Se Gdańsk é a história e Gdynia o porto moderno, Sopot é o prazer. Encaixada entre as duas, esta pequena cidade-balneário é há dois séculos o lugar onde a costa báltica fica elegante: casas de veraneio com torres e varandas de madeira, um calçadão cheio de vida e o píer de madeira mais longo da Europa avançando mar adentro. Ela é chamada de 'a Riviera polonesa' e, embora o Báltico não tenha o azul-turquesa do Mediterrâneo, o clima — areia fina, pinheiros, spa e música — justifica o apelido.
O coração de Sopot é a rua Bohaterów Monte Cassino, que os moradores chamam carinhosamente de 'Monciak': uma avenida para pedestres que desce da estação até o mar, cheia de cafés, sorveterias, artistas de rua e a excêntrica Casa Torta (Krzywy Domek), um prédio que parece ter saído de um desenho animado. No fim fica a Praça Zdrojowy, o Grand Hotel dos anos 20 e a entrada do molo, de onde se vê toda a baía e, ao longe, os guindastes do porto de Gdańsk.
Este guia leva você por Sopot com calma: como chegar e se locomover com o trem SKM do Trójmiasto, quanto custa entrar no píer, onde ficam as melhores praias, o farol, a Ópera da Floresta onde acontece o lendário festival da canção, e por que vale a pena usar a cidade como base para descobrir toda a costa. É um destino de descanso e boa vida, perfeito para intercalar com as visitas mais 'históricas' do norte da Polônia.
Sopot deixou de ser uma vila de pescadores e virou balneário da moda no começo do século XIX, quando o médico francês Jean Georges Haffner — ex-cirurgião do exército napoleônico — abriu em 1823 os primeiros banhos públicos e lançou as bases da cidade-spa. Com o nome alemão de Zoppot, e pertencendo à Prússia e depois ao Império Alemão, cresceu como destino chique do Báltico, com cassino, hipódromo e o Grand Hotel. Depois da Primeira Guerra, ficou bem na divisa da Cidade Livre de Danzig. Com a região devastada pela Segunda Guerra Mundial, Sopot passou para a Polônia em 1945 e se consolidou como o grande balneário do país, sede desde 1961 do famoso Festival Internacional da Canção na Ópera da Floresta. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓Poland's window on the sea: the Malbork of the Teutonic Knights, Hanseatic Gdańsk where the Second World War began at Westerplatte and where Solidarity was born in 1980, and the elegant seaside resort of Sopot with its long wooden pier.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes das casas de veraneio e do píer iluminado, Sopot era só um punhado de casas de pescadores à beira do Báltico. O nome aparece documentado pela primeira vez em 1283, quando o duque da Pomerânia Mestwin II doou a aldeia de 'Sopot' ao mosteiro cisterciense de Oliwa, hoje um bairro de Gdańsk. Durante séculos, a vida seguiu o ritmo da pesca, das florestas e da agricultura, à sombra da grande cidade hanseática vizinha, Danzig (Gdańsk), um dos portos mais ricos do norte da Europa.
A proximidade com Danzig marcou todo o destino de Sopot. Já nos séculos XVI e XVII, as famílias patrícias da cidade hanseática começaram a construir residências de campo e jardins nesta faixa costeira de colinas suaves e pinheirais, em busca do ar do mar e do descanso longe da agitação do porto. Assim, bem aos poucos, Sopot foi ganhando forma como um lugar de retiro e lazer para os endinheirados da região.
As guerras do norte e os conflitos que abalaram a Polônia e a Prússia entre os séculos XVII e XVIII passaram por estas terras e as empobreceram mais de uma vez. Com a primeira partilha da Polônia, em 1772, a região ficou sob o domínio do Reino da Prússia. Essa mudança política, longe de frear Sopot, acabaria empurrando a cidade para sua grande transformação no século seguinte: a de virar um balneário da moda.
O verdadeiro ato de fundação da Sopot moderna tem data e protagonista: 1823 e um médico francês chamado Jean Georges Haffner. Haffner tinha sido cirurgião militar no exército de Napoleão e, depois das guerras, se estabeleceu em Danzig. Convencido das virtudes terapêuticas do banho de mar, muito em voga na Europa do século XIX, ele promoveu a criação de banhos públicos e de uma casa de banhos quentes em Sopot, lançando as bases da cidade-spa.
Em poucos anos, a vila de pescadores se transformou em um elegante destino de veraneio. Foram construídos uma casa de tratamentos (Kurhaus), calçadões, jardins e as primeiras pensões em casarões. Com o nome alemão de Zoppot, o lugar virou um dos balneários mais populares do Báltico prussiano, atraindo a burguesia de Danzig, de Berlim e de toda a Alemanha. Haffner é lembrado hoje como o 'pai' de Sopot, e a cidade preserva sua memória em ruas e monumentos.
A expansão definitiva veio com a ferrovia. Em 1870, a linha que ligava Danzig a Koszalin ganhou uma estação em Zoppot, o que multiplicou a chegada de veranistas. A cidade cresceu com hotéis, restaurantes, um primeiro píer (de 1827, ampliado ao longo dos anos), cassino e todos os serviços de um balneário de primeira linha. Em 1901, Zoppot recebeu oficialmente o status de cidade. A 'temporada' de verão virou um acontecimento social, com concertos, banhos de mar, passeios pelo píer e vida noturna.
As primeiras décadas do século XX foram a era de ouro de Zoppot/Sopot. A cidade se encheu de arquitetura balneária: casarões com torrezinhas, varandas de madeira e jardins, um anfiteatro ao ar livre no meio da floresta (a futura Opera Leśna, inaugurada em 1909) e todo o aparato de lazer da belle époque. O balneário competia com os grandes destinos do Báltico e do Mar do Norte.
A Primeira Guerra Mundial e a derrota alemã mudaram radicalmente o mapa. Pelo Tratado de Versalhes (1919), Danzig e seus arredores, incluindo Sopot, se tornaram a Cidade Livre de Danzig (Freie Stadt Danzig), um pequeno Estado semiautônomo sob a proteção da Liga das Nações, com população majoritariamente alemã, mas ligado economicamente à Polônia. Sopot ficou assim numa fronteira política delicada, entre o mundo alemão e o polonês.
Nesses anos entreguerras, a cidade viveu um auge glamouroso. Em 1927 foi inaugurado o Grand Hotel, símbolo do luxo da época, e o cassino de Sopot atraiu jogadores e celebridades de toda a Europa: era comparado a Monte Carlo ou Baden-Baden. O píer chegou ao seu grande comprimento e a orla virou uma verdadeira vitrine social. Mas, por baixo do brilho, cresciam as tensões nacionalistas: na Cidade Livre de Danzig, o partido nazista ganhou força durante os anos 1930, e a convivência entre alemães e poloneses foi se envenenando, antecipando a catástrofe.
A Segunda Guerra Mundial começou, literalmente, às portas de Sopot. Em 1º de setembro de 1939, o encouraçado alemão Schleswig-Holstein abriu fogo contra o depósito militar polonês de Westerplatte, na vizinha Danzig, no que costuma ser considerado o primeiro disparo do conflito na Europa. Com a anexação da Cidade Livre de Danzig ao Terceiro Reich, Sopot foi incorporada à Alemanha nazista.
Durante a ocupação, a população polonesa e judaica da região foi perseguida, expulsa ou assassinada, como em toda a área sob domínio nazista. A comunidade judaica de Sopot, que tinha sua sinagoga e sua vida própria, foi aniquilada no Holocausto. A cidade, sem grandes indústrias bélicas, escapou dos piores bombardeios, mas a guerra a marcou mesmo assim.
O fim chegou em março de 1945, quando o Exército Vermelho tomou a região em seu avanço rumo a Danzig. Os combates e os incêndios danificaram parte da cidade, embora bem menos do que a vizinha Gdańsk, cujo centro histórico ficou reduzido a ruínas. Com o fim da guerra e os acordos do pós-guerra, todo o território da antiga Cidade Livre de Danzig passou para a Polônia. A população alemã foi expulsa e substituída por poloneses, muitos deles também deslocados dos territórios do leste que a Polônia perdeu para a União Soviética. Zoppot se tornou, definitivamente, a Sopot polonesa.
Na Polônia comunista do pós-guerra, Sopot se consolidou como o grande balneário do país e como um centro cultural de primeira linha. Por ter sido menos danificada que Gdańsk, conseguiu preservar boa parte de sua arquitetura de veraneio, e o Estado a promoveu como destino turístico para trabalhadores e famílias, com suas praias, seu píer e suas colônias de férias.
O grande símbolo cultural dessa fase foi o Festival Internacional da Canção de Sopot, realizado pela primeira vez em 1961 e depois, durante décadas, no palco da Opera Leśna. Em plena Cortina de Ferro, o festival virou uma vitrine da música popular que reunia artistas do bloco do Leste e também do Ocidente, além de um evento acompanhado por milhões de telespectadores. Durante um tempo, rivalizou em importância com outros grandes concursos europeus e projetou o nome de Sopot muito além das fronteiras polonesas.
Assim, a cidade manteve um ar cosmopolita e festivo mesmo sob o regime comunista. Embora o cassino e o glamour do entreguerras tivessem ficado para trás, Sopot continuou sendo sinônimo de férias, música e vida ao ar livre para várias gerações de poloneses. O píer, o calçadão e a Ópera da Floresta passaram a fazer parte do imaginário nacional do verão.
Depois da queda do comunismo em 1989 e da volta da democracia e da economia de mercado, Sopot se reinventou como um dos destinos mais chiques e prósperos da Polônia. A cidade restaurou seus casarões de época, modernizou a oferta de hotéis e spas e voltou a atrair um público de alto poder aquisitivo, recuperando em parte o ar elegante do entreguerras. Em 2004 foi inaugurada a excêntrica Casa Torta (Krzywy Domek), na rua Monte Cassino, que virou um ícone pop da cidade, e em 2009 a Praça Zdrojowy e a área do píer foram totalmente remodeladas.
Hoje Sopot combina o melhor de dois mundos: a tranquilidade de um balneário histórico e a energia de uma cidade jovem e turística, integrada à dinâmica Trójmiasto junto com Gdańsk e Gdynia. O píer de madeira mais longo da Europa continua sendo seu grande símbolo; a Ópera da Floresta segue recebendo festivais e shows; e a rua Monte Cassino não para no verão, com seus cafés, sua música e seu desfile de veranistas.
De vila de pescadores medieval a spa napoleônico, de joia da Cidade Livre de Danzig a balneário comunista e, por fim, a Riviera polonesa do século XXI, Sopot soube se reinventar várias vezes sem perder sua essência: a de um lugar feito para o prazer do mar, o descanso e a boa vida, no canto mais luminoso da costa báltica da Polônia.