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Laguna 69
🇵🇪 Peru · Serra e Andes

Laguna 69

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📍Região
Áncash, Parque Nacional Huascarán (Cordilheira Branca); a lagoa fica a cerca de 4.600 m de altitude
📌Cidade de apoio
Huaraz, base de quase todos os passeios (também é possível partir de Caraz ou Yungay)
📌Melhor época
Temporada seca, de maio a setembro. Fora dela o clima é mais instável e as estradas podem ficar complicadas
📌Dias sugeridos
1 dia (passeio de dia inteiro saindo de Huaraz), idealmente já aclimatado
💱 USD exchange rate
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🌤️ Weather in Laguna 69
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A Laguna 69 é a trilha estrela da Cordilheira Branca e um dos cartões-postais mais famosos do Peru andino: uma lagoa de um turquesa elétrico, encaixada em um anfiteatro de montanhas, com uma cachoeira de degelo caindo das geleiras e o imponente nevado Chacraraju surgindo por cima. Fica dentro do Parque Nacional Huascarán, a cerca de 4.600 metros de altitude, e seu nome -- nada poético -- vem de uma antiga numeração de lagoas do parque que nunca receberam um nome tradicional.

Chegar lá não é de graça em esforço: a rota tem cerca de 15 km de ida e volta e, acima de tudo, é feita em plena altitude, com um desnível que se sente. A maioria faz como passeio de dia inteiro saindo de Huaraz: saída de madrugada (por volta das 5 da manhã), umas três a quatro horas de transporte até o ponto de início, caminhada de subida, tempo na lagoa e volta. O dia é longo, mas a recompensa -- aquele azul incrível cercado de neve -- justifica cada passo.

A chave aqui é a aclimatação. Não é uma boa ideia fazer a Laguna 69 logo ao chegar em Huaraz: o recomendável é passar um ou dois dias antes fazendo caminhadas mais leves para que o corpo se acostume com a altitude. É preciso levar roupa em camadas, agasalho, bastante água, lanches, protetor solar forte, gorro e óculos. O clima de montanha muda rápido: você pode ter sol radiante e, pouco depois, vento gelado ou até um pouco de neve.

📖 História de Laguna 69

A Laguna 69 é uma lagoa de origem glacial, alimentada pelo degelo dos nevados da Cordilheira Branca, dentro do Parque Nacional Huascarán (criado em 1975 e reconhecido pela UNESCO). Seu nome curioso vem de uma antiga numeração usada para catalogar várias lagoas do parque que não tinham denominação própria. Toda essa bacia faz parte do mesmo maciço glacial cujo desprendimento, em 1970, provocou a tragédia de Yungay. Mais contexto na página de história de Huaraz e do Huascarán.

Ler a história completa ↓

🏛️ Laguna 69 fica em Áncash

The region of the snow-capped summits: between the Cordillera Blanca —the highest in the tropics— and the Callejón de Huaylas, home to Huascarán, to the temple of Chavín, to the avalanche that buried Yungay and to turquoise lakes.

Ler a história de Áncash →

🗺️ O que ver

Passeios por perto, em Huaraz

Saem de Huaraz, a 56 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.

1
A lagoa turquesa
O grande prêmio: um espelho d'água de um turquesa intenso por causa dos minerais do degelo, cercado de paredões de rocha e gelo.
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Depois de horas de subida, a trilha desemboca de repente em um anfiteatro de pedra e gelo, com a lagoa estendida no centro, de um turquesa quase irreal que muda de tom conforme a luz. A água, alimentada pelo degelo glacial, carrega partículas finíssimas de rocha que dispersam a luz e produzem essa cor tão fotografada. É comum ficar um bom tempo à beira da lagoa, comer alguma coisa e curtir o silêncio da alta montanha antes de descer.
ℹ️ A cerca de 4.600 m de altitude. Ponto final da trilha, depois de 7-8 km de subida a partir do estacionamento de Cebollapampa.
2
A cachoeira de degelo
Um fio d'água que cai das geleiras superiores em direção à lagoa, pano de fundo perfeito para as fotos.
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Na margem da Laguna 69, uma fina cachoeira despenca das geleiras que coroam o anfiteatro e alimenta diretamente o lago. Não é uma queda de grande volume, e sim um fio de água de degelo que desce pela parede de rocha por centenas de metros, e sua presença explica num relance de onde vem a água turquesa: é a geleira derretendo, gota a gota, diante dos seus olhos. Em dias de sol e mais degelo o fio aparece com nitidez; em dias frios ou nublados pode ficar mais tênue. A cachoeira é um dos elementos que tornam o cartão-postal da lagoa tão fotogênico: fica bem atrás do espelho d'água, com o turquesa em primeiro plano e a parede de gelo e rocha ao fundo. É também um lembrete silencioso da mudança climática: as geleiras da Cordilheira Branca estão em retrocesso, e a cachoeira é a forma visível desse processo. Ela aparece ao chegar ao final da trilha, na margem da lagoa, sem nenhum desvio adicional. A melhor luz para fotografá-la é a do meio da manhã, antes que as nuvens subam; vale chegar cedo e aproveitar o descanso na lagoa para observá-la com calma.
ℹ️ Cai das geleiras do anfiteatro diretamente na Laguna 69, a cerca de 4.600 m; visível da margem, sem desvio.
3
O nevado Chacraraju
O pico que coroa o anfiteatro sobre a lagoa, uma das montanhas mais técnicas e admiradas da Cordilheira Branca.
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O pano de fundo da Laguna 69 é o imponente nevado Chacraraju, uma das montanhas mais respeitadas da Cordilheira Branca. Com seus dois cumes -- o mais alto passa dos 6.100 metros --, é famoso entre os alpinistas pelo caráter técnico e exigente de suas rotas de ascensão: suas paredes de gelo quase verticais o transformaram, desde a primeira ascensão em 1956, liderada pelo lendário Lionel Terray, em um objetivo adequado apenas para escaladores experientes. Seu nome, em quéchua, costuma ser traduzido como 'nevado pelado' ou 'morro de gelo'. Para o caminhante comum, o Chacraraju não é um cume para subir, e sim uma presença para contemplar: ele preside o anfiteatro glacial em que a lagoa se encaixa e fornece boa parte da neve e do gelo que, ao derreter, alimentam o turquesa da água. Vê-lo surgir sobre a lagoa, com seus fios afiados e sua cor branco-azulada, é um dos momentos mais impactantes do passeio. Ele é visto da margem da Laguna 69 e do trecho final da trilha. Em dias limpos domina toda a cena; quando a neblina chega, aparece e desaparece entre as nuvens, o que também tem seu charme. Leve uma câmera com bom zoom se quiser captar o detalhe de suas paredes de gelo.
ℹ️ Cume principal com cerca de 6.100 m; primeira ascensão em 1956 (Lionel Terray). É contemplado da lagoa, não é escalado no passeio.
4
O trajeto passa perto das lagoas de Llanganuco (Chinancocha e Orconcocha), também de águas turquesa, antes do início da caminhada.
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Antes de começar a caminhar, a rota para a Laguna 69 atravessa um dos vales mais bonitos da Cordilheira Branca: o vale de Llanganuco, encaixado entre as massas do Huascarán e do Huandoy. Ali ficam duas lagoas glaciais gêmeas, Chinancocha ('lagoa fêmea') e Orconcocha ('lagoa macho'), de um turquesa tão intenso quanto o da própria Laguna 69, cercadas de bosques de queñuales e paredões de rocha. A maioria dos passeios para alguns minutos em Chinancocha, onde até é possível alugar barcos a remo. O vale não é só uma paisagem de passagem: é a antessala geográfica e visual da caminhada, e o lugar onde costuma ficar o posto de controle do Parque Nacional Huascarán, onde se paga a entrada. Percorrê-lo de van, com as lagoas turquesa de um lado e os nevados de mais de 6.000 metros dominando o céu, já justifica boa parte do acordar cedo.
ℹ️ Lagoas de Chinancocha e Orconcocha, a cerca de 3.850 m; parada habitual do passeio e zona do posto de controle do parque.
5
Bosques de queñuales (Polylepis)
Trechos da trilha atravessam bosques da árvore queñual (Polylepis), uma das que crescem em maior altitude no mundo.
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Parte do encanto da trilha até a Laguna 69 são os trechos que atravessam bosques de queñual (gênero Polylepis), uma árvore extraordinária: de casca avermelhada que se desprende em finas lâminas de papel e galhos retorcidos, é uma das árvores que crescem em maior altitude do planeta, capaz de prosperar acima dos 4.000 metros, onde quase nenhuma outra sobrevive. Caminhar sob essas árvores nodosas, com a luz se filtrando entre as folhas pequenas, é uma experiência quase mágica e um contraste com a aridez da puna que vem depois. Os queñuales não são só bonitos: formam ecossistemas frágeis e muito valiosos, refúgio de aves de altitude e reguladores da água da bacia. Estão ameaçados pelo desmatamento e pela mudança climática, e por isso sua presença dentro do Parque Nacional Huascarán é uma das razões da proteção da área. Vê-los ajuda a entender por que esta caminhada atravessa um ecossistema que precisa ser cuidado. Eles são atravessados no primeiro e no último terço da trilha, entre o estacionamento de Cebollapampa e a subida final. Não exigem desvio: fazem parte do caminho. É um bom trecho para ir em ritmo tranquilo, olhar para cima e, se você entende de aves, prestar atenção nas espécies que habitam esses bosques.
ℹ️ O queñual (Polylepis) cresce acima dos 4.000 m; os bosques da trilha são protegidos dentro do parque.
6
Pampa Demanda e a lagoa intermediária
No meio do caminho cruza-se uma pampa e uma pequena lagoa, bom ponto para descansar e recuperar o fôlego antes da última subida.
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No meio da caminhada, depois de uma primeira subida, a trilha se abre para uma ampla pampa de altitude -- a chamada Pampa Demanda -- por onde serpenteia um riacho de degelo e onde costuma pastar gado. É uma das partes mais relaxadas do percurso: o terreno fica quase plano por um tempo, as montanhas nevadas rodeiam o horizonte e há uma pequena lagoa intermediária de águas claras que muita gente aproveita como ponto de descanso e de fotos antes de encarar o trecho mais duro. Essa pausa é importante do ponto de vista físico: a pampa marca, mais ou menos, a transição para a última subida, a final e mais exigente, que leva até os 4.600 metros da Laguna 69. Comer alguma coisa, se hidratar e recuperar o fôlego na pampa antes desse esforço final é uma boa estratégia, sobretudo por causa da altitude. Cruza-se aproximadamente no meio da trilha, entre o bosque de queñuales inicial e a subida final até a lagoa. Não há serviços: é natureza pura, então leve sua água e seus lanches e não deixe lixo. É também um excelente lugar para observar a paisagem glacial com calma.
ℹ️ Zona de descanso no meio da rota, com uma lagoa menor; antessala da subida final até os 4.600 m.
7
Panorâmicas da Cordilheira Branca
Durante todo o trajeto abrem-se vistas de picos nevados de mais de 6.000 m, com o Huascarán dominando a região.
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A caminhada até a Laguna 69 é, do começo ao fim, um desfile de montanhas. A Cordilheira Branca é a cadeia montanhosa tropical mais alta do mundo, com dezenas de picos que passam dos 6.000 metros, e boa parte deles aparece ao longo da trilha: o maciço do Huascarán (6.768 m, a montanha mais alta do Peru), o Huandoy, o Chopicalqui, o Yanapaccha e, coroando a própria lagoa, o Chacraraju. Cada trecho do caminho oferece um cartão-postal diferente, conforme as nuvens se movem. Essas vistas não são um extra: são o fio condutor de todo o passeio e uma das razões pelas quais, mesmo que um dia a lagoa estivesse nublada, a caminhada valeria a pena. É uma paisagem de alta montanha em estado puro, com geleiras suspensas, morenas, paredões de rocha e o céu profundo do altiplano. Elas são curtidas durante todo o percurso, do vale de Llanganuco até a margem da lagoa. A visibilidade é melhor de manhã cedo, antes que suba a neblina do meio-dia; por isso convém sair de madrugada. Leve protetor solar forte e óculos: nessa altitude o sol e o reflexo da neve são muito intensos.
ℹ️ A Cordilheira Branca tem dezenas de picos de mais de 6.000 m, liderados pelo Huascarán (6.768 m); melhores vistas de manhã cedo.
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Parque Nacional Huascarán (boleto 1 día, para Laguna 69)S/ 30 estrangeiros / S/ 12 peruanos; paga-se em dinheiro no posto de controle de Llanganuco (fonte: Sernanp e huaraz.tours, verificado em julho de 2026)
Parque Nacional Huascarán (boleto de 3 días)S/ 60 estrangeiros / S/ 30 peruanos; compensa se você fizer vários passeios dentro do parque na mesma semana (fonte: huaraz.tours e conlamochila.com, verificado em julho de 2026)
Parque Nacional Huascarán (boleto de 30 días)S/ 150 estrangeiros / S/ 75 peruanos (fonte: huaraz.tours, verificado em julho de 2026)
Tour full day desde Huaraz (transporte + guía)S/ 55-120 por pessoa conforme a agência e a temporada (na Semana Santa e em feriados pode subir); a entrada do parque é à parte (fonte: agências de Huaraz como Nomades, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Passeio de dia inteiro à Laguna 69 (em grupo, com guia)
DuraçãoDia inteiro (saída ~5:00, volta no fim da tarde)
Preço
S/ 55-120 por pessoa + entrada do parque (S/ 12 peruanos / S/ 30 estrangeiros) (fonte: agências de Huaraz, verificado em julho de 2026)
Operadora
Agências de Huaraz (Nomades, Huaraz.tours, Inka Jungle Tour, Andean Raju e outras)
Caminhada por conta própria (de transporte público + van compartilhada)
DuraçãoDia inteiro, com boa logística
OperadoraPor conta própria a partir de Huaraz/Yungay
Preço
Custo do transporte público até Cebollapampa (aprox. S/ 20-40) + entrada do parque, tudo em dinheiro (fonte: transporte do Callejón de Huaylas, verificado em julho de 2026)
Trek de Santa Cruz (inclui a zona próxima)
Duração3-4 dias
OperadoraAgências de trekking de Huaraz
Preço
US$ 150-300 por pessoa conforme a operadora, os dias e o nível de serviço (fonte: agências de trekking de Huaraz, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Transporte do passeio (van Huaraz → início da caminhada)
Duração~3-4 h por trecho
Preço
Incluído no passeio (fonte: agências de Huaraz, verificado em julho de 2026)
Observações
A rota sobe pelo Callejón de Huaylas, passa por Yungay e pelas lagoas de Llanganuco até o ponto de partida da caminhada (Cebollapampa). É a opção mais simples para a maioria dos viajantes.
Van compartilhada/combi Huaraz → Yungay
Duração~1,5 h
Preço
S/ 7-12, em dinheiro ao cobrador (fonte: transporte do Callejón de Huaylas, verificado em julho de 2026)
Observações
Primeiro trecho se você for por conta própria; de Yungay é preciso combinar transporte (táxi ou van compartilhada) até Cebollapampa. Paga-se sempre em dinheiro (soles): não há cartão recarregável nem QR.
Combis e vans urbanas em Huaraz
DuraçãoVariável
Preço
S/ 1-2 a passagem urbana, em dinheiro (fonte: transporte urbano de Huaraz, verificado em julho de 2026)
Observações
Huaraz é uma cidade de porte médio com micro-ônibus e vans que se pagam ao cobrador em dinheiro; não há sistema de cartão nem pagamento por QR. A maioria dos trekkers não precisa deles: o centro concentra agências, hospedagens e restaurantes a poucos passos a pé.
App para se locomover / planejar
Grátis
Observações
O Google Maps é o mais útil para localizar Huaraz, Yungay e Cebollapampa e estimar tempos de rota. O transporte urbano e as vans do Callejón de Huaylas são informais e o Moovit não os mapeia com horários em tempo real; para os ônibus interprovinciais (Lima-Huaraz) use os sites da Móvil Tours, Cruz del Sur ou Oltursa (fonte: cobertura do Google Maps e do Moovit, verificado em julho de 2026).
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

Lima → Huaraz (ônibus)
Companhias aéreas / empresasMóvil Tours, Cruz del Sur, Oltursa, Expreso CIAL
Duração~7 a 8 h (ônibus noturno frequente)
Preço médio
US$ 16-55 aprox. (S/ 60-200) conforme a empresa, a classe de serviço e a antecedência (fonte: movilbus.pe, Cruz del Sur e Busbud, verificado em julho de 2026)
Huaraz → início da caminhada (passeio)
Incluído no passeio
Companhias aéreas / empresasAgências de Huaraz
Duração~3-4 h
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Luxo / boutique em Huaraz
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 90-160 a noite; hotéis e lodges de categoria em Huaraz e no vale, para descansar antes e depois do passeio
Faixa intermediária em Huaraz
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 45-85 a noite; hotéis confortáveis no centro, práticos para as saídas de madrugada
Pousadas para trekkers
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 20-40 a noite; hospedagens voltadas a viajantes de montanha, com café da manhã cedo e dicas de aclimatação
Econômico / mochileiro
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 8-18 a noite (dormitório ou quarto simples); hostels muito frequentados por caminhantes, com agências e aluguel de equipamento por perto

🍴 Onde comer

Cafés y desayunos para trekkers (Huaraz)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
S/ 12-25 por café da manhã ou café com algo; cafeterias de Huaraz ideais para recarregar as energias antes da caminhada
Cocina andina y novoandina (Huaraz)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
S/ 35-70 por prato; restaurantes de Huaraz para comemorar o dia com boa comida (truta, cuy, pachamanca)
Vianda en el sendero
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Não há serviços na lagoa: é preciso levar água, lanches e almoço (aprox. S/ 15-25 em um supermercado de Huaraz); o passeio costuma oferecer um lanche

📖 História de Laguna 69

Origem, formação e o que dizem as fontes.

Uma lagoa chamada 69

Poucos nomes de destinos turísticos são tão prosaicos quanto o da Laguna 69. E, no entanto, por trás desse número há uma história simples e curiosa. Quando o Parque Nacional Huascarán, na Cordilheira Branca, foi delimitado e estudado, os técnicos catalogaram dezenas e dezenas de lagoas glaciais. Muitas tinham nomes tradicionais em quéchua ou em espanhol; outras, mais remotas ou sem uso cotidiano pelas comunidades, não tinham nome próprio. Para inventariá-las, atribuiu-se a cada uma simplesmente um número. A uma delas coube o 69, e assim ficou.

Longe de tirar o encanto, esse nome prático contrasta com a beleza quase irreal do lugar e passou a fazer parte do seu atrativo. A Laguna 69 fica a cerca de 4.600 metros de altitude, num anfiteatro de rocha e gelo, alimentada pelo degelo das geleiras que a cercam. O intenso tom turquesa de suas águas se deve às partículas minerais finíssimas que o gelo arrasta ao derreter e que ficam em suspensão, dispersando a luz.

É, portanto, uma lagoa de origem glacial relativamente jovem em termos geológicos, filha direta dos nevados da Cordilheira Branca. Sua existência depende dessas geleiras, hoje ameaçadas pelo recuo provocado pela mudança climática, um processo visível em toda a região.

andeanrajuexpeditions.com · Laguna 69 todo lo que necesitas saberbananomeridiano.com · Como llegar a la laguna 69

Dentro do Parque Nacional Huascarán

A Laguna 69 não é um lugar isolado, mas mais uma joia dentro do Parque Nacional Huascarán, criado em 1975 para proteger quase toda a Cordilheira Branca. Este parque abriga a cadeia montanhosa tropical mais alta do mundo, com dezenas de picos acima de 6.000 metros -liderados pelo Huascarán, de 6.768 m, a montanha mais alta do Peru-, além de geleiras, lagoas, bosques de queñual e uma fauna que inclui o condor-dos-andes, a viscacha e a taruca.

Em 1985, a UNESCO inscreveu o Parque Nacional Huascarán na lista do Patrimônio Mundial, em reconhecimento ao seu excepcional valor natural. A caminhada até a Laguna 69 atravessa parte dessas paisagens: passa perto das lagoas de Llanganuco, cruza pampas e bosques de queñuales -uma das árvores que crescem em maior altitude no planeta- e termina aos pés de nevados como o Chacraraju.

Visitar a lagoa é, assim, se aproximar de um ecossistema de alta montanha frágil e protegido. Por isso se cobra entrada no parque, pede-se para não deixar lixo nem sair das trilhas, e se insiste em respeitar tanto a natureza quanto as comunidades que habitam o Callejón de Huaylas desde tempos antigos.

patrimoniomundial.cultura.pe · Parque nacional del huascaránwhc.unesco.org

Os antigos habitantes do Callejón de Huaylas

Muito antes de a Laguna 69 ter um número ou uma placa turística, a Cordilheira Branca e o Callejón de Huaylas já eram habitados. Culturas pré-incaicas como a Recuay (que floresceu entre os séculos II e VII d.C. no atual Áncash) deixaram cerâmica, tumbas e esculturas de pedra nestes vales, e mais tarde a região foi incorporada ao Tahuantinsuyo pelos incas, que valorizavam as montanhas nevadas como apus, ou divindades protetoras.

Para as comunidades andinas, os nevados da Cordilheira Branca -o Huascarán, o Huandoy, o Chacraraju, o Alpamayo- não eram apenas acidentes geográficos, mas seres sagrados que regulavam a água, o clima e a fertilidade dos campos. As lagoas glaciais, alimentadas por esses mesmos nevados, faziam parte desse mesmo sistema de crenças: eram tratadas com respeito e, em alguns casos, recebiam oferendas, como ainda acontece hoje em cerimônias de pagamento à terra em diversos pontos dos Andes peruanos.

Essa relação ancestral com a montanha segue viva nas comunidades camponesas do vale de Llanganuco e arredores, que continuam pastoreando gado nas punas altas e que, de certo modo, são os verdadeiros guardiões da paisagem que hoje percorrem os trilheiros a caminho da Laguna 69.

es.wikipedia.org · Cultura Recuayes.wikipedia.org · Parque nacional Huascarán

A sombra do aluvião de 1970

Nenhum relato sobre a Cordilheira Branca pode ignorar o 31 de maio de 1970, o dia em que um terremoto de magnitude 7,9, com epicentro em frente à costa de Áncash, desprendeu uma enorme massa de gelo e rocha da face norte do nevado Huascarán. Essa avalanche, calculada em milhões de metros cúbicos, caiu sobre a cidade de Yungay -a poucos quilômetros do ponto de partida para a Laguna 69 e as lagoas de Llanganuco- e a sepultou quase por completo em questão de minutos, causando dezenas de milhares de mortes.

A tragédia de Yungay é, até hoje, um dos desastres naturais mais letais da história da América Latina, e transformou para sempre a relação da região com suas próprias geleiras: belas e imponentes, mas também capazes de um poder destrutivo extremo. O antigo local de Yungay se conserva como campo-santo e memorial, visitado por quem percorre o Callejón de Huaylas.

Esse episódio também impulsionou um maior controle e monitoramento das lagoas glaciais da região, muitas das quais -incluindo a própria Laguna 69, em sua escala- são vigiadas pelo risco de transbordamentos ou aluviões (os chamados 'GLOF', pela sigla em inglês) causados pelo recuo acelerado das geleiras em razão da mudança climática. Caminhar hoje até a Laguna 69 é, de certa forma, atravessar uma paisagem que continua viva, em mudança e não isenta de riscos naturais.

es.wikipedia.org · Terremoto de Ancash de 1970es.wikipedia.org · Yungay (Perú)

Do alpinismo pioneiro ao turismo de massa

A exploração moderna da Cordilheira Branca começou no final do século XIX e se intensificou no século XX com expedições de alpinistas europeus, especialmente austríacos e alemães, atraídos por picos técnicos como o Alpamayo (batizado por alguns de 'a montanha mais bela do mundo') ou o Chacraraju, o cume que coroa justamente o anfiteatro da Laguna 69. Huaraz, então uma cidadezinha do interior, foi se consolidando como base logística dessas expedições.

O terremoto de 1970 marcou um antes e um depois também para o turismo: Huaraz precisou ser reconstruída quase por completo, e nas décadas seguintes a cidade reorientou boa parte de sua economia para o trekking e o montanhismo, apoiada na criação e consolidação do Parque Nacional Huascarán. Durante muito tempo, as rotas mais conhecidas foram os treks de vários dias, como Santa Cruz-Llanganuco ou o circuito do Huayhuash.

es.wikipedia.org · Huarazandeanrajuexpeditions.com · Laguna 69 todo lo que necesitas saber

O boom das redes sociais

A Laguna 69, por outro lado, permaneceu por anos como um passeio relativamente secundário diante desses treks longos, conhecida sobretudo por caminhantes experientes e agências locais. Sua decolagem como um dos destinos mais fotografados do Peru é um fenômeno recente, ligado ao auge das redes sociais: a partir da década de 2010, e com mais força nos anos 2015-2020, milhares de fotografias do turquesa impossível de suas águas -comparadas repetidamente à Laguna Humantay, em Cusco, ou a paisagens da Patagônia- circularam no Instagram e em outras plataformas, disparando sua popularidade entre viajantes do mundo todo.

Hoje a Laguna 69 é, junto com Huaraz como base, um dos pilares do turismo de aventura e natureza do Peru, com dezenas de agências oferecendo o tour de dia inteiro e um fluxo constante de visitantes na temporada seca. Esse crescimento trouxe benefícios econômicos para Huaraz e para as comunidades do vale, mas também colocou desafios de gestão ambiental: controle de resíduos, capacidade de carga das trilhas e a necessidade de que cada visitante entenda que caminha por um ecossistema de alta montanha tão frágil quanto espetacular.

travelgrafia.co · Laguna 69huaraz.tours · Nuevas tarifas de ingreso al parque nacional…

📚 Bibliografia

  • Laguna 69: lagoa de origem glacial a cerca de 4.600 m, no Parque Nacional Huascarán (Cordilheira Branca, Áncash). https://andeanrajuexpeditions.com/laguna-69-todo-lo-que-necesitas-saber/
  • Origem do nome: numeração com a qual foram catalogadas as lagoas do parque que não tinham nome próprio; a esta coube o 69. https://bananomeridiano.com/como-llegar-a-la-laguna-69/
  • Cor turquesa por partículas minerais finas (farinha glacial) em suspensão, produto do degelo. https://travelgrafia.co/blog/laguna-69/
  • Parque Nacional Huascarán: criado em 1975; inscrito como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1985. https://whc.unesco.org/en/list/333/
  • Parque Nacional Huascarán, ficha oficial. https://patrimoniomundial.cultura.pe/sitiosdelpatrimoniomundial/parque-nacional-del-huascar%C3%A1n
  • Cultura Recuay, povoamento pré-incaico de Áncash. https://es.wikipedia.org/wiki/Cultura_Recuay
  • Terremoto de Áncash de 1970 e aluvião sobre Yungay. https://es.wikipedia.org/wiki/Terremoto_de_Ancash_de_1970
  • História da cidade de Yungay e sua reconstrução. https://es.wikipedia.org/wiki/Yungay_(Per%C3%BA)
  • História de Huaraz como centro do montanhismo e do trekking na Cordilheira Branca. https://es.wikipedia.org/wiki/Huaraz
  • Parque Nacional Huascarán, descrição geral. https://es.wikipedia.org/wiki/Parque_nacional_Huascar%C3%A1n
  • Tarifas de ingresso ao Parque Nacional Huascarán 2026. https://www.huaraz.tours/nuevas-tarifas-de-ingreso-al-parque-nacional-huascaran/
  • Rota e contexto turístico atual da Laguna 69. https://travelgrafia.co/blog/laguna-69/

❓ Perguntas frequentes

Qual a dificuldade da caminhada?+
É de dificuldade média-alta, principalmente por causa da altitude. A rota tem cerca de 15 km de ida e volta e costuma levar entre 6 e 7 horas de caminhada. O terreno não é técnico, mas o último trecho de subida, já acima dos 4.500 m, é exigente: é preciso ir devagar e com paradas. Qualquer pessoa em forma razoável e bem aclimatada consegue fazer com paciência.
Preciso me aclimatar antes?+
Sim, é muito recomendável. A lagoa fica a cerca de 4.600 m e fazê-la logo ao chegar em Huaraz é uma péssima ideia: aumenta muito o risco de mal da altitude. O ideal é passar um ou dois dias antes em Huaraz fazendo caminhadas mais leves (como Wilcacocha ou Laguna Churup) para que o corpo se adapte.
A que horas sai o passeio e quanto dura o dia?+
As saídas costumam ser bem cedo, por volta das 5 da manhã, porque há várias horas de transporte até o início da caminhada. O dia inteiro, com ida, trekking, tempo na lagoa e volta, termina no fim da tarde. É uma jornada longa: convém dormir bem na noite anterior.
O que levar para a Laguna 69?+
Calçado de trekking, roupa em camadas e agasalho (o clima muda rápido), capa de chuva ou corta-vento, bastante água, lanches ou almoço, protetor solar forte, gorro, óculos de sol e, se você usa, bastões de trekking. O sol de altitude queima muito, mesmo com frio. Algumas agências incluem um lanche, mas vale levar o seu.
A entrada do parque está incluída no passeio?+
Em geral não. A maioria dos passeios cobre transporte e guia, mas a entrada do Parque Nacional Huascarán (S/ 30 estrangeiros, S/ 12 peruanos em 2026, bilhete de 1 dia) costuma ser paga à parte no posto de controle de Llanganuco. Paga-se somente em dinheiro (soles), então leve o valor exato. Confirme na hora de reservar se está incluída ou não.
Dá para fazer por conta própria?+
Sim, mas exige mais logística: é preciso combinar transporte público até Yungay e depois acertar o traslado até Cebollapampa (início da trilha), além de pagar a entrada do parque. Para a maioria dos viajantes, o passeio em grupo saindo de Huaraz (S/ 55-120) é mais simples, confortável e costuma sair parecido ou mais barato do que organizar sozinho.
Há risco com a altitude durante a caminhada?+
O mal da altitude é a principal preocupação. Se aparecerem dor de cabeça forte, náuseas, tontura ou falta de ar acentuada, o certo é diminuir o ritmo ou, se não melhorar, voltar. Ir bem aclimatado, hidratado e em ritmo lento previne a maioria dos problemas. Avise o guia diante de qualquer mal-estar.
Como me locomovo em Huaraz e como se paga o transporte?+
Para a Laguna 69, o mais simples é o passeio de dia inteiro saindo de Huaraz, que inclui a van até Cebollapampa (cerca de 3-4 h por trecho). Se for por conta própria, combina-se uma van compartilhada Huaraz-Yungay (S/ 7-12) com transporte de Yungay até o início da trilha. Todo o transporte do Callejón de Huaylas -- vans compartilhadas, combis e micro-ônibus urbanos de Huaraz (S/ 1-2) -- se paga sempre em dinheiro (soles): não há cartão recarregável nem pagamento por QR. O Google Maps ajuda a localizar Huaraz, Yungay e Cebollapampa, mas as vans são informais e não aparecem com horários em tempo real, então convém perguntar no terminal ou na agência.

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