Os Hamptons são o destino de praia mais glamouroso da Costa Leste dos Estados Unidos: uma sequência de cidadezinhas e vilarejos elegantes no extremo leste de Long Island, onde a elite de Nova York tem suas casas de veraneio. Mansões imponentes atrás de cercas vivas perfeitamente aparadas, praias largas de areia fina de frente para o Atlântico, cidadezinhas charmosas, galerias de arte, restaurantes da moda e vinhedos compõem uma paisagem que é sinônimo de exclusividade e de bem viver.
Mas, além do luxo e da vida social que os tornaram famosos, os Hamptons guardam também uma história rica e uma beleza natural genuína. Cidades como Sag Harbor preservam seu passado baleeiro; Southampton e East Hampton, fundadas no século XVII, estão entre os assentamentos ingleses mais antigos do estado de Nova York; e Montauk, na ponta, oferece um lado mais selvagem e surfista, coroado por um farol histórico. É um lugar onde o glamour das revistas convive com moinhos de vento centenários e campos de cultivo.
Este guia percorre o essencial dos Hamptons com um olhar prático e acolhedor: quais cidades e praias visitar, como chegar a partir de Nova York, onde comer, quais vinhedos conhecer e como aproveitar a região sem precisar ser milionário. Sofisticados mas também naturais, os Hamptons são uma escapada de mar, mansões e charme a umas duas horas de Manhattan.
A região dos Hamptons foi habitada originalmente por povos algonquinos, principalmente os shinnecock e os montaukett, que viviam da pesca, da caça e da coleta no South Fork de Long Island, e cujos nomes sobrevivem em muitos topônimos da região (a nação shinnecock mantém hoje uma reserva perto de Southampton). Os primeiros colonos ingleses chegaram em meados do século XVII: Southampton foi fundada em 1640 e East Hampton por volta de 1648, o que as torna alguns dos assentamentos ingleses mais antigos do estado de Nova York. Durante séculos, a economia da região girou em torno da agricultura, da pesca e, em cidades como Sag Harbor, da caça às baleias, que no século XIX fez desse porto um dos mais prósperos do país. No fim do século XIX e começo do XX, a beleza das praias e a proximidade de Nova York começaram a atrair artistas, escritores e as famílias abastadas da cidade, que construíram grandes 'cottages' de veraneio. Ao longo do século XX, os Hamptons se consolidaram como o balneário da elite nova-iorquina e como um polo da vida artística (muitos pintores do expressionismo abstrato, como Jackson Pollock, viveram e trabalharam lá). Hoje combinam seu caráter histórico e rural com o status de destino de luxo de fama mundial. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The 'Empire State': heart of the Iroquois Confederacy, a Dutch colony before it was an English one, the great gateway for millions of immigrants through Ellis Island, home to the largest city in the country and to natural wonders such as Niagara Falls.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes de os Hamptons virarem sinônimo de mansões e glamour, a South Fork de Long Island era habitada por povos de língua algonquina que viviam da riqueza do mar e da terra. Os principais eram os shinnecock, na região da atual Southampton, e os montaukett, mais para o extremo leste, em torno do que hoje é Montauk. Esses povos pescavam, caçavam, coletavam mariscos e cultivavam a terra, e eram especialistas na fabricação de 'wampum', as contas de conchas marinhas que tinham grande valor cerimonial e comercial entre os povos da região.
A marca desses habitantes originários está por toda parte na geografia dos Hamptons: muitos nomes de lugares da região — incluindo o próprio Montauk, Shinnecock, Amagansett ou Peconic — vêm de línguas indígenas. Ao contrário do que aconteceu com tantos outros povos nativos, os shinnecock conseguiram manter uma presença contínua em seu território ancestral até hoje: a Nação Shinnecock conserva uma reserva (reservation) perto de Southampton e foi reconhecida federalmente como tribo em 2010, depois de uma longa luta.
A chegada dos colonos ingleses em meados do século XVII transformou radicalmente a vida desses povos, por meio do comércio, da cessão e perda de terras e das doenças trazidas da Europa. Mesmo assim, a memória e a cultura dos shinnecock e montaukett continuam sendo parte viva da identidade do East End, celebrada em museus e no powwow anual dos shinnecock, um dos eventos nativos mais concorridos da Costa Leste.
A colonização europeia do East End de Long Island foi obra de ingleses vindos da Nova Inglaterra, e não dos holandeses que tinham fundado Nova Amsterdã (a futura Nova York) no outro extremo da ilha. Em 1640, um grupo de colonos ingleses vindos de Massachusetts fundou Southampton, considerado o primeiro assentamento inglês do estado de Nova York. Poucos anos depois, por volta de 1648, foi fundada East Hampton, também por colonos de origem inglesa.
Essas vilas nasceram como comunidades agrícolas e pesqueiras de forte marca puritana, organizadas em torno da igreja e da terra comunal, no estilo da Nova Inglaterra. Nas primeiras décadas, aliás, estavam mais ligadas política e culturalmente às colônias de Connecticut e Massachusetts do que à Nova Amsterdã holandesa, até que toda a região passou para o controle inglês. Os colonos se dedicavam a cultivar a terra, criar gado, pescar e, a partir da costa, caçar as baleias que passavam perto do litoral.
Essa herança colonial inglesa continua muito visível nos Hamptons de hoje: os centros históricos de Southampton, East Hampton e outras vilas conservam casas, igrejas, cemitérios, moinhos de vento e lagos (town ponds) dos séculos XVII e XVIII, perfeitamente preservados, que dão a elas aquele ar de vilarejo idílico da Nova Inglaterra. Aliás, o nome 'Hampton' vem de localidades inglesas, reflexo da origem daqueles primeiros moradores.
Durante o século XIX, enquanto a maioria das vilas do East End continuava sendo formada por comunidades agrícolas e pesqueiras tranquilas, uma delas viveu um auge espetacular graças a uma indústria que na época movimentava fortunas: a caça às baleias. Essa vila foi Sag Harbor, que, por seu excelente porto natural na baía, se tornou um dos portos baleeiros mais importantes e prósperos de toda a costa leste dos Estados Unidos.
De Sag Harbor partiam navios baleeiros em longas expedições de anos pelos oceanos do mundo, em busca do óleo de baleia que, naquela época anterior ao petróleo, era essencial para a iluminação e a lubrificação. A indústria atraiu riqueza, marinheiros do mundo inteiro e uma vida cosmopolita e agitada para a vila. Os capitães e armadores que enriqueceram com a caça construíram mansões elegantes, muitas em estilo neogrego, que se conservam até hoje e dão a Sag Harbor seu caráter histórico inconfundível.
O auge baleeiro entrou em declínio entre meados e o fim do século XIX, quando a exploração excessiva, os naufrágios e, sobretudo, o surgimento do petróleo (que substituiu o óleo de baleia) afundaram a indústria. Sag Harbor perdeu sua força comercial, mas manteve intacto seu patrimônio arquitetônico, o que permitiu que se reinventasse mais tarde como uma vila de grande charme histórico. O Sag Harbor Whaling Museum, instalado em uma imponente mansão da época, mantém viva a memória daquela era heroica e dura.
A transformação dos Hamptons em balneário da elite começou no fim do século XIX, quando a beleza das praias, o clima de verão e a relativa proximidade com a cidade de Nova York passaram a atrair veranistas endinheirados. A chegada da ferrovia facilitou o acesso, e as famílias ricas de Nova York começaram a construir grandes casas de verão (os chamados 'summer cottages', que de cottage tinham pouco) ao longo da costa, especialmente em Southampton e East Hampton.
Mas os Hamptons não atraíram só a alta sociedade: também se tornaram, quase desde o início, um ímã para artistas, escritores e intelectuais, seduzidos pela qualidade da luz, pelas paisagens de dunas e campos e pela tranquilidade. Já no fim do século XIX, pintores se instalaram na região, e East Hampton, em especial, desenvolveu uma colônia de artistas precoce. Essa dupla identidade — destino da elite social e refúgio criativo — marcaria para sempre o caráter dos Hamptons.
No começo do século XX, as vilas do East End já viviam uma temporada de verão bem definida, que transformava sua população e sua economia. Embora fora de temporada continuassem sendo comunidades rurais e pesqueiras, nos meses quentes ficavam cheias de veranistas ricos, festas, clubes náuticos e vida social. Assim se lançavam as bases do que seriam os Hamptons modernos: um lugar onde o luxo, a arte e a natureza conviveriam em um equilíbrio único.
Em meados do século XX, os Hamptons — e em especial a região de East Hampton e Springs — viveram um dos capítulos mais fascinantes de sua história: viraram uma verdadeira capital da arte de vanguarda norte-americana, epicentro do movimento do expressionismo abstrato, que colocou Nova York na liderança da arte mundial.
A figura central desse fenômeno foi o pintor Jackson Pollock, que, junto com a esposa, a também pintora Lee Krasner, se mudou para uma fazenda em Springs, perto de East Hampton, em 1945. Atraído pela tranquilidade, pela luz e pelos preços então acessíveis da região, foi nesse ambiente rural que Pollock desenvolveu sua revolucionária técnica de 'dripping' (gotejamento), criando algumas das obras mais influentes do século XX. Sua presença atraiu outros artistas: Willem de Kooning, Robert Motherwell e muitos outros montaram casas e ateliês na região, formando uma comunidade criativa vibrante que misturava trabalho, vida boêmia e longas rodas de conversa.
Essa concentração de talento deixou uma marca profunda na identidade cultural dos Hamptons, que se consolidaram como um lugar associado à arte de primeira linha. Hoje esse legado se conserva em lugares como a Pollock-Krasner House (a casa-ateliê transformada em museu, onde ainda dá para ver os respingos de tinta no chão do estúdio) e o Parrish Art Museum, além das muitas galerias da região. Aquela época em que os Hamptons foram a oficina dos gênios da arte norte-americana continua sendo motivo de orgulho e um atrativo cultural de primeira.
Ao longo da segunda metade do século XX e até hoje, os Hamptons se consolidaram como um dos destinos de verão mais exclusivos e famosos do mundo, o balneário por excelência da elite de Nova York e, por extensão, de boa parte da elite norte-americana e internacional. A proximidade com Manhattan, a beleza das praias e das vilas e a concentração de riqueza transformaram a região em sinônimo de luxo, status e vida social de alto nível.
Os preços dos imóveis dispararam para valores astronômicos: as mansões à beira-mar de Southampton, East Hampton ou Sagaponack estão entre as propriedades mais caras dos Estados Unidos. O verão dos Hamptons se encheu de festas beneficentes, eventos exclusivos, restaurantes da moda, lojas de grifes de luxo e a presença frequente de celebridades do cinema, da música, das finanças e da política. A cultura pop — filmes, séries, revistas — consolidou a imagem glamorosa da região como o lugar onde 'todo mundo que importa' passa o verão.
Mesmo assim, fora de temporada e por baixo da camada de glamour, os Hamptons continuam sendo uma região com uma história profunda e uma identidade genuína: vilas coloniais preservadas, uma tradição agrícola e pesqueira viva, vinícolas, faróis históricos como o de Montauk, a presença da Nação Shinnecock e uma notável herança artística. Essa tensão entre o luxo contemporâneo e o caráter histórico e natural é justamente o que faz dos Hamptons um destino tão singular: um lugar onde as mansões dos bilionários convivem com moinhos de vento centenários e dunas varridas pelo vento do Atlântico.