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Nuremberg
🇩🇪 Alemanha · Sul (Baviera e Floresta Negra)

Nuremberg

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📍Região
Nuremberg (Nürnberg) é a segunda maior cidade da Baviera, depois de Munique, e a maior da Francônia (Franken), a região norte do estado. Fica às margens do rio Pegnitz, no sul da Alemanha, e com cerca de 520.000 habitantes é o coração de uma grande área metropolitana. Foi uma das cidades livres imperiais mais importantes do Sacro Império e hoje combina um centro histórico medieval reconstruído, um peso histórico enorme (os congressos nazistas, as Leis de 1935 e os Julgamentos de 1945-46) e uma vida cultural e gastronômica bem franconiana, diferente da bávara do sul.
📌Melhor época
De maio a setembro, pelo clima bom, pelos dias longos, pelas mesas ao ar livre e pelos festivais; em junho acontece o Bardentreffen (festival de música de rua). Mas a época mais mágica é o fim de novembro e dezembro: o Christkindlesmarkt, o mercado de Natal mais famoso da Alemanha, enche a Hauptmarkt de barraquinhas, Glühwein (vinho quente) e Lebkuchen (pão de especiarias). O inverno é frio e as Rostbratwürst na grelha ficam ainda mais gostosas. Primavera e outono são tranquilos e agradáveis para percorrer museus e o castelo sem multidões.
📌Dias sugeridos
Com 1 dia dá para ver o essencial do centro histórico: o castelo imperial (Kaiserburg), a Casa de Dürer, as igrejas de São Sebaldo e São Lourenço, a Frauenkirche e a Hauptmarkt. Com 2 dias, somam-se os lugares de memória, imprescindíveis aqui: o Centro de Documentação do terreno de congressos nazistas e a Sala 600 dos Julgamentos de Nuremberg (Memorium), além do Museu Nacional Germânico. Com 3 dias, dá para ver tudo com calma e incluir um bate-volta à vizinha Bamberg ou a Regensburg, ou o parque do terreno de congressos.
📌Como chegar
De trem é o mais prático: a Deutsche Bahn liga Nuremberg a toda a Alemanha. O ICE Munique–Nuremberg leva apenas 1h10 (entre 1:01 e 1:16), e há mais de 60 serviços diários; também há ICE diretos para Frankfurt (~2 h), Berlim (~3 h) e Munique. O Aeroporto de Nuremberg (NUE) fica a apenas 15-20 min do centro pela linha U2 do metrô. A cidade é um grande entroncamento ferroviário, então chegar de trem de qualquer lugar é fácil e frequente.
📌Como se locomover
O centro histórico se percorre a pé: é compacto e cercado por muralhas. Para distâncias maiores, há a rede VAG com metrô (U-Bahn), bonde e ônibus. O U-Bahn de Nuremberg tem um marco técnico: em 2008 inaugurou a primeira linha de metrô totalmente automática (sem condutor) da Alemanha, a U3. Para o transporte urbano e regional, compensa o Deutschlandticket (€63/mês em 2026, válido em toda a rede urbana e nos trens regionais de toda a Alemanha, mas NÃO nos ICE nem IC). Para várias atrações, o Nürnberg Card (a partir de €38 por 48 h) reúne museus e transporte.
🗣️Idioma e moeda
Idioma alemão (na Francônia, com sotaque e dialeto próprios); o inglês funciona bem em hotéis e museus. Moeda: euro (EUR/€). Dá para pagar com cartão na maioria das lojas e restaurantes, mas em barracas de rua, no mercado de Natal e em algum lugar pequeno vale levar um pouco de dinheiro vivo.
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🌤️ Weather in Nuremberg
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Nuremberg é uma cidade que carrega duas histórias opostas e encara as duas de frente. Durante a Idade Média e o Renascimento, foi uma das cidades mais ricas e cultas da Europa: capital informal do Sacro Império Romano-Germânico, sede onde se guardavam as insígnias imperiais, berço do gênio do Renascimento alemão Albrecht Dürer e de uma indústria de artesãos e relojoeiros admirada em todo o continente. Cinco séculos depois, o nazismo a escolheu como palco de seus colossais congressos do partido e das Leis raciais de 1935, e dessa escolha vieram sua destruição quase total em janeiro de 1945 e, depois, os Julgamentos de Nuremberg, que lançaram as bases do direito penal internacional.

Por isso, visitar Nuremberg é uma experiência dupla. Há o centro histórico de conto de fadas — reconstruído com paciência depois da guerra —, com o castelo imperial coroando a colina, as ruelas de casas em enxaimel, a Casa de Dürer, as grandes igrejas góticas e a Hauptmarkt, onde pulsa o mercado de Natal mais famoso do país. E há, nos arredores, o terreno dos congressos nazistas com seu Centro de Documentação e, no Palácio da Justiça, a Sala 600, onde em 1945-46 os chefes de um regime foram julgados pela primeira vez por crimes contra a humanidade. Nuremberg não esconde nada: explica.

Este guia percorre as duas faces com a mesma seriedade: como ver o castelo, as igrejas e a cidade de Dürer; como entender, com respeito e sem espetáculo, os lugares de memória que fazem de Nuremberg um lugar único na Europa; o que comer (as famosas Nürnberger Rostbratwürste, salsichinhas do tamanho de um dedo, e o Lebkuchen); e como se locomover. É uma cidade de escala humana, honesta com seu passado e surpreendentemente acolhedora, que se curte a pé e dá vontade de voltar.

📖 História de Nuremberg

Nuremberg aparece documentada em 1050 e cresceu ao pé de um castelo imperial até se tornar uma das grandes cidades livres do Sacro Império Romano-Germânico. A partir de 1424, e por quase quatro séculos, guardou as insígnias imperiais (coroa, cetro e orbe), e em sua época de ouro, entre os séculos XV e XVI, foi um polo do Renascimento alemão: aqui viveu e trabalhou o pintor e gravurista Albrecht Dürer, e floresceram o humanismo, a imprensa, a relojoaria e a ourivesaria. A Reforma protestante chegou cedo à cidade, que em 1525 se tornou luterana. A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e o deslocamento das rotas comerciais a mergulharam em uma longa decadência, até que em 1806 deixou de ser cidade livre e passou à Baviera. No século XX, seu nome ficou ligado para sempre ao nazismo: o regime a escolheu como sede de seus congressos anuais do partido (Reichsparteitage) e ali proclamou, em 1935, as Leis de Nuremberg, que tiraram os direitos dos judeus. Por esse papel simbólico, a aviação aliada a bombardeou duramente e, em 2 de janeiro de 1945, a destruiu quase por completo. Terminada a guerra, os vencedores escolheram justamente Nuremberg para julgar os principais criminosos de guerra nazistas: os Julgamentos de Nuremberg de 1945-1946, na Sala 600 do Palácio da Justiça, inauguraram o direito penal internacional moderno. A cidade foi reconstruída com cuidado, recuperou seu centro histórico e hoje é um centro de memória e de direitos humanos. A história completa está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Nuremberg fica em South (Bavaria and the Black Forest)

Southern Germany: Bavaria and the Wittelsbach dynasty, with Ludwig II's fantasy castles; Munich, birthplace of Nazism but also of the White Rose resistance; Nuremberg, imperial city of the Nazi rallies and of the trials that condemned them; and the legendary Black Forest.

Ler a história de South (Bavaria and the Black Forest) →

🗺️ O que ver

Passeios que dá para reservar

Há coisas que sozinho não se entendem, e com alguém explicando o lugar muda completamente. Nós buscamos na Civitatis: com guia em espanhol e reserva online sem complicação. Em Nuremberg eles têm 8 passeios. E aqui tem free tours: você reserva sem pagar nada e no final dá ao guia o que achar justo, então experimentar não custa nada. Veja as de baixo: toque em qualquer uma para ver todas.

Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.

1
Castelo Imperial (Kaiserburg)
A fortaleza medieval que domina a cidade, símbolo do poder imperial na Nuremberg livre do Sacro Império.
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O Kaiserburg (Castelo Imperial) coroa a colina de arenito sobre o centro histórico e é a imagem mais reconhecível de Nuremberg. Durante séculos foi uma das residências imperiais itinerantes do Sacro Império Romano-Germânico: todos os imperadores medievais, entre 1050 e 1571, se hospedaram aqui em algum momento, e uma lei de 1356 (a Bula de Ouro) obrigava cada novo imperador a realizar sua primeira Dieta imperial na cidade. Essa relação estreita com o poder imperial fez a riqueza e o prestígio de Nuremberg. O conjunto reúne o Palas (palácio) com a capela dupla românica — duas capelas sobrepostas, uma para o imperador e outra para sua comitiva —, o museu do castelo (parte do Museu Nacional Germânico), que explica sua função militar e histórica, o Poço Profundo (Tiefer Brunnen), de quase 50 metros, e, sobretudo, a Torre Sinwell, cilíndrica, de cujo topo se tem uma vista magnífica dos telhados vermelhos da cidade, das igrejas e das muralhas. Boa parte do castelo foi danificada na guerra e reconstruída com cuidado. Como chegar: sobe-se a pé desde a Hauptmarkt ou a Casa de Dürer por ruelas íngremes (10-15 min); não há metrô até lá em cima. Melhor época: de manhã, para as vistas com boa luz, ou ao entardecer. Dicas: o ingresso combinado cobre Palas, capela, museu, poço e torre; os jardins do castelo e o terraço panorâmico têm acesso livre e gratuito, ideais para fotos.
ℹ️ Ingresso combinado (Palas com capela dupla, museu do castelo, Poço Profundo e Torre Sinwell) €10, meia €9; menores de 18 grátis (desde janeiro de 2026). Combinado Kaiserburg + castelo de Cadolzburg €16/€12. Fonte: Bayerische Schlösserverwaltung (kaiserburg-nuernberg.de), verificado em julho de 2026
2
Centro de Documentação do terreno de congressos nazistas (Dokumentationszentrum Reichsparteitagsgelände)
O museu que explica, com rigor e sem espetáculo, como o nazismo usou Nuremberg para seus colossais congressos do partido.
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Entre 1933 e 1938, o regime nazista realizou em Nuremberg seus congressos anuais do partido (Reichsparteitage): concentrações de centenas de milhares de pessoas, meticulosamente orquestradas como propaganda do poder totalitário e filmadas para o cinema. Para isso, mandou construir no sudeste da cidade um enorme terreno de congressos (Reichsparteitagsgelände), com estádios, tribunas e avenidas monumentais, em boa parte inacabado. O edifício mais imponente é o Salão de Congressos (Kongresshalle), uma construção colossal inspirada no Coliseu romano que nunca foi terminada. Em uma ala desse Salão de Congressos funciona hoje o Centro de Documentação, um museu que analisa com seriedade histórica o fenômeno do nazismo, o fascínio das massas, a máquina de propaganda e o papel concreto de Nuremberg. Não é um lugar de curiosidade mórbida nem de nostalgia: é um espaço educativo e crítico, referência na 'cultura da memória' alemã. Sua exposição permanente foi totalmente renovada; a nova mostra abre em fase de teste a partir de 22 de maio de 2026, e enquanto isso funcionou uma exposição provisória. Do lado de fora, dá para percorrer o terreno: a tribuna Zeppelin (Zeppelinfeld), de onde Hitler discursava para as multidões, o próprio Salão de Congressos e o lago Dutzendteich. É um passeio sóbrio, pensado para compreender e não para admirar. Como chegar: de bonde (linha 8) ou S-Bahn até Dutzendteich, a uns 4 km do centro. Melhor época: qualquer dia; combina bem com uma manhã ou uma tarde inteira. Dicas: dedique tempo e leia os painéis; o audioguia ajuda. É um lugar de reflexão, não de fotos de lembrança com as tribunas.
ℹ️ Ingresso €7,50, meia €2,50 (4-18 anos, estudantes); grupos escolares €2; com Nürnberg Card grátis. Nova exposição permanente em operação de teste desde 22 de maio de 2026. Aberto todos os dias 10-18 h (última entrada 17 h). Fonte: Museen der Stadt Nürnberg (museen.nuernberg.de/dokuzentrum), verificado em julho de 2026
3
Sala 600 e Memorium dos Julgamentos de Nuremberg (Memorium Nürnberger Prozesse)
A sala do Palácio da Justiça onde em 1945-46 os chefes nazistas foram julgados e nasceu o direito penal internacional.
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Na Sala 600 (Saal 600) do Palácio da Justiça de Nuremberg aconteceu um dos processos judiciais mais importantes da história: entre novembro de 1945 e outubro de 1946, um tribunal militar internacional das quatro potências vencedoras (Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética e França) julgou 24 dos principais dirigentes do regime nazista por crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Foi a primeira vez que os líderes máximos de um Estado foram responsabilizados perante a justiça por seus atos; dali saíram condenações à morte, penas de prisão e algumas absolvições e, sobretudo, um precedente jurídico — os 'Princípios de Nuremberg' — que é a base do direito penal internacional moderno e de tribunais posteriores, como o Tribunal Penal Internacional. Nuremberg foi escolhida tanto por sua carga simbólica (foi a cidade dos congressos do partido e das Leis de 1935) quanto por razões práticas: seu Palácio da Justiça tinha ficado relativamente intacto e contava com uma prisão anexa. Hoje o Memorium ocupa os andares superiores do edifício com uma exposição que explica o processo, os acusados, as provas e o legado; e é possível visitar a própria Sala 600, que por décadas continuou em uso judicial e hoje está musealizada. Como chegar: de U-Bahn (linha U1) até a estação Bärenschanze, ao lado do Palácio da Justiça, no oeste da cidade. Melhor época: manhãs de dias úteis; a Sala 600 às vezes fecha para eventos, vale conferir. Dicas: o audioguia está incluído e é muito bom; com o mesmo ingresso, pagando €4 a mais, ele vale como bilhete do dia para outros museus municipais.
ℹ️ Ingresso €7,50, meia €2,50 (4-18 anos); audioguia incluído; +€4 para usá-lo como bilhete do dia em outros museus municipais. Com Nürnberg Card grátis. Fonte: Museen der Stadt Nürnberg — Memorium Nürnberger Prozesse (museums.nuernberg.de), verificado em julho de 2026
4
Casa de Albrecht Dürer (Albrecht-Dürer-Haus)
A casa onde viveu e trabalhou o maior artista do Renascimento alemão, hoje museu dedicado à sua vida e obra.
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Albrecht Dürer (1471-1528) nasceu e morreu em Nuremberg e foi o grande gênio do Renascimento do norte da Europa: pintor, desenhista e, sobretudo, um gravurista que levou a gravura a uma perfeição nunca vista e espalhou por todo o continente obras como 'O cavaleiro, a morte e o diabo', 'Melancolia I' ou seu célebre autorretrato. Foi também um intelectual do Renascimento, teórico da arte e da proporção, e símbolo do esplendor cultural da Nuremberg de seu tempo. A Albrecht-Dürer-Haus é a casa em enxaimel, de por volta de 1420, onde o artista viveu seus últimos vinte anos (de 1509 a 1528). É uma das poucas casas de artista do Renascimento preservadas no norte da Europa. A visita percorre os cômodos de época, uma reconstrução do ateliê onde são mostradas as técnicas de gravura e pintura, e salas com cópias e reproduções de sua obra (os originais estão espalhados pelos grandes museus do mundo). Uma atriz caracterizada como Agnes, a esposa de Dürer, às vezes conduz as visitas, o que dá um ar vivo ao passeio. Como chegar: fica ao lado do castelo, na parte alta do centro histórico, a poucos passos da Tiergärtnertorplatz, uma das praças mais bonitas da cidade. Melhor época: qualquer dia; combina perfeitamente com a subida ao Kaiserburg. Dicas: a praça em frente, com suas casas em enxaimel, é das mais fotogênicas de Nuremberg; perto fica a estátua da lebre gigante que homenageia (com humor) a famosa gravura de Dürer.
ℹ️ Ingresso aprox. €7,50, meia €2,50 (tarifa dos museus municipais de Nuremberg); +€4 como bilhete do dia para outros museus municipais; com Nürnberg Card grátis. Fonte: Museen der Stadt Nürnberg — Albrecht-Dürer-Haus (museen.nuernberg.de/duererhaus), verificado em julho de 2026
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Hauptmarkt, a Frauenkirche e o Christkindlesmarkt
A praça principal com a igreja gótica do relógio mecânico, a Bela Fonte e o mercado de Natal mais famoso da Alemanha.
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A Hauptmarkt é a praça principal de Nuremberg, o coração do centro histórico. Quem a preside é a Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora), uma elegante igreja gótica do século XIV construída por ordem do imperador Carlos IV sobre o terreno da antiga sinagoga (a comunidade judaica havia sido expulsa e assassinada em um pogrom em 1349, um episódio que a cidade não esconde). Na fachada, todos os dias ao meio-dia, entra em ação o Männleinlaufen, um relógio mecânico de 1509 em que sete figuras — os príncipes eleitores — giram em homenagem ao imperador: um dos relógios de figuras mais antigos da Alemanha. Em um canto da praça fica o Schöner Brunnen (a Bela Fonte), uma fonte gótica do fim do século XIV com 19 metros de altura, em forma de agulha de catedral, coberta de figuras policromadas. A tradição é girar o anel de ouro encaixado em sua grade para fazer um pedido. E nesta praça é montado, do fim de novembro até 24 de dezembro, o Christkindlesmarkt, o mercado de Natal mais famoso da Alemanha e um dos mais antigos do mundo. Centenas de barraquinhas de madeira com telhado vermelho e branco vendem Glühwein (vinho quente com especiarias), Lebkuchen (o pão de especiarias típico da cidade), as Rostbratwürst na grelha e artesanato. Quem o inaugura é o 'Christkind' (um anjo interpretado por uma jovem da cidade), da sacada da Frauenkirche. É uma experiência lotada e encantadora. Como chegar: em pleno centro; U-Bahn Lorenzkirche ou a pé de qualquer ponto do centro histórico. Melhor época: ao meio-dia, para o relógio mecânico; fim de novembro e dezembro, para o mercado. Dicas: na temporada do mercado a praça fica lotadíssima; vá cedo ou em dia de semana. O mercado proíbe enfeites de plástico e produtos importados: tudo é artesanal.
ℹ️ Hauptmarkt, Frauenkirche e fonte: acesso livre e gratuito. Männleinlaufen (relógio) todos os dias às 12 h. Christkindlesmarkt 2026: de 27 de novembro a 24 de dezembro (inauguração em 27/11 às 17:30; horário 10-21 h, em 24/12 até as 14 h). Fonte: christkindlesmarkt.de e Tourismus Nürnberg, verificado em julho de 2026
6
Museu Nacional Germânico (Germanisches Nationalmuseum)
O maior museu de arte e cultura do mundo germânico, com o globo terrestre mais antigo do mundo e obras de Dürer.
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O Germanisches Nationalmuseum (GNM), fundado em 1852, é o maior museu de história cultural do mundo de língua alemã: mais de um milhão de objetos que percorrem a arte e a cultura dos povos de língua alemã desde a pré-história até hoje. Fica em um grande complexo no sul do centro histórico que integra um antigo mosteiro cartuxo a edifícios modernos. Seus tesouros são de primeira linha: pintura e escultura do gótico e do Renascimento (com obras de Dürer, Cranach, Veit Stoss), instrumentos musicais históricos, armas e armaduras, brinquedos e casas de bonecas antigas, trajes, ourivesaria e o Behaim-Globus, o globo terrestre mais antigo do mundo ainda preservado (1492), fabricado em Nuremberg pouco antes de chegarem à Europa as notícias da viagem de Colombo, por isso ainda não inclui a América. Na entrada, a Rua dos Direitos Humanos (Straße der Menschenrechte), do artista israelense Dani Karavan, com colunas gravadas com os artigos da Declaração Universal, liga o museu à vocação de memória da cidade. Como chegar: no sul do centro histórico, junto à muralha; U-Bahn Opernhaus. Melhor época: qualquer dia; é preciso meio dia para ver com calma. Dicas: às quartas-feiras, a partir das 17:30, a entrada é gratuita. Não tente ver tudo; escolha as seções que mais te interessam (arte do Renascimento, instrumentos ou o globo de Behaim).
ℹ️ Ingresso €10, meia €6, família €14; quartas-feiras a partir das 17:30 grátis; com Nürnberg Card grátis. Fonte: Germanisches Nationalmuseum (gnm.de) e museen.nuernberg.de, verificado em julho de 2026
7
Centro histórico amuralhado: São Lourenço, São Sebaldo e as muralhas
O coração medieval reconstruído, com duas grandes igrejas góticas e quase 4 km de muralhas e torres preservadas.
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O centro histórico de Nuremberg (Altstadt) conserva um dos recintos amuralhados medievais mais completos da Alemanha: quase 4 quilômetros de muralha com torres, fossos e portões cercam o centro, atravessado pelo rio Pegnitz. Embora a cidade tenha sido arrasada em 1945, foi reconstruída seguindo o traçado e as silhuetas históricas, de modo que hoje voltou a ter ar medieval, com casas em enxaimel, praças e ruelas. As duas grandes igrejas góticas marcam o ritmo do centro histórico. São Lourenço (Lorenzkirche), ao sul do rio, é uma imponente igreja de duas torres com vitrais medievais, a 'Saudação Angélica' de Veit Stoss pendurada no teto e o tabernáculo de pedra de Adam Kraft. São Sebaldo (Sebalduskirche), ao norte, é a mais antiga, com o sepulcro de bronze de São Sebaldo, obra-prima de Peter Vischer. Ambas são luteranas desde a Reforma e têm entrada gratuita (com doação sugerida). No rio, o Weinstadel (um antigo armazém de vinho em enxaimel) e o Henkersteg (a ponte do carrasco) formam um dos cantinhos mais pitorescos. E o Handwerkerhof, junto ao portão da Torre Real (Königstor), recria um pátio de artesãos medievais, meio turístico, mas simpático para comprar Lebkuchen ou artesanato. Como chegar: todo o centro histórico se percorre a pé; U-Bahn Lorenzkirche ou Hauptbahnhof como pontos de entrada. Melhor época: qualquer dia; ao entardecer as igrejas iluminadas ficam lindas. Dicas: suba ao castelo para ver o conjunto lá de cima; caminhe por um trecho da muralha. Prove as Drei im Weckla (três salsichinhas num pãozinho) em alguma barraquinha de rua.
ℹ️ Percorrer o centro histórico e as muralhas: grátis. Igrejas de São Lourenço e São Sebaldo: entrada gratuita com doação sugerida (~€2). Fonte: Tourismus Nürnberg (tourismus.nuernberg.de), verificado em julho de 2026
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Castillo Imperial (Kaiserburg) — entrada combinada€10 (meia €9; menores de 18 grátis; combinado com Cadolzburg €16/€12) (fonte Bayerische Schlösserverwaltung, verificado em julho de 2026)
Centro de Documentación del terreno de congresos nazis€7,50 (meia €2,50; com Nürnberg Card grátis) (fonte museen.nuernberg.de, verificado em julho de 2026)
Memorium Juicios de Núremberg (Sala 600)€7,50 (meia €2,50; audioguia incluído; +€4 bilhete do dia) (fonte museums.nuernberg.de, verificado em julho de 2026)
Casa de Alberto Durero (Albrecht-Dürer-Haus)€7,50 aprox. (meia €2,50; com Nürnberg Card grátis) (fonte museen.nuernberg.de, verificado em julho de 2026)
Museo Nacional Germánico (GNM)€10 (meia €6; família €14; quartas-feiras a partir das 17:30 grátis) (fonte gnm.de, verificado em julho de 2026)
Iglesias de San Lorenzo y San SebaldoGrátis (doação sugerida ~€2) (fonte tourismus.nuernberg.de, verificado em julho de 2026)
Frauenkirche y Hauptmarkt (con reloj Männleinlaufen)Grátis (acesso livre; relógio às 12 h) (fonte tourismus.nuernberg.de, verificado em julho de 2026)
Nürnberg Card (museos + transporte)A partir de €38 por 48 h (cerca de 30 atrações e transporte VAG incluídos) (fonte nurembergcard.com, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

AtividadePreçoDuraçãoOperadora
Free walking tour pelo centro histórico (pague quanto quiser)Grátis, com gorjeta sugerida de €10-15 por pessoa (verificado em julho de 2026)2-2,5 hNuremberg Free Walking Tour, Sandemans e guias locais (em inglês; alguns em espanhol)
Tour histórico pelo terreno dos congressos nazistas e pela memória€15-30 por pessoa aprox. (verificado julho 2026)Meio diaGeschichte Für Alle e.V. e guias especializados
Visita guiada à Sala 600 e aos Julgamentos de NurembergEntrada €7,50 + visita guiada conforme a agenda do Memorium (verificado julho 2026)1,5-2 hMemorium Nürnberger Prozesse (visitas e audioguia)
Subida à Torre Sinwell do castelo pela vistaIncluída no ingresso combinado do Kaiserburg €10 (verificado julho 2026)30-45 minBayerische Schlösserverwaltung
Roteiro gastronômico de Rostbratwürste e Lebkuchen€30-55 por pessoa conforme o formato (verificado julho 2026)2-3 hOperadores locais de food tours
Bate-volta de um dia a Bamberg (Patrimônio da Humanidade)Trem regional ida e volta ~€25-30 ou grátis com o Deutschlandticket (verificado julho 2026)Dia inteiroDeutsche Bahn (trem regional, ~45-60 min)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

MeioPreçoDuraçãoObservações
U-Bahn (metrô VAG)Bilhete simples zona A €3,90 aprox.; bilhete de trecho curto (Kurzstrecke) mais barato (2026)
Bonde e ônibus (VAG)Mesmo sistema tarifário da U-Bahn; simples zona A €3,90 aprox. (2026)
Deutschlandticket€63/mês (2026)
Nürnberg CardA partir de €38 por 48 h (2026)
A péGrátis
Bicicleta e táxi/appsAluguel de bike ~€12-18/dia; táxi bandeirada ~€4 + ~€2/km (2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Aeroporto de Nuremberg (NUE) → centroMetrô U2 (VAG)Bilhete simples zona A ~€3,90 (2026)12-15 min até a estação central; o aeroporto fica a ~5 km
Munique → Nuremberg de tremDeutsche Bahn (ICE)A partir de ~€15-20 comprando com antecedência; até ~€55 sem desconto (2026)~1 h 10 (entre 1:01 e 1:16), mais de 60 partidas por dia
Frankfurt → Nuremberg de tremDeutsche Bahn (ICE)A partir de ~€20-30 comprando com antecedência (2026)~2 h 5
Berlim → Nuremberg de tremDeutsche Bahn (ICE)A partir de ~€30-50 conforme a antecedência (2026)~3 h
Chegada de ônibus de longa distânciaFlixBus e outrasA partir de ~€10-25 conforme a origem e a antecedência (2026)Conforme a origem (Munique ~2,5 h)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Luxo / clássicos
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Hotéis de alto padrão no centro ou perto da estação: €160-320 a diária. Exemplos: Le Méridien Grand Hotel Nürnberg (histórico, em frente à estação), Hotel Drei Raben, Karl August. Ideais para ficar a poucos passos do centro histórico
Intermediário no centro histórico
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Hotéis de categoria média bem localizados: €90-160 a diária. Redes como NH, Novotel, Motel One (ótimo custo-benefício e bem central) e hotéis de bairro perto da Lorenzkirche e da Hauptmarkt
Econômico / hostels
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Cama em quarto compartilhado €22-35; quarto duplo econômico €65-95. Exemplos: A&O Nürnberg Hauptbahnhof, Five Reasons Hostel e o albergue da juventude dentro do próprio castelo (Jugendherberge Nürnberg), uma experiência única

🍴 Onde comer

Nürnberger Rostbratwürste (salchichitas a la parrilla)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
O prato mais típico: salsichinhas do tamanho de um dedo grelhadas na brasa de lenha, servidas em porções de 6, 8 ou 10 com chucrute e raiz-forte, ou 'Drei im Weckla' (três num pãozinho) na rua por €3-4. Clássicos: Bratwurst Röslein, Bratwursthäusle ao lado de São Sebaldo, Behringers
Cocina franconesa tradicional
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Schäufele (paleta de porco assada com a pele crocante), Sauerbraten, bolinhos de batata (Klöße) e cerveja local da Francônia: prato principal €12-22. Casas como Bratwurst Röslein, Zum Gulden Stern (uma das salsicharias mais antigas do mundo), Historische Bratwurstküche
Lebkuchen y dulces
Preço$$$$$
Opções / prato típico
O Nürnberger Lebkuchen (pão de especiarias com nozes e amêndoas, especialmente o 'Elisenlebkuchen') é o doce símbolo da cidade; é vendido o ano todo, não só no Natal. Casas históricas: Lebkuchen-Schmidt, Wicklein, Fraunholz. Caixa a partir de €5-15
Cocina internacional y moderna
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Oferta crescente de restaurantes autorais, veganos e de cozinha internacional: refeição média €25-45 por pessoa; há opções com estrela Michelin (Essigbrätlein, Entenstuben) a partir de ~€120 o menu-degustação

📖 História de Nuremberg

Origem, formação e o que dizem as fontes.

A cidade do imperador: capital informal do Sacro Império

Poucas cidades alemãs resumem tão bem as grandezas e as misérias da história europeia quanto Nuremberg. Antes de seu nome ficar ligado para sempre ao nazismo e aos julgamentos que o condenaram, Nuremberg foi durante séculos uma das cidades mais ricas, cultas e prestigiosas do continente. E tudo começou ao pé de uma rocha de arenito coroada por um castelo.

Nuremberg aparece documentada pela primeira vez em 1050, num diploma do imperador Henrique III que menciona o castelo (Nourenberc) em torno do qual a cidade cresceria. Sua localização num cruzamento de rotas comerciais do centro da Europa a fez prosperar rápido, e seu vínculo com o poder imperial foi precoce e estreito: o Kaiserburg, o castelo imperial, tornou-se uma das residências itinerantes dos imperadores do Sacro Império Romano-Germânico, que não tinham capital fixa e viajavam de cidade em cidade. Entre os séculos XI e XVI, praticamente todos os imperadores medievais se hospedaram alguma vez em Nuremberg.

Em 1219, o imperador Frederico II concedeu à cidade o estatuto de cidade livre imperial (Reichsstadt): ela dependia diretamente do imperador, e não de algum príncipe ou senhor local, o que lhe deu uma autonomia política e econômica enorme. A cidade era governada por um conselho de famílias patrícias e chegou a controlar um amplo território próprio. Em 1356, a Bula de Ouro do imperador Carlos IV —a lei fundamental que regulava a eleição do imperador— estabeleceu que cada novo soberano devia realizar em Nuremberg a primeira Dieta imperial de seu reinado, consagrando-a como uma espécie de capital informal do Império.

O símbolo máximo desse papel veio em 1424, quando o imperador Sigismundo confiou a Nuremberg a guarda perpétua das insígnias imperiais (Reichskleinodien): a coroa, o cetro, o orbe, a espada e as relíquias com que os imperadores eram coroados. Durante quase quatro séculos, esses objetos sagrados do poder imperial ficaram guardados na cidade e eram exibidos uma vez por ano, atraindo peregrinos e consolidando o prestígio de Nuremberg como coração simbólico do Império.

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O século de ouro: Dürer, o humanismo e a Reforma

Entre o fim do século XV e o século XVI, Nuremberg viveu sua era de ouro e se tornou um dos grandes polos do Renascimento do norte da Europa. Sua riqueza vinha do comércio de longa distância e, sobretudo, de uma produção artesanal de altíssima qualidade: a cidade era famosa por seus ourives, relojoeiros, fabricantes de instrumentos científicos, armeiros e gravadores. Foi aqui que se fabricaram os primeiros relógios de bolso (os chamados 'ovos de Nuremberg'), globos terrestres e instrumentos de navegação e de astronomia vendidos por toda a Europa. A imprensa, que chegou pouco depois de Gutenberg, fez de Nuremberg um centro editorial de primeira linha.

Esse esplendor material se traduziu num florescimento cultural extraordinário. A figura que o encarna é Albrecht Dürer (1471-1528), nascido e morto na cidade, o maior artista do Renascimento alemão. Pintor, desenhista e teórico, Dürer elevou a xilogravura e a gravura em metal a uma perfeição técnica nunca vista e espalhou por todo o continente obras como 'O Cavaleiro, a Morte e o Diabo', 'Melancolia I', o 'Rinoceronte' e seus impressionantes autorretratos. Foi também um intelectual europeu que viajou à Itália, estudou a perspectiva e a proporção e escreveu tratados sobre arte. Ao seu redor brilharam o escultor Veit Stoss, o fundidor de bronze Peter Vischer, o humanista Willibald Pirckheimer e, mais tarde, o sapateiro e poeta Hans Sachs, mestre-cantor cuja figura Richard Wagner imortalizaria.

Nuremberg foi também uma das primeiras grandes cidades do Império a aderir à Reforma protestante. Em 1525, depois de anos de debate, o conselho da cidade adotou oficialmente o luteranismo, e Nuremberg virou um baluarte do protestantismo e refúgio de reformadores. Essa virada religiosa conviveu com a fidelidade ao imperador, num equilíbrio às vezes difícil. Foi a cidade da ciência e da arte, mas também das sombras: a comunidade judaica, que tinha sido importante na Idade Média, já havia sofrido um pogrom devastador em 1349 —em plena peste negra—, em cujo terreno se ergueu a atual Frauenkirche, e uma expulsão definitiva em 1499. Essa história de esplendor e de intolerância faz parte do mesmo relato.

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Decadência e renascimento: da Guerra dos Trinta Anos à Baviera

O esplendor não durou para sempre. A partir do século XVI, a chegada dos europeus à América e a abertura de novas rotas marítimas deslocaram o eixo do comércio europeu do interior do continente para o Atlântico, e cidades do interior como Nuremberg começaram a perder peso diante dos grandes portos. Mas o golpe decisivo veio com a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), o catastrófico conflito religioso e político que devastou o Sacro Império.

Nuremberg, cidade protestante, sofreu enormemente. Embora tenha conseguido evitar o saque direto pagando grandes somas, ficou cercada pelos exércitos e enfrentou a fome, a peste e o colapso do comércio. Em 1632, seus arredores foram palco de um longo e desastroso confronto entre as tropas do rei sueco Gustavo Adolfo e as imperiais de Wallenstein, com milhares de mortos em combate e por doenças. A cidade saiu da guerra empobrecida e endividada, e nunca mais recuperou sua antiga posição. Durante os séculos XVII e XVIII viveu uma lenta decadência, conservando sua beleza e sua produção artesanal, mas cada vez mais à margem da grande política europeia.

O fim de sua independência veio com Napoleão. A reorganização da Alemanha promovida pelo imperador francês dissolveu o velho Sacro Império Romano-Germânico em 1806, e nesse processo Nuremberg perdeu sua condição de cidade livre imperial —que mantivera por quase seiscentos anos— e foi incorporada ao recém-criado Reino da Baviera. Junto com ela, as insígnias imperiais foram levadas para Viena, para evitar que caíssem em mãos francesas. Sob administração bávara, já no século XIX, Nuremberg viveu um segundo renascimento graças à Revolução Industrial: em 1835 foi inaugurada entre Nuremberg e a vizinha Fürth a primeira ferrovia da Alemanha, a Ludwigsbahn, e a cidade se tornou um grande centro industrial (metalurgia, brinquedos, lápis Faber-Castell e Staedtler, motores). No começo do século XX era uma próspera cidade industrial que olhava com orgulho para seu passado medieval.

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'Cidade dos Congressos do Reich': o uso nazista de Nuremberg

O passado glorioso de Nuremberg —sua condição de cidade imperial, seu centro histórico medieval, seu vínculo com a identidade alemã— foi justamente o que o nazismo quis tomar para si. Desde meados dos anos 1920, o Partido Nazista (NSDAP) escolheu Nuremberg como sede de seus congressos anuais, atraído por esse simbolismo histórico e pela localização central. Quando Hitler chegou ao poder em 1933, a cidade recebeu o título propagandístico de 'Cidade dos Congressos do Reich' (Stadt der Reichsparteitage).

Entre 1933 e 1938, todo mês de setembro, Nuremberg foi palco dos Reichsparteitage: concentrações gigantescas de centenas de milhares de membros do partido, das SA, das SS e do exército, coreografadas nos mínimos detalhes como enormes espetáculos de propaganda. As imagens desses congressos —os desfiles, as tochas, os mares de bandeiras, a 'catedral de luz' feita de holofotes projetada por Albert Speer— foram filmadas por Leni Riefenstahl em 'O Triunfo da Vontade' (1935) e se tornaram a imagem mais difundida do poder totalitário nazista. Para abrigá-los, o regime projetou no sudeste da cidade um colossal terreno de congressos (Reichsparteitagsgelände) de onze quilômetros quadrados, com estádios, tribunas e avenidas monumentais, em grande parte inacabado. Dele restam o descomunal Salão de Congressos (Kongresshalle), inspirado no Coliseu de Roma, e a tribuna Zeppelin, de onde Hitler discursava para as massas.

Mas o papel de Nuremberg na história do nazismo não se limitou ao cenário. No congresso de setembro de 1935, o regime proclamou ali as Leis de Nuremberg (Nürnberger Gesetze), duas leis raciais que marcaram uma virada na perseguição aos judeus: a 'Lei de proteção do sangue e da honra alemães', que proibia casamentos e relações entre judeus e 'alemães de sangue ariano', e a 'Lei de cidadania do Reich', que tirou dos judeus a cidadania e os direitos civis. Essas leis deram cobertura pseudojurídica à exclusão sistemática que desembocaria no Holocausto. Que levassem o nome da cidade não foi por acaso: foram aprovadas justamente nesse cenário carregado de simbolismo. Assim, aos olhos do mundo, Nuremberg ficou indissoluvelmente associada ao regime e à sua ideologia. Hoje, o Centro de Documentação instalado no Salão de Congressos analisa esse passado com rigor histórico, não para exibi-lo, mas para explicá-lo e prevenir.

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A destruição: janeiro de 1945

O protagonismo que o nazismo tinha dado a Nuremberg cobrou um preço terrível. Como símbolo do regime e importante centro industrial e de armamentos, a cidade virou um alvo prioritário da aviação aliada durante a Segunda Guerra Mundial. Ao longo do conflito sofreu vários bombardeios, mas o golpe definitivo veio na noite de 2 de janeiro de 1945, quando um ataque maciço da Royal Air Force britânica arrasou em pouco mais de uma hora o centro histórico medieval.

O centro histórico —um dos conjuntos medievais mais bem conservados da Europa, com suas casas em enxaimel, suas igrejas góticas e suas vielas— ficou reduzido a escombros. Estima-se que cerca de 90 % do centro antigo tenha sido destruído, e boa parte do resto da cidade também ficou em ruínas. Milhares de pessoas morreram e dezenas de milhares ficaram sem casa. Quando as tropas americanas tomaram a cidade depois de duros combates de rua, entre 16 e 20 de abril de 1945, Nuremberg era um campo de ruínas. Num gesto carregado de simbolismo, os soldados aliados explodiram a grande suástica que coroava a tribuna Zeppelin do terreno de congressos.

A reconstrução do pós-guerra foi longa e alvo de intenso debate. Ao contrário de outras cidades alemãs, que optaram por se reconstruir em chave moderna, Nuremberg decidiu recuperar o traçado, as silhuetas e muitos dos edifícios emblemáticos de seu centro medieval, ainda que com técnicas e materiais do século XX. As grandes igrejas, o castelo, a Casa de Dürer e a muralha foram erguidos de novo, respeitando o traçado histórico. O resultado não é um centro medieval autêntico, mas uma recriação cuidadosa que devolve à cidade sua atmosfera de outros tempos e que hoje os visitantes percorrem muitas vezes sem saber que quase tudo o que veem foi reconstruído depois de 1945. É uma das reconstruções urbanas mais notáveis da Europa.

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Os Julgamentos de Nuremberg: o nascimento do direito penal internacional

Terminada a guerra, as potências vencedoras se depararam com uma pergunta sem precedentes: o que fazer com os principais responsáveis por um regime que tinha desencadeado uma guerra mundial e cometido o extermínio sistemático de milhões de pessoas? A resposta foi criar um tribunal internacional para julgá-los, e o lugar escolhido foi, mais uma vez, Nuremberg. A escolha teve um peso simbólico evidente —a cidade dos congressos do partido e das leis raciais passaria a ser a da justiça— e também razões práticas: seu Palácio de Justiça tinha ficado relativamente intacto, era amplo e contava com uma grande prisão anexa.

Entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946, na Sala 600 (Saal 600) daquele Palácio de Justiça, o Tribunal Militar Internacional, formado por juízes dos Estados Unidos, do Reino Unido, da União Soviética e da França, julgou 24 dos principais dirigentes do Terceiro Reich —entre eles Hermann Göring, Rudolf Hess, Joachim von Ribbentrop e Albert Speer— por quatro acusações: conspiração, crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O processo, acompanhado pela imprensa do mundo inteiro e documentado com as próprias provas e filmagens do regime, terminou com doze condenações à morte, penas de prisão e três absolvições. A esse processo principal seguiram-se doze julgamentos sucessivos contra médicos, juízes, militares e industriais.

A importância dos Julgamentos de Nuremberg vai muito além das condenações em si. Foi a primeira vez na história que os principais dirigentes de um Estado foram levados à justiça por seus atos, rejeitando-se a defesa de que 'só cumpriam ordens' ou de que um chefe de Estado era intocável. Dali surgiram os chamados 'Princípios de Nuremberg', que consagraram conceitos como o de 'crime contra a humanidade' e a responsabilidade penal individual, e que se tornaram a pedra angular do direito penal internacional moderno. Sem Nuremberg não dá para entender os tribunais posteriores para a ex-Iugoslávia ou Ruanda, nem o Tribunal Penal Internacional de Haia.

Hoje a cidade assume plenamente esse legado. A Sala 600 pode ser visitada, junto com o Memorium Nürnberger Prozesse, um centro que explica o processo e seu alcance. E Nuremberg, que no século XX deu nome a leis de exclusão e ódio, se reinventou como uma 'cidade da paz e dos direitos humanos': concede desde 1995 um Prêmio Internacional de Direitos Humanos e construiu, na entrada de seu Museu Nacional Germânico, a Rua dos Direitos Humanos. A mesma cidade que o nazismo escolheu como palco é hoje um lugar onde a Europa aprende a encarar de frente sua história mais sombria.

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📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Núremberg» — https://es.wikipedia.org/wiki/N%C3%BAremberg
  • Wikipedia (EN) — «Nuremberg» — https://en.wikipedia.org/wiki/Nuremberg
  • Wikipedia (ES) — «Alberto Durero» — https://es.wikipedia.org/wiki/Alberto_Durero
  • Wikipedia (EN) — «Nuremberg Rally» — https://en.wikipedia.org/wiki/Nuremberg_Rally
  • Wikipedia (ES) — «Leyes de Núremberg» — https://es.wikipedia.org/wiki/Leyes_de_N%C3%BAremberg
  • Wikipedia (EN) — «Nuremberg Laws» — https://en.wikipedia.org/wiki/Nuremberg_Laws
  • Wikipedia (ES) — «Juicios de Núremberg» — https://es.wikipedia.org/wiki/Juicios_de_N%C3%BAremberg
  • Wikipedia (EN) — «Nuremberg trials» — https://en.wikipedia.org/wiki/Nuremberg_trials
  • Wikipedia (EN) — «Nuremberg principles» — https://en.wikipedia.org/wiki/Nuremberg_principles
  • Dokumentationszentrum Reichsparteitagsgelände (oficial) — https://museen.nuernberg.de/dokuzentrum/
  • Memorium Nürnberger Prozesse (oficial) — https://museums.nuernberg.de/memorium-nuremberg-trials/
  • Tourismus Nürnberg — Cultura da memória — https://tourismus.nuernberg.de/en/topics/culture-of-remembrance/

❓ Perguntas frequentes

Quantos dias preciso para conhecer Nuremberg?+
Em 1 dia dá para ver o centro histórico (castelo, Casa de Dürer, igrejas, Hauptmarkt). Mas, para fazer jus a Nuremberg, são necessários 2 dias, porque os lugares de memória do século XX — o Centro de Documentação do terreno dos congressos nazistas e a Sala 600 dos Julgamentos de Nuremberg — são parte essencial da cidade e levam tempo. Com 3 dias, dá para incluir o Museu Nacional Germânico e um bate-volta a Bamberg ou Regensburg.
Como chego de Munique a Nuremberg?+
De trem é o mais rápido e cômodo: o ICE da Deutsche Bahn leva só 1 h 10 (entre 1:01 e 1:16) e há mais de 60 partidas por dia. Comprando com antecedência, dá para achar passagens a partir de ~€15-20. Atenção: o Deutschlandticket (€63/mês em 2026) NÃO vale no ICE, só nos trens regionais, que nesse trajeto demoram bem mais.
Vale a pena visitar os lugares da época nazista e dos Julgamentos?+
Sim, é isso que torna Nuremberg única. O Centro de Documentação explica com rigor histórico como o nazismo usou a cidade para os congressos do partido, e a Sala 600 do Palácio da Justiça é onde, em 1945-46, os líderes de um regime foram julgados pela primeira vez por crimes contra a humanidade, lançando as bases do direito penal internacional. São visitas sérias e educativas, tratadas com respeito e sem espetáculo. A entrada em cada um custa €7,50.
Quanto custam os ingressos das principais atrações?+
Em 2026: o castelo imperial (Kaiserburg) €10; o Centro de Documentação nazista €7,50; o Memorium dos Julgamentos (Sala 600) €7,50; a Casa de Dürer cerca de €7,50; o Museu Nacional Germânico €10 (grátis às quartas a partir das 17:30). As igrejas, a Hauptmarkt e as muralhas são grátis. Se você for a vários museus, o Nürnberg Card (a partir de €38 por 48 h) inclui transporte e cerca de 30 atrações e costuma compensar.
Quando é o mercado de Natal (Christkindlesmarkt) e vale a pena?+
O Christkindlesmarkt 2026 vai de 27 de novembro a 24 de dezembro na Hauptmarkt. É o mercado de Natal mais famoso da Alemanha e um dos mais antigos: barraquinhas de madeira com Glühwein, Lebkuchen e Rostbratwürste, e são proibidos o plástico e os produtos importados. Fica muito cheio, então vale ir cedo ou durante a semana. A abertura é feita pelo 'Christkind' na sacada da Frauenkirche.
O que se come de típico em Nuremberg?+
As Nürnberger Rostbratwürste, salsichinhas do tamanho de um dedo grelhadas, que se pedem em porções de 6, 8 ou 10 ou como 'Drei im Weckla' (três num pãozinho) por €3-4 na rua. Também o Schäufele (paleta de porco assada) e, de sobremesa, o Nürnberger Lebkuchen (pão de especiarias), vendido o ano todo em casas históricas como Lebkuchen-Schmidt ou Wicklein.

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