Baltimore é uma das grandes cidades históricas do Atlântico Médio americano: uma cidade portuária de Maryland, às margens da baía de Chesapeake, com uma identidade forte e cativante que seus moradores resumem no apelido de 'Charm City' (a Cidade do Encanto). Seu coração é o Inner Harbor, o porto interno transformado em uma animada orla com o National Aquarium, museus, navios históricos, restaurantes e atrações, um dos grandes exemplos de revitalização urbana do país.
Mas Baltimore é muito mais do que o seu porto. É uma cidade de bairros com personalidade: o calçamento de pedra e os pubs de marinheiros de Fells Point, as casas de tijolo e as vistas de Federal Hill, a elegância de Mount Vernon com seu monumento a Washington, o clima boêmio de Hampden. É o berço do hino nacional americano — escrito após a defesa do Fort McHenry — e a cidade de Edgar Allan Poe, do caranguejo azul de Chesapeake e de uma cena cultural e gastronômica que surpreende. À sombra da vizinha Washington, Baltimore guarda uma autenticidade própria.
Este guia percorre Baltimore com um olhar prático: o que ver no Inner Harbor e nos bairros históricos, os museus e o Fort McHenry, como se locomover com os ônibus gratuitos do centro, como chegar do aeroporto e combinar a viagem com Washington, onde se hospedar e onde provar o famoso caranguejo de Maryland. Uma cidade com história, mar e encanto a um passo da capital.
A região da baía de Chesapeake, onde fica Baltimore, era habitada por povos indígenas de língua algonquina antes da colonização europeia. A cidade foi fundada em 1729 e batizada em homenagem a Lord Baltimore, o título da família Calvert, fundadora da colônia de Maryland. Graças ao seu excelente porto natural no rio Patapsco, na baía de Chesapeake, Baltimore cresceu rapidamente como centro comercial e marítimo, exportando tabaco, farinha e outros produtos. Seu momento mais célebre veio durante a Guerra de 1812 contra a Grã-Bretanha: em 1814, as tropas britânicas bombardearam o Fort McHenry, na entrada do porto, e a resistência da fortaleza inspirou Francis Scott Key a escrever o poema que se tornaria 'The Star-Spangled Banner', o hino nacional dos Estados Unidos. No século XIX, Baltimore foi um entroncamento ferroviário e portuário fundamental (a pioneira Baltimore & Ohio Railroad nasceu aqui), uma importante porta de entrada de imigrantes e uma cidade industrial em plena expansão. O século XX trouxe o auge industrial e, mais tarde, declínio e problemas urbanos, até que a grande revitalização do Inner Harbor, a partir dos anos 1970 e 1980, transformou o velho porto em um espaço turístico modelo. Hoje Baltimore combina esse legado histórico e marítimo com seus bairros de rowhouses, sua cultura e sua famosa culinária de caranguejo. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The 'Free State' of Chesapeake Bay: founded as a Catholic refuge by the Calverts, birthplace of the national anthem at Fort McHenry, of the blue crab and of the historic port of Baltimore, on the hinge between North and South.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A região onde hoje fica Baltimore, em torno da baía de Chesapeake e do rio Patapsco, foi habitada durante milênios por povos originários de língua algonquina, que viviam da pesca, da caça, da coleta e da agricultura, aproveitando a enorme riqueza da baía, um dos maiores estuários da América do Norte. Para eles, as águas de Chesapeake eram uma despensa e uma via de comunicação.
A colonização europeia da região aconteceu no século XVII, com a fundação da colônia de Maryland. A colônia foi estabelecida sob a família Calvert, cujos membros tinham o título de 'Lord Baltimore' (barões de Baltimore, um título da nobreza irlandesa). Maryland nasceu com uma particularidade notável para a época: foi pensada, em parte, como um refúgio onde os católicos ingleses pudessem praticar sua fé com certa tolerância, num mundo colonial majoritariamente protestante.
O nome da futura cidade — Baltimore — viria justamente desse título dos Calvert, os senhores proprietários da colônia. Assim, antes mesmo de a cidade existir, o nome 'Baltimore' já estava ligado à fundação e ao governo de Maryland, numa terra fértil e estratégica junto à grande baía.
Baltimore foi fundada formalmente em 1729, num excelente porto natural sobre o rio Patapsco, na baía de Chesapeake. A localização se mostrou ideal para o comércio: a cidade cresceu rapidamente como centro de exportação dos produtos agrícolas da região, principalmente o tabaco no começo e, sobretudo, a farinha de trigo, que era moída nos muitos moinhos da área e enviada para as colônias do Caribe, para a Europa e para outros lugares.
Durante o século XVIII, Baltimore se consolidou como um dos portos mais movimentados das colônias e, depois, da jovem nação americana. Sua frota de veleiros rápidos — os célebres 'Baltimore clippers' — ficou famosa, e a atividade portuária, naval e comercial impulsionou o crescimento da população e da riqueza da cidade. A construção naval, especialmente em bairros como Fells Point, foi uma indústria-chave.
Depois da independência dos Estados Unidos, Baltimore continuou em ascensão. No início do século XIX, já era uma das maiores e mais prósperas cidades do país, um polo comercial entre o interior agrícola e o comércio marítimo internacional. Essa pujança, no entanto, também a colocaria na mira das potências rivais nos conflitos que estavam por vir.
O episódio mais célebre da história de Baltimore aconteceu durante a Guerra de 1812, o conflito entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. No verão de 1814, as tropas britânicas tinham incendiado Washington D. C. e, em seguida, miraram Baltimore, uma cidade importante e um ninho de corsários que atacavam o comércio britânico. Em setembro de 1814 foi travada a batalha de Baltimore, por terra e por mar.
A chave da defesa marítima foi o Fort McHenry, uma fortaleza em forma de estrela que protegia a entrada do porto. Durante a noite de 13 para 14 de setembro de 1814, a frota britânica bombardeou intensamente o forte, que resistiu ao ataque. Ao amanhecer, uma enorme bandeira americana continuava tremulando sobre a fortaleza, sinal de que a defesa tinha triunfado e de que os britânicos não conseguiriam tomar a cidade.
Essa imagem comoveu uma testemunha do bombardeio: o advogado Francis Scott Key, que observava de um navio, escreveu um poema inspirado pela visão da bandeira intacta. Esse poema, depois musicado, se tornaria 'The Star-Spangled Banner', adotado oficialmente como hino nacional dos Estados Unidos no século XX. Assim, Baltimore ficou ligada para sempre à origem do hino do país, e o Fort McHenry virou um símbolo patriótico.
O século XIX foi de grande transformação para Baltimore. A cidade se tornou um polo de transporte fundamental graças à ferrovia: a Baltimore & Ohio Railroad (B&O), fundada em 1827, foi uma das primeiras grandes linhas ferroviárias dos Estados Unidos, pioneira em ligar a costa atlântica ao interior do país. A ferrovia, somada ao porto, fez de Baltimore uma porta de entrada e saída de mercadorias e pessoas.
Essa condição de porto e polo ferroviário transformou Baltimore em um dos principais pontos de chegada de imigrantes aos Estados Unidos. Pelo seu porto entraram ondas de europeus — alemães, irlandeses, italianos, poloneses e muitos outros — que povoaram os bairros de casas geminadas de tijolo (rowhouses), tão característicos da cidade, e lhe deram sua diversidade cultural. Baltimore foi, nesse sentido, uma 'Ellis Island' do Atlântico Médio.
A cidade também cresceu como centro industrial, com manufaturas, fábricas de conservas (enlatados de alimentos e frutos do mar da baía), siderurgia e construção naval. Ao mesmo tempo, Baltimore carregava as tensões do país: situada num estado escravista que acabou não se separando da União durante a Guerra Civil Americana, foi palco de conflitos e de uma história complexa de escravidão, abolição e comunidade afro-americana livre, uma das mais numerosas do país antes da guerra.
Durante a primeira metade do século XX, Baltimore continuou sendo uma pujante cidade industrial e portuária, com grandes usinas siderúrgicas (como as de Sparrows Point), estaleiros e fábricas que empregavam milhares de pessoas. A cidade viveu um período de prosperidade ligado à produção industrial e ao seu porto, um dos mais movimentados da costa leste.
No entanto, na segunda metade do século, Baltimore passou pela dura transição que atingiu muitas cidades industriais do nordeste e do Meio-Oeste americano: o declínio da indústria pesada, a perda de empregos, a fuga da população para os subúrbios, a deterioração de bairros e problemas sociais e urbanos persistentes. O velho porto interno, antes o coração da atividade comercial, ficou degradado e semiabandonado.
A grande resposta foi a renovação do Inner Harbor. A partir dos anos 1970 e, principalmente, dos anos 1980, a cidade lançou um ambicioso projeto de recuperação do porto interno, transformando-o num espaço turístico, comercial e de lazer, com o National Aquarium, museus, pavilhões, hotéis e calçadões à beira d'água. O projeto virou um modelo de revitalização de orlas (waterfront) copiado por muitas outras cidades do mundo e deu a Baltimore uma nova cara turística.
A Baltimore de hoje é uma cidade que combina seu rico legado histórico e marítimo com uma identidade cultural muito forte e peculiar, resumida no apelido 'Charm City' (a Cidade do Encanto), que surgiu de uma campanha de divulgação nos anos 1970. É uma cidade de contrastes, com bairros elegantes e artísticos como Mount Vernon, distritos portuários cheios de vida como Fells Point e as inconfundíveis vizinhanças de rowhouses de tijolo, que são sua marca visual.
A cidade é um destino cultural de peso, com museus de arte gratuitos de primeira linha (o Baltimore Museum of Art e o Walters Art Museum), instituições científicas e históricas e uma herança literária notável: Edgar Allan Poe viveu e morreu em Baltimore, onde estão preservados sua casa e seu túmulo. A universidade Johns Hopkins, uma das mais prestigiadas do mundo em medicina e pesquisa, também é parte fundamental da cidade.
Baltimore mantém, além disso, seu vínculo profundo com a baía de Chesapeake e o mar, que se sente na gastronomia: o caranguejo-azul com tempero Old Bay e os crab cakes são um emblema local. Pertinho de Washington D. C., e com sua mistura de história, porto, cultura e personalidade, Baltimore se apresenta como uma cidade autêntica, com luzes e sombras, mas com um encanto que justifica plenamente o apelido.