos primeiros guetos da Europa. Ali eles viveram por séculos amontoados —chegou a haver milhares de pessoas em um espaço minúsculo—, com os portões fechados à noite e nos feriados, sujeitos a impostos especiais e a duras restrições sobre o que podiam fazer da vida e quantos podiam se casar. Era uma comunidade discriminada e confinada, mas também intensamente ativa no comércio e nas finanças.
Dessa rua saiu uma das dinastias financeiras mais poderosas da história. Mayer Amschel Rothschild (1744-1812) nasceu e montou seu negócio na Judengasse, começando como cambista e comerciante. Ele mandou seus cinco filhos se estabelecerem em Frankfurt, Londres, Paris, Viena e Nápoles, tecendo a primeira grande rede bancária internacional. Os Rothschild financiaram governos e guerras e se tornaram símbolo do poder financeiro moderno; sua ascensão, a partir das condições opressivas do gueto de Frankfurt, é uma das histórias mais extraordinárias do século XIX. A emancipação dos judeus chegou lentamente ao longo desse século, e a comunidade floresceu e se integrou à vida da cidade, até que o nazismo destruiu tudo. Hoje, um museu e um memorial no terreno da antiga Judengasse (Museum Judengasse e o memorial Neuer Börneplatz) lembram essa história, incluindo os nomes dos mais de 11.000 judeus de Frankfurt deportados e assassinados no Holocausto.
Em 1848, uma onda de revoluções liberais varreu a Europa, e a Alemanha —na época um mosaico de reinos e principados sem unidade— não foi exceção. No meio desse fervor, Frankfurt viveu seu momento político mais importante. Aproveitando sua tradição de cidade neutra e central, ela se tornou sede de um experimento histórico: a Assembleia Nacional de Frankfurt, o primeiro parlamento de toda a Alemanha eleito por voto.
Os deputados —professores, advogados, escritores, funcionários públicos, a nata da burguesia culta liberal, e por isso o apelidaram com certa ironia de 'parlamento dos professores'— se reuniram a partir de maio de 1848 na Paulskirche, uma igreja de planta oval no centro. Durante quase um ano debateram apaixonadamente como construir uma Alemanha unida, livre e constitucional. Redigiram uma constituição avançada para a época, com uma declaração de direitos fundamentais, e decidiram oferecer a coroa de um império alemão unificado ao rei da Prússia, Frederico Guilherme IV.
O experimento fracassou. Em 1849, o monarca prussiano recusou a coroa com desdém —disse que não aceitaria uma coroa 'apanhada na sarjeta', oferecida pelo povo e não pelos outros príncipes—, e sem o apoio das grandes potências alemãs a assembleia perdeu a força. Os exércitos dos príncipes reprimiram os últimos focos revolucionários e o parlamento foi dissolvido. A unificação alemã viria mais tarde, em 1871, mas pelo caminho oposto: 'de cima para baixo', imposta pela Prússia e por Bismarck a ferro e sangue, e não por um parlamento.
Apesar do fracasso, a Paulskirche de 1848 ficou marcada como o grande símbolo do anseio democrático alemão, o momento em que se tentou construir uma nação a partir da liberdade e da representação popular. Por isso, quando depois da catástrofe do nazismo a Alemanha do pós-guerra buscou raízes democráticas próprias, voltou os olhos para Frankfurt: a Paulskirche foi um dos primeiros prédios reconstruídos, em 1948, como uma declaração de princípios.
O século XIX trouxe uma mudança de status: em 1866, depois da guerra entre a Áustria e a Prússia, Frankfurt perdeu sua velha independência e foi anexada pela Prússia, deixando de ser Cidade Livre. Mesmo assim, continuou crescendo como potência comercial e financeira, com sua bolsa, seus bancos e uma vida cultural e industrial pujante.
A Segunda Guerra Mundial quase a apagou do mapa. Frankfurt conservava o maior centro histórico de casas em enxaimel da Alemanha, um labirinto medieval de vielas e casas centenárias. Em março de 1944, sobretudo nos bombardeios aliados de 22 de março, esse centro histórico ardeu quase por completo: milhares de prédios foram destruídos e boa parte do coração medieval da cidade desapareceu para sempre em uma noite de fogo. A cidade ficou em ruínas.
O pós-guerra reconstruiu Frankfurt, mas com uma decisão que marcou seu caráter: em vez de recriar em detalhes todo o centro antigo, optou-se em grande parte por uma cidade moderna e funcional. Em 1948 a nova moeda alemã, o Deutsche Mark, foi introduzida a partir daqui, e em 1949 Frankfurt esteve perto de ser escolhida capital da República Federal da Alemanha —perdeu por pouco para Bonn na votação—. Esse papel 'perdido' de capital política se transformou em outro: Frankfurt virou a capital econômica e financeira do país. Instalaram-se aqui o banco central alemão (Bundesbank), a sede da bolsa alemã e, com o passar do tempo, as torres dos grandes bancos que desenharam o skyline único de 'Mainhattan'. Em 1998 foi criado em Frankfurt o Banco Central Europeu (BCE), que administra o euro para toda a zona do euro e cuja sede monumental foi inaugurada em 2015 na margem leste do Meno.
Nas últimas décadas, a cidade quis recuperar também um pouco de sua alma histórica. O ponto alto foi o projeto Dom-Römer: entre 2012 e 2018 foi reconstruída a Neue Altstadt, o pequeno bairro entre a catedral e a Römerberg, com casas fiéis às medievais desaparecidas. É o símbolo da Frankfurt de hoje: uma metrópole financeira, cosmopolita e moderna que, ao lado de seus arranha-céus de vidro, decidiu reconstruir com cuidado a memória da cidade imperial que foi. Percorrê-la é passar, em poucos metros, da catedral onde se coroavam imperadores à torre do Banco Central que hoje manda no euro.