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Lima
🇵🇪 Peru · Costa

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📍Região
Lima (capital do Peru e da província de Lima)
📌Cidade de apoio
A própria Lima (Aeroporto Internacional Jorge Chávez, no Callao)
📌Melhor época
Verão na costa, de dezembro a abril (céu aberto e praia); no resto do ano predominam a 'garúa' e o céu cinzento
📌Dias sugeridos
2 a 3 dias (Centro Histórico + Miraflores e Barranco + um bom almoço)
💱 USD exchange rate
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🌤️ Weather in Lima
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Lima é quase sempre a porta de entrada para o Peru: pelo aeroporto passa praticamente todo mundo que chega ao país, e muita gente a atravessa rápido a caminho de Cusco. Seria um erro. A capital é uma cidade enorme e contraditória, debruçada sobre o Pacífico, com um centro colonial declarado Patrimônio da Humanidade, bairros à beira-mar como Miraflores e Barranco, e uma das melhores cenas gastronômicas do planeta. Reserve pelo menos uns dois dias para entendê-la.

O clima influencia muito a experiência. Lima fica sobre um deserto costeiro, então quase nunca chove, mas de maio a novembro vive sob a 'garúa', uma neblina úmida que pinta o céu de cinza. No verão (dezembro a abril) o cenário muda: o sol aparece, e o povo vai em peso para os penhascos da Costa Verde e para as praias do sul. Seja qual for a estação, vale organizar o roteiro por regiões: o Centro Histórico para a história colonial, Miraflores para se hospedar e caminhar pelo malecón, Barranco para o pôr do sol boêmio.

E depois tem a comida. Lima é, com toda justiça, uma das capitais gastronômicas do mundo: ceviche fresquíssimo, cozinha nikkei e chifa (a fusão sino-peruana), pisco sour, anticuchos de rua e restaurantes que aparecem ano após ano entre os melhores do mundo. Comer bem aqui não exige gastar uma fortuna: de uma cevicheria de bairro a uma mesa de alta gastronomia, a cidade se aproveita pelo prato.

📖 História de Lima

Antes dos espanhóis, o vale do Rímac já era habitado por culturas como a Lima e os Ychsma, que deixaram huacas de barro ainda visíveis entre os prédios modernos. Francisco Pizarro a fundou em 18 de janeiro de 1535 como 'Cidade dos Reis' e a transformou em capital do Vice-Reino do Peru, o centro do poder espanhol na América do Sul por quase três séculos. A história completa está na página de história.

Ler a história completa ↓

🗺️ O que ver

Passeios que dá para reservar

Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.

1
Plaza Mayor (Plaza de Armas)
O coração fundacional de Lima, cercado pelo Palácio do Governo, pela Catedral, pelo Palácio Arquiepiscopal e pelo Palácio Municipal. Troca da guarda ao meio-dia em frente ao Palácio do Governo.
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A Plaza Mayor de Lima é o ponto exato onde nasceu a cidade: foi aqui que Francisco Pizarro traçou o centro da 'Cidade dos Reis' em 18 de janeiro de 1535, e desde então ela é o coração do poder político e religioso do Peru. A praça é cercada por alguns dos edifícios mais importantes do país: o Palácio do Governo (a Casa de Pizarro, residência do presidente), a Catedral de Lima, o Palácio Arquiepiscopal com seus esplêndidos balcões de madeira entalhada, o Palácio Municipal e o Club de la Unión. Todo o conjunto faz parte do Centro Histórico declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1991. Vale a pena pela concentração de história e beleza colonial em um único espaço. No centro há uma fonte de bronze que é um dos elementos mais antigos da praça. A grande atração em horário marcado é a troca da guarda em frente ao Palácio do Governo, que acontece ao meio-dia (por volta das 12h) com banda e granadeiros em cerimônia: um espetáculo gratuito e vistoso. Os balcões coloniais de madeira, típicos de Lima, são uma joia da arquitetura do vice-reinado. Fica em pleno Centro Histórico. De Miraflores, dá para chegar de táxi ou por aplicativo em cerca de 25 a 40 minutos, dependendo do trânsito; muita gente a visita dentro de um city tour que combina a praça com a Catedral e São Francisco. É uma zona em boa parte de pedestres, ideal para caminhar de dia. Dica prática: visite de dia, quando o centro está movimentado e seguro; à noite convém se locomover com mais cuidado. Combine com a Catedral (na mesma praça) e o convento de São Francisco, que fica perto. Cuide dos seus pertences, por ser uma zona muito movimentada, e leve um pouco de dinheiro em espécie para alguma entrada ou lembrancinha.
ℹ️ Fundação: 18 de janeiro de 1535, por Francisco Pizarro · Imperdível: Troca da guarda ao meio-dia em frente ao Palácio do Governo · Distância: 25-40 min de táxi desde Miraflores, dependendo do trânsito
2
Catedral de Lima
Templo do século XVI na Plaza Mayor, com o túmulo de Francisco Pizarro e um museu de arte religiosa. Parte essencial do Centro Histórico declarado Patrimônio da Humanidade.
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A Catedral de Lima, também chamada de Basílica Catedral, domina um dos lados da Plaza Mayor e é um dos templos mais importantes do Peru. Sua construção começou no século XVI, pouco depois da fundação da cidade, e se estendeu por décadas; a fachada atual, de estilo renascentista, foi reconstruída várias vezes depois dos terremotos que castigaram Lima. Por dentro, você encontra um interior de três naves com numerosas capelas laterais, retábulos entalhados, um coro de madeira esplêndido e uma importante coleção de arte religiosa colonial. O grande ímã para os visitantes é a capela onde repousam os restos de Francisco Pizarro, o conquistador que fundou Lima, com um mosaico que lembra sua história. A catedral funciona também como museu de arte religiosa, com peças, ornamentos e pinturas da época do vice-reinado, e permite espiar as criptas. É uma visita que se complementa perfeitamente com a da Plaza Mayor, já que ficam no mesmo lugar. Fica na Plaza Mayor, no Centro Histórico. Chega-se a pé a partir da praça (é um dos edifícios dela) e, de Miraflores, de táxi ou dentro de um city tour. A entrada do museu é paga à parte; o horário de visita costuma ser de manhã e começo da tarde. Dica prática: combine com a Plaza Mayor e o convento de São Francisco, que ficam a poucos passos. Uma visita tranquila leva entre 45 minutos e uma hora. Como em todo o centro, vá de dia e cuide das suas coisas na rua. Algumas áreas internas não permitem fotos: respeite as indicações.
ℹ️ Localização: Plaza Mayor, Centro Histórico · Imperdível: Túmulo de Francisco Pizarro e arte religiosa colonial · Entrada: Museu com ingresso à parte (consultar tarifa atual)
3
Convento e Catacumbas de São Francisco
Conjunto franciscano com uma biblioteca antiga, claustros com azulejos sevilhanos e, sobretudo, as célebres catacumbas com milhares de ossos organizados. Imperdível do centro.
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O Convento de São Francisco é um dos conjuntos coloniais mais bem conservados de Lima e, sem dúvida, uma das visitas mais impactantes do Centro Histórico. É um complexo religioso do século XVII, de um barroco lindíssimo, com claustros decorados com azulejos sevilhanos do século XVI, tetos de cedro entalhado, uma sala capitular e uma biblioteca antiga de ar mágico, com milhares de livros e manuscritos coloniais empilhados em estantes de madeira que parecem saídas de um romance. Mas o que todo mundo vem ver são as catacumbas. Sob a igreja se estende uma rede de criptas que funcionou como cemitério durante a época colonial, antes de existirem cemitérios públicos. Calcula-se que ali estejam os restos de dezenas de milhares de pessoas, e em algumas áreas os ossos e crânios estão organizados formando padrões geométricos. Percorrer esses corredores subterrâneos à meia-luz é uma experiência entre arrepiante e fascinante, que conecta você de maneira muito física com a história da cidade. Fica a poucas quadras da Plaza Mayor, em pleno Centro Histórico; dá para chegar a pé desde a praça em uns 5 minutos. A visita é sempre guiada (não se entra por conta própria nas catacumbas) e a entrada é paga; convém confirmar os horários, porque as visitas saem em turnos. Dica prática: as catacumbas são estreitas e de teto baixo, então cuidado se você é muito alto ou tem claustrofobia. Não é permitido fotografar o interior das criptas. Combine com a Plaza Mayor e a Catedral para montar uma manhã redonda no centro. Leve dinheiro em espécie para a entrada.
ℹ️ Distância: 5 min a pé desde a Plaza Mayor · Imperdível: Catacumbas com milhares de ossos em padrões geométricos · Visita: Guiada em turnos; entrada paga (confirmar horário)
4
Miraflores e o Malecón
Bairro moderno sobre os penhascos do Pacífico, com o Parque Kennedy, o shopping Larcomar incrustado no penhasco e quilômetros de malecón para caminhar, correr ou ver o pôr do sol.
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Miraflores é o bairro mais turístico e caminhável de Lima, e onde a maioria dos visitantes escolhe se hospedar. É uma zona moderna, segura e agradável, debruçada sobre os penhascos da Costa Verde, com parques bem cuidados, restaurantes, hotéis e uma vida de cidade relaxada diante do mar. Seu coração é o Parque Kennedy, famoso, entre outras coisas, pela quantidade de gatos que vivem ali e que os moradores cuidam; ao redor há cafés, sorveterias e artesãos. A grande atração é o malecón: quilômetros de calçadão arborizado na beira dos penhascos, com mirantes, esculturas (a mais famosa é o Parque do Amor, com sua grande estátua de um casal se beijando e bancos cobertos de mosaicos no estilo de Gaudí) e vistas enormes do Pacífico. É perfeito para caminhar, correr, pedalar ou simplesmente ver o pôr do sol sobre o oceano, um dos programas mais bonitos e gratuitos da cidade. Daqui também decolam os parapentes em voos duplos. Na ponta do penhasco fica o Larcomar, um shopping construído dentro da parede do barranco, com terraços de frente para o mar. Miraflores se percorre a pé sem problema. Do aeroporto, chega-se de táxi ou por aplicativo em 40 a 90 minutos, dependendo do trânsito; entre Miraflores e Barranco há um agradável passeio a pé ou poucos minutos de táxi. Dica prática: é a melhor base para dormir em Lima, por segurança e comodidade. O pôr do sol no malecón é imperdível; leve um agasalho, porque esfria perto do mar. Para o parapente, os voos dependem do vento, então costumam operar no meio da tarde, com boas condições.
ℹ️ Imperdível: Malecón sobre os penhascos, Parque do Amor e pôr do sol · Distância: 40-90 min de táxi desde o aeroporto · Dica: Melhor região para se hospedar em Lima por segurança e serviços
5
Huaca Pucllana
Pirâmide de adobe da cultura Lima (séculos IV-VII) em plena Miraflores, cercada de prédios. Visita com guia e conta até com um restaurante com vista para o sítio iluminado à noite.
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A Huaca Pucllana é uma das grandes surpresas de Lima: uma pirâmide cerimonial de adobe com mais de 1.500 anos, erguida pela cultura Lima entre os séculos IV e VII da nossa era, que sobrevive em plena Miraflores cercada de edifícios modernos. É construída com milhões de pequenos tijolos de adobe colocados de lado, como livros em uma estante, uma técnica que lhe deu flexibilidade para resistir aos terremotos. Foi um importante centro administrativo e cerimonial, e nas escavações foram encontrados enterros, oferendas e restos que ajudam a entender esses primeiros moradores de Lima. Vale a pena pelo contraste e pela ótima apresentação: a visita é guiada e leva você por uma passarela que percorre as plataformas e praças do sítio, com reconstruções da vida cotidiana, oficinas e até animais das espécies que eles criavam (como porquinhos-da-índia e camelídeos). É uma aula de história pré-incaica ao ar livre, a poucos metros do burburinho de Miraflores. Tem ainda um atrativo extra: um restaurante de alta gastronomia na beira do sítio, de onde se janta com a huaca iluminada à noite, uma experiência linda. Fica em plena Miraflores, a poucas quadras do centro do bairro; chega-se a pé ou em um táxi curto. A visita é sempre com guia (em diferentes idiomas e horários, incluindo uma visita noturna) e a entrada é paga. Dica prática: a visita noturna, com o sítio iluminado, tem um encanto especial. Reserve se quiser jantar no restaurante com vista. Leve calçado confortável, porque o percurso é por trilhas de terra. É uma visita curta (cerca de uma hora) que combina muito bem com o resto de Miraflores.
ℹ️ Cultura e época: Cultura Lima, séculos IV-VII d.C. (pirâmide de adobe) · Localização: Em plena Miraflores, cercada de prédios · Visita: Guiada (também noturna); restaurante com vista para o sítio
6
O bairro boêmio e artístico, de casarões coloridos, murais, bares e galerias. A Ponte dos Suspiros e a Bajada de los Baños são seus ícones; o melhor lugar para o pôr do sol e a noite.
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Barranco é o bairro mais boêmio e romântico de Lima, o lugar onde a cidade mostra seu lado artístico. Foi, no fim do século XIX, um balneário de veraneio da elite limenha, e ainda conserva aqueles casarões republicanos coloridos, hoje transformados em galerias de arte, bares, cafés, hotéis boutique e restaurantes. Caminhar por suas ruas tranquilas, descobrindo murais e arte urbana a cada esquina, é um dos programas mais lindos e relaxantes da capital. Seu ícone é a Ponte dos Suspiros, uma pequena ponte de madeira cercada por uma lenda romântica: conta a tradição que, se você a atravessar prendendo a respiração e fizer um pedido, ele se realiza. Da ponte, a Bajada de los Baños desce entre casarões e vegetação até o mar. Ao redor ficam a igreja da Ermita, a praça principal com seu pergolado e mirantes com vista para o Pacífico. No fim da tarde, Barranco se acende: é o melhor bairro para o pôr do sol à beira-mar e para sair à noite, com sua cena de peñas criollas, bares de pisco e música ao vivo. Fica colado em Miraflores, ao sul. Chega-se a pé desde Miraflores pelo malecón (um passeio bonito de uns 30-40 minutos) ou em poucos minutos de táxi. Percorrê-lo é de graça; você só paga o que consumir ou as galerias com ingresso. Dica prática: ideal para combinar pôr do sol e jantar. O bairro é seguro e muito agradável de dia e no fim da tarde; à noite, como em qualquer zona de balada, vá com bom senso. Não deixe de tomar um pisco sour em algum dos bares clássicos. O Museu Pedro de Osma, com arte colonial, é uma joia escondida do bairro.
ℹ️ Ícone: Ponte dos Suspiros e sua lenda do pedido · Distância: 30-40 min a pé pelo malecón desde Miraflores; poucos min de táxi · Melhor momento: Pôr do sol e noite (bares, peñas e pisco sour)
7
Museu Larco
Um dos melhores museus do país, em um casarão do século XVIII cercado de jardins: cerâmica, ouro, prata e a famosa sala de arte erótica pré-colombiana. Cafeteria com um terraço lindíssimo.
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O Museu Larco é, para muita gente, o melhor museu do Peru e uma visita indispensável para entender as culturas pré-colombianas antes de percorrer o país. Está instalado em um lindo casarão do vice-reinado do século XVIII, construído por sua vez sobre uma pirâmide pré-colombiana, e cercado de jardins cheios de primaveras. Sua coleção, reunida por Rafael Larco Hoyle, abrange mais de 5.000 anos de história do antigo Peru, com milhares de peças de cerâmica, têxteis e, sobretudo, uma das maiores coleções de ouro e prata pré-colombianos do continente, com coroas, narigueiras e ornamentos deslumbrantes. Uma de suas salas mais famosas (e comentadas) é a de arte erótica pré-colombiana: uma coleção de cerâmicas mochicas que representam a sexualidade e a fertilidade com um realismo e uma liberdade surpreendentes, que oferecem um olhar bem diferente sobre essas culturas. Outro atrativo único é que o museu permite percorrer seus depósitos: estantes e mais estantes com dezenas de milhares de vasilhas catalogadas, algo que quase nenhum museu do mundo mostra ao público. Fica no bairro de Pueblo Libre, a uns 20 a 30 minutos de táxi de Miraflores. A entrada é paga; vale reservar pelo menos umas duas horas para percorrê-lo com calma. Dica prática: o café-restaurante com terraço sobre os jardins é um dos mais lindos de Lima, perfeito para um almoço ou uma pausa no meio da visita. O museu abre até tarde (costuma fechar à noite), então uma boa opção é ir no fim da tarde e ficar para jantar com os jardins iluminados.
ℹ️ Localização: Pueblo Libre; 20-30 min de táxi desde Miraflores · Imperdível: Coleção de ouro e prata; sala de arte erótica pré-colombiana · Dica: Café com terraço sobre os jardins; abre até tarde
8
Circuito Mágico del Agua (Parque de la Reserva)
Conjunto de fontes ornamentais com jogos de luzes, água e música à noite; recorde Guinness como maior complexo de fontes em um parque público.
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O Circuito Mágico del Agua, no Parque de la Reserva, é um dos passeios noturnos mais populares e vistosos de Lima, especialmente bom para ir em família. É um conjunto de fontes ornamentais (treze no total) que combinam água, luzes coloridas, laser e música em diferentes espetáculos. Tem o recorde Guinness de maior complexo de fontes do mundo em um parque público, e toda noite se acende em um show que encanta crianças e adultos. Entre as fontes, várias podem ser percorridas a pé: uma pela qual se pode passar por dentro como um túnel de água, outra que lança jatos a grande altura e, a estrela, a Fuente de la Fantasía, uma tela de água gigante sobre a qual são projetadas imagens e luzes ao ritmo da música em um show com várias sessões por noite. É um programa barato, alegre e muito fotogênico, ideal para um passeio no fim da tarde e à noite, diferente do circuito histórico. Fica no Centro de Lima, perto do Estádio Nacional, a uns 15 a 25 minutos de táxi de Miraflores. A entrada é barata e só abre no fim da tarde e à noite (não funciona de dia); convém confirmar os dias e horários de abertura, que podem variar. Dica prática: vá com a câmera ou o celular carregado, porque as fontes iluminadas rendem fotos espetaculares. Calcule chegar com antecedência para os shows da Fuente de la Fantasía, que têm horários fixos. Como é uma zona menos turística que Miraflores, volte de táxi ou por aplicativo. Leve um agasalho: junto das fontes esfria.
ℹ️ Recorde: Maior complexo de fontes do mundo em um parque público (Guinness) · Horário: Só no fim da tarde e à noite (não funciona de dia); confirmar dias · Distância: 15-25 min de táxi desde Miraflores
9
Costa Verde e Barrio Chino
Os penhascos de frente para o mar, com praias e parapente, e no centro o colorido Barrio Chino com seus chifas, uma das misturas culturais mais saborosas de Lima.
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A Costa Verde é o cordão de penhascos e praias que percorre a orla marítima de Lima, de Chorrillos a San Miguel, passando por Barranco e Miraflores. É o pulmão costeiro da cidade: uma via panorâmica ao pé dos barrancos, com praias de seixos onde vão os surfistas, restaurantes sobre o mar e mirantes no alto. No verão fica cheia de limenhos, e o ano todo é o cenário dos parapentes que decolam do malecón de Miraflores. Não é uma praia de areia fina caribenha, mas a paisagem dos penhascos caindo no Pacífico tem sua própria beleza. No Centro de Lima, por sua vez, fica o Barrio Chino, um dos mais antigos e vivos da América. Sua entrada é marcada por um grande arco ou portada chinesa, presente da comunidade, e suas ruas concentram restaurantes, lojas e, sobretudo, os famosos chifas: a cozinha sino-peruana, uma das fusões mais deliciosas e arraigadas do país. Comer em um chifa do Barrio Chino (arroz chaufa, wantán, tallarín saltado) é uma experiência cultural e gastronômica imperdível, fruto da imigração chinesa que chegou ao Peru a partir do século XIX. A Costa Verde se aproveita desde Miraflores ou Barranco, caminhando pelo malecón ou descendo às praias. O Barrio Chino fica no Centro Histórico, perto do Mercado Central, a uns 25-40 minutos de táxi de Miraflores. Dica prática: no Barrio Chino, vá de dia, escolha um chifa movimentado e aproveite para dar uma olhada nas lojas de produtos asiáticos. Na Costa Verde, se for à praia, atenção às correntes e consulte se a área é própria para banho. O pôr do sol visto dos penhascos é sempre um golaço.
ℹ️ Costa Verde: Penhascos e praias de Chorrillos a San Miguel; parapente e surfe · Barrio Chino: Centro de Lima; berço dos chifas (cozinha sino-peruana) · Dica: Comer em um chifa movimentado do Barrio Chino, de dia
10
Grande santuário pré-hispânico a cerca de 40 km ao sul, dedicado ao deus Pacha Kamaq, com pirâmides de adobe e um museu moderno. Ideal como meio dia fora da cidade.
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Pachacámac é o grande santuário arqueológico da costa central, um sítio enorme e de enorme importância histórica localizado a cerca de 40 km ao sul de Lima, no vale do rio Lurín. Foi ocupado por mais de mil anos por sucessivas culturas (Lima, Wari, Ychsma) e foi um dos centros religiosos mais venerados do antigo Peru, dedicado ao deus Pacha Kamaq, o 'criador do mundo', cujo oráculo era consultado por peregrinos que chegavam de lugares distantes. Mais tarde, os incas o incorporaram ao seu império e acrescentaram suas próprias construções, como o Templo do Sol e o Acllahuasi (a 'casa das escolhidas'). Vale a pena pela escala e pelo clima do lugar: é um conjunto de pirâmides de adobe, praças e templos que se estende por uma paisagem desértica com vista para o oceano, muito mais extenso e antigo que as huacas urbanas de Miraflores. A visita é feita por um circuito (em parte de veículo, em parte a pé) que sobe até o Templo do Sol, de onde a vista do Pacífico é magnífica. Há ainda um museu de sítio moderno e muito bem montado, com peças encontradas nas escavações, entre elas o famoso ídolo de Pachacámac, um totem de madeira entalhada. Fica ao sul de Lima; dá para chegar de táxi, tour ou transporte público em cerca de 45 minutos a uma hora, conforme o trânsito. A entrada (sítio + museu) é paga; vale ir com guia ou tour para entender bem o que se vê. Dica prática: é um sítio amplo e sem sombra, então leve chapéu, água e protetor solar, e use tênis confortáveis. É ideal como passeio de meio dia saindo de Lima. Combina bem com um almoço em algum restaurante campestre do vale de Lurín na volta.
ℹ️ Distância: ~40 km ao sul de Lima; 45 min a 1 h de carro · História: Santuário com mais de 1.000 anos; oráculo de Pacha Kamaq · Visita: Sítio + museu de sítio; ideal com guia. Passeio de meio dia
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Convento y Catacumbas de San Francisco - adulto (nacional o extranjero)S/ 20 adulto, S/ 10 estudantes, S/ 5 crianças (2025; visita guiada obrigatória; verificar ao visitar)
Museo Larco - adultoS/ 50 adulto (S/ 35 idosos +60, S/ 25 estudantes de 9-17 anos, S/ 1 crianças de 3-8; 2025, com desconto comprando online; verificar ao visitar)
Huaca Pucllana - adulto (con guía)S/ 15 entrada diurna, S/ 17 noturna (S/ 7,50 entrada reduzida: crianças de 5-12, estudantes, professores, PCD; 2025; verificar ao visitar)
Catedral de Lima (museo de arte religioso)S/ 10-30 conforme o circuito, com guia incluído (2025; verificar ao visitar)
Circuito Mágico del Agua (Parque de la Reserva)S/ 5 adulto (50% de desconto para idosos +60 e PCD com carteira CONADIS; crianças com DNI até 5 anos grátis; +S/ 5 para a Villa Mágica; 2025)
Santuario Arqueológico de Pachacámac (sitio + museo)S/ 15 adulto, S/ 1 crianças e adolescentes de 3-17, S/ 5 estudantes universitários credenciados, S/ 20 Rota dos Peregrinos com guia (2025; grátis no primeiro domingo do mês para peruanos e residentes; verificar ao visitar)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

AtividadePreçoDuraçãoOperadora
City Tour Lima Colonial e Moderna (Centro + Miraflores, com Mirabus ou operador similar)US$ 20-35 por pessoa sem ingressos adicionais (2025; verificar ao visitar)Meio dia (4-5 h)Agências locais e ônibus turísticos (Mirabus e similares)
Tour gastronômico / aula de culinária (ceviche e pisco sour)US$ 40-90 por pessoa (2025; verificar ao visitar)3 a 4 hEscolas de culinária e food tours de Miraflores/Barranco
Free walking tour pelo Centro Histórico ou BarrancoNa base da gorjeta (gorjeta sugerida S/ 20-30 por pessoa)2 a 3 hVários free tours saindo da Plaza Mayor ou do Parque Kennedy
Parapente duplo sobre a Costa Verde (Miraflores)S/ 180-340 por pessoa conforme a operadora (aprox. US$ 50-90; inclui vídeo HD; 2025; verificar ao visitar)10-15 min de vooOperadoras no calçadão de Miraflores (Condor Xtreme, KunturFly e similares)
Passeio às Ilhas Palomino (nado com leões-marinhos)US$ 90-100 por pessoa, inclui traslados hotel-porto-hotel e roupa de neoprene (2025; verificar ao visitar)Meio dia (4-5 h saindo do Callao)Operadoras náuticas do Callao (Vista Adventures, Nómades e similares)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Táxi / apps (Uber, Cabify, InDriver, Didi)
DuraçãoVariável (o trânsito é intenso)
Preço
Trajeto urbano de referência S/ 10-35 conforme a distância (verificado em julho de 2026)
Observações
Os apps são o mais recomendado por segurança e preço fechado; do aeroporto até o centro ou Miraflores costuma custar mais. Paga-se pelo app com cartão ou em dinheiro, conforme você escolher; evite táxis 'de rua' sem app, principalmente à noite.
Metropolitano (ônibus rápido com faixa exclusiva)
DuraçãoVariável
Preço
Troncal S/ 3,20 / integrada com alimentador S/ 3,50 (fonte: ATU / metrolima.net; verificado em julho de 2026)
Observações
Conecta o centro com vários distritos pela via expressa. Paga-se EXCLUSIVAMENTE com o cartão recarregável Lima Pass: não se aceita dinheiro nas catracas. O cartão custa S/ 4,50 na primeira vez e é comprado e recarregado em qualquer estação. Costuma ficar muito lotado nos horários de pico.
Metrô de Lima – Linha 1 (trem elétrico)
DuraçãoVariável
Preço
Adulto S/ 1,50 (fonte: ATU / Metro de Lima; verificado em julho de 2026)
Observações
Cruza a cidade de sul a nordeste (Villa El Salvador–San Juan de Lurigancho), principalmente por zonas residenciais; para o turista clássico (Miraflores–centro), o Metropolitano costuma ser mais útil. A Linha 1 usa seu PRÓPRIO cartão, diferente do Lima Pass do Metropolitano: não são intercambiáveis.
Corredores complementares (Corredor Azul, Rojo, Morado)
PreçoPassagem ~S/ 2 (verificado em julho de 2026)
DuraçãoVariável
Observações
Ônibus formais pelas avenidas principais; o Corredor Azul percorre a Av. Arequipa/Tacna, útil entre Miraflores e o centro. Também se paga com o cartão Lima Pass, não com dinheiro a bordo.
Apps para planejar o trajeto
Grátis
Observações
Para ver rotas, combinações e horários em tempo real, em Lima funcionam bem o Google Maps e o Moovit, que cobrem o Metropolitano, a Linha 1 e os corredores. São a melhor forma de se orientar no transporte público da capital.
Combis e micro-ônibus urbanos
PreçoReferência S/ 1-2, só em dinheiro (verificado em julho de 2026)
DuraçãoVariável
Observações
A rede informal mais barata; paga-se em dinheiro (moedas) ao cobrador. É caótica para o turista e com risco de batedores de carteira: melhor evitar com bagagem ou à noite.
Caminhar (dentro de Miraflores, Barranco ou do centro)
Grátis
Observações
Cada bairro se percorre a pé; entre bairros convém pegar táxi por causa das distâncias.
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Voos internacionais → Lima (avião)LATAM, Avianca, Sky, JetSmart e companhias aéreas internacionaisVariável conforme a origemChegada ao Aeroporto Jorge Chávez (Callao)
Aeroporto Jorge Chávez → Miraflores (táxi/app)Apps (Uber/Cabify) ou táxi oficial do aeroportoReferência S/ 50-9040 min a 1 h 30 conforme o trânsito
Cusco / Arequipa → Lima (avião)LATAM, Sky, JetSmartUS$ 50-120 por trecho (referência)1 h 15 a 1 h 45
Ica / Nazca / Paracas → Lima (ônibus)Cruz del Sur, Oltursa, Peru HopReferência US$ 15-45 conforme o serviço4 a 8 h conforme a origem
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

CategoriaPreçoOpções recomendadas
Luxo$$$$$Belmond Miraflores Park, JW Marriott Lima, Country Club Lima Hotel, Hotel B (boutique em Barranco)
Médio padrão$$$$$Casa Andina, Tierra Viva e ibis em Miraflores e San Isidro; hotéis boutique em Barranco
Econômico / mochileiro$$$$$Hostels e B&Bs em Miraflores e Barranco (Pariwana, Kokopelli, Selina e similares; consultar disponibilidade)

🍴 Onde comer

TipoPreçoOpções / prato típico
Alta cocina peruana (de nivel mundial)$$$$$Central, Maido (nikkei), Kjolle, Mayta, Astrid y Gastón
Cevicherías y marina$$$$$La Mar (cevicheria de Gastón Acurio), Pescados Capitales, El Mercado, Punto Azul
Cocina criolla y chifa$$$$$Isolina (taberna criolla em Barranco), Panchita (anticuchos), chifas do Barrio Chino
Económico / mercado y calle$$$$$Mercado de Surquillo, pratos do dia, anticuchos e picarones de carrinho

📖 História de Lima

Origem, formação e o que dizem as fontes.

O vale do Rímac antes dos espanhóis

Costuma-se contar a história de Lima como se ela começasse com Francisco Pizarro em 1535, mas isso é uma miragem colonial: quando o conquistador fincou seu estandarte no vale do Rímac, aquela terra já estava habitada havia mais de mil e quinhentos anos. Entre os séculos II e VII da nossa era floresceu ali a chamada cultura Lima, que ergueu enormes pirâmides de adobe (as huacas) com milhões de pequenos tijolos feitos à mão. Duas delas continuam de pé, hoje incrustadas entre os prédios modernos: a Huaca Pucllana, em pleno Miraflores, e a Huaca Huallamarca, em San Isidro. Vê-las cercadas de trânsito e torres de vidro é um dos cartões-postais mais eloquentes da cidade: o passado pré-hispânico despontando entre o concreto.

Mais tarde, o vale ficou sob a influência do senhorio Ychsma e, sobretudo, do grande santuário de Pachacámac, a poucos quilômetros ao sul, dedicado ao deus Pacha Kamaq, 'aquele que anima o mundo', uma das divindades mais poderosas e temidas de toda a costa andina. Peregrinos de regiões distantes chegavam para consultar seu oráculo. Por volta do século XV, quando os incas de Cusco incorporaram a região ao seu império, foram espertos o bastante para não destruir esse culto: em vez de arrasá-lo, somaram-no ao seu e ergueram, junto ao velho santuário, um Templo do Sol, uma jogada política bem típica da forma como se expandiam.

O próprio nome da cidade guarda essa origem indígena. 'Lima' deriva quase com certeza de 'Rímac', o nome quíchua do rio e do vale, que significa 'aquele que fala', em alusão a um oráculo que falava aos antigos habitantes. Os espanhóis, ao pronunciá-lo, foram deformando Rímac em Limaq e depois em Lima. Ou seja, embora a cidade tenha sido fundada com um pomposo nome castelhano, acabou ficando para sempre com uma palavra na língua dos povos que já viviam ali.

es.wikipedia.org · Historia de la ciudad de Limaes.wikipedia.org · Pachacámac (sitio arqueológico)

A fundação espanhola: a Cidade dos Reis (1535)

Após a queda do império inca, Francisco Pizarro precisava de uma capital perto do mar, com bom clima, água e uma saída rápida para o oceano em caso de rebelião. Depois de descartar Jauja, na serra, escolheu o vale do Rímac, na confluência dos rios que descem dos Andes rumo ao Pacífico.

Em 18 de janeiro de 1535, Pizarro fundou ali a cidade com o nome de 'Cidade dos Reis', em homenagem à festa cristã da Epifania (os Reis Magos), celebrada poucos dias antes. Traçou a Plaza Mayor e, ao redor, distribuiu os terrenos para a catedral, o cabildo e a casa de governo: esse tabuleiro fundacional é o que hoje reconhecemos como Centro Histórico. Com o tempo, o nome popular 'Lima' (do vale do Rímac) acabou se impondo ao oficial.

elperuano.pe · 233704 fundacion de lima francisco pizarro y…infobae.com · Fundacion de lima las razones de francisco…

Capital do Vice-Reino do Peru: três séculos de esplendor

Lima se tornou muito rápido o centro do poder espanhol em toda a América do Sul. Em 1543 foi estabelecida como sede do Vice-Reino do Peru e de uma Real Audiência, e pelo seu porto de Callao saía boa parte da prata americana rumo à Espanha, grande parte dela extraída do cerro de Potosí. Durante quase três séculos, Lima foi uma das cidades mais ricas, populosas e poderosas do continente: sede de vice-reis, da Inquisição e, desde 1551, da Universidade de San Marcos, a mais antiga da América. Era chamada, com orgulho, de 'Cidade dos Reis', e sua aristocracia vivia cercada de um luxo que deixava os viajantes europeus boquiabertos.

Essa prosperidade deixou um legado arquitetônico enorme, que ainda hoje define a paisagem do Centro Histórico: a Catedral, o convento de São Francisco com suas catacumbas, o Palácio de Torre Tagle, dezenas de casarões com aqueles balcões de madeira entalhada, fechados com treliças, que se tornaram um símbolo da cidade. Atrás das treliças, as mulheres da elite podiam olhar a rua sem serem vistas, numa Lima barroca, devota e hierárquica, marcada pelas castas e por uma vida religiosa intensíssima, com procissões que ainda hoje, como a do Senhor dos Milagres, paralisam a cidade todo mês de outubro.

Mas esse esplendor convivia com a ameaça constante da terra. Lima se assenta numa das zonas sísmicas mais ativas do planeta, e sua história colonial é pontuada por terremotos que, vez após outra, a derrubaram. O mais devastador foi o de 1746, que marcou um antes e um depois na maneira de construir a cidade. Pela riqueza e unidade desse conjunto colonial que sobreviveu aos sismos, em 1988 a Unesco declarou o Centro Histórico de Lima Patrimônio da Humanidade, distinção ampliada em 1991.

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1746: o terremoto que refundou Lima

Na noite de 28 de outubro de 1746, às dez e meia, a terra tremeu com uma violência que Lima nunca tinha conhecido. O sismo, hoje estimado em torno de magnitude 8,6-8,8, derrubou em questão de minutos grande parte da cidade: das três mil casas do núcleo urbano, apenas um punhado ficou em pé, e templos, conventos e palácios vieram abaixo. Mas o pior aconteceu a poucos quilômetros, no porto de Callao. Meia hora depois do terremoto, um tsunami com ondas descomunais -as crônicas falam em até vinte metros- varreu o porto e o apagou quase por completo. Dos milhares de habitantes de Callao, sobreviveram umas poucas centenas; somando as duas cidades, calcula-se que morreu cerca de uma em cada dez pessoas da área.

A reconstrução ficou nas mãos do vice-rei José Antonio Manso de Velasco, a quem a Coroa premiaria com o título de Conde de Superunda ('sobre as ondas') e a quem a história lembra como uma espécie de 'segundo fundador' de Lima. Manso de Velasco agiu com notável sangue-frio: impôs ordem, organizou o socorro e encarou uma reforma urbana pensada para resistir ao próximo sismo, porque todos sabiam que ele viria. Proibiu-se levantar segundos andares de adobe pesado; impôs-se o uso da quincha -uma técnica leve de cana e barro, muito mais flexível diante dos tremores-; alargaram-se ruas para facilitar a evacuação; e o porto de Callao foi redesenhado, com um novo assentamento em Bellavista e, mais tarde, a imponente fortaleza do Real Felipe.

Aquele cataclismo não mudou apenas a forma física de Lima: mudou sua mentalidade. A cidade barroca e confiante do século XVII deu lugar a uma Lima mais consciente de sua fragilidade, obcecada por sismologia antes mesmo de a palavra existir. Muitas das igrejas que hoje o turista admira foram reconstruídas depois de 1746, e as torres esbeltas de outros tempos foram substituídas por campanários mais baixos e maciços. Entender isso ajuda a ler o Centro Histórico: boa parte do que parece 'colonial puro' é, na verdade, o resultado daquela grande reconstrução do século XVIII.

es.wikipedia.org · Terremoto de Lima de 1746larepublica.pe · Asi fue el terremoto mas devastador de lima…cehmp.wordpress.com · Efemeride del 28 de octubre de 1746…

Da independência à metrópole moderna

Em 28 de julho de 1821, José de San Martín subiu num palanque na Plaza Mayor de Lima, desfraldou a bandeira e proclamou a independência do Peru com uma frase que ficou gravada na memória nacional: o Peru era, a partir daquele momento, livre e independente 'pela vontade geral dos povos'. O ato abriu caminho para o fim do domínio espanhol, embora a guerra ainda demorasse anos para ser resolvida, até as batalhas de Junín e Ayacucho em 1824.

Ao longo do século XIX, a cidade foi transbordando lentamente suas muralhas coloniais -demolidas por volta de 1870- e se expandindo rumo ao sul e ao mar. A riqueza do guano primeiro, e a reconstrução após a traumática Guerra do Pacífico contra o Chile (1879-1883), que incluiu a ocupação de Lima por tropas chilenas, marcaram uma etapa de altos e baixos. No início do século XX, com bulevares afrancesados, bondes e os primeiros balneários elegantes como Barranco e Miraflores, Lima ainda era uma cidade relativamente pequena e ordenada, a 'Lima horizontal' de casas baixas que muita gente recorda com nostalgia.

Esse mundo mudou para sempre a partir de 1940. Uma migração maciça da serra e da selva -empurrada pela pobreza rural e atraída pela promessa de trabalho na capital- transformou por completo a escala da cidade. Diante da ausência de políticas de moradia, os recém-chegados ocuparam os morros, os areais e as margens do Rímac, erguendo suas casas tijolo por tijolo: assim nasceram as barriadas, hoje chamadas de pueblos jóvenes, que ao longo do século chegaram a somar milhares. De uma cidade de pouco mais de meio milhão de habitantes nos anos quarenta, Lima passou a ser uma metrópole de cerca de dez milhões. Essa transformação foi dura e muitas vezes dolorosa, mas também fez de Lima um mosaico onde convivem todas as regiões do Peru, com sua música, suas festas, suas línguas e, sobretudo, suas cozinhas.

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A revolução gastronômica: da migração ao melhor restaurante do mundo

Se há algo que resume a Lima contemporânea, é um prato de comida. A cidade que se encheu de migrantes de todo o país acabou, décadas depois, transformada na capital gastronômica da América Latina e numa das grandes referências culinárias do planeta. Não é por acaso: aquela diversidade forçada pela migração -serra, costa, selva, mais as contribuições das cozinhas chinesa (chifa), japonesa (nikkei), italiana e africana que chegaram com diferentes ondas de imigrantes- criou uma despensa de sabores que poucas cidades do mundo conseguem igualar.

A virada decisiva veio no final do século XX e início do XXI. Em 1994, o chef Gastón Acurio e sua esposa, a confeiteira alemã Astrid Gutsche, abriram o 'Astrid y Gastón', que começou como restaurante francês e se tornou o epicentro de uma nova cozinha peruana orgulhosa de suas raízes. Acurio virou o grande embaixador da gastronomia do país, convencido de que a comida podia ser fonte de identidade e de orgulho nacional. Na sua esteira veio toda uma geração de cozinheiros que levaram o nome de Lima ao topo: Virgilio Martínez e Pía León, cujo restaurante Central foi eleito o melhor restaurante do mundo em 2023; e Mitsuharu 'Micha' Tsumura, filho de pai japonês e mãe peruana, cujo restaurante Maido -templo da cozinha nikkei- foi coroado o melhor do mundo em 2025 pela lista The World's 50 Best Restaurants.

Para o viajante, isso significa que comer em Lima é, por si só, uma das grandes experiências da viagem. Dá para ir de um ceviche perfeito numa cevichería de bairro a um jantar degustação de fama mundial; provar o lomo saltado (herança do chifa), o ají de gallina, os anticuchos de rua ou um pisco sour de frente para o Pacífico. Essa cena culinária, nascida do cruzamento entre o passado pré-hispânico, a herança colonial e as migrações dos séculos XX e XXI, é talvez a melhor síntese do que Lima é hoje: uma cidade feita de muitas cidades, servida num prato.

infobae.com · Como lima se convirtio en la capital…theworlds50best.comes.wikipedia.org · Gastronomía del Perú

📚 Bibliografia

  • Historia de la ciudad de Lima (Wikipédia): do vale do Rímac pré-hispânico à metrópole atual. https://es.wikipedia.org/wiki/Historia_de_la_ciudad_de_Lima
  • El Peruano — Fundação de Lima: por que Francisco Pizarro a escolheu como capital (18 de janeiro de 1535). https://elperuano.pe/noticia/233704-fundacion-de-lima-francisco-pizarro-y-los-argumentos-por-los-que-la-eligio-como-ciudad-capital
  • Unesco — Centro Histórico de Lima, Patrimônio Mundial (inscrito em 1988, ampliado em 1991). https://whc.unesco.org/es/list/500/
  • Pachacámac, sítio arqueológico: santuário e oráculo do deus Pacha Kamaq no vale de Lima. https://es.wikipedia.org/wiki/Pachac%C3%A1mac_(sitio_arqueol%C3%B3gico)
  • Terremoto de Lima de 1746 (Wikipédia): sismo e tsunami que destruíram Lima e Callao. https://es.wikipedia.org/wiki/Terremoto_de_Lima_de_1746
  • La República — O terremoto mais devastador de Lima (28 de outubro de 1746) e o tsunami de Callao. https://larepublica.pe/sociedad/2024/12/30/asi-fue-el-terremoto-mas-devastador-de-lima-que-dejo-cerca-de-20-mil-personas-fallecidas-desato-un-tsunami-con-olas-de-10-a-24-metros-evat-2285670
  • Centro de Estudios Histórico Militares del Perú — Efeméride do terremoto e tsunami de 1746 e a reconstrução do vice-rei Manso de Velasco. https://cehmp.wordpress.com/2024/10/28/efemeride-del-28-de-octubre-de-1746-terremoto-y-tsunami-de-lima-y-callao/
  • Infobae — Lima antes da grande migração da década de 1950. https://www.infobae.com/peru/2024/03/07/lima-de-antano-asi-lucia-la-capital-antes-de-la-migracion-de-la-decada-del-50/
  • Infobae — Como Lima se tornou a capital gastronômica da América Latina. https://www.infobae.com/america/america-latina/2016/06/19/como-lima-se-convirtio-en-la-capital-gastronomica-de-america-latina/
  • The World's 50 Best Restaurants: Central (melhor do mundo em 2023) e Maido (melhor do mundo em 2025), ambos de Lima. https://www.theworlds50best.com/
  • Gastronomía del Perú (Wikipédia): cozinhas regionais, chifa, nikkei e o boom culinário limenho. https://es.wikipedia.org/wiki/Gastronom%C3%ADa_del_Per%C3%BA

❓ Perguntas frequentes

De quantos dias preciso em Lima?+
Com 2 dias bem organizados você vê o essencial: uma manhã no Centro Histórico (Plaza Mayor, Catedral, San Francisco), uma tarde em Miraflores e Barranco, e um bom almoço gastronômico. Com um terceiro dia, dá para incluir o Museu Larco, Pachacámac ou um food tour. Muita gente usa Lima só como escala, mas ela merece mais.
Qual é a melhor época para visitar Lima?+
O verão litorâneo (dezembro a abril) traz sol, calor e céu aberto, ideal para o calçadão e a praia. De maio a novembro predomina a 'garúa', uma neblina cinza e úmida; quase não chove, mas o céu fica encoberto. Se o cinza te incomoda, viaje no verão.
Lima é segura para o turista?+
As zonas turísticas (Miraflores, Barranco, San Isidro e o Centro Histórico de dia) são razoavelmente seguras com bom senso. Cuide dos seus pertences em locais movimentados, use apps de táxi em vez de parar um na rua, evite exibir objetos de valor e não ande à noite por zonas que você não conhece. À noite, é melhor evitar o centro.
Onde vale a pena se hospedar?+
Miraflores é a opção mais popular: segura, boa para andar a pé, com calçadão, restaurantes e boa conexão. Barranco é ideal se você procura clima boêmio e vida noturna. San Isidro é mais residencial e tranquilo. O Centro Histórico é lindo de dia, mas menos recomendável para dormir.
Vale a pena comer nos restaurantes top?+
Sim, mas reserve com antecedência: as mesas do Central ou do Maido lotam com semanas ou meses de antecedência. A boa notícia é que em Lima se come bem em todas as faixas de preço: uma cevicheria de bairro ou um prato do dia podem ser tão memoráveis quanto a alta gastronomia, por uma fração do preço.
Como me desloco de e para o aeroporto?+
O Aeroporto Jorge Chávez fica no Callao, a uns 40-90 minutos de Miraflores conforme o trânsito. O mais seguro é um app (Uber/Cabify) ou o táxi oficial do aeroporto; evite táxis informais que se oferecem na saída. Referência: S/ 50-90 até Miraflores.
Como se paga o transporte público em Lima e qual app vale a pena?+
Depende do sistema. O Metropolitano (ônibus rápido) e os corredores complementares (Corredor Azul, Rojo, Morado) se pagam EXCLUSIVAMENTE com o cartão recarregável Lima Pass: não aceitam dinheiro nas catracas, e o cartão custa S/ 4,50 na primeira vez e é comprado em qualquer estação. A passagem troncal do Metropolitano está em S/ 3,20 (verificado em julho de 2026). O Metrô de Lima (Linha 1) usa um cartão diferente, não compatível com o Lima Pass, e a passagem de adulto é S/ 1,50. Já as combis e micro-ônibus informais se pagam em dinheiro (S/ 1-2). Para se orientar, o Google Maps e o Moovit mostram rotas e horários do transporte limenho em tempo real. Para trajetos porta a porta, quase todos os turistas usam apps como Uber, Cabify, InDriver ou Didi.
O que não pode deixar de ver em Lima em 2 dias?+
No Centro Histórico: a Plaza Mayor, a Catedral e o convento de San Francisco com suas catacumbas. No litoral: o calçadão de Miraflores, o Parque del Amor, a Huaca Pucllana (pirâmide pré-inca em plena cidade) e o boêmio Barranco no fim da tarde. Para história e arte, o Museu Larco; e para comer, uma boa cevicheria e, se puder, um jantar de alta gastronomia reservado com antecedência. Com um terceiro dia, inclua o santuário de Pachacámac.

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