Nashville é a capital mundial da música country e a capital do estado do Tennessee. Conhecida como 'Music City', pulsa no ritmo da música ao vivo: nas suas ruas, nos seus bares (honky-tonks) e nos seus palcos toca música a toda hora, e pela sua indústria fonográfica passaram as grandes lendas do country e de outros gêneros. Mas Nashville é muito mais: uma cidade vibrante e em alta, com boa gastronomia, história, universidades e até uma réplica em tamanho real do Partenon grego.
O coração da diversão é o centro, em torno da Broadway, uma avenida repleta de honky-tonks com música country ao vivo da manhã até a madrugada, neons e muito agito. Perto ficam templos do gênero como o Country Music Hall of Fame, o histórico auditório Ryman e, um pouco mais longe, o lendário Grand Ole Opry, o show de música country ao vivo mais antigo do país. A tudo isso se somam bairros com personalidade, o rio Cumberland e uma cena gastronômica famosa pelo hot chicken.
Este guia percorre o essencial de Nashville com olhar prático: a agitação musical da Broadway, os grandes museus e palcos do country, o Grand Ole Opry, o surpreendente Partenon, a gastronomia local e como se locomover. Se você curte música, sair à noite ou conhecer a cultura do sul dos Estados Unidos, Nashville é uma cidade que se vive com trilha sonora própria.
Nashville foi fundada em 1779 como Fort Nashborough, às margens do rio Cumberland, e logo se tornou um importante centro comercial e porto fluvial. Capital do Tennessee desde 1843, foi palco da Guerra de Secessão. No século XX se transformou no epicentro da música country: o programa de rádio Grand Ole Opry, que começou a ser transmitido em 1925, e o desenvolvimento da 'Music Row' a consolidaram como 'Music City'. Hoje é uma das cidades que mais crescem nos EUA. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The cradle of American music: Cherokee land and the land of Sequoyah, of the Memphis blues and the Nashville country, of Elvis and Graceland, of Davy Crockett's frontier and of the Appalachians and the Great Smoky Mountains.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Nashville foi fundada em 1779 por um grupo de colonos liderados por James Robertson e John Donelson, que estabeleceram um assentamento fortificado às margens do rio Cumberland, na fronteira do que então era o oeste norte-americano. O local recebeu o nome de Fort Nashborough, em homenagem ao general Francis Nash, herói da Revolução Americana. Poucos anos depois, o nome foi simplificado para Nashville.
A localização junto ao rio Cumberland se mostrou estratégica: transformou Nashville em um importante ponto de comércio e transporte fluvial, com barcos que ligavam a região ao sistema dos rios Ohio e Mississippi. A cidade cresceu como centro mercantil e agrícola da fértil bacia central do Tennessee. Em 1796, o Tennessee se tornou um estado da União, e Nashville foi ganhando peso político até ser designada capital do estado de forma permanente em 1843.
Durante a primeira metade do século XIX, Nashville prosperou e conquistou certa reputação cultural e educacional, que mais tarde lhe renderia o apelido de 'a Atenas do Sul'. Foram construídas instituições, universidades e edifícios imponentes, como o Capitólio estadual. Mas, como toda a região, sua economia e sua sociedade eram marcadas pela escravidão, e a cidade logo seria arrastada para o conflito que dividiu o país.
O Tennessee aderiu à Confederação durante a Guerra de Secessão, mas Nashville caiu cedo nas mãos da União: em 1862 foi ocupada pelas forças federais, tornando-se a primeira capital estadual confederada a ser capturada. Por sua posição estratégica e seu valor como centro de suprimentos e transporte, Nashville foi fortemente fortificada e permaneceu sob controle da União pelo resto da guerra.
Em dezembro de 1864, travou-se nos seus arredores a Batalha de Nashville, um dos confrontos decisivos do teatro ocidental, no qual o exército confederado do general Hood sofreu uma derrota esmagadora que praticamente o aniquilou como força de combate. Depois da guerra e da abolição da escravidão, Nashville iniciou sua recuperação e, como outras cidades do sul, abraçou o ideal do 'Novo Sul', voltado para a indústria, o comércio e a educação.
Nas décadas seguintes, a cidade reforçou seu perfil educacional e cultural — com a fundação de universidades como Vanderbilt e de instituições historicamente afro-americanas como a Fisk University, cujo célebre coral, os Fisk Jubilee Singers, levou os spirituals para o mundo. Como prova dessa vocação cultural, em 1897 Nashville sediou a Exposição do Centenário do Tennessee, para a qual construiu a famosa réplica do Partenon, símbolo do seu apelido de 'Atenas do Sul'.
O capítulo que definiu a identidade moderna de Nashville começou em 1925, quando uma estação de rádio local passou a transmitir um programa de música ao vivo que logo se chamaria 'Grand Ole Opry'. Aquele show de música country — na época chamada de 'hillbilly' — ficou enormemente popular em todo o sul e o meio-oeste pelas ondas do rádio e transformou Nashville no centro indiscutível do gênero. Durante décadas, o Opry foi transmitido do Ryman Auditorium, hoje reverenciado como 'a igreja-mãe da música country'.
Em torno do rádio e do Opry floresceu toda uma indústria. A partir de meados do século XX, gravadoras, estúdios, editoras musicais e músicos se concentraram em uma área que passou a ser conhecida como 'Music Row'. Ali foram gravados incontáveis sucessos e se forjou o característico 'Nashville sound'. A cidade atraiu artistas de todo o país em busca de sucesso no country e ganhou de vez o apelido de 'Music City'. Com o tempo, sua indústria musical também se diversificou para o rock, o pop, o gospel e outros gêneros.
Na segunda metade do século XX, Nashville foi ainda um palco importante do movimento pelos direitos civis, com destacados sit-ins e protestos estudantis não violentos no início dos anos 60. Nas últimas décadas, a cidade viveu um crescimento explosivo, tornando-se uma das cidades que mais crescem nos Estados Unidos, um ímã de turismo, gastronomia e, claro, música ao vivo. Hoje, os neons e os honky-tonks da Broadway, o Country Music Hall of Fame e o Grand Ole Opry mantêm vivo o pulso musical que faz de Nashville um destino único.
Além da música, Nashville ocupa um lugar central na história do movimento pelos direitos civis. No início de 1960, estudantes afro-americanos de universidades como Fisk, Tennessee State e o American Baptist College — formados nos princípios da não violência pelo reverendo James Lawson — começaram uma série de ocupações pacíficas (sit-ins) nos balcões de lanchonete segregados do centro da cidade. Apesar das prisões e das agressões, mantiveram uma disciplina exemplar e, em maio de 1960, conseguiram que Nashville se tornasse uma das primeiras grandes cidades do sul a começar a dessegregar seus balcões públicos.
Desse movimento surgiram figuras que seriam fundamentais em escala nacional, como John Lewis, futuro congressista e líder histórico dos direitos civis, e Diane Nash. As campanhas de Nashville se tornaram um modelo de protesto não violento que influenciou o resto do país, incluindo os Freedom Rides de 1961. Esse legado é lembrado hoje em lugares como a Civil Rights Room da Biblioteca Pública de Nashville e o Witness Walls, ao lado do Capitólio.
Desde o fim do século XX, e sobretudo no século XXI, Nashville viveu um crescimento explosivo. A diversificação da economia — com a saúde (a cidade é sede de grandes empresas do setor), a educação, o turismo e, claro, a música — a transformou em uma das regiões metropolitanas que mais crescem nos Estados Unidos, um fenômeno conhecido como 'it city'. O boom trouxe novos arranha-céus, uma vida intensa de restaurantes e bares, despedidas de solteiro/a e um fluxo constante de visitantes aos honky-tonks da Broadway. Esse ritmo vertiginoso de crescimento também traz desafios de moradia, trânsito e preservação da identidade, mas consolidou Nashville como um dos destinos urbanos mais populares do país, onde a história, os direitos civis e a música convivem com uma modernidade agitada.