O Parque Nacional dos Vulcões do Havaí (Hawaii Volcanoes National Park) é um dos lugares mais extraordinários dos Estados Unidos: um lugar onde dá para ver a Terra em plena criação. Ele protege dois dos vulcões mais ativos do planeta, o Kilauea e o colossal Mauna Loa, e uma paisagem impressionante de crateras fumegantes, caldeiras, campos de lava, tubos vulcânicos e florestas que crescem sobre a rocha recém-formada.
Reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco e reserva da biosfera, o parque é ao mesmo tempo um laboratório geológico vivo, um refúgio de espécies endêmicas e um lugar profundamente sagrado para a cultura havaiana: a caldeira Halemaumau do Kilauea é, segundo a tradição, a morada de Pele, a deusa do fogo e dos vulcões. Quando há erupção, contemplar o brilho avermelhado da lava —sobretudo à noite— é uma experiência inesquecível.
Este guia percorre o essencial do parque com um olhar prático: os mirantes da caldeira do Kilauea, a Crater Rim Drive e a Chain of Craters Road, que desce até o mar, as trilhas por crateras e tubos de lava, como e quando ver atividade vulcânica, e os cuidados indispensáveis. Um alerta importante: a atividade dos vulcões é imprevisível e muda o tempo todo, por isso vale sempre consultar os avisos oficiais do parque antes da visita.
O Parque Nacional dos Vulcões do Havaí foi criado em 1916, tornando-se um dos primeiros parques nacionais do país e o primeiro do Havaí. Ele abrange os vulcões Kilauea e Mauna Loa, em torno dos quais a cultura havaiana teceu durante séculos um rico patrimônio de cantos e lendas centrado na deusa Pele. O parque abriga ainda o Observatório de Vulcões do Havaí, pioneiro da vulcanologia moderna desde o início do século XX. Erupções recentes, como a do Kilauea em 2018, transformaram drasticamente a paisagem. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The volcanic archipelago of the Pacific: cradle of an ancient Polynesian kingdom unified by Kamehameha, scene of the attack on Pearl Harbor, the only island and tropical state in the country, a paradise of surfing, of aloha and of active volcanoes.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Imagine um lugar onde o chão respira, onde a rocha ainda está quente sob os pés e onde, segundo quem vive ali, uma deusa se manifesta toda vez que a terra cospe fogo. Esse lugar existe e pode ser visitado: é o topo do Kilauea. Muito antes de existir um parque nacional, os vulcões Kilauea e Mauna Loa ocupavam um lugar central na cosmovisão havaiana. Segundo a tradição, a deusa Pele — divindade do fogo, dos raios, do vento e dos vulcões — habita a caldeira Halemaumau, no topo do Kilauea. Cada erupção, cada rio de lava e cada novo derrame é entendido como uma manifestação de Pele, que ao mesmo tempo destrói e cria terra. Em torno dela existe um vastíssimo conjunto de cantos (mele), danças (hula), genealogias e lendas que narram suas viagens pelo arquipélago, seus amores e suas disputas, especialmente com sua irmã Namakaokahai, deusa do mar.
Essa relação não é apenas mitológica, mas profundamente ritual: os havaianos levam oferendas a Pele, recitam cantos e seguem protocolos de respeito nos locais vulcânicos, que são considerados sagrados (wahi pana). Daí vem o conhecido aviso — e a superstição turística associada — de não levar pedras de lava do parque, assim como o pedido das comunidades nativas para que o lugar seja tratado com reverência.
A paisagem vulcânica também era um recurso vital: a lava fornecia pedra para ferramentas e construções, e as áreas de floresta (kipuka) que sobrevivem entre os derrames eram fonte de plantas, aves e materiais. Assim, os vulcões eram ao mesmo tempo divindade, lar e sustento, uma integração entre o sagrado e o cotidiano característica da cultura havaiana.
O interesse científico pelos vulcões havaianos cresceu no século XIX, com visitantes e estudiosos atraídos pela acessibilidade excepcional do Kilauea, um dos poucos vulcões do mundo onde era possível observar a atividade de perto com relativa segurança. O histórico Volcano House, hotel à beira da caldeira, recebeu viajantes e escritores famosos — entre eles Mark Twain — que espalharam a fama do lugar.
Um marco fundamental foi a fundação, em 1912, do Observatório de Vulcões do Havaí (Hawaiian Volcano Observatory), impulsionado pelo geólogo Thomas Jaggar. O observatório transformou o Kilauea numa espécie de laboratório natural da vulcanologia moderna, onde foram desenvolvidos métodos pioneiros de monitoramento da atividade vulcânica que depois foram aplicados no mundo todo. Hoje ele é administrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Em 1916, o Congresso dos Estados Unidos criou o Hawaii National Park, que originalmente incluía os vulcões da Ilha Grande junto com o Haleakala, em Maui; foi um dos primeiros parques nacionais do país e o primeiro no Havaí. Em 1961, os dois foram separados em parques independentes, dando origem ao atual Hawaii Volcanoes National Park. Ao longo do século XX, o parque foi reconhecido como reserva da biosfera (1980) e declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco (1987), em virtude de seu valor geológico, ecológico e paisagístico excepcional.
A história do parque é marcada pelas erupções, que transformam continuamente sua geografia. O Kilauea é um dos vulcões mais ativos do planeta; entre 1983 e 2018 protagonizou uma erupção quase contínua a partir de sua zona de rifte oriental (Puu Oo), que durante décadas despejou lava no mar, soterrou estradas, comunidades e praias e, ao mesmo tempo, acrescentou quilômetros de terra nova à ilha.
Em 2018, o Kilauea viveu um episódio dramático: a atividade se deslocou para a região baixa de Puna, fora do parque, onde grandes derrames de lava destruíram centenas de casas e bairros inteiros. Ao mesmo tempo, no topo, o lago de lava da cratera Halemaumau secou e uma série de explosões e desabamentos ampliou e modificou profundamente a caldeira, danificando a infraestrutura do parque (incluindo o museu Jaggar e trechos da Crater Rim Drive) e obrigando a um longo fechamento e reorganização.
Desde então, o Kilauea voltou a entrar em erupção de forma intermitente no topo, com a formação de novos lagos de lava e brilhos que atraíram multidões. O Mauna Loa, por sua vez, depois de quase quarenta anos de calma, voltou a entrar em erupção no fim de 2022. E desde 23 de dezembro de 2024, o Kilauea protagoniza uma erupção episódica dentro de Halemaumau: em ciclos de semanas se sucedem espetaculares episódios de fontes de lava (em meados de 2026 já eram dezenas de episódios), separados por pausas, que devolveram ao parque o brilho noturno que o tornou famoso. Esses episódios lembram que o parque protege uma das regiões geologicamente mais vivas da Terra, onde a paisagem — e o acesso dos visitantes — muda no ritmo imprevisível dos vulcões, o que torna indispensável consultar sempre as informações oficiais atualizadas do USGS e do NPS antes da visita.
A própria existência das ilhas do Havaí — e de seus vulcões — se explica por um fenômeno geológico chamado 'ponto quente' (hotspot): uma coluna de magma que sobe das profundezas do manto terrestre e permanece mais ou menos fixa enquanto a placa tectônica do Pacífico se desloca lentamente sobre ela rumo ao noroeste. À medida que a placa se move, o ponto quente vai perfurando a crosta e criando, um após o outro, os vulcões que formam a cadeia de ilhas havaianas. Por isso a Ilha Grande, a mais jovem e situada bem em cima do hotspot, abriga os vulcões ativos — Kilauea e Mauna Loa —, enquanto as ilhas do noroeste são cada vez mais antigas e erodidas.
Os vulcões do parque são do tipo 'em escudo' (shield): largos e de encostas suaves, formados por sucessivos derrames de lava basáltica muito fluida, que se espalham por grandes distâncias em vez de se acumular num cone íngreme. É essa fluidez que faz com que as erupções havaianas sejam, em geral, mais efusivas do que explosivas, e que permite observá-las com relativa segurança. Mar adentro, a sudeste, já cresce o próximo vulcão da cadeia, o Kamaehuakanaloa (antes chamado Loihi), ainda submerso.
Sobre a rocha nua e aparentemente estéril, a vida volta com uma tenacidade impressionante: a samambaia amaumau e outras plantas pioneiras colonizam os derrames já frios, e nos 'kipuka' — ilhas de floresta antiga que a lava cercou sem soterrar — sobrevivem espécies endêmicas únicas, como aves nativas (honeycreepers) e a nēnē, o ganso havaiano, ave símbolo do estado. O parque protege, assim, não só um espetáculo geológico, mas um dos ecossistemas insulares mais singulares e frágeis do mundo, ameaçado por espécies invasoras.