Druskininkai é o grande balneário da Lituânia: uma cidade-jardim de águas minerais, lamas curativas e ar de pinheiro, escondida nas florestas do sul do país, junto ao rio Neman e pertinho das fronteiras da Polônia e da Bielorrússia. Desde o século XIX, quando o czar reconheceu oficialmente suas propriedades curativas, as pessoas vêm aqui para descansar, tomar as águas e cuidar da saúde. Hoje a cidade combina essa tradição termal centenária com spas modernos, um parque aquático, uma pista de esqui coberta e uma das atrações mais inusitadas da Europa: o Grutas Park, o 'parque do Lenin'.
O que torna Druskininkai única é essa mistura de balneário clássico com parque de aventuras para a família. Você pode passar a manhã entre saunas e piscinas termais, a tarde esquiando em ambiente fechado em pleno verão ou voando de tirolesa sobre a floresta, e o fim de tarde pedalando por ciclovias impecáveis entre pinheiros. É um destino tranquilo, verde e saudável, muito popular entre lituanos, poloneses e bálticos, e ainda pouco conhecido pelo viajante brasileiro.
Este guia percorre Druskininkai com um olhar prático: como chegar a partir de Vilnius, o que ver —o Grutas Park e suas estátuas soviéticas, o Aqua Park, a Snow Arena, o teleférico sobre o Neman, a casa-museu de Čiurlionis, as florestas de Dzūkija—, onde se hospedar e comer, e como aproveitar seus spas e águas termais. Um lugar para desconectar, se movimentar na natureza e descobrir o lado mais relaxado e curioso da Lituânia.
Druskininkai deve sua fama às fontes salinas, conhecidas e usadas pelos camponeses locais desde tempos antigos. Em 1794, o rei Estanislau Augusto Poniatowski, da Polônia-Lituânia, declarou o lugar uma estância de águas curativas, e em 1837 o czar Nicolau I o reconheceu oficialmente como balneário do Império Russo, o que deu início ao seu desenvolvimento como estação termal da moda. Ao longo do século XIX e no começo do XX, a cidade se encheu de sanatórios, vilas e parques, e recebeu a aristocracia do Império. Foi aqui que passou a infância o grande pintor e compositor Mikalojus Konstantinas Čiurlionis, cuja casa hoje é museu. Na época soviética, virou um dos grandes centros de repouso de toda a URSS, com enormes sanatórios estatais. Depois da independência de 1990, se reinventou como destino moderno de spa e turismo ativo. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The country's historic heart: baroque Vilnius, founded by Gediminas and called the “Jerusalem of the North”; the island castle of Trakai and its Karaites; and Kernavė, the first medieval capital, now an archaeological site.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A história de Druskininkai começa, literalmente, debaixo da terra. No extremo sul da Lituânia, entre as grandes florestas de pinheiros de Dzūkija e às margens do rio Niemen, brotam fontes de águas minerais carregadas de sal. Daí vem o nome do lugar: em lituano, 'druska' significa 'sal', e os moradores da região conheciam e usavam essas águas e as lamas salinas desde tempos remotos, atribuindo a elas propriedades curativas para problemas de pele, dos ossos e do estômago.
Durante séculos, a região foi um canto isolado e cheio de florestas do Grão-Ducado da Lituânia e, depois, da República das Duas Nações (Polônia-Lituânia). A vida girava em torno de pequenas aldeias de camponeses, da pesca no Niemen e da exploração da floresta. O primeiro registro documental do povoado data do século XVIII, quando o lugar aparece mencionado como uma pequena localidade ligada às propriedades curativas das suas fontes. Os curandeiros populares e os camponeses já levavam os doentes para se banhar naquelas águas muito antes de a medicina oficial prestar atenção nelas.
O salto decisivo veio no fim do século XVIII. Em 1794, o rei Estanislau Augusto Poniatowski, último monarca da República das Duas Nações, emitiu uma disposição que reconhecia o valor curativo das águas de Druskininkai e buscava proteger e aproveitar o lugar como local de saúde. Foi o primeiro reconhecimento oficial daquilo que, um século depois, se tornaria a grande estância termal do país. Mas o destino político da região estava prestes a mudar por completo: as partilhas da Polônia fariam desaparecer o Estado polaco-lituano e colocariam Druskininkai sob o domínio do Império Russo.
Depois das partilhas da Polônia-Lituânia no fim do século XVIII, Druskininkai ficou dentro do Império Russo. Longe de prejudicar a cidade, a nova situação política acabou impulsionando o seu desenvolvimento como estância termal. Em 1837, o czar Nicolau I emitiu uma ordem que reconhecia oficialmente Druskininkai como estância de águas curativas do Império, o que abriu caminho para investimentos, infraestrutura e a chegada de uma clientela endinheirada. Essa data costuma ser considerada o nascimento da estância termal moderna.
Ao longo do século XIX, Druskininkai se transformou numa elegante cidade de águas, no estilo das grandes estâncias termais europeias da época. Foram construídas casas de banho, pavilhões para beber as águas minerais, sanatórios, hotéis, vilas de madeira com rendilhados entalhados, igrejas e amplos parques ajardinados que aproveitavam o cenário natural da floresta e do rio. A aristocracia e a burguesia do Império Russo — especialmente das vizinhas terras polonesas e lituanas — iam até lá para 'tomar as águas', fazer banhos de lama e passear pelos parques, seguindo a moda europeia do turismo de saúde.
Nesse ambiente cresceu uma das grandes figuras culturais do país: Mikalojus Konstantinas Čiurlionis (1875-1911), pintor simbolista e compositor, considerado o artista lituano mais importante e um pioneiro da arte abstrata. Nascido nos arredores e criado em Druskininkai, onde seu pai era organista, Čiurlionis foi marcado pelas florestas, pelo rio e pela luz do sul lituano, presentes em sua obra pictórica e musical. A casa da família é hoje um museu memorial, e sua figura une para sempre Druskininkai ao melhor da cultura lituana.
A primeira metade do século XX atingiu duramente Druskininkai, presa numa zona de fronteiras instáveis. Durante a Primeira Guerra Mundial, a região ficou sob ocupação alemã e a estância termal sofreu a paralisação da guerra. Com o fim do conflito e o renascimento dos Estados da região, começou um período de disputas territoriais entre a recém-restaurada Lituânia e a nova Polônia.
No período entreguerras, Druskininkai não fez parte da Lituânia independente, cuja capital provisória era Kaunas, mas ficou do lado polonês da fronteira, dentro da Segunda República Polonesa. Como localidade polonesa, continuou funcionando como estância termal, frequentada por veranistas de Varsóvia e de outras cidades polonesas, enquanto Lituânia e Polônia mantinham uma relação tensa por causa do conflito em torno de Vilna. Essa condição de cidade de fronteira marcou o dia a dia da estância durante quase duas décadas.
A Segunda Guerra Mundial trouxe novas ocupações e uma tragédia profunda. Como em toda a região, a população judaica — numerosa e com longa presença nas localidades do sul lituano e polonês — foi perseguida e assassinada durante a ocupação nazista, no contexto do Holocausto que arrasou as comunidades judaicas da Lituânia e da Polônia. Ao fim da guerra, a nova ordem de fronteiras traçada pela União Soviética integrou definitivamente Druskininkai à República Socialista Soviética da Lituânia. A antiga estância do czar e dos veranistas poloneses iniciava assim uma etapa completamente diferente: a soviética.
Durante as quatro décadas de domínio soviético, Druskininkai viveu uma expansão enorme, embora de natureza muito diferente da do seu passado imperial. O regime soviético apostou forte no 'turismo de saúde' organizado pelo Estado e transformou Druskininkai num dos grandes centros de repouso e tratamento (kurort) de toda a União Soviética, ao lado das estâncias do Cáucaso e do mar Negro. Chegavam à cidade trabalhadores, veteranos e funcionários de toda a URSS, com estadias financiadas pelos sindicatos estatais.
Para hospedar essas multidões, foram construídos enormes sanatórios de arquitetura modernista e funcional, com capacidade para milhares de hóspedes, além de instalações de tratamento com as águas minerais e as lamas, salas de fisioterapia e grandes refeitórios coletivos. A população da cidade cresceu com força, e Druskininkai se consolidou como o principal destino termal da Lituânia soviética. Aquela época deixou uma marca arquitetônica visível até hoje, com vários desses sanatórios convertidos em modernos hotéis-spa.
Como no resto da Lituânia, por baixo da superfície da vida cotidiana funcionava o aparato repressivo soviético, com deportações, controle político e supressão das liberdades. Esse passado — o da ocupação soviética e seus símbolos — é justamente o que, anos depois, ficaria exposto de forma insólita nos arredores da cidade, quando o empresário local Viliumas Malinauskas reuniu na floresta de Grūtas as estátuas de Lenin, Stalin e dos heróis comunistas retiradas das praças do país. O Grutas Park, inaugurado em 2001, virou um curioso museu da memória e uma das atrações mais comentadas da Lituânia.
Com a recuperação da independência da Lituânia em 1990, Druskininkai enfrentou uma transição difícil. O colapso do sistema soviético de férias subsidiadas deixou os grandes sanatórios sem sua clientela tradicional, e a cidade, como tantas estâncias termais do antigo bloco do Leste, passou por alguns anos de crise e de busca por um novo modelo. A solução foi se reinventar: passar do velho sanatório estatal para o moderno destino de spa, bem-estar e turismo ativo, com investimento público e privado.
Ao longo das décadas de 2000 e 2010, Druskininkai se transformou por completo. O centro, os parques e os passeios à beira do rio e dos lagos foram renovados, foram construídas novas atrações de grande porte — o enorme Aqua Park com sua área de saunas, a Snow Arena de esqui coberta, o teleférico sobre o Niemen — e os hotéis-spa foram modernizados, muitos deles instalados nos antigos sanatórios. A cidade também ganhou uma excelente rede de ciclovias pelas florestas de Dzūkija, incluindo uma rota transfronteiriça até a Polônia, apostando no turismo de natureza e saúde o ano inteiro.
Hoje, Druskininkai voltou a ser a grande estância termal da Lituânia e um dos destinos de bem-estar mais populares do Báltico, com visitantes lituanos, poloneses, bielorrussos, letões e de outros países. Combina mais de dois séculos de tradição termal com uma oferta moderna de spa, esporte e lazer em família, tudo emoldurado pela floresta de pinheiros e pelo rio Niemen. A essa mistura se somam a aura cultural de Čiurlionis e a curiosa memória histórica do Grutas Park, que fazem de Druskininkai um lugar onde o descanso, a natureza e a reflexão sobre o passado convivem de um jeito difícil de encontrar em qualquer outro canto da Europa.