Albuquerque é a maior cidade do Novo México, uma metrópole do deserto alto às margens do rio Grande e ao pé das montanhas Sandia. Mistura a herança hispânica e indígena do estado com uma identidade moderna e descontraída, e é conhecida no mundo todo por duas coisas: ser a capital do balonismo, sede do maior festival de balões do planeta, e ter sido o cenário da série 'Breaking Bad'.
A cidade combina um centro histórico colonial (Old Town), onde ela nasceu em 1706, com bairros modernos, museus, uma estrada histórica (a mítica Rota 66 passa por ela) e uma natureza espetacular: o teleférico Sandia Peak sobe a mais de 3.000 metros para contemplar a cidade e o deserto. Tudo isso com a marca da pimenta do Novo México, o chile, que aqui também define a gastronomia.
Este guia percorre o essencial de Albuquerque com olhar prático: o que ver na Old Town e nos museus, como é o famoso Balloon Fiesta de outubro, quando subir ao Sandia Peak, onde provar a culinária novo-mexicana, como combinar com Santa Fe (a uma hora) e quando ir. Albuquerque é a porta de entrada para o Novo México mais autêntico, com balões no céu, chile no prato e montanhas no horizonte.
O vale do rio Grande era habitado por povos indígenas muito antes da chegada dos europeus. Os espanhóis fundaram a vila de Alburquerque em 1706, batizada em homenagem a um vice-rei da Nova Espanha (daí o nome, que com o tempo perdeu o primeiro 'r'). Fez parte da Nova Espanha, depois do México (1821) e dos Estados Unidos a partir de 1846-1848. A ferrovia no fim do século XIX e a Rota 66 no século XX impulsionaram seu crescimento, e a ciência (Sandia, energia nuclear) marcou seu desenvolvimento moderno. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The 'Land of Enchantment': millennia-old cradle of the Pueblo peoples, the Navajo and the Apache, the oldest Hispanic heritage in the country, setting of the successful Pueblo Revolt of 1680, of the art of Santa Fe and of the atomic age born at Los Alamos.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes da chegada dos espanhóis, o vale do Rio Grande, onde hoje se estende Albuquerque, era habitado por povos indígenas que aproveitavam a água do rio para a agricultura em um ambiente desértico. A região faz parte do território histórico dos povos Pueblo (Pueblo peoples), comunidades agrícolas sedentárias que construíam aldeias de adobe e desenvolviam uma rica vida cerimonial e artística, herdeiras das antigas culturas ancestrais do sudoeste.
A escarpa de rocha vulcânica a oeste da cidade, hoje protegida como Petroglyph National Monument, conserva milhares de gravuras rupestres feitas ao longo dos séculos, testemunho dessa longa presença humana. Muitos desses petróglifos têm significado espiritual e cultural para os povos atuais, que os consideram parte do seu patrimônio sagrado.
Quando os europeus chegaram, o vale estava salpicado de aldeias pueblo. Essa raiz indígena não desapareceu com a colonização: ainda hoje, os 19 pueblos do Novo México mantêm viva a sua cultura, e Albuquerque abriga o Indian Pueblo Cultural Center, administrado por essas comunidades, como um dos principais centros para conhecer e honrar essa herança. A cidade moderna se ergue, literalmente, sobre uma das terras de ocupação mais antiga e contínua do país.
A vila de Albuquerque foi fundada em 1706 por colonos espanhóis, na época em que o Novo México era a fronteira norte do vice-reino da Nova Espanha. O governador da província, Francisco Cuervo y Valdés, estabeleceu o novo povoado e o batizou em homenagem ao então vice-rei da Nova Espanha, que tinha o título de duque de Alburquerque, uma localidade da Extremadura, na Espanha.
Daí vem o nome da cidade, que originalmente se escrevia 'Alburquerque', com dois erres, igual à vila espanhola. Com o tempo — já sob domínio norte-americano — o primeiro 'r' se perdeu no uso e a grafia ficou 'Albuquerque'. É uma curiosidade que ainda hoje chama a atenção dos visitantes.
A vila colonial cresceu em torno de uma praça e da igreja de San Felipe de Neri, no que hoje é a Old Town, seguindo o modelo urbano espanhol. Por mais de um século, Albuquerque foi um modesto povoado agrícola e pecuário do vale, integrado à rede de vilas e povoados do Novo México, ligado pelo Camino Real ao resto da Nova Espanha e marcado pela convivência, nem sempre pacífica, entre colonos hispânicos e comunidades indígenas.
Depois da independência do México em 1821 e da passagem para a soberania norte-americana em 1848 (após a guerra entre Estados Unidos e México), Albuquerque continuou sendo uma vila pequena até que um acontecimento a transformou: a chegada da ferrovia em 1880. Os trilhos passaram a pouco mais de três quilômetros do centro antigo, e ao lado da estação cresceu uma 'New Town' (cidade nova) que logo superou em movimento a velha vila colonial. Assim nasceu a dualidade entre a Old Town e o centro moderno que ainda se percebe hoje.
A ferrovia impulsionou o comércio, a população e a economia. Já no século XX, outra estrada marcaria a cidade: a lendária Rota 66, a 'estrada-mãe' que ligava Chicago a Los Angeles e cruzava Albuquerque pela Central Avenue. A Rota 66 trouxe o turismo rodoviário, com seus motéis de neon, diners e a cultura da viagem pelo oeste, que ainda se respira em alguns trechos da Central.
A cidade cresceu de forma constante, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, quando a região se tornou um centro de pesquisa científica e militar ligado à energia nuclear: os Sandia National Laboratories e a base da força aérea vizinha atraíram cientistas, engenheiros e novos moradores. Albuquerque passou assim de vila colonial à maior cidade do Novo México e a um polo tecnológico do sudoeste.
Nas últimas décadas, Albuquerque construiu uma identidade muito particular em torno dos balões de ar quente. A cidade reúne condições quase perfeitas para voar: clima estável, céu limpo e um fenômeno de ventos local — a chamada 'caixa de Albuquerque' — que permite aos pilotos mudar de direção em diferentes altitudes e, com sorte, voltar perto do ponto de partida. Foi sobre essa vantagem natural que nasceu, no começo dos anos 1970, o Albuquerque International Balloon Fiesta.
O Balloon Fiesta cresceu até se tornar o maior evento de balões do mundo, com centenas de balões enchendo o céu a cada amanhecer de outubro e atraindo centenas de milhares de visitantes. A imagem de dezenas de balões coloridos sobre o deserto, com as montanhas Sandia ao fundo, virou um símbolo internacional da cidade.
A essa fama se somou, já no século XXI, a do cinema e da televisão: Albuquerque foi o cenário de séries de enorme sucesso como 'Breaking Bad' e 'Better Call Saul', o que atraiu filmagens e um novo tipo de turismo. Hoje Albuquerque combina sua profunda herança indígena e hispânica — visível na Old Town, na culinária do chile e nos pueblos vizinhos — com uma identidade moderna, científica e descontraída, sob um céu que a cada outubro se enche de balões.